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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Exercícios de História Medieval: Do Feudalismo à Crise do Século XIV (Ensino Médio)


Sabendo que grande parte dos professores e estudantes buscam pelas soluções dos seus problemas na Internet, resolvi postar neste espaço alguns exercícios retirados de provas de vestibulares. Vale ressaltar que será muito mais importante, o professor modificar os exercícios de acordo com o que foi ensinado na sala de aula. Afinal de contas, cabe ao professor ter o conhecimento da realidade da turma que leciona.

Veja também:

Questões de ENEM e Vestibular
Questão 01. (Fatec-SP) Uma das características a ser reconhecida no feudalismo europeu é:

a) A economia do feudo era dinâmica, estando voltada para o comércio dos feudos vizinhos.
b) A sociedade feudal era semelhante ao sistema de castas.
c) As relações de produção eram escravocratas.
d) Os ideais de honra e fidelidade vieram das instituições dos hunos.
e) Os servos estavam presos a várias obrigações, entre elas o pagamento anual da capitação, talha e banalidades.

Questão 02. (UFPA) Nas relações de suserania e vassalagem dominantes durante o feudalismo europeu, é possível observar que:

a) A servidão representou, sobretudo na França e na Península Ibérica, um verdadeiro renascimento da escravidão conforme existia na Roma imperial.
b) As principais instituições sociais que sustentavam as relações entre senhores e servos eram de origem muçulmana, oriundos da longa presença árabe na Europa Ocidental.
c) Mesmo dispondo de grandes propriedades territoriais, os suseranos eclesiásticos não mantinham a servidão nos seus domínios, mas sim o trabalho livre.
d) O sistema de impostos incidia de forma pesada sobre os servos. O imposto da mão morta, por exemplo, era pago pelos herdeiros de um servo que morria para que continuassem nas terras pertencentes ao suserano.
e) Os suseranos leigos, formados pela grande nobreza fundiária, distinguiam juridicamente os servos que trabalhavam nos campos dos que produziam nas cidades.

Questão 03. (UFU-MG) A Alta Idade Média (Século V a X) tem como uma de suas características singulares, que a define historicamente:

a) A consolidação e generalização do trabalho servil.
b) A formação das cruzadas para combater os infiéis do Islã.
c) O desaparecimento dos reinos germânicos no Ocidente.
d) O desenvolvimento, com posterior centralização do poder real.
e) O renascimento comercial, que reorienta a vida econômica feudal.

Questão 04. (UFJF-MG) O islamismo, religião fundada por Maomé e de grande importância na Unidade Árabe, tem como fundamento:

a) A concepção do islamismo vinculado exclusivamente aos árabes, não podendo ser professado pelos povos inferiores.
b) O culto dos santos e profetas através de imagens e ídolos.
c) O monoteísmo, influência do cristianismo e do judaísmo, observado por Maomé entre os povos que seguiam essas religiões.
d) O politeísmo, isto é, a crença em muitos deuses, dos quais o principal é Alá.
e) O princípio da aceitação dos desígnios de Alá em vida e a negação de uma vida pós-morte.

Questão 05. (Vunesp-SP) O islamismo, ideologia difundida a partir da Alta Idade Média em que o poder político confunde-se com o poder religioso, era dotado de certa heterogeneidade, o que pode ser constatado na existência de seitas rivais como:

a) Cristãos e Muezins
b) Politeístas e Monoteístas
c) Sunitas e Cristãos
d) Sunitas e Xiitas
e) Xiitas e Politeístas

Questão 06. (FGV-SP) A hégira, um dos eventos mais importantes do islamismo e que marca o início do calendário islâmico, corresponde:

a) À entrada triunfal de Maomé em Meca em 630.
b) À fuga de Maomé e seus seguidores de Meca para Medina.
c) À revelação de Maomé que lhe foi transmitida pelo arcanjo Gabriel.
d) Ao casamento de Maomé com uma rica viúva, dona de camelos.
e) Ao grande incêndio da Caaba em Meca em 615.

Questão 07. (Fuvest-SP) As feiras na Idade Média constituíram-se:

a) Áreas exclusivas de câmbio das diversas moedas europeias.
b) Instituições carolíngias para renascimento do comércio abalado com as invasões no Mediterrâneo.
c) Instrumentos de comércio local das cidades para abastecimento cotidiano dos seus habitantes.
d) Locais de comércio de amplitude continental que dinamizaram a economia da época.
e) Locais fixos de comercialização da produção dos feudos.

Questão 08. (FVP-SP)A teoria segundo a qual “Deus predestina uma parte do gênero humano a salvar-se e abandona o restante à perdição” foi defendida, na Idade Média, por:

a) Santo Agostinho
b) Santo Tomás de Aquino
c) São Clemente
d) São Gregório Magno
e) São Jerônimo

Questão 09. (Fuvest-SP) Do Grande Cisma do Oriente sofrido pelo cristianismo no século XI, resultou:

a) A divisão da Igreja em Católica Romana e Ortodoxa Grega.
b) A heresia dos Albigenses, condenada pelo papa Inocêncio II.
c) A Querela das Investiduras, que proibia a investidura de clérigos por leigos.
d) A Reforma protestante, que levou à quebra da unidade da Igreja Católica na Europa Ocidental.
e) O estabelecimento dos tribunais da Inquisição pela Igreja Católica.

Questão 10. (Vunesp-SP) A partir do século XII, em algumas regiões europeias, nas cidades em crescimento, comerciantes, artesãos e bispos aliaram-se para a construção de catedrais cm grandes pórticos, vitrais e rosáceas, produzindo uma “poética da luz”, abóbadas e torres elevadas que dominavam os demais edifícios urbanos. O estilo da arte da época é denominado:

a) Barroco.
b) Bizantino.
c) Gótico.
d) Renascentista.
e) Românico.

Questão 11. (Cescem-SP) As corporações de ofício eram organizadas com o objetivo de:

a) Aplicar os princípios religiosos às atividades cotidianas.
b) Combater os senhores feudais.
c) Defender os interesses dos artesãos diante dos patrões.
d) Proporcionar formação profissional aos jovens fidalgos.
e) Proteger os ofícios contra a concorrência e controlar a produção.

Questão 12. (FEI-SP) Os problemas das heranças feudais, que haviam confundido destinos e províncias, tornaram inevitável a Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra. A eclosão desse conflito:

a) Deu-se no primeiro quartel do século XI, a partir de problemas na sucessão do trono francês sobre o qual a Inglaterra tinha fortes interesses.
b) Teve como causa principal a disputa pela região de Flandes que, feudatária da França, atraía fortes interesses econômicos da Inglaterra.
c) Ocorreu na primeira metade do século XIV, a partir da disputa entre os dois países sobre inúmeros territórios flamengos e italianos.
d) Foi provocada pelas disputas políticas entre a Rosa Vermelha (de Lancaster) e a Rosa Branca (de York)
e) Aconteceu devido a interesses manufatureiros da França sobre Flandes, região feudatária da Inglaterra.

Questão 13. (FGV-Adm) A chamada “crise do século XIV”, na Europa Ocidental, caracterizou-se por um conjunto de fatores como más colheitas, fome, epidemias, rebeliões camponesas e guerras. Pode-se dizer que tais elementos

a) abalaram o sistema feudal, provocando uma acentuada queda demográfica, num processo inverso ao da expansão verificada entre os séculos XI e XIII.
b) contribuíram para o aumento relativo da população das cidades, onde os índices de mortalidade eram menores que no campo.
c) fizeram diminuir as taxas e obrigações senhoriais que recaíam sobre os servos e levaram à adoção da escravidão de africanos nos senhorios feudais.
d) fortaleceram as instituições medievais, principalmente o caráter internacional das universidades.
e) provocaram um enfraquecimento geral da cristandade, sobretudo na península Ibérica, o que permitiu uma nova ofensiva islâmica na região.

Questão 14. (FMABC-SP) “[A peste negra] era transmitida essencialmente pelos parasitas, principalmente as pulgas e os ratos. Era uma doença exótica, contra a qual os organismos dos europeus não tinham defesas. Veio da Ásia pela rota da seda. Veja: a epidemia, essa catástrofe, é, portanto, também um dos efeitos do progresso, do crescimento.”
Georges Duby. Ano 1000 Ano 2000. Na pista de nossos medos.
São Paulo: Editora da Unesp, 1998, p. 80

A partir do texto, que trata do aparecimento da peste negra na Europa do século XIV, podemos dizer que

a) a integração entre regiões diferentes do planeta, provocada pelo comércio e por intercâmbios culturais, também pode contribuir para a disseminação de doenças.
b) as doenças ficam em geral confinadas ao local de manifestação original e quando se alastram para outras áreas não provocam grandes problemas nem geram epidemias.
c) epidemias, como a peste negra, são provocadas pela ira divina e não podem ser tratadas pelos homens, a não ser que a medicina recorra a procedimentos religiosos.
d) más condições de higiene e a falta de um sistema unificado de atendimento médico foram os principais responsáveis pela proliferação dos parasitas que provocaram a peste negra.
e) problemas de saúde, como a peste negra, derivam sempre da miséria social e as epidemias avançam apenas em períodos de crise econômica e conflitos sociais.

Questão 15. (ENEM 2001) O texto abaixo reproduz parte de um diálogo entre dois personagens de um romance.

- Quer dizer que a Idade Média durou dez horas? – Perguntou Sofia.
- Se cada hora valer cem anos, então sua conta está certa. Podemos imaginar que Jesus nasceu à meia-noite, que Paulo saiu em peregrinação missionária pouco antes da meia-noite e meia e morreu quinze minutos depois, em Roma. Até as três da manhã a fé cristã foi mais ou menos proibida. (…) Até as dez horas as escolas dos mosteiros detiveram o monopólio da educação. Entre dez e onze horas são fundadas as primeiras universidades.
(Adaptado de GAARDER, Jostein. O Mundo de Sofia, 


Romance da História da Filosofia. São Paulo: Cia das Letras, 1997).

O ano de 476 d.C., época da queda do Império Romano do Ocidente, tem sido usado como marco para o início da Idade Média. De acordo com a escala de tempo apresentada no texto, que considera como ponto de partida o início da Era Cristã, pode-se afirmar que

a) as Grandes Navegações tiveram início por volta das quinze horas.
b) a Idade Moderna teve início um pouco antes das dez horas.
c) o Cristianismo começou a ser propagado na Europa no início da Idade Média.
d) as peregrinações do apóstolo Paulo ocorreram após os primeiros 150 anos da Era Cristã.
e) os mosteiros perderam o monopólio da educação no final da Idade Média.


Questões para Redação e Reflexões Conceituais
Questão 01. (Fuvest-SP) A partir do século XI, na Europa ocidental, os poderes monárquicos foram lentamente se reconstituindo e em torno deles surgiram os diversos Estados nacionais. Explique as razões desse processo de centralização política.

Questão 02. (Vunesp) A Idade Média pode ser caracterizada por um longo processo de desenvolvimento e de lenta dissolução das relações servis de produção. Relacione os fatores históricos estruturais e conjunturais que contribuíram e influíram na formação do sistema medieval.

Questão 03. Como se estruturava a sociedade medieval?

Questão 04. (Mauá-SP) Qual a diferença entre as obrigações de um vassalo e as de um servo, na sociedade medieval?

Questão 05. (Fuvest - 2008) Se, para o historiador, a Idade Média não pode ser reduzida a uma “Idade das Trevas”, para o senso comum, ela continua a ser lembrada dessa maneira, como um período de práticas e instituições “bárbaras”. Com base na afirmação acima, indique e descreva:

a) duas contribuições relevantes da Idade Média.

b) duas práticas ou instituições medievais lembradas negativamente.

Respostas

Questões de ENEM e Vestibular
Questão 01. Letra E
Questão 02. Letra D
Questão 03. Letra B
Questão 04. Letra C
Questão 05. Letra D
Questão 06. Letra B
Questão 07. Letra D
Questão 08. Letra A
Questão 09. Letra A
Questão 10. Letra C
Questão 11. Letra E
Questão 12. Letra B
Questão 13. Letra A
Questão 14. Letra A
Questão 15. Letra A


Questões para Redações e Reflexões Conceituais
Questão 01. O processo de centralização política ocorreu sob a forma de monarquias nacionais: a burguesia e o rei se aliavam para acabar com os entraves ao comércio e aumentar o poder real. Desde o renascimento comercial e urbano, no século XI, os sistema feudal era um obstáculo ao desenvolvimento comercial, com vários pedágios e tributos, pesos e medidas diferentes de feudo para feudo.

Questão 02. Espera-se que o aluno descreva que o sistema feudal foi resultado da lenta integração, ocorrida entre os séculos V e IX, de estruturas romanas e germânicas. As bases romanas do feudalismo encontra-se no processo de ruralização do Império, surgimento de vilas (origem dos feudos) e na relação de trabalho chamada de colonato (origem da servidão). As bases germânicas são as relações de suserania e vassalagem, originados do comitatus germânico, e por fim, o direito consuetudinário que era baseado nos costumes e não na lei escrita.

Questão 03. A sociedade feudal era estamental, ou seja, não havia mobilidade social. Haviam três ordens, como descrito no "Documentos da Idade Média: Das três ordens ao comércio na China": O clero, os nobres e os servos. Os senhores feudais (que podem ser representantes do Clero e da Nobreza) eram os proprietários dos feudos. A maioria da população era composta de servos e vilões. Os servos eram camponeses semilivres, presos à terra. Os vilões não estavam presos à terra, mas deviam várias obrigações ao senhor feudal.

Questão 04. O vassalo pertencia à nobreza feudal e, em troca da doação de uma parcela de terra, devia ao suserano (o doador) obrigações, como colocar seu exército à disposição dele, dar-lhes hospedagem e contribuir para o dote de seus filhos. Um servo trabalhava nas terras de um senhor feudal, fosse suserano ou vassalo. O servo devia, pelo uso de um lote do feudo, a corveia, a talha e a banalidade.

Questão 05.
a) Contribuições relevantes: arquitetura gótica, representada sobretudo pelas catedrais e caracterizada pela monumentalidade, verticalidade e novos recursos arquitetônicos, com destaque para o arco ogival ou gótico; e as “grandes invenções” – pólvora, bússola, papel e imprensa – que, embora parcialmente de origem chinesa, foram introduzidas na Europa e aperfeiçoadas na Idade Média; tais invenções tiveram extraordinária importância para o desenvolvimento intelectual e para a expansão geográfica que floresceriam no início dos tempos modernos. 
b) Práticas ou instituições lembradas negativamente: a prática da bruxaria, em decorrência da ignorância predominante na época; e a instituição do Tribunal da Inquisição, com o emprego sistemático da tortura em seus interrogatórios.

domingo, 1 de junho de 2008

Análise da "Transição de Feudalismo ao Capitalismo – Dobb & Sweezy"

Segundo Paul Sweezy, Maurice Dobb define feudalismo como sendo servidão e esta seria “uma obrigação ao produtor pela força, independente de sua vontade, no sentido de cumprir certas exigências econômicas de um senhor, quer sob forma de serviços a serem prestadas ou de tributos a serem pagos em dinheiro ou espécie.” (p. 33), esta definição foi retirada do texto de Maurice Dobb Studies in the development of capitalism, em que Dobb, segundo Sweezy utilizará praticamente como equivalente os dois termos.

Para Sweezy essa definição é falha, pois não identifica o Feudalismo como um Sistema de Produção, é segundo ele, uma má leitura de Marx, o termo servidão não pode ser considerado, portanto, congruente com Feudalismo, pois “alguma forma de servidão pode existir em sistemas que nada tem de feudal; e mesmo como relação dominante de produção, a servidão tem estado associada com diferentes formas de organização econômica em diferentes épocas e em diferentes regiões” (p.33). Citando Engels e Marx ele refutará a tese de Dobb, e dirá que “o que Dobb está definindo não é em verdade um sistema social, mas uma família de sistemas sociais, todos baseados na servidão” (p. 33), não obstante, segundo Sweezy é preciso identificar qual membro da família Dobb está estudando. Este está bem claro e é o Feudalismo na Europa Ocidental, mas especificamente a região à qual se delimita hoje à Inglaterra.

Maurice Dobb em sua Réplica, rejeitará essa teoria. A definição por servidão pode não ser “apenas a prestação de serviços compulsórios mas a exploração do produtor mediante coação direta político-legal” (p. 57), definição que Paul Sweezy rejeita, pois para ele pode-se “encontrar elementos de coação direta político-legal sobre o trabalho em períodos” (p.57) diferentes. Contudo, ao citar Paul Sweezy que considera a definição de Dobb do Feudalismo como virtualmente idêntico à servidão, abrangindo com isso, algo mais amplo e sendo assim deve ser analisado com cuidado. Porém, quando Sweezy se refere a um Sistema de Produção pondo em contraste este a um modo de produção segundo Marx, Dobb refutará dizendo se assim o for a característica do feudalismo segundo Sweezy seria “um sistema de produção para uso” (p. 58), diferente de Dobb.

Com o declínio do feudalismo as cidades começam a reaparecer, a superexploração da força de trabalho, fez com que houvesse um colapso no feudalismo, segundo a teoria de Dobb, “os servos desertaram das propriedades senhorias em masse, e os que permaneceram eram muitos poucos e demasiadamente sobrecarregados para permitir que o sistema se mantivesse na sua antiga base.” (p.37). Essa fuga de servos para as cidades que segundo a Teoria de Dobb, ocorreu e que caracterizou-se como uma causa importante na declínio das relações feudais, assim esta pode ser explicada como se este processo fosse interno ao sistema feudal.

Contudo Paul Sweezy irá discordar e dirá que “os servos não podiam simplesmente desertar das senhorias, não importa quão severos pudessem tornar-se seus senhores, a menos que tivessem para onde ir” (p. 39). Aí está a chave da questão para Paul Sweezy, que considera que o processo não pode ser considerado interno e sim, externo, para ele com o crescimento do comércio de longa distância como parte externa da desarticulação, o feudalismo declinou, e tomando de empréstimo alguns dos argumentos de Maurice Dobb, irá dizer que, com a entrada de produtos cada vez mais sofisticados, a superexploração da força de trabalho aumentou, gerando assim uma fuga de servos para as cidades. O que ele acrescenta a tese de Dobb é que somente com liberdade de emprego e a melhoria da posição social esses servos poderiam fugir para as cidades, ou seja, somente quando os “burgueses, necessitando de maiores contingentes de mão-de-obra e de mais soldados para fortalecer seu poderio militar” (p. 39), poderia fazer com que esses servos deixassem sua condição jurídica, evadindo o campo, invadindo as cidades. Esta seria uma questão fundamental que para Paul Sweezy, Maurice Dobb não pensou ou prestou pouca atenção. Com essa teoria o desenvolvimento das cidades, segundo Sweezy, apareceria como uma conseqüência natural, tendo seus agentes internos, sem deixar os aspectos externos da teoria de Sweezy, para ele “a opressão de que fala Dobb foi um fator importante a predispor os servos à fuga, mas por si mesma difilcimente teria originado uma emigração de grandes proporções.” (p. 40). Para completar Sweezy fala a teoria de Dobb poderia ser salva se fosse possível uma comprovação “que a ascensão das cidades foi um processo interno ao sistema feudal” (p. 40), contudo, ele não afirmou e finaliza dizendo que “ele toma uma posição eclética sobre a questão da origem das cidades medievais, mas reconhece que seu crescimento em geral guardava proporção com sua importância como centros de comércio” (p. 40). Aqui se encontra o que Paul Sweezy deseja “comércio”, para ele palavra-chave para dizer que Dobb não poderia sustentar a sua tese, pois o comércio não pode ser considerado de forma alguma como economia feudal e por isso, o desenvolvimento da vida urbana não pode ser considerado como conseqüência de causas feudais internas.

Em sua Réplica Maurice Dobb falará que não se preocupa em discutir “se esta fuga de servos deveu-se mais à atração desses imãs urbanos... ou à força de repulsão exercida pela exploração feudal. Evidentemente ambas as forças agiram, com pesos diferentes, em diferentes locais e épocas. O efeito específico dessa fuga, porém, deveu-se ao caráter específico da relação entre servo e explorador.” (p. 60). Com isso, Dobb não concorda com a idéia de Sweezy em “obrigar” Maurice Dobb a mostrar que a fuga de servos pode ser explicada por forças que atuavam dentro do sistema feudal e que a ascensão das cidades foi um processo interno, mostrando suas razões, Dobb completará dizendo que “Sweezy se equivoca ao afirmar que existe uma correlação necessária entre a desintegração feudal e a proximidade dos centros de comércio” (p. 60). Para Dobb, Sweezy peca ao afirmar isso e ele mostra dois exemplos que ele citou no Studies deixando claro que essa relação não pode ser descrita, mas sim a relação “entre proximidade dos mercados e o fortalecimento da servidão” (p. 61)

O papel das cidades como local para onde os servos iam é claro e senso comum nos dois casos, o que está implícito aqui é como estes servos foram para as cidades, neste caso os dois autores discordam em certos aspectos, o olhar de cada autor estará ligada a sua formação teórico-metodológica.

Pelo que se percebe com o crescimento das cidades, uma classe de trabalhadores especializados começam a surgir e com isso, o artesanato que antes era para consumo próprio toma agora uma característica comercial, com o excedente produzido. O que cabe aqui é saber como cada autor pensa a esse respeito.

Para Paul Sweezy, o comércio de longa distância faria entrar no sistema feudal produtos sofisticados que faria os senhores feudais aumentar a carga de trabalho dos servos, pois estes queriam mais dinheiro para poder comprar estes produtos, essa carga de trabalho excessiva resultaria na fuga de servos para as cidades, atraídos por uma série de imãs urbanos tendo conseqüência o aumento do trabalho expendido nos servos restantes, estes não suportariam esse aumento na carga de trabalho e por isso, continuavam fugindo resultando assim na crise do sistema feudal, as cidades ficariam cheias de trabalhadores e os burgueses aproveitariam esta mão-de-obra para aumentar seus lucros com o comércio interno e externo, para isso eles teriam que produzir cada vez mais produtos nas próprias cidades. Citando Sweezy “Quando... começou a implicar o estabelecimento de centros de comércio e entrepostos locais um fator qualitativamente novo surgiu, pois esses centros, ainda que baseados no comércio a longa distância, tornaram-se inevitavelmente geradores de produção de mercadorias, por si próprios.” (p. 41). Assim o seu artesanato, “que era a concretização de uma forma de especialização e de divisão de trabalho superior ao que a economia senhorial jamais conhecera, não apenas fornecia os bens de que necessitava a própria população urbana, como ainda fornecia os que a população rural podia comprar com o produto das vendas no mercado da cidade” (p. 41-2). Com isso, o comércio de longa distância é quem impulsionou o comércio interno, deixando com o tempo o lugar de papel primário nas economias urbanas, ele é, portanto, a força motriz e criativa da mudança de um sistema de produção de uso para o de troca.

Sweezy ainda completará seu discurso citando quatro correntes de influência dessa mudança: a primeira é a ineficiência da organização senhorial de produção; a segunda seria a mera existência do valor de troca como um fato econômico de vulto tende a transformar a atitude dos produtores; em terceiro estaria à evolução dos gostos da classe feudal dominante e em quarto estará o desenvolvimento das cidades.

Dobb não negará “que o crescimento das cidades mercantis e do comércio desempenharam importante papel na aceleração da desintegração do antigo modo de produção. O que afirmo é que o comércio exerceu sua influência na medida em que acentuou os conflitos internos no antigo modo de produção” (p. 60), ou seja, conflitos internos no antigo modo de produção seriam o fator preponderante, no qual resultaria um processo de mudança no sistema feudal, fazendo com que as cidades crescessem, incorporando com isso um comércio, começando a surgir assim uma diferenciação social neste pequeno modo de produção. Vale ressaltar que somente com o surgimento das cidades que o artesanato, através das guildas começa a ganhar ares de produção para troca, antes disso ele tinha um caráter de produção para uso, percebe-se, portanto que os dois autores concordam neste ponto, a sua diferença persiste no força motriz desse processo de transição.

Por outro lado, quando se refere ao capital mercantil Paul Sweezy citando Dobb, irá demonstrar que, como há uma falta de provas referentes a este tema, Dobb utilizará em massa dos escritos de Marx e Engels, contudo ele fará uma má leitura destes escritos, cita Sweezy.

Segundo Sweezy, Dobb citará o capítulo de Marx sobre o “Capital Mercantil (III, Cap. 20) em apoio à sua opinião de que o capital industrial se desenvolve por duas maneiras principais”. A primeira seria “a via realmente revolucionária” e a segunda é que “uma parte da classe mercantil existente começou a ‘apossar-se diretamente da produção’, portanto ‘servindo historicamente como modo de transição’” (p. 52). Para Sweezy, Marx em nenhum momento falará em “capitalistas emergindo das fileiras dos produtores artesãos” (p. 54) mas que “o produtor torna-se portanto um mercador e capitalista” (p. 54).

Dobb em sua réplica, falará que ele crer ter bastante provas sobre a questão que Sweezy demonstrou, citando o seu livro Studies e outros, para ele “isso fornece, a meu ver, a chave para a compreensão dos alinhamentos de classe da revolução burguesa: em particular, a razão pela qual o capital mercantil, longe de desempenhar sempre um papel progressista, era freqüentemente aliado à reação feudal” (p. 64). Isto ficará mais claro quando se pensar no feudalismo da parte oriental da Europa, enquanto a parte ocidental estava em processo de transição os laços feudais se fechavam ou ressurgiam cada vez mais na parte oriental da Europa, um reforço, ou melhor, uma reação do feudalismo.

A transição do feudalismo para o capitalismoTraduzido por Isabel Didonnet. 5. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977. 247 p. (Pensamento crítico; 18).