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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

São Bartolomeu de Maragogipe: 366 anos de história e fé


Por Zevaldo Luiz Rodrigues de Sousa

Neste Ano Jubilar da Divina Misericórdia refletimos durante o novenário de São Bartolomeu de Maragogipe sobre tema importantíssimo e que na maioria das vezes, nos esquecemos. Poucas pessoas são misericordiosas como o Pai e por este motivo, há necessidade de reflexões. Foram nove noites motivadas pela Misericórdia Divina e nelas, aprendemos mais uma vez, que atitudes simples e cotidianas transformam vidas. Dar de comer aos famintos, Dar de beber aos sedentos, Vestir os nus, Acolher os peregrinos, Assistir aos enfermos, Visitar os presos, Enterrar os mortos, Aconselhar aos indecisos e Consolar os aflitos são motivações e atitudes cristãs que devemos ter ao longo de nossa vida sem a necessidade de pedir nada em troca. Fazer o bem sem olhar a quem!

Hoje, dia 27 de agosto de 2016, gostaria de deixar esta simples mensagem visando a construção de uma identidade religiosa e popular.


A Igreja de São Bartolomeu de Maragogipe tem história tricentenária que merece destaque. Para comprovar tal afirmação, viajo na história trazendo à luz desta mensagem a opinião do mestre Dr. Odilardo Uzeda Rodrigues, meu avô, que proferiu palestra no Cine Lourdes, em 28 de novembro de 1950, na sessão de homenagem a D. Augusto, para encerramento das festas tricentenárias da Igreja Matriz. Vale lembrar que naquele ano, Maragogipe comemorou o primeiro centenário de sua elevação à categoria atual, com a denominação de Patriótica Cidade, e em 12 de setembro deveria ter comemorado o tricentenário de inauguração da sua Matriz, o que entretanto, veio a fazê-lo no mês de novembro. As festividades comemorativas do terceiro século de existência da Casa do Senhor, erigida nesta terra abençoada, sob a invocação do Glorioso Apóstolo, teve a figura exemplar do Padre Florisvaldo José de Souza como líder da Comissão diretora e foi uma festa espetacular. Ressaltamos que, em 1989* foi substituída as comissões de festas do padroeiro, eleitas anualmente, que haviam sido incorporadas a Mesa Administrativa desde 1912, por uma Comissão de Festas escolhida pelos membros da Igreja de São Bartolomeu com o intuito de evitar conflitos que ocorriam por causa das eleições.

Mas aqui, cabe perguntar, quando São Bartolomeu tornou-se o padroeiro desta maravilhosa terra? Há diversas interpretações, mas não vamos nos prolongar. A história religiosa indica que os moradores desta terra tinham como principal protetor - São Gonçalo -, e após uma aparição de um homem alto, todo ensanguentado com uma adaga na mão sobre uma pedra no meio de uma pequena floresta para um escravo no período colonial fez surgir um sentimento novo na Fazenda do Capitão Bartolomeu Gatto que já era devoto de deste Apóstolo de Cristo e indicou para a comunidade que aquela aparição era uma manifestação Divina o que acabou por convencer a maioria da população e ao Rei de Portugal que os habitantes deste lugar deveriam construir este magnífico templo dedicado a São Bartolomeu.

Historiadores indicam que a construção teve início por volta do ano de 1640, mas dúvidas ainda pairam em torno da data de sua inauguração. Todavia, no testamento do Capitão Bartolomeu Gatto datado de 16 de dezembro de 1650 e revogado por novas disposições em 20 de outubro de 1651 faz referência a Igreja Matriz. Na época, o Padre Paulo de Sam Payo assina o referido documento como uma das testemunhas o que pode ser indício de que a Igreja Matriz de São Bartolomeu recentemente construída já estava em funcionamento. Por este motivo, aceitamos a ideia de que neste ano de 2016, Maragogipe comemorará no dia 12 de setembro, o 366º aniversário da Igreja Matriz de São Bartolomeu (sem contar os anos de debate e construção), data esta que deve ser comemorada todos os anos.

É claro que a Igreja de São Bartolomeu de Maragogipe sofreu inúmeros reparos ao longo do tempo, sendo ampliada, para que pudesse suportar galhardamente a ação iconoclasta do tempo e continuasse a ser o sacrário bendito onde a alma maragogipana pudesse se abeberar do consolo necessário para suas dores sob seu teto abençoado. Na leitura de documentos históricos verificamos que dos orçamentos da Província da Bahia nos anos de 1845, 53, 59, 81 e 88, consta a consignação de verbas nos valores para obras na Matriz de São Bartolomeu. Em 1941, sob os auspícios da comunidade e orientação do SPHAN foi renovada a pintura do forro da Igreja de São Bartolomeu de Maragogipe. Neste mesmo ano, a SPHAN tombou a Igreja de São Bartolomeu de Maragogipe, sob o nº 155 do livro de História, fl. 26, e sob o nº 296 do livro de Belas Artes, fl. 51. Ao longo do tempo, outras obras foram realizadas e até hoje, a beleza deste magnífico e glorioso Templo necessita de reparos constantes. A dificuldade é grande, mas com a ajuda da comunidade católica cristã o grandioso Templo de São Bartolomeu de Maragogipe se mantém firme e é destaque Arquitetônico Brasileiro. Preservar este Templo e cuidar para que a história deste Patrimônio não perca sua identidade, é dever de toda a comunidade católica maragogipana, priorizando também as características religiosas da Festa de São Bartolomeu.

Falando em Festa de São Bartolomeu – outro patrimônio histórico, cultural e religioso do povo maragogipano que precisa ser preservado e imaterializado, por ser parte da cultura popular sacra e profana da comunidade maragogipana, poucos são os dados encontrados da data de início da Festa de São Bartolomeu que tem sua história narrada, principalmente, por Fernanda Reis dos Santos, historiadora e amante da nossa rica história. Mas o pouco que sabemos é visto e sentido pela comunidade maragogipana ao longo do mês de agosto, nosso mês Maior.

A cultura popular e religiosa maragogipana nos lega sentimentos especiais. O pregão avisa a comunidade maragogipana em julho que o mês de agosto se aproxima. No primeiro domingo de agosto, o Bando Anunciador percorre as principais ruas da cidade distribuindo o programa da festa religiosa, e neste dia, cavaleiros e amazonas desfilam pela cidade com a participação especial da comissão de festas, filarmônicas, autoridades e toda a comunidade maragogipana envolvida com as festividades. Antigamente, o Bando anunciava para os habitantes das cidades e vilas próximas que no mês de agosto aconteceria a grandiosíssima Festa de São Bartolomeu.


No segundo domingo, acontece à purificação das almas através da secular Lavagem do Templo remontando o mutirão realizado no ano da inauguração da Igreja Matriz. O novenário de São Bartolomeu acontece sempre com muita fé e energias positivas para a comunidade cristã acompanhada da melodia glorificante do Coro e Orquestra Maria Imaculada Conceição.


No terceiro domingo, em uma festividade que marca o sagrado e o profano, num ato ecumênico, acontece a Lavagem Popular das ruas de São Bartolomeu.


O dia 24 de agosto é espetacular. Dia do Excelso e Insígne Padroeiro de Maragogipe – São Bartolomeu. Nele, renovamos sentimentos e a esperança da construção de uma sociedade mais justa, mais humana e mais misericordiosa, sem a necessidade de perseguições e devaneios de suas lideranças. O quarto e último domingo é o momento ímpar especial para toda comunidade cristã, nela celebramos o Domingo da Festa com Solene Concelebração Eucarística. Na Segunda da Festa, uma imponente Procissão percorre as principais ruas maragogipanas demonstrando a fé, o amor e a confiança que a comunidade cristã católica maragogipana tem com São Bartolomeu e Nossa Senhora da Conceição.

Para descrever cada detalhe da Igreja e da Festa de São Bartolomeu é imprescindível a produção de livro, mídia ou preservação da farta documentação existente e espalhada pelo mundo em um Arquivo Histórico. Diversos autores já se debruçaram nesta tarefa maravilhosa – Osvaldo Sá, Fernando Sá, Odilardo Rodrigues, Ronaldo Souza dentre tantos outros que deixaram marcas indeléveis de fé sem deixar de lado a questão histórica e racional. Hoje, vivemos incomodados com a falta de documentação histórica apesar de tantas produções. A comunidade maragogipana precisa ajudar neste processo de resgate histórico e religioso, principalmente, relatando suas histórias, memórias e relações de crença e fé na intercessão de São Bartolomeu. A musicalidade da Festa merece destaque especial com a produção de mídia e a história precisa ser contada nas escolas para que nossos jovens conheçam sua história para aprender a preservá-la.

Que São Bartolomeu interceda por toda a comunidade maragogipana para que os cidadãos de bem desta terra saibam escolher pessoas compromissadas com este Patrimônio, que merece ser Patrimônio da Humanidade.

Por Zevaldo Luiz Rodrigues de Sousa
Licenciado em História pela UFRB


*Obs.: Data alterada devido a erro histórico. No documento original constava 1995, mas o fato aconteceu em 1989.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Navio Maragogipe está afundando na Baía de Todos os Santos


História importante do transporte público da Bahia está indo pro fundo do mar

Por: Genildo Lawinscky (Agora na Bahia)

Várias toneladas de aço estão indo pro fundo do mar (Foto: Genildo Lawinscky)

O Navio Maragogipe que já foi o principal meio de transporte entre Salvador e o Recôncavo, está afundando na Baía de Todos os Santos. A embarcação, ancorada às margens de Aratu, virou e está com metade do casco encoberta pela água do mar.

O #AgonaNaBahia esteve no local onde está o Maragogipe e constatou que o casco está totalmente enferrujado, com muitas partes destruídas e enormes buracos por onde é possível ver o interior do navio. A operação para o aproveitamento, ainda como embarcação, parece inviável. Um funcionário de uma marina, vizinha de onde está o Maragogipe, disse que o fim previsto para o Maragogipe é a venda a um ferro velho. De fabricação alemã, o navio navegou por 35 anos, entre 1962 e 1997, na Baía de Todos os Santos. Antes das rodovias, a embarcação era vital para quem precisava locomover-se entre Salvador e as comunidades do Recôncavo, partindo de Maragogipe para Salvador, pela manhã, e retornando à tarde.

Com capacidade para 600 passageiros, o navio chegava a comportar o dobro disso na festa de São Bartolomeu, uma das mais tradicionais de Maragogipe. Alimentos e outras mercadorias também eram transportados por esse navio que cumpriu, assim, um papel importante para a economia regional. A embarcação possui 46,15 m de comprimento, calado de 2,35m e 364,7 toneladas de peso.

O Maragogipe está adernado para a esquerda. Ele não foi ao fundo pela pouca profundidade do local (Foto:Genildo Lawinscky) 

O navio havia sido doado à Prefeitura de Maragogipe em setembro de 2001, que anunciou a intenção de implantar um museu náutico, mas não levou o projeto adiante. O Termo de Reversão de Bens Móveis chegou a ser assinado, mas a seguir foi anulado pela prefeitura. É como se houvesse uma recusa à doação recebida.

A situação foi comunicada à Superintendência de Serviços Administrativos – SSA, da Secretaria da Administração (Saeb), através da Capitania dos Portos, e foram tomadas todas as providências necessárias para a retomada pelo Governo do Estado.

O navio Maragogipe foi levado a leilão e arrematado por um grupo de empresários, que pagou R$ 204 mil. O leilão foi promovido pela Secretaria da Administração do Estado e o ágio, na época, foi de 204,5% sobre o preço mínimo de R$ 67 mil. Na ocasião do leilão, foi anunciado de que o Maragogipe seria reformado para atividades turísticas.

O arrematante Jeová Ferreira, que representa um grupo de empresários baianos, chegou a dizer que o navio “poderá ser utilizado para transporte, para atividades de lazer ou como restaurante”. Reconheceu que a embarcação precisaria de uma ampla reforma, mas que a sua recuperação era viável. Outro atrativo para ter adquirido Maragogipe, segundo ele, era “o valor simbólico do navio”, que navegou por décadas na Baía de Todos os Santos, transportando passageiros e mercadorias entre Salvador e a cidade de Maragogipe. Ao longo dos anos, o Maragogipe sentiu os efeitos da falta de manutenção e acabou tendo o casco furado pela ferrugem.

Cracas - um tipo de crustáceo marinho - e a ferrugem, tomaram conta do casco do navio (Foto: Genildo Lawinscky)

Cemitério no mar

Além do Maragogipe, o #AgoraNaBahia constatou que nessa mesma área da Baía de Todos os Santos, existe um cemitério de embarcações que, conforme pescadores e outras pessoas que trabalham nas marinas e estaleiros de Aratu, são deixadas ali por falta de peças e outros equipamentos que permitam continuar navegando. Todas estão condenadas a ter o mesmo destino do Maragogipe.

Encontramos embarcações de todos os tamanhos nesse estado. Uma delas, com cerca de 30 pés de comprimento, está perto do canal de navegação das lanchas que entram e saem de uma marina.

Um velho basco de pesca está abandonado perto do canal de navegação, sem nenhuma sinalização (Foto: Genildo Lawinscky)

Bem pertinho desse ponto, três embarcações de grande porte chamam a atenção pelo estado em que se encontram. O ferry Ipuaçu, que há várias anos foi comprado pelo governo do estado por U$7 milhões de dólares, aguarda uma decisão sobre o seu futuro. Há dois anos, o governo chegou a planejar a reforma do Ipuaçu, que seria usado para o transporte de carros pesados entre Salvador e Itaparica, mas até agora nada foi feito.

Ferry Ipuaçu, também condenado a ir, em breve, pro fundo do mar (Foto: Genildo Lawinscky)

Perto dali, está o ferry Mont Serrat, que passou por um processo de canibalização – quando as peças e acessórios são usados para reparo de outro navio. O Ipuaçu e o Mont Serrat já integraram a frota de ferries que transportava passageiros entre os terminais de Salvador e de Itaparica.

Um cemitério de navios velhos e condenados, em um dos locais mais bonitos da Baía de Todos os Santos (Foto: Genildo Lawinscky)

Eles estão ao lado de dois outros navios que também parecem sofrer com a ação do salitre do mar: o Vitória Aparecida, que estaria sem condições de navegação depois de aguardar por alguns anos o desfecho de um processo na justiça e o Jataí. Sobre este último, o #AgoraNaBahia não conseguiu informações sobre o estado dele.

O ipuaçu e o Jataí, estão atracados juntos no estaleiro de Aratu (Foto: Genildo Lawinscky)

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Festa e Comida é o tema do VI Congresso de História

Mascarados de Maragojipe, uma das manifestações a serem discutidas no congresso Foto: Rita Barreto/ Bahiatursa  
Termina dia 20, sábado, o prazo para se inscrever no VI Congresso de História da Bahia, a ser realizado em Salvador de 22 a 24 de setembro, no Bahia Othon Palace. O encontro, que reúne pesquisadores nacionais e estrangeiros e tem o apoio da Bahiatursa, faz parte das comemorações dos 120 anos de fundação do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB). O tema é Festa e Comida.

Estão sendo esperadas milhares de pessoas, dentre elas, professores, pesquisadores, estudantes, profissionais do setor de gastronomia e outros interessados no assunto. Entre os convidados estão à pesquisadora goesa Maria de Lourdes Bravo da Costa, que vai tratar do tema Descobrimentos portugueses e a sua influência na comida goesa, e o professor congolês Kazadi Mukuna, que falará sobre A origem africana do samba: mito ou realidade?Salva

Nas comissões específicas serão debatidos assuntos relacionados às festas de São Nicodemos, São Sebastião, Nossa Senhora do Rosário, de Santana e Santa Bárbara. Também os mascarados de Maragogipe, a festa dos vaqueiros de Curaçá, da Irmandade da Boa Morte, o Carnaval da Bahia, além dos festejos de futebol, ligados às celebrações das torcidas do Bahia e do Vitória.

Mitos da cozinha afro-brasileira, a feijoada, o pãozinho delícia, a culinária sertaneja, do garimpo, de santo e dos índios e o acarajé serão discutidos no conclave. O evento conta com o apoio do Governo do Estado através das Secretarias do Turismo/Bahiatursa, de Desenvolvimento, da Cultura e Irdeb, além da Prefeitura de Salvador, UCSaL e Rádio Metrópole. Será presidido pela historiadora Consuelo Pondé de Sena e coordenado pela professora Maria Helena Flexor.

Durante o encontro, serão discutidos temas sobre festas e comidas típicas da Bahia e dos países que tiveram contatos com os portugueses, com o objetivo de resgatar essas tradicionais manifestações cultuais. As inscrições podem ser feitas através do site www.ighb.org.br. Outras informações através do tel: (071) 3329/4463 e e-mail: ighbahia@gmail.com.

Fonte: Bahiatursa

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Livro 'Suerdieck, Epopeia do Gigante' reconstituiu a história de um império charuteiro


No livro ‘Suerdieck, Epopeia do Gigante’, Ubaldo Marques Porto Filho reconstituiu a história de um império charuteiro, que chegou a ter 16 empresas, sendo quatro na Europa. Com três fábricas de charutos no Recôncavo Baiano (Maragogipe, Cruz das Almas e Cachoeira), foi a maior produtora de charutos brasileiros em todos os tempos e teve um período que manteve a liderança na produção mundial de charutos totalmente artesanais.

A epopeia da Suerdieck começou em 1892, como exportadora de fumos sediada em Cruz das Almas, onde também findou as atividades, em dezembro de 1999. A saga durou 107 anos, sendo 94 dedicados aos charutos que ficaram conhecidos nos quatro cantos do mundo.

Para reconstituir a longa trajetória, Ubaldo pesquisou centenas de documentos e entrevistou dezenas de pessoas que participaram da etapa final do antigo império. Ele próprio foi testemunha dessa fase, pois trabalhou na Suerdieck de 1965 até 1969.

O livro, com 400 páginas no formato grande (18,5x25,5), contém 446 lustrações, segredos na fabricação dos charutos e a relação das 464 marcas, sendo que chegou a ter 300 na linha de produção simultânea.

Não há, na história dos charutos brasileiros, nenhum livro com a riqueza de informações que ‘Suerdieck, Epopeia do Gigante’ oferece aos pesquisadores e leitores em geral.

Para acessar o livro em PDF basta entrar no site do autor: Ubaldo Marques Porto Filho

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Associação Atlética Maragogipana - Da fotografia do IBGE ao texto

Por Zevaldo Sousa
Professor de História - UFRB

É um grande prazer estar reiniciando esta série, já divulgada na página do facebook História de Maragogipe e retomada neste blog para devidas correções e acréscimos.

Na época, postei fotografias do IBGE e escrevendo matérias. Em alguns casos, escrevi pouco, em outros comecei a trilhar um caminho mais animador. Hoje, dia 01 de janeiro de 2014, falarei um pouco sobre a Associação Atlética Maragogipana, fundada em 16 de março de 1952, na praça Conselheiro Antônio Rebouças, em Maragogipe.


Como já disse, a Associação Atlética Maragogipana foi fundada em 16 de março de 1952 e, como toda instituição teve ótimos administradores, todavia no final da década de 90 entrou no período de crise profunda, e este espaço público só conseguiu se revitalizar, graças aos meninos da Fundação Vovó do Mangue que atualmente estão administrando o espaço.

Desde o início do funcionamento da Associação Atlética Maragogipana parte da comunidade tinha direitos a participar das atividades. A instituição sempre se preocupou em servir de entretenimento para essa parcela da sociedade maragogipana, que servia-se de jogos esportivos, assim como bailes eram realizados durante o ano, em momentos festivos, a exemplo do carnaval de Maragogipe, blocos carnavalescos divertiam a sociedade mas nem todo mundo poderia entrar no ambiente, era preciso estar trajado com certos padrões de etiqueta para entrar no recinto, e como a grande maioria da população maragogipana não tinha condições financeiras para cobrir os custos do entretenimento no espaço, o ambiente se tornou centralizado e elitizado. No carnaval, assim como em outros clubes sociais, como a Rádio Club Maragogipano (antigo Clube dos Alemães), a Terpsícore Popular e a Dois de Julho, locais que se tornaram patrimônios culturais dos maragogipanos, blocos carnavalescos eram realizado como parte da cultura da instituição.

Na década de 1990, a Associação Atlética Maragogipana viveu momento de crises profundas, com administrações que não conseguiam manter o equilíbrio financeiro (Leia Documentos), e acabavam vendendo o patrimônio público para particulares. Diversos objetos também foram saqueados, o prédio da instituição estava caindo (Veja Fotos), o telhado e a madeira que o sustentava estavam apodrecidos, a água da chuva penetrava com facilidade e não havia de onde tirar recursos para a manutenção da instituição, nem muito menos havia pessoas interessadas em manter aquele padrão. A situação no município estava mudando junto com o novo período de Democratização da sociedade brasileira.

Esta foto deste texto foi encontrada no site do IBGE. Veja a fonte:

Fonte Foto:
Setorial: DOC - IBGE
Tipo de material: fotografia
Título: Sociedade Atlética : Maragogipe, BA
Local: Maragogipe, BA
Ano: [19--]
Descrição física: 1 fot. : p&b
Série: Acervo dos Municípios Brasileiros

Assuntos:
Associações, instituições, etc
Esportes
Bahia
Maragogipe (BA)

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Uma região que já foi Estádio, seria Hospital, virou favela do Carandiru e agora será Distrito Policial

A História de Maragogipe é muito rica, e em certos momentos, complicada. E uma dessas histórias complicadas é a de uma região localizada na rua Nossa Senhora das Graças, na divisa das comunidades da Boiada e Cabaceiras. Um lugar que muito intitulavam como: Carandiru.

Conheçam um pouco da sua história:


História de Maragogipe: A região do Carandiru seria Estádio, seria Hospital, hoje é Favela

A pedido de um leitor, estamos republicando a sessão do Tribuna Popular em que escrevemos sobre o Carandiru, um pouco de sua história. Em primeiro lugar gostaríamos de dizer que o título desta postagem tem como intuito retratar a realidade da comunidade que estava, naquele ano, pronta para explodir devido aos múltiplos casos de violência extremada. Hoje, a realidade é outra, mas também não podemos negligenciar tal ato.

O Tribuna Popular em sua primeira edição com uma sessão especial para esse assunto tão importante para as comunidades do Recôncavo. Como este é o aniversário de Maragogipe, não poderíamos deixar de lembrar a população local que nesta cidade, problemas gravíssimos ainda tem para ser enfrentados. Começaremos agora a série: OBRAS INACABADAS NO RECÔNCAVO - O CASO, CARANDIRU, A FAVELA DINAMITE.


Você se lembra da Ilha de Dr. Abílio? Não, e se eu falar de Rafaelão, você lembra de alguma coisa? Também não, agora se eu falar de Carandiru você se lembra da alguma coisa? Talvez sim, você deve estar pensando agora em drogas, tráfico, tiroteios, condições desumanas e deploráveis.

Pois bem, todos os três locais acima citados, são o mesmo. Único, exclusivo e abandonado pelas autoridades. Contar anos talvez não seja a questão, mas narrar o que aconteceu e está acontecendo é a melhor forma de estarmos cobrando algo das nossas autoridades.

As informações obtidas pela equipe de reportagem são comprometedoras, contudo o que a sociedade deseja, é que aquele foco de destruição acabe o mais breve possível, mas com inteligência.

Histórico:
Tudo começou quando no primeiro governo do já falecido prefeito Bartolomeu de Ataíde Teixeira um deputado conseguira um verba para a construção de um Estádio, que carinhosamente a população chamou de Rafaelão em homenagem ao primeiro nome do deputado.

Por motivos da obra não ter sido concluída, moradores organizaram-se e fizeram um conjunto de casas atrás da muralha que cercava o Estádio e deram-lhe o nome de Vila Feliz. Logo em seguida, criaram a Associação Esperança com objetivos de conseguir benefícios para a comunidade recém -criada.

Vale ressaltar que essa área, também chamada de Ilha do Dr. Abílio, tinha uma quantidade muito grande de manguezais e para se construir o Estádio foi gasto muito dinheiro.

Moradores falam que no começo não tinham energia e nem água, muitos tinham medo de construir sua casa naquele local, por pertencer a Marinha. Só que a vontade de ter uma casa foi muito mais forte, e correr o risco foi inevitável. Como uma das moradoras tinha um terreno logo na entrada da rua que estava se formando, ela cedeu durante três anos, energia e água para toda comunidade da Vila Feliz.

No segundo mandato do prefeito Bartolomeu de Ataíde Teixeira foi construído conseguida verba pelo Deputado Luiz Alberto para a construção de um hospital na cidade, muitas pessoas desejaram que essa verba fosse destinada à Santa Casa de Misericórdia que na época já tinha seus problemas. Acontece que ficou acordado que a verba seria destinada para a construção de um novo hospital e esse foi construído justamente, no mesmo local em que o Estádio de Futebol Rafaelão, uma obra que não tinha sido sequer concluída.

Em 2000 ao assumir o mandato de prefeito, Raimundo Gabriel pediu que os moradores deixassem tudo limpo e organizado que ele conseguiria água e energia. As duas partes fizeram um acordo e tudo foi encaminhado, inclusive o saneamento. Segundo os moradores, o ex-prefeito prometeu logo em seguida o calçamento, mas isso só iria ser feito no próximo mandato.

Moradores dizem que esse hospital era para ser de primeiro mundo, pois o material utilizado era muito bom, acontece que moradores do Bóreu e da própria Boiada roubaram esse material para construir suas casas, já que a construção novamente tinha sido abandonada, por falta de verbas. 

Anos depois, já no governo de Gabriel, o Deputado Luiz Alberto conseguiu uma verba para que o hospital fosse concluído, contudo devido o estado precário que o prédio encontrava-se, foi conseguido desmembrar a verba para quatro postos de saúde: Piedade, Batatã, Capagato e Inss.

A partir daqui, moradores perceberam o descaso com aquele prédio e viram nele um ótimo “hotel”. Começou a invasão da construção inacabada do Hospital e recentemente a invasão da parte externa do hospital. Muros internos foram quebrados, externamente, algumas partes dos muros foram quebradas e hoje, quando olhamos aquele local de fora. Imaginamos uma grande fortaleza, dominada pelo tráfico de drogas.

Muitos daqueles moradores que começaram a invadir num primeiro momento já saíram de lá, hoje em sua maioria, as pessoas que lá moram são de outras localidades. Moradores desejam ardentemente uma morada em outro local. Pois no Carandiru, como é chamado atualmente, não se tem condições nenhuma de higiene e nem de segurança. 

O descaso com a coisa pública transformou aquele lugar que no primeiro momento serviria para entreter a população e num segundo para suavizar os males do corpo, num barril de pólvora, ou melhor, numa favela dinamite pronta para explodir nas mãos daqueles que tiverem coragem para enfrentar o problema de maneira inteligível.

Retirada da 1ª Edição do Tribuna Popular
Escrita por: Zevaldo Sousa

TEXTO COMPLEMENTAR:
No dia 18 de novembro de 2013, a Prefeitura de Maragogipe tomou posse de uma área de 10.758,38m², localizada no bairro da Boiada, conhecido como Carandiru. A demolição do prédio foi realizada e, segundo a Prefeitura, as famílias que residiam na edificação foram acolhidas e encaminhadas através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social para novas moradias.

Ainda segundo informações da Prefeitura, na área serão implantados novos projetos em benefício da população, como o Distrito Integrado de Segurança Pública (DISEP) que faz parte do Programa Pacto pela Vida do Governo do Estado, Academia da Saúde, pavimentação e praça.

domingo, 10 de novembro de 2013

Livro "Odilardo Uzeda Rodrigues - Maragogipano por Opção" é lançado no dia do seu centenário

No dia 03 de novembro, filhos e netos  fizeram celebrar na Igreja Matriz de São Bartolomeu, uma missa especial em comemoração ao Centenário de nascimento de Odilardo Uzeda Rodrigues. A missa foi presidida pelo padre Matheus de Lima Leal. Familiares, amigos e admiradores marcaram presença.


Logo após a missa, na Casa da Cultura de Maragogipe foi realizado o lançamento do livro "Odilardo Uzeda Rodrigues - Maragogipano por Opção" que conta com textos jornalísticos e discursos históricos que o grande mestre declamou. Como exemplo, o livro contará com um discurso realizado no dia do centenário de elevação de Maragogipe à categoria de cidade, em 1950, assim como neste mesmo ano, discursou no tricentenário da Igreja Matriz de São Bartolomeu.

Durante o evento, foi lido trechos do livro, escrito por Odilardo Uzeda Rodrigues. Aliás, esta é uma dúvida que muitas pessoas estão tendo. O livro, é composto por textos escritos pelo mestre Odilardo, e organizado pelas suas filhas Izaura Marly Rodrigues Vieira e Odete Amanda Guerreiro Rodrigues Martinez com o apoio dos seus irmãos Themistocles Guerreiro Rodrigues, Odilardo Guerreiro Rodrigues, Manoel Guerreiro Rodrigues e Lucia Maria Guerreiro Rodrigues. Além destes, há textos complementares de familiares, amigos e ex-alunos.


O livro está sendo vendido pelo preço de 20 reais, consta com 200 páginas e você encontrará outras preciosidades relativas à sua história e sua relação com a história da cidade que ele optou por ser a sua terra. Será, sem sombra de dúvidas, uma coletânea de textos diferenciada!


Em breve, divulgaremos notícias sobre pontos de venda em Salvador. Neste momento, o livro pode ser adquirido na Secretaria do Centro Educacional "Simões Filho"

sábado, 7 de setembro de 2013

Um pouco da História da Filarmônica "Dois de Julho"


Por Zevaldo Luiz Rodrigues de Sousa
Professor de História - Formado pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
Data de Publicação: 07 de setembro de 2010

Uma das principais filarmônicas da cidade, a “Filarmônica Dois de Julho” é fruto do desejo de músicos instrumentistas das antigas filarmônicas e recreativas que existiam nesta cidade, antes da sua fundação em 7 de setembro de 1886.

A “Mnemósine” foi a primeira filarmônica existente no município, mas não durou muito, extinguindo-se em menos de uma década. Desta surgiram três instituições: Como os seus músicos eram dignos de assim serem chamados, fundaram a “Filarmônica Terpsícore Popular”, a “Sociedade Musical Euterpe” e em 1886, a “Recreativa 2 de Julho”, esta última somente com o propósito de ensinar danças à juventude.

Todavia, os associados da “Sociedade Musical Euterpe” entraram em divergências por motivos não encontrados nos documentos, dissolvendo-se, muito mais rápido do que a sua entidade materna, a “Mnemósine”. Um novo processo de união foi pensado, refletido e posto em prática. Músicos da já extinta “Sociedade Musical Euterpe” unem-se à “Recreativa 2 de Julho, fundando a então conhecida por todos como “Filarmônica 2 de Julho” elegendo presidente Absalão Gonçalves dos Santos. Hoje a instituição musical está em processo de transição para começar a ser chamada de “Sociedade Filantrópica e Recreativa Filarmônica e Sinfônica 02 de Julho”.

Segundo Osvaldo Sá, a instituição do pavilhão verde e amarelo, passou a funcionar em um prédio alugado na “rua de Santana, com ângulo para a rua do Fogo e fachada para o nascente.”, esta rua depois seria chamada de Barão de Rio Branco e atualmente é conhecida como D. Macedo Costa. O prédio pertencia a Absalão Gonçalves dos Santos e foi adquirido pela Suerdieck S/A e demolido. Só para se ter uma idéia, ela ficava ao lado do atual prédio de grades de ferro que funciona atualmente a Secretaria de Finanças de Maragogipe. O atual prédio foi adquirido em 1897, já sob presidência de Bento José Malaquias. Contudo, as reformas desejadas e às características projetadas por Salomão da Silveira, só vieram a acontecer muito depois e em 27 de maio de 1951 foi inaugurado, com muita festa, o “Palacete 2 de Julho”.

A escolha do nome “2 de Julho” e das cores “verde e amarelo”, segundo Ronaldo Souza, são marcas necessárias da luta ainda viva do povo baiano para eliminação das reminiscências portuguesas. O fato de ter sido fundada em 7 de setembro de 1886, é motivo para que nós, baianos, lembremos sempre que a data correta da nossa independência é o “2 de Julho”, por isto, esta instituição não nos lega somente um aparato de notas musicais, mas também um sentimento verdadeiro tipicamente baiano de luta e preservação da nossa história.

Como todo maragogipano que se preze, no autêntico sentido da democracia, o partidarismo e as rivalidades se sobressai até nas notas musicais, mas afinal quem dá as melhores notas? Uns, maragogipanos, principalmente àqueles que moravam na Enseada, no início do século XIX e em meados do mesmo século, no bairro do Cajá, adoravam a notas da “Filarmônica 2 de Julho” e quando esta passava pela avenida, era uma festa só. Outros, com especial apreço dos habitantes do Porto Grande, já preferiam às notas da “Terpsícore Popular”. Posso garantir, que as melhores notas são dadas pelos maragogipanos que nestas duas instituições se deliciam com apreço à arte musical, e com toda certeza, quem ganha é a nossa Maragogipe.

Na história da “Filarmônica 2 de Julho”, não pode ser separada da “Terpsícore Popular” devidos aos múltiplos encontros e desencontros. Nos dois casos, logo no início do século XIX, quando às filarmônicas saiam pelas noites, apresentando-se de porta-em-porta, seja com as pessoas nas em pé na porta de suas casas ou de bruços nas janelas, traziam consigo momentos de alegria e entretenimento, pois naqueles dias, não se tinha outro tipo de diversão, nem muito menos televisão, apenas conversas paralelas à velocidade da luz dos candeeiros em punho, marcando com isso, um dos “F”s da nossa sociedade. Ao fim das apresentações, palmas e gritos de vivas eram a mais singela e humilde forma de agradecimento que a pessoas poderiam dar, visto que detinham pouquíssimas formas de agradecer devido seu baixo poder aquisitivo. Aliás, as apresentações tinham um sentido inverso. Os músicos queriam, na verdade, agradecer à população, aos seus pais e amigos pelo incentivo que esses davam durante o dia a dia, retribuindo todo o esforço em forma de alegria e música. Ronaldo Souza assim descrevia “Há um bairro tradicionalmente querido pela Filarmônica e vice-versa: é o bairro do Cajá, talvez devido ao grande número de famílias que ali se instalavam: a Malaquias, a Souza, a Carvalho, dentre outras. Todas Dois de Julho!”. Perceba que esse “Todas” da última frase, nos traz o sentido da amizade e da participação efetiva.

Em toda sua vida, a “Filarmônica 2 de Julho” ganhou inúmeros títulos e troféus, sendo, portanto, orgulho em Maragogipe. Dos diversos músicos notáveis que por ela passaram, alguns são a inspiração para os mais novos componentes, falam-se muito nos irmãos Alfredo Rocha, Firmino Rocha e Antônio Rocha; em Anísio Bahia e nos irmãos André e Andrelino; outros também são citados e são de igual peso e importância.

Quando a instituição esteve sob a administração de Silvio José Santana Santos, o prédio foi reformado e ampliado, hoje já sob a responsabilidade de Djalma Reis Caldas, há no prédio, além da instituição, o InfoCentro Professora Valquíria Armede Ribeiro, inaugurado em 23 de junho de 2007; recentemente recebeu um auxílio financeiro do Governo do Estado para a aquisição de novos instrumentos e outros serviços de manutenção e a administração está pensando no futuro, refletindo sob seu passado glorioso, quando a “Recreativa 2 de Julho” ensinava aulas de dança.

É, a responsabilidade social sempre foi sua marca!!

Um VIVA à Dois de Julho!!!

domingo, 26 de maio de 2013

Documentos antigos de Maragogipe podem ser encontrados na Hemeroteca Digital Brasileira

Sabemos o quanto é difícil a busca de documentos originais (fontes) que revelem uma pouco da História de Maragogipe,  todavia em uma rápida pesquisa no site da Biblioteca Nacional encontramos os serviços da Hemeroteca Digital Brasileira e nela, encontramos quase 3000 citações de Maragogipe (com o grafema G) e seus distritos, em documentos do século XVII até o século XX. Vale a pena conferir.

Clique em HEMEROTECA DIGITAL BRASILEIRA para entrar no site

Vale lembrar que você deve pesquisar não somente em arquivos da Bahia, mas de outros estados e em nível nacional e internacional. Além do espaço, você pode escolher a temporalidade, o periódico e outras funcionalidades. Esta é uma ótima fonte para você que é pesquisador da História de Maragogipe e de outras localidades.



Leia a introdução da própria instituição BN:
A Fundação Biblioteca Nacional oferece aos seus usuários a HEMEROTECA DIGITAL BRASILEIRA, portal de periódicos nacionais que proporciona ampla consulta, pela internet, ao seu acervo de periódicos – jornais, revistas, anuários, boletins etc. – e de publicações seriadas.

Na HEMEROTECA DIGITAL BRASILEIRA pesquisadores de qualquer parte do mundo passam a ter acesso, inteiramente livre e sem qualquer ônus, a títulos que incluem desde os primeiros jornais criados no país – como o Correio Braziliense e a Gazeta do Rio de Janeiro, ambos fundados em 1808 – a jornais extintos no século XX, como o Diário Carioca e Correio da Manhã, ou que não circulam mais na forma impressa, caso do Jornal do Brasil.

Entre as publicações mais antigas e mesmo raras do século XIX estão, por exemplo, O Espelho, Reverbero Constitucional Fluminense, O Jornal das Senhoras, O Homem de Cor, Marmota Fluminense, Semana Illustrada, A Vida Fluminense, O Mosquito, A República, Gazeta de Notícias, Revista Illustrada, O Besouro, O Abolicionista, Correio de S. Paulo, Correio do Povo, O Paiz, Diário de Notícias, e também os primeiros jornais das províncias do Império.

Quanto ao século XX, podem ser consultados revistas de grande importância como Careta, O Malho, O Gato, Revista da Semana, Klaxon, Revista Verde, Diretrizes e jornais que marcaram fortemente a história da imprensa no Brasil, como A Noite, Correio Paulistano, A Manha, A Manhã e Última Hora.

Periódicos de instituições científicas também compõem um segmento especial do acervo já disponível. São alguns deles os Annaes da Escola de Minas de Ouro Preto, O Progresso Médico, a Revista Médica Brasileira, os Annaes de Medicina Brasiliense, o Boletim da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, a Revista do Instituto Polytechnico Brasileiro, a Rodriguesia: revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o Jornal do Agricultor, entre muitos outros. O pesquisador pode consultar também outras modalidades de publicação, como o Boletim da Illustríssima Câmara Municipal da Corte, os Relatórios dos Presidentes das Províncias (no Império) o Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia, a Revista do Archivo Público Mineiro, a Gazeta dos Tribunaes: dos juízes e factos judiciaes, do foro e da jurisprudência (Rio de Janeiro) etc.

A consulta, possível a partir de qualquer aparelho conectado à internet, é plena e avançada. Pode ser realizada por título, período, edição, local de publicação e palavra(s). A busca por palavras é possível devido à utilização da tecnologia de Reconhecimento Ótico de Caracteres (Optical Character Recognition – OCR), que proporciona aos pesquisadores maior alcance na pesquisa textual em periódicos. Outra vantagem do portal é que o usuário pode também imprimir em casa as páginas desejadas.

Além da chancela do MINISTÉRIO DA CULTURA, a HEMEROTECA DIGITAL BRASILEIRA é reconhecida pelo MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA e tem o apoio financeiro da FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS – FINEP, o que tornou possível a compra dos equipamentos necessários e a contratação de pessoal para a sua criação e manutenção. Neste momento do lançamento do portal – julho de 2012 –, são cinco milhões de páginas digitalizadas de periódicos raros ou extintos à disposição dos pesquisadores, número que se multiplicará com a continuidade da reprodução digital.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Homenagem a Maragogipe em três questões: Nosso topônimo, o dia 08 de maio e estudos históricos

Hoje, dia 08 de maio de 2013, fui Orador Oficial da Sessão Solene na Câmara de Vereadores de Maragogipe e nela, fiz questão de colocar três questões. A grafia do nosso topônimo; A diferença entre a Emancipação Política e o 08 de maio; e o futuro das pesquisas da história de Maragogipe. Pontos que considero de extrema importância e acredito que somente com o debate podemos defini-las.

Segue abaixo o discurso na íntegra. Estarei contando com sua opinião, pois assim como estou te incentivando, incentivei nossos legisladores.


Bom dia a todos os presentes nesta sessão

Excelentíssima Senhora Presidente da Câmara de Maragogipe, Ana Leite do Nascimento;
Excelentíssima Senhora Prefeita de Maragogipe Vera Lúcia Maria dos Santos;
Excelentíssimas Autoridades, senhores vereadores;
Ilustres Senhoras e Senhores que se fazem presente neste momento tão nobre para a sociedade maragogipana.

Inicialmente, agradeço por ter sido escolhido para ser o Orador Oficial nesta solenidade em comemoração do “Centésimo Sexagésimo Terceiro Aniversário da Cidade de Maragogipe”, data definida e criada pela lei provincial nº 389, do dia 08 de maio de 1850, ocasião que Maragogipe recebeu o título de Patriótica Cidade. Momento ímpar na nossa história de luta, suor, lágrimas e alegrias. No entanto, acredito que há muitas pessoas em nossa cidade em condições de estar aqui, falando pela data e, principalmente, pela história desta cidade, em especial o professor Benedito Jorge Carneiro de Carvalho e a professora Marilena Seixas.

Estou aqui, como professor de História, formado pela UFRB, e como Coordenador do Laboratório de História e Memória de Maragogipe do Centro Educacional “Simões Filho”, colégio que dedica uma parte da sua proposta pedagógica ao ensino da História de Maragogipe, da sua cultura e diversidade.

Neste momento, falo para todos os cidadãos maragogipanos, presentes e ausentes, sem nenhuma exceção, e aqui lembro, que o “cidadão maragogipano” ama esta terra independente do lugar onde mora e é aquele que reside no nosso município, e não apenas, aos que nesta terra nasceram. O cidadão maragogipano, também pode ser chamado de sanroquense, guapirense, guaiense, coqueirense e nageense. Não pode haver distinção! Basta sentir e querer ser cidadão maragogipano. Este é um sentimento que pertence a todos, independente de religião, cor, posicionamento político ou ideológico.

Este sentimento que chamamos de “maragogipanidade”, corre nas nossas veias e no nosso coração que pulsa o sangue que corre no nosso corpo e que nos faz viver intensamente esta bela e Patriótica Cidade. Uma terra que está em franco crescimento econômico, que está em expansão devido ao novo potencial descoberto. Uma terra que tem memórias e desejos a serem postos na mesa como o caranguejo e a moqueca de siri, ou aquela mariscada que tanto adoramos, para que jovens se deliciem ouvindo histórias das mais sapientes pessoas que por esta terra circulam e definem o seu mais sublime desejo de maragogipanidade.

Neste dia, a Casa Legislativa também homenageia cidadãos maragogipanos como o Babalorixá Edson dos Santos, os professores Ronaldo Pereira de Souza e Eliezer Cesar de Albuquerque Rebouças, e os ex-prefeitos Bartolomeu de Ataíde Teixeira e Rubem Guerra Armede. Pessoas que contribuíram ativamente com a nossa história e cultura.

Nesta cerimônia. Trato de três questões que precisam ser discutidas pelo Legislativo e Executivo. Três questões históricas que não devem mais passar despercebidas como estão passando. Três questões que necessitam da Urgência Urgentíssima dos nossos projetos legislativos.

Senhores vereadores. Sociedade maragogipana. Convidados e amantes desta terra. Serei rápido e sucinto, apesar destas três pautas merecerem mais destaque. Por este motivo, clamo a atenção do Legislativo para que este discurso não seja vago, vazio e nem caia no esquecimento dos arquivos sem nenhum valor.

A primeira questão é:

1. Qual grafema devemos aplicar no nosso topônimo?

Na primeira edição do jornal Tribuna Popular que circulou por esta terra no dia 08 de maio de 2010, fiz questão de salientar que não podíamos continuar escrevendo o topônimo da nossa cidade em duas versões. Penso que estamos tendo uma atitude inconcebível e que pode ser corrigida como foi em Sergipe, que em Audiência Pública, depois dos argumentos serem colocados ficou definido o uso do grafema “G”.

Como historiador, defendo o uso da grafia histórica, defendo o uso das nossas raízes e para isso, invoco o acordo de 1943, que continua valendo para grande parte dos assuntos do nosso idioma, apesar dos novos acordos ortográficos. Este acordo prevê, logo no parágrafo 33 que as palavras deverão ser escritas respeitando-se sua etimologia e sua história, todavia deve estar em harmonia com a prosódia geral dos brasileiros que nem sempre é idêntica à lusitana.

No parágrafo 39 ficou definido que os nomes próprios personativos, locativos e de qualquer natureza, sendo portugueses ou aportuguesados, estão sujeitos às mesmas regras estabelecidas para os nomes comuns. Até aqui, poderíamos escrever Maragogipe com o grafema “J” (jota), Contudo no parágrafo 42, há uma exceção, relativa às cidades com tradição histórica secular quando já esteja consagrada pelo consenso diuturno dos brasileiros. E como exemplo, cito o Estado da Bahia, que se escreve com o grafema “H”, devido sua tradição e história centenária.

Apesar do acordo ortográfico estabelecer que as palavras de origem tupi, que pela tradição usual eram escritas com "G" passaram a usar nos nomes comuns na língua portuguesa o grafema "J", no nosso caso específico, vale lembrar da nossa tradição secular. O que nos desobriga a seguir as normas do referido acordo.


Maragogipe tem muito mais de 163 anos de história para contar. Nossa história tem mais de quatro séculos. Neste sentido irei pontuar três datas importantíssimas para Maragogipe e para nosso argumento.
  • Para alguns historiadores, o ano de 1640 é marco da nossa Igreja da Matriz e a povoação que já existia desde o século XVI é elevada à categoria de Freguesia de São Bartolomeu de Maragogipe (utilizando o grafema G), pelo Bispo Dom Pedro da Silva Sampaio, por proposta do Vice-Rei Dom Jorge de Mascarenhas, o Marquês de Montalvão. Este documento tem 373 anos.
  • Em 1724, no dia 16 de fevereiro, foi criada a Vila de São Bartolomeu de Maragogipe (utilizando o grafema G), com território desmembrado de Jaguaripe e em virtude da ordem do Rei de Portugal D. João V dada em 17 de dezembro de 1693. Atendendo ao apelo popular, o ato foi consumado pelo ouvidor geral da câmara Pedro Gonçalves Cordeiro Pereira com portaria por ato do Sr. Vasco Fernandes César de Menezes, o 1º Conde de Sabugosa, Governador Geral do Brasil. Este documento está localizado no Arquivo Histórico Ultramarino e tem 289 anos.
  • Por fim, em 1850, no dia 08 de maio, a vila de Maragogipe (utilizando o grafema G) foi elevada a categoria de cidade, pela lei provincial nº 389, ocasião que recebeu o título de Patriótica Cidade, no governo de Álvaro Tibério de Moncorvo e Lima, que presidia a Província da Bahia. Este documento está localizado na Coleção de Leis e Resoluções da Assembleia Legislativa e Regulamentos do Governo da Província da Bahia, e tem, nesta exata data, 163 anos de história e esta Certidão de Nascimento está aqui, em minhas mãos e distribuo algumas cópias para vocês verificarem o que estou afirmando.

Vou perguntar a vocês: Podemos alterar a nossa Certidão de Nascimento sem passar pelo crivo da lei? E aí, espero que vocês me respondam perguntando: Mas, por que o nosso brasão oficial está grafado com jota, além da fachada da Câmara e de ofícios da Prefeitura? Por causa da lei municipal nº 6 de 27 de janeiro de 1973. Nela, foi idealizado o Brasão e a Bandeira do Município que inexistiam, todavia não definiu, verdadeiramente, qual grafema devemos escrever, ficando a dúvida, pois foi baseada no desejo de apenas algumas pessoas, num tempo em que a Democracia não reinava, a Ditadura era a ordem do dia, e neste sentido, o povo não participou do processo de decisão e escolha. Naquele momento, a Casa Legislativa foi utilizada como meio para que o desejo de algumas pessoas que estavam no governo fosse consumado sem consulta popular e hoje, nós vivemos com este ponto de interrogação.

Parece contradição a utilização deste documento no meu argumento, mas ele tem um propósito - o confronto histórico. Pois, não quero aqui definir qual será a nossa futura grafia. Apesar dos meus argumentos serem claros e precisos e do fato de não aceitar que um documento de quarenta anos, seja mais forte que documentos centenários, sei que a maioria vence e respeito esta decisão, por ser democrática. Gostaria apenas que esta questão fosse tratada com mais seriedade e que o povo pudesse realmente decidir depois de ouvir os argumentos colocados. Se quisermos preservar a nossa história que comecemos deste ponto e enquanto o Legislativo não definir esta questão, assim continuaremos. Sendo assim, cabe a vocês, caros vereadores a reforma da nossa Lei Orgânica que completou 23 anos de existência e que precisa ser atualizada, do Regimento Interno e a definição deste impasse entre a história e a língua portuguesa.

A segunda questão é:

2. Quando Maragogipe obteve sua Emancipação Política e o que comemoramos no dia 08 de maio?

Como falei, a Vila de São Bartolomeu de Maragogipe foi criada no dia 16 de fevereiro de 1724. Segundo Osvaldo Sá, “como prova de gratidão, os maragogipanos ofertaram ao Conde de Sabugosa, 2000 alqueires de farinha de primeira qualidade para o sustento da tropa, dádiva aceita com apreço, devido à escassez existente na seca avassaladora que devastava o Estado.” Parece que esta seca nos acompanha desde muito tempo, mas superamos e superaremos as que estão por vir. Basta organização, planejamento e aplicação correta dos recursos públicos.

Seis dias depois a vila foi instalada, sendo contratados pedreiros, carpinteiros e ferreiros para a construção deste prédio centenário, a Casa de Câmara e Cadeia de Maragogipe. Quatro anos depois, em 1728 o Paço Municipal é, finalmente, instalado, tornando-se sede do Governo do Município de Maragogipe. Todavia, segundo o IBGE, a emancipação política do município de Maragogipe aconteceu, através de provisão régia, no dia 09 de fevereiro de 1725, esta data sim, é pouco lembrada pelos maragogipanos.

Neste período imperial, os presidentes da Câmara tinham, em suas mãos, os dois poderes (Executivo e Legislativo) e este prédio, além destas instituições e outras, ainda continha uma Cadeia, que funcionou até o terceiro quartel do século XX, e que, nas fontes históricas das Guerras de Independência é lembrada por ser prisão do combatente general francês Pedro Labatut.

Se, com muitas exceções, - e aqui faço questão de lembrar os escravos da época que foram chicoteados, amordaçados aqui nesta praça, mas que construíram esta cidade -, os maragogipanos já podiam exercer sua cidadania, já tinham seu direito civil e político definido por provisão régia e um município com Casa Legislativa existente. Então, não podemos afirmar que a emancipação política ocorreu em 1850.

Mas o que comemoramos realmente no dia 08 de maio?

Comemoramos um título que nos foi concedido por Sua Majestade Dom Pedro II devido à bravura dos maragogipanos pela causa da Independência da Bahia e do Brasil. Segundo o escritor maragogipano Osvaldo Sá, este município não pode ser inferiorizado no quadro verde-amarelo das vilas do Brasil. O título de Patriótica é belo e expressivo, pois “o patriotismo é o heroísmo continuado, permanente e o heroísmo é ato de bravura impetuosa de um momento, rápido e fulminante. Já o patriotismo nasce da ação continua e consciente, e por isto, subsiste, perdura” (SÁ, Osvaldo - Histórias Menores), corre nas veias da cada cidadão que se emociona quando fala da sua terra.

Aliás, todos nós sabemos que a luta pela Independência tem como marco o dia 25 de junho de 1822, dia em que a Câmara de Cachoeira decidiu aclamar Sua Alteza Real por regente e Perpétuo defensor e protetor do Reino do Brasil. Foi lavrada a ata e quando celebravam o Te Deum a escuna canhoneira enviada por Madeira de Melo disparou o primeiro tiro contra a vila.

No dia seguinte, formou-se a primeira junta Interina, Conciliatória e de Defesa e nela Antônio Pereira Rebouças, maragogipano, já se fazia presente. Foram enviados mensageiros para todas as vilas e povoações do Recôncavo. Neste mesmo dia, a Câmara de Maragogipe já ciente das hostilidades decidiu que "No reino do Brazil deve residir hum único Centro de Poder Executivo na Pessoa do Príncipe Real" (TAVARES, cap. XVI do livro História da Bahia)

Hoje, comemoramos no dia 29 de junho, um feriado municipal por uma adesão feita no dia 26 de junho. Quem quiser a comprovação histórica do que estou descrevendo basta procurar na internet pelas edições dos jornais da “Gazeta do Rio”, na edição de nº 108, do dia 07 de setembro de 1822, dia da Independência do Brasil. Numa data como esta, o governo disponibilizou documento tão importante para nossa cidade. Nele encontramos uma Ata da Câmara de Maragogipe do dia 26 de junho de 1822 (sendo grafada com “G”), e nós não estamos dando a devida atenção ao referido documento, que exigiu, inclusive, como agora aqui estou, uma Universidade. Maragogipe e os maragogipanos desejam ter um núcleo da UFRB. Sendo assim, é no dia 26 de junho e não no dia 29 que Maragogipe aderiu à independência, exigindo inclusive, o fim das hostilidades portuguesas.

É com esta história de luta e patriotismo que no dia 08 de maio, comemoramos a elevação da vila de São Bartolomeu de Maragogipe a categoria de cidade ocasião que recebeu o título de Patriótica Cidade. Na época, o município tinha aproximados 45 mil habitantes, seis vereadores, sendo eleitos mais três edis Rocha Passos, Joaquim Batista Imborama e José Pereira Silveira, deixando a Casa com nove representantes. Esta lei foi publicada no dia 10 do mesmo mês na Secretaria da Província da Bahia.

A terceira e última questão:

3. Que tipo de atenção os estudos históricos da nossa terra merecem ter?

Vossas excelências, cidadãos maragogipanos e convidados especiais. A História de Maragogipe é uma das mais belas e mais vibrantes de todos os tempos e precisa ser resgatada, precisa de incentivos, precisa de espaços vivos e reais. Quebrem aquele paradigma positivista de que a História estuda o Passado. A história não pode estudar o passado, nós, historiadores não temos uma máquina do tempo para ver o que se passou e escrever. A História é estudo dos homens no tempo e no espaço, a História é estudo das nossas indagações do tempo Presente. É somente com estas questões que interrogamos o passado, e utilizamos dos documentos orais e escritos existentes no presente para confirmar nossas indagações.

Neste sentido, como historiador e maragogipano, ciente dos meus deveres e direitos, cobro de vossas excelências, a implantação de Centro de História e Memória de Maragogipe para que pesquisadores, professores e amantes da história possam apreciar o quão bela é nossa vida coletiva. Para que se possa produzir conhecimento e novas interpretações acerca da história local. A digitalização de fotografias, documentos públicos e particulares, a coleta de informações através da história oral é de extrema importância para a preservação da nossa memória. Quem sabe, depois de muitas discussões, a produção de livro didático que será distribuído gratuitamente para que nossas crianças e jovens obtenham o conhecimento da nossa História?

Finalizo este discurso, relembrando meu avô, Dr. Odilardo Uzeda Rodrigues, mestre e professor de História, disciplina a qual dedico minha vida, assim como a minha mãe, professora Lucia Maria, que me incentivou e me ensinou a amar esta terra, assim como vocês a amam. Ela me ensinou a respeitar o próximo, e a dizer não para os erros. Ensinou-me a ser firme na minha ideologia, respeitando a opinião alheia. Ensinou-me a travar debates e estou pronto para isso. Percebam que levantei três questões. Espero que a Câmara de Vereadores promova um verdadeiro debate entre maragogipanos para que cada um esboce o seu entendimento sobre as questões levantadas, refutando ou não, os argumentos usados neste discurso, e promovendo o que nós mais desejamos. A democracia.

Desejo que no próximo ano, estas questões não precisem mais ser levantadas.

Parabéns Patriótica Cidade!

Muito obrigado a todos.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Mesa Redonda sobre História do Carnaval de Maragogipe acontece domingo



Acontecerá, neste domingo do Carnaval, dia 10 de fevereiro uma Mesa Redonda sobre a História do Carnaval de Maragogipe. O evento foi idealizado pelo Blog de História do professor Zevaldo Sousa, pelo Laboratório de História e Memória de Maragogipe do Centro Educacional "Simões Filho", e conta com a parceria da CEPEPRO, AMMA e Fundação Vovó do Mangue.

A mesa redonda será realizada na Associação Atlética Maragogipana, às 10 horas da manhã e contará com as presenças do estudante de Geografia Erick Conceição, do diretor do Centro Cultural Dannemann, em São Félix, Pedro Arcanjo, do professor e memorialista Benedito Jorge Carneiro de Carvalho (Bibito), do professor de História Zevaldo Sousa. Devido o fato de iniciarmos esta programação no último momento, outros nomes ainda poderão fazer parte desta mesa redonda.

Será discutido, além da história do Carnaval de Maragogipe e suas características e aspectos singulares, meios de valorização da cultura e de promoção do Carnaval.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Da Associação Atlética Maragogipana à Fundação Vovó do Mangue (1954 a 2013)

Por Zevaldo Sousa


A Associação Atlética Maragojipana foi fundada em 16 de março de 1952 e, como toda instituição teve ótimos administradores, mas no final da década de 90 entrou no período de crise profunda, tendo seu fim decretado, todavia teve um recomeço.

Neste texto, procuraremos retratar um pouco da Associação Atlética, pois a história-problema se preocupa e muito com detalhes que intrigam a sociedade e que continua ligada, mesmo que sentimentalmente, a determinado órgão ou instituição que pertenceu.

Atualmente, o antigo prédio da Associação Atlética Maragogipana que estava caindo aos pedaços, e foi restaurado (fotos abaixo) no início do século XXI, estando sob responsabilidade de um grupo de maragogipanos que se organizaram em torno da Fundação Vovó do Mangue, e que apesar de ter preservado o nome da antiga instituição durante quase todo período, no final de abril de 2010 a mudança na fachada do prédio colocando o nome da Fundação causou novo debate.




A sociedade prontamente reagiu, o presidente da Câmara de Vereadores falou seu posicionamento em plenário na Câmara de Maragogipe como antigo sócio, assim como outras pessoas da sociedade. Ocorreu um pequeno debate no mural do Blog do Zevaldo Sousa, e nele, havia opiniões contrárias e a favor do fim decretado, como forma de amenizar a situação, membros da Vovó do Mangue resolveram colocar o símbolo da Associação Atlética Maragogipana na frente do prédio.

A mudança caso um novo debate
Desde o início do funcionamento da Associação Atlética Maragogipana parte da comunidade tinha direitos a participar das atividades. A instituição sempre se preocupou em servir de entretenimento para essa parcela da sociedade maragogipana, que servia-se de jogos esportivos, assim como bailes eram realizados durante o ano, em momentos festivos, a exemplo do carnaval de Maragogipe, blocos carnavalescos divertiam a sociedade mas nem todo mundo poderia entrar no ambiente, era preciso estar trajado com certos padrões de etiqueta para entrar no recinto, e como a grande maioria da população maragogipana não tinha condições financeiras para cobrir os custos do entretenimento no espaço, o ambiente se tornou centralizado e elitizado. No carnaval, assim como em outros clubes sociais, como a Rádio Club Maragogipano (antigo Clube dos Alemães), a Terpsícore Popular e a Dois de Julho, locais que se tornaram patrimônios culturais dos maragojipanos, blocos carnavalescos eram realizado como parte da cultura da instituição.

Na década de 1990, a Associação Atlética Maragogipana viveu momento de crises profundas, com administrações que não conseguiam manter o equilíbrio financeiro, e acabavam vendendo o patrimônio público para particulares. Diversos objetos também foram saqueados, o prédio da instituição estava caindo, o telhado e a madeira que o sustentava estavam apodrecidos, a água da chuva penetrava com facilidade e não havia de onde tirar recursos para a manutenção da instituição, nem muito menos havia pessoas interessadas em manter aquele padrão. A situação no município estava mudando junto com o novo período de Democratização da sociedade brasileira.

A seguir, esboçaremos um pouco da situação através de resumos das atas de reuniões que quase inexistiam devido ao desinteresse dos associados.

[1] Ata da página 154 relata que o clube estava em "péssimos condições financeiras", evidenciando a falta de participação dos sócios e de pagamento das mensalidades (1996).

[2] Ata da página 159 menciona prejuízo nas operações financeiras do carnaval de (1997).

[3] Ata da página 161 fala sobre problemas financeiros, negociações para pagamento de dívida trabalhista. Fala também sobre as constantes locações para terceiros como fonte de renda (1997)

[4] Ata da página 163 - Eleições 98/99 ressalta que somente 37 associados participaram das eleições. (1998)

[5] Ata da página 164 cita a proposta de anistia dos sócios em atraso (aceito pela diretoria) indo de encontro ao estatuto que diz que o sócio que não pagasse 03 meses consecutivos e 06 meses automaticamente eliminados (segundo o Estatuto deveria haver Assembléia Geral, mas esta não aconteceu). Cita que era costume terceiros locarem o clube pagando uma taxa abaixo do valor real e oferecendo benefícios aos diretores (camisetas, ingressos e cerveja na festa) - 1998.

[6] Ata da página 165 cita que a diretoria do clube solicita ajuda da Prefeitura como funcionários, reparos na estrutura e bandas para as festas. Cita que somente a prefeitura ajuda para demonstrar aos sócios que se está fazendo alguma coisa (1998)

[7] Ata da página 167 cita as dificuldades financeiras do clube, a ausência dos sócios e os esforços da diretoria em realizar atividades, porém sendo evidente a falta de interesse dos associados em frequentar o clube (1998)

[8] Ata da página 168 fala sobre o fraco movimento no carnaval de 1998 e as dificuldades financeiras (1998)

[9] Ata da página 170 afirma que são poucos os associados a pagarem suas mensalidades (1999)

[10] Ata da página 171 somente 36 sócios participaram das eleições (2000)

Cabe aqui uma observação, o intervalo entre as 03 últimas atas 03/98 - 01/99 - 01/2000.

[11] Ata de julgamento do processo nº 40.01.01.0920-01 - processo trabalhista contra a AAM assinada pelo Dr. Humberto Machado - Juiz do Trabalho, relata que documentos juntados ao processo revelam que a AAM esteve totalmente abandonada a partir de 1998 (2002)

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Associação Atlética Maragojipana - Fundada em 16 de março de 1952

Breve relato da atual situação física, financeira e jurídica do clube, conforme listado a seguir: condições totalmente precárias de todas as dependências físicas do clube, telhado e forro do salão principal totalmente degradados, com precárias condições de segurança, forçando sua interdição por tempo indeterminado; o espaço do bar sem condições adequadas de higiene; toda a parte elétrica com graves riscos de causa de acidentes; salas de diretoria e secretaria e demais dependências com paredes sujas e portas estragadas; equipamentos de som e demais equipamentos de escritório sucateados; equipamentos esportivos sem condições de uso; quadra esportiva e redes de proteção com péssimas condições. Na parte financeira verificou-se a seguinte situação: dívida com a empresa de água e saneamento Embasa no valor de R$ 1050,36 estando o fornecimento de água cortado; dívida com a empresa de telefonia Telemar no valor aproximado de R$ 300,00 do telefone de número 726-1028, pertencente ao clube; recibo de energia elétrica da empresa Coelba no valor de R$ 20,14, com vencimento em 06/12/1999 pendente de pagamento; situação de recolhimento de FGTS e INSS não declarada pela administração anterior; sete cheques cadastrados no CCF do Banco do Brasil, agência 2271-3 (Agência de Maragogipe), conta corrente de número 45.767-1, sendo que cinco cheques foram inclusos em 08/05/1996, não constando seus dados mais no sistema do referido banco (vlor e número do cheque), e dois constam conforme se segue - nº 563150, no valor R$ 255,00, incluso a 06/03/1996 e outro de número 712249, no valor de R$ 463,00, incluso em 09/05/1996. Não foram constatadas outras restrições ou pendências financeiras,constando Certidão Negativa emitida pelo Cartório de Protesto de Títulos. Somente 37 sócios estavam em dias até dezembro de 1999. Encontra-se também uma pendência trabalhista com os funcionários Bartolomeu Barbosa dos Santos, admitido em janeiro de 1990 e Rosana Reis Guerreiro Miranda, admitida em janeiro de 1994, sendo que os últimos salários pagos no dia 30/12/1998, no valor de R$ 150,00 para a funcionária Rosana Reis Guerreiro Miranda, e R$ 130,00 para o funcionário Bartolomeu Barbosa dos Santos, registrados no balancete de abril a dezembro de 1998. O balancete de janeiro a março de 1998 não foi repassado pela administração anterior. Quatro livros de atas foram extraviados.

Maragojipe, 15 de janeiro de 2000
Marcos Antonio Barbosa Pereira
Presidente

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A partir daqui, instala-se uma nova administração, ao longo deste período, jovens vão se unir em prol da reconstrução deste prédio abandonado, e irão transformar o espaço. Como nas imagens abaixo relacionadas.



















A FUNDAÇÃO VOVÓ DO MANGUE
A Fundação Vovó do Mangue inicia um trabalho neste ambiente, e além do espaço ser revitalizado  como nas imagens abaixo relacionadas. Trabalhos socioambientais são desenvolvidos pela instituição.

Fundada em 1997, em Maragogipe, a Fundação Vovó do Mangue (FVM) desenvolveu diversas atividades nas áreas culturais, sociais e ambientais. O trabalho da Fundação é sempre buscar o equilíbrio entre a natureza e a sociedade. Dessa maneira, a entidade age no município com um direcionamento socioambiental e sociocultural bastante relevante.

Temos consciência de que a fundação, nos últimos anos, desenvolveu trabalhos como:

  • Projeto brasileirinho com a prática de esporte, promoção da cidadania e da educação ambiental. Dezenas de famílias são atendidas pelo Projeto que contribui para a formação de jovens com idade entre 10 e 17 anos;
  • Projeto Abrinq que atendeu aproximadamente mais de 180 crianças;
  • Projeto Viva o Mangue por intermédio do cultivo e do plantio de 20 mil mudas de mangue e da capacitação técnica de membros da comunidade para atuarem como multiplicadores, objetivava recuperar cerca de 10.000m2 de manguezal na Reserva Extrativista Baía do Iguape.

Além disso, a Fundação Vovó do Mangue mantinha parcerias com a Petrobrás, Deten Química S/A, Fundação Abrinq e o Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e Adolescentes, com os pais das crianças, em sua maioria, pescadores e marisqueiras.

O projeto da Fundação estava dividido em duas áreas:

  • Educação ambiental que visava a formação de agentes multiplicadores e Horto de mangue, que visa a manutenção do ecossistema de manguezal, tanto em Maragogipe como em outras localidades que sejam propícias a recuperação.
  • Projeto “Viva o mangue”, que era firmado em parceria com Deten Química S/A, que visa a reprodução de mudas de manguezal, das espécies mais comuns encontradas na Baía do Iguape. Conta também com pesquisas e estudos voltados a área ambiental. E com um intuito maior de educar para preservação do meio ambiente.
Educação ambiental

A realização da “Semana do Meio Ambiente” e a “Semana Estudantil” (Fotos abaixo) eram eventos realizados pela instituição em que seu ápice de divulgação entre a comunidade maragogipana era atingido. Eram voltadas para a criação de consciência de preservação, onde contam com gincana ecológica, jogos esportivos, mostra de vídeo, palestras, plantio de mudas do mangue.




Em 2012, observamos a perda significativa dos projetos conquistados com muita luta e a fundação deixou, muito a desejar, nas questões sociais e ambientais do município. Envolvimentos com políticos municipais travaram e diminuíram a independência da instituição que demonstrou perda de força perante a sociedade que já não via com bons olhos devido à manutenção de um espaço social que antes “pertencia” a sociedade elitizada de Maragogipe e que houve uma inversão drástica de valores, para incluir a população mais carente, nos diversos âmbitos da sociedade, o que garantiu um saldo positivo entre as populações do entorno da cidade, e um saldo negativo com as pessoas do centro da cidade.

Com isso, a instituição foi alvo constantes de críticas e necessitou de urgente renovação na roupagem da sua diretoria e de seus membros, está precisando de atividade, buscando de novas parcerias e novos projetos. Neste momento, Antônio Marcos e Jorge Dias estão na frente da Fundação e pensam em reabrir a Associação para a comunidade.



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