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sábado, 7 de setembro de 2013

Um pouco da História da Filarmônica "Dois de Julho"


Por Zevaldo Luiz Rodrigues de Sousa
Professor de História - Formado pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
Data de Publicação: 07 de setembro de 2010

Uma das principais filarmônicas da cidade, a “Filarmônica Dois de Julho” é fruto do desejo de músicos instrumentistas das antigas filarmônicas e recreativas que existiam nesta cidade, antes da sua fundação em 7 de setembro de 1886.

A “Mnemósine” foi a primeira filarmônica existente no município, mas não durou muito, extinguindo-se em menos de uma década. Desta surgiram três instituições: Como os seus músicos eram dignos de assim serem chamados, fundaram a “Filarmônica Terpsícore Popular”, a “Sociedade Musical Euterpe” e em 1886, a “Recreativa 2 de Julho”, esta última somente com o propósito de ensinar danças à juventude.

Todavia, os associados da “Sociedade Musical Euterpe” entraram em divergências por motivos não encontrados nos documentos, dissolvendo-se, muito mais rápido do que a sua entidade materna, a “Mnemósine”. Um novo processo de união foi pensado, refletido e posto em prática. Músicos da já extinta “Sociedade Musical Euterpe” unem-se à “Recreativa 2 de Julho, fundando a então conhecida por todos como “Filarmônica 2 de Julho” elegendo presidente Absalão Gonçalves dos Santos. Hoje a instituição musical está em processo de transição para começar a ser chamada de “Sociedade Filantrópica e Recreativa Filarmônica e Sinfônica 02 de Julho”.

Segundo Osvaldo Sá, a instituição do pavilhão verde e amarelo, passou a funcionar em um prédio alugado na “rua de Santana, com ângulo para a rua do Fogo e fachada para o nascente.”, esta rua depois seria chamada de Barão de Rio Branco e atualmente é conhecida como D. Macedo Costa. O prédio pertencia a Absalão Gonçalves dos Santos e foi adquirido pela Suerdieck S/A e demolido. Só para se ter uma idéia, ela ficava ao lado do atual prédio de grades de ferro que funciona atualmente a Secretaria de Finanças de Maragogipe. O atual prédio foi adquirido em 1897, já sob presidência de Bento José Malaquias. Contudo, as reformas desejadas e às características projetadas por Salomão da Silveira, só vieram a acontecer muito depois e em 27 de maio de 1951 foi inaugurado, com muita festa, o “Palacete 2 de Julho”.

A escolha do nome “2 de Julho” e das cores “verde e amarelo”, segundo Ronaldo Souza, são marcas necessárias da luta ainda viva do povo baiano para eliminação das reminiscências portuguesas. O fato de ter sido fundada em 7 de setembro de 1886, é motivo para que nós, baianos, lembremos sempre que a data correta da nossa independência é o “2 de Julho”, por isto, esta instituição não nos lega somente um aparato de notas musicais, mas também um sentimento verdadeiro tipicamente baiano de luta e preservação da nossa história.

Como todo maragogipano que se preze, no autêntico sentido da democracia, o partidarismo e as rivalidades se sobressai até nas notas musicais, mas afinal quem dá as melhores notas? Uns, maragogipanos, principalmente àqueles que moravam na Enseada, no início do século XIX e em meados do mesmo século, no bairro do Cajá, adoravam a notas da “Filarmônica 2 de Julho” e quando esta passava pela avenida, era uma festa só. Outros, com especial apreço dos habitantes do Porto Grande, já preferiam às notas da “Terpsícore Popular”. Posso garantir, que as melhores notas são dadas pelos maragogipanos que nestas duas instituições se deliciam com apreço à arte musical, e com toda certeza, quem ganha é a nossa Maragogipe.

Na história da “Filarmônica 2 de Julho”, não pode ser separada da “Terpsícore Popular” devidos aos múltiplos encontros e desencontros. Nos dois casos, logo no início do século XIX, quando às filarmônicas saiam pelas noites, apresentando-se de porta-em-porta, seja com as pessoas nas em pé na porta de suas casas ou de bruços nas janelas, traziam consigo momentos de alegria e entretenimento, pois naqueles dias, não se tinha outro tipo de diversão, nem muito menos televisão, apenas conversas paralelas à velocidade da luz dos candeeiros em punho, marcando com isso, um dos “F”s da nossa sociedade. Ao fim das apresentações, palmas e gritos de vivas eram a mais singela e humilde forma de agradecimento que a pessoas poderiam dar, visto que detinham pouquíssimas formas de agradecer devido seu baixo poder aquisitivo. Aliás, as apresentações tinham um sentido inverso. Os músicos queriam, na verdade, agradecer à população, aos seus pais e amigos pelo incentivo que esses davam durante o dia a dia, retribuindo todo o esforço em forma de alegria e música. Ronaldo Souza assim descrevia “Há um bairro tradicionalmente querido pela Filarmônica e vice-versa: é o bairro do Cajá, talvez devido ao grande número de famílias que ali se instalavam: a Malaquias, a Souza, a Carvalho, dentre outras. Todas Dois de Julho!”. Perceba que esse “Todas” da última frase, nos traz o sentido da amizade e da participação efetiva.

Em toda sua vida, a “Filarmônica 2 de Julho” ganhou inúmeros títulos e troféus, sendo, portanto, orgulho em Maragogipe. Dos diversos músicos notáveis que por ela passaram, alguns são a inspiração para os mais novos componentes, falam-se muito nos irmãos Alfredo Rocha, Firmino Rocha e Antônio Rocha; em Anísio Bahia e nos irmãos André e Andrelino; outros também são citados e são de igual peso e importância.

Quando a instituição esteve sob a administração de Silvio José Santana Santos, o prédio foi reformado e ampliado, hoje já sob a responsabilidade de Djalma Reis Caldas, há no prédio, além da instituição, o InfoCentro Professora Valquíria Armede Ribeiro, inaugurado em 23 de junho de 2007; recentemente recebeu um auxílio financeiro do Governo do Estado para a aquisição de novos instrumentos e outros serviços de manutenção e a administração está pensando no futuro, refletindo sob seu passado glorioso, quando a “Recreativa 2 de Julho” ensinava aulas de dança.

É, a responsabilidade social sempre foi sua marca!!

Um VIVA à Dois de Julho!!!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Diógenes Monteiro Guimarães, o grande Didi da Baiana

Por: Joilson Santana

Diógenes Monteiro Guimarães nasceu na cidade Heróica em 1º de julho de 1931. Trabalhava seu Didi como era chamado, na Companhia de Navegação Baiana e em 1962 foi transferido para Maragogipe onde viveu ate o dia de sua morte. Compositor, poeta e músico de primeira ganhou várias premiações pelas suas composições em muitas cidades da Bahia.

Era seu Didi da Baiana um grande maragogipano, mesmo tido nascido e vivido em Cachoeira por 31 anos tinha ele com certeza um amor incondicional por esta terra e pela festas da cidade, mostrando isso em um documentário sobre a festa de São Bartolomeu onde disse: “Estou aqui a 40 anos e ainda não perdi uma Lavagem depois que aqui cheguei.”

Com sua boa viola de baixo do braço alegrou muita gente com suas serestas, e tocou corações com seus grandes poemas. Era sem dúvida um grande instrumentista, digo isso por ter presenciado ensaios do quarteto de chorinho de fazia parte juntamente com Dica, Edson Soares e Roque Adson, onde dava seus acordes e ao mesmo tempo dava mordidas na língua como se estivesse saboreando o que estava tocando.

O grande mestre deixou a sua querida terra no dia 29 de maio de 2010, e tristemente perdemos uma parte de nossa cidade. Assim se foi Didi da Baiana ao som de tradicionais músicas de grandes autores e de sua própria autoria em um sepultamento emocionante. A Tribuna Popular homenageiou esse homem que fez história e que nunca será esquecido.

Fonte: Tribuna Popular, edição 3, publicada no dia 07 de junho de 2010.

Heráclio Paraguassú Guerreiro - Mestre Imortal

Por: Joilson Santana

Heráclio Paraguassú Guerreiro nasceu na cidade de Maragogipe, em 13 de março de 1877 e faleceu na mesma em 18 de maio de 1950, filho do senhor João Primo Guerreiro. Com 12 anos de idade, entrou na escola de música da Filarmônica Terpsícore Popular de Maragogipe em que discretamente começou a aprender a arte musical contrariando a vontade de seus pais. A caixa foi o seu primeiro instrumento depois de um ano. Em 1895 fundou, aos 18 anos o grupo “Harpa Mariana” a qual foi regente. Autodidata, mas com potencial espetacular, Heráclio destaca-se mais e mais quando inicia as suas composições.

Em 10 de setembro de 1910, quando agravou o estado de saúde do senhor Theodoro Borges da Silva que foi um dos fundadores, primeiro e atual regente da Terpsícore na época, foi concedida a Heráclio a posse da regência, tendo ele fundido o grupo “Harpa Mariana” a Terpsícore, criando então nova fase com progresso para a filarmônica que regeu por quase 40 anos.

Suas composições são indiscutivelmente exímias obras de arte, tendo Heráclio chegado a compor mais de 600 partituras entre elas dobrados, marchas, fantasias, novenas, rapsódias, valsas, boleros, sinfonias, e etc. Em sua obra temos como destaque algumas de suas composições como: O Rebate, Ronaldo Souza, Cap. Juracy Magalhães, O Registrado, Oscar Guerreiro, Hybernon Guerreiro, Ao Passeio, Filoca Santana, Liliu, Chuva de Ouro, Bendita, Virgem de Sión, dobrado “América” que no meio do trio tem o canto do sabiá , dobrado “Os corujas” que em meio a sua execução tem o gorjeio da coruja, O Rabi da Galiléia e a Canção no Saara que ganharam premiações na Alemanha. A música do nosso compositor é conhecida nacionalmente e internacionalmente, ouvida no Norte da América e pela Europa.

Muitos maestros baianos comentam de forma impressionante o trabalho desse mestre, por exemplo, o maestro Fred Dantas que com toda a sua etno-musicologia define bem a importância de Heráclio para a musica de filarmônica: “Não há música mais simples, ou menos bonita, de Guerreiro, dono de um estilo vigoroso e severo, que não lhe impediu de ser um dos que estabeleceram a marcação em tangado. Depois de introduções e cantos com divisões bem definidas entre palhetas e metais, normalmente surgem, nos dobrados de Heráclio Guerreiro, os trios mais belos da música baiana, nos quais há um equilíbrio místico entre o canto, com clarinetas, o contracanto de um bombardino solista e a marcação obstinada da tuba e do sax barítono.”(Curso Mestres)

Introduziu-se na dramaturgia, escrevendo peças teatrais, onde a operata “Íris” fez grande sucesso em 1942 nas cidades de Nazaré e Cachoeira. A cidade Heróica recebeu a caravana que compunha a “bandeira São Pedro” com muita gentileza e assim fazendo mais uma jornada de fé o grupo de senhorinhas se apresentou no C.T.C., para angariar fundos para reconstrução da Igreja “Matriz” de São Bartolomeu, sendo abrilhantada pela filarmônica “Lira Ceciliana “. Outro drama de autoria de heráclio foi também bem sucedido na cidade de Cruz das Almas, a peça “Escrava Grega”.

Foi o Guerreiro, poeta e jornalista, sendo um dos principais redatores desse jornal nas décadas de 30 e 40 juntamente com Odilardo Uzeda Rodrigues, Dr. George Oliver e Lourival V. Vivas. Trabalhou na portaria do “Cine Lourdes” e era também funcionário da Coletoria Estadual sendo afastado do cargo inesperadamente, moveu uma ação contra o estado e foi readmitido.

Enterro de Heráclio Paraguaçu Guerreiro
Homem simples e múltiplo ficou imortalizado com os seus feitos que são de muita importância para a nossa maragogipe que em 18 de maio 1950 lamentou tristemente a sua morte e que nessa mesma data agora em 2010 completou-se 60 anos do seu falecimento. 

Texto publicado no Jornal Tribuna Popular, 2ª edição, no dia 24 de maio de 2010. Naquela semana estavamos fazendo uma homenagem para um dos redatores do Tribuna Popular, Heráclio Paraguassu Guerreiro.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Seção "Grandes Mestres das Bandas": Heráclito Paraguassu Guerreiro

Heráclito Paraguassu Guerreiro nasceu na cidade de Maragogipe-BA, em 13 de março de 1877 e faleceu na mesma em 18 de maio de 1950, filho do senhor João Primo Guerreiro. Com 12 anos de idade, entrou na escola de música da Filarmônica Terpsícore Popular de Maragogipe em que discretamente começou a aprender a arte musical contrariando a vontade de seus pais. A caixa foi o seu primeiro instrumento depois de um ano. Em 1895 fundou, aos 18 anos o grupo “Harpa Mariana” a qual foi regente. Autodidata, mas com potencial espetacular, Heráclito destaca-se mais e mais quando inicia as suas composições.

Em 10 de setembro de 1910, quando agravou o estado de saúde do senhor Theodoro Borges da Silva que foi um dos fundadores, primeiro e atual regente da Terpsícore na época, foi concedida a Heráclito a posse da regência, tendo ele fundido o grupo “Harpa Mariana” a Terpsícore, criando então nova fase com progresso para a filarmônica que regeu por quase 40 anos.

Suas composições são indiscutivelmente exímias obras de arte, tendo Heráclito chegado a compor mais de 600 partituras entre elas dobrados, marchas, fantasias, novenas, rapsódias, valsas, boleros, sinfonias, e etc. Em sua obra temos como destaque algumas de suas composições como: O Rebate, Ronaldo Souza, Cap. Juracy Magalhães, O Registrado, Oscar Guerreiro, Hybernon Guerreiro, Ao Passeio, Filoca Santana, Liliu, Chuva de Ouro, Bendita, Virgem de Sión, dobrado “América” que no meio do trio tem o canto do sabiá , dobrado “Os corujas” que em meio a sua execução tem o gorjeio da coruja, O Rabi da Galiléia e a Canção no Saara que ganharam premiações na Alemanha. A música do nosso compositor é conhecida nacionalmente e internacionalmente, ouvida no Norte da América e pela Europa.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Filarmônica Terpsícore Popular completa 127 anos de tradições e glórias


A Filarmônica Terpsícore Popular de Maragogipe, na Bahia, fundada em 13 de junho de 1880 pelo Maestro Theodoro Borges da Silva e hoje ela é regida pelo Sr Roque Adson Santos de Jesus e Presidida pelo Sr. Roque Sales, atualmente seu corpo musical é composto de 42 músicos todos provenientes de sua escolinha ao qual atualmente já ultrapassa os seus 70 alunos.

A Terpsícore ostenta hoje os títulos de Tri Campeã do Estado da Bahia e Tetra Campeã do Festival de Filarmônica do Recôncavo Baiano realizado na Cidade de São Felix-Bahia..

Um dos maiores compositores da Terpsícore foi o Grande Maestro Heraclio Paraguassú Guerreiro o qual compôs vários Dobrados, Marchas, Passos Sinfônicos, Marchas Fúnebres, polkas e arranjos diversos sem falar nas musicas religiosas como vários Tantum-Ergos, Missas, Hinos, Jaculatórias e a famosa Novena ao Santo Padroeiro desta Cidade Patriótica o Grande Mártir São Bartolomeu.

Em seu acervo a Terpsícore Popular já ultrapassa mais de 600 partituras do Maestro Heraclio, que junto com outros compositores já chega a mais de 1200 peças musicais.

Por este motivo que se diz que esta terra é um celeiro musical.

Elienai Eric Santana
Orador Oficial da Terpsícore