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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

São Bartolomeu de Maragogipe: 366 anos de história e fé


Por Zevaldo Luiz Rodrigues de Sousa

Neste Ano Jubilar da Divina Misericórdia refletimos durante o novenário de São Bartolomeu de Maragogipe sobre tema importantíssimo e que na maioria das vezes, nos esquecemos. Poucas pessoas são misericordiosas como o Pai e por este motivo, há necessidade de reflexões. Foram nove noites motivadas pela Misericórdia Divina e nelas, aprendemos mais uma vez, que atitudes simples e cotidianas transformam vidas. Dar de comer aos famintos, Dar de beber aos sedentos, Vestir os nus, Acolher os peregrinos, Assistir aos enfermos, Visitar os presos, Enterrar os mortos, Aconselhar aos indecisos e Consolar os aflitos são motivações e atitudes cristãs que devemos ter ao longo de nossa vida sem a necessidade de pedir nada em troca. Fazer o bem sem olhar a quem!

Hoje, dia 27 de agosto de 2016, gostaria de deixar esta simples mensagem visando a construção de uma identidade religiosa e popular.


A Igreja de São Bartolomeu de Maragogipe tem história tricentenária que merece destaque. Para comprovar tal afirmação, viajo na história trazendo à luz desta mensagem a opinião do mestre Dr. Odilardo Uzeda Rodrigues, meu avô, que proferiu palestra no Cine Lourdes, em 28 de novembro de 1950, na sessão de homenagem a D. Augusto, para encerramento das festas tricentenárias da Igreja Matriz. Vale lembrar que naquele ano, Maragogipe comemorou o primeiro centenário de sua elevação à categoria atual, com a denominação de Patriótica Cidade, e em 12 de setembro deveria ter comemorado o tricentenário de inauguração da sua Matriz, o que entretanto, veio a fazê-lo no mês de novembro. As festividades comemorativas do terceiro século de existência da Casa do Senhor, erigida nesta terra abençoada, sob a invocação do Glorioso Apóstolo, teve a figura exemplar do Padre Florisvaldo José de Souza como líder da Comissão diretora e foi uma festa espetacular. Ressaltamos que, em 1989* foi substituída as comissões de festas do padroeiro, eleitas anualmente, que haviam sido incorporadas a Mesa Administrativa desde 1912, por uma Comissão de Festas escolhida pelos membros da Igreja de São Bartolomeu com o intuito de evitar conflitos que ocorriam por causa das eleições.

Mas aqui, cabe perguntar, quando São Bartolomeu tornou-se o padroeiro desta maravilhosa terra? Há diversas interpretações, mas não vamos nos prolongar. A história religiosa indica que os moradores desta terra tinham como principal protetor - São Gonçalo -, e após uma aparição de um homem alto, todo ensanguentado com uma adaga na mão sobre uma pedra no meio de uma pequena floresta para um escravo no período colonial fez surgir um sentimento novo na Fazenda do Capitão Bartolomeu Gatto que já era devoto de deste Apóstolo de Cristo e indicou para a comunidade que aquela aparição era uma manifestação Divina o que acabou por convencer a maioria da população e ao Rei de Portugal que os habitantes deste lugar deveriam construir este magnífico templo dedicado a São Bartolomeu.

Historiadores indicam que a construção teve início por volta do ano de 1640, mas dúvidas ainda pairam em torno da data de sua inauguração. Todavia, no testamento do Capitão Bartolomeu Gatto datado de 16 de dezembro de 1650 e revogado por novas disposições em 20 de outubro de 1651 faz referência a Igreja Matriz. Na época, o Padre Paulo de Sam Payo assina o referido documento como uma das testemunhas o que pode ser indício de que a Igreja Matriz de São Bartolomeu recentemente construída já estava em funcionamento. Por este motivo, aceitamos a ideia de que neste ano de 2016, Maragogipe comemorará no dia 12 de setembro, o 366º aniversário da Igreja Matriz de São Bartolomeu (sem contar os anos de debate e construção), data esta que deve ser comemorada todos os anos.

É claro que a Igreja de São Bartolomeu de Maragogipe sofreu inúmeros reparos ao longo do tempo, sendo ampliada, para que pudesse suportar galhardamente a ação iconoclasta do tempo e continuasse a ser o sacrário bendito onde a alma maragogipana pudesse se abeberar do consolo necessário para suas dores sob seu teto abençoado. Na leitura de documentos históricos verificamos que dos orçamentos da Província da Bahia nos anos de 1845, 53, 59, 81 e 88, consta a consignação de verbas nos valores para obras na Matriz de São Bartolomeu. Em 1941, sob os auspícios da comunidade e orientação do SPHAN foi renovada a pintura do forro da Igreja de São Bartolomeu de Maragogipe. Neste mesmo ano, a SPHAN tombou a Igreja de São Bartolomeu de Maragogipe, sob o nº 155 do livro de História, fl. 26, e sob o nº 296 do livro de Belas Artes, fl. 51. Ao longo do tempo, outras obras foram realizadas e até hoje, a beleza deste magnífico e glorioso Templo necessita de reparos constantes. A dificuldade é grande, mas com a ajuda da comunidade católica cristã o grandioso Templo de São Bartolomeu de Maragogipe se mantém firme e é destaque Arquitetônico Brasileiro. Preservar este Templo e cuidar para que a história deste Patrimônio não perca sua identidade, é dever de toda a comunidade católica maragogipana, priorizando também as características religiosas da Festa de São Bartolomeu.

Falando em Festa de São Bartolomeu – outro patrimônio histórico, cultural e religioso do povo maragogipano que precisa ser preservado e imaterializado, por ser parte da cultura popular sacra e profana da comunidade maragogipana, poucos são os dados encontrados da data de início da Festa de São Bartolomeu que tem sua história narrada, principalmente, por Fernanda Reis dos Santos, historiadora e amante da nossa rica história. Mas o pouco que sabemos é visto e sentido pela comunidade maragogipana ao longo do mês de agosto, nosso mês Maior.

A cultura popular e religiosa maragogipana nos lega sentimentos especiais. O pregão avisa a comunidade maragogipana em julho que o mês de agosto se aproxima. No primeiro domingo de agosto, o Bando Anunciador percorre as principais ruas da cidade distribuindo o programa da festa religiosa, e neste dia, cavaleiros e amazonas desfilam pela cidade com a participação especial da comissão de festas, filarmônicas, autoridades e toda a comunidade maragogipana envolvida com as festividades. Antigamente, o Bando anunciava para os habitantes das cidades e vilas próximas que no mês de agosto aconteceria a grandiosíssima Festa de São Bartolomeu.


No segundo domingo, acontece à purificação das almas através da secular Lavagem do Templo remontando o mutirão realizado no ano da inauguração da Igreja Matriz. O novenário de São Bartolomeu acontece sempre com muita fé e energias positivas para a comunidade cristã acompanhada da melodia glorificante do Coro e Orquestra Maria Imaculada Conceição.


No terceiro domingo, em uma festividade que marca o sagrado e o profano, num ato ecumênico, acontece a Lavagem Popular das ruas de São Bartolomeu.


O dia 24 de agosto é espetacular. Dia do Excelso e Insígne Padroeiro de Maragogipe – São Bartolomeu. Nele, renovamos sentimentos e a esperança da construção de uma sociedade mais justa, mais humana e mais misericordiosa, sem a necessidade de perseguições e devaneios de suas lideranças. O quarto e último domingo é o momento ímpar especial para toda comunidade cristã, nela celebramos o Domingo da Festa com Solene Concelebração Eucarística. Na Segunda da Festa, uma imponente Procissão percorre as principais ruas maragogipanas demonstrando a fé, o amor e a confiança que a comunidade cristã católica maragogipana tem com São Bartolomeu e Nossa Senhora da Conceição.

Para descrever cada detalhe da Igreja e da Festa de São Bartolomeu é imprescindível a produção de livro, mídia ou preservação da farta documentação existente e espalhada pelo mundo em um Arquivo Histórico. Diversos autores já se debruçaram nesta tarefa maravilhosa – Osvaldo Sá, Fernando Sá, Odilardo Rodrigues, Ronaldo Souza dentre tantos outros que deixaram marcas indeléveis de fé sem deixar de lado a questão histórica e racional. Hoje, vivemos incomodados com a falta de documentação histórica apesar de tantas produções. A comunidade maragogipana precisa ajudar neste processo de resgate histórico e religioso, principalmente, relatando suas histórias, memórias e relações de crença e fé na intercessão de São Bartolomeu. A musicalidade da Festa merece destaque especial com a produção de mídia e a história precisa ser contada nas escolas para que nossos jovens conheçam sua história para aprender a preservá-la.

Que São Bartolomeu interceda por toda a comunidade maragogipana para que os cidadãos de bem desta terra saibam escolher pessoas compromissadas com este Patrimônio, que merece ser Patrimônio da Humanidade.

Por Zevaldo Luiz Rodrigues de Sousa
Licenciado em História pela UFRB


*Obs.: Data alterada devido a erro histórico. No documento original constava 1995, mas o fato aconteceu em 1989.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Livros contam um pouco da História do Carnaval de Maragogipe

Clique AQUI e baixe o livro
Conhecer a História do nosso município é de extrema importância fundamental para a memória, a cultura e a difusão de ideias, neste sentido, a disponibilização deste dois livros para download, um pelo IPAC, e o pelo Professor Alex Souza através da Secretaria de Cultura e Turismo de Maragogipe. 

No livro do "Carnaval de Maragogipe - Cadernos do IPAC 3", em PDF para você fazer o download e conhecer um pouco da História do Carnaval Imaterial da Bahia. No Blog do Carnaval de Maragogipe (www.carnavaldemaragogipe.com.br), você encontra muito mais informações sobre esta maravilhosa festa.


Vale lembrar que o livro é uma das cinco publicações do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) sobre patrimônios intangíveis da Bahia estão disponíveis para download gratuito nos sites da autarquia estadual, www.ipac.ba.gov.br, e da Secretaria de Cultura (SecultBA), www.cultura.ba.gov.br. Ao acessar o site do IPAC, os interessados devem procurar o link downloads, que fica na barra superior da página principal do site oficial do instituto, buscar a sessão Cadernos do IPAC e escolher quais dos livros deseja. Os arquivos são obtidos em PDF (Portable Document Format) e podem ser salvos em qualquer microcomputador ou pen-drive.


Clique AQUI e baixe o livro
O segundo livro, intitulado "Maragojipe sob a ótica do carnaval", escrito pelo professor Alex Souza Brito, é base de um pequeno artigo do professor maragogipano, expressa o mais profundo desejo e sentimento de maragogipanidade na descrição do Carnaval de Maragogipe.

OUTROS LIVROS
Neste portal de História, você também encontra na íntegra, os livros sobre a Festa de Santa Bárbara e o Desfile dos Afoxés, manifestações culturais que ocorrem em Salvador, o Carnaval de Maragojipe na cidade de mesmo nome, no Recôncavo baiano, a Festa da Boa Morte em Cachoeira, e o Pano da Costa que, segundo historiadores, foi o principal produto africano exportado e consumido na Bahia nos séculos 18 e 19.

Eles tiveram como objetivo maior a difusão de bens culturais imateriais do estado, cinco publicações do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) sobre patrimônios intangíveis da Bahia já estão disponíveis para download gratuito nos sites da autarquia estadual, www.ipac.ba.gov.br, e da Secretaria de Cultura (SecultBA), www.cultura.ba.gov.br, assim como clicando nas capas dos livros abaixo relacionados.

Pano da Costa  
 Festa da Boa Morte  
 Carnaval de Maragogipe  
 Desfile de Afoxés  
 Festa de Santa Bárbara

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Revista RAIZ faz matéria sobre Livro "Ceramistas de Coqueiros. História de Vida"

Revista RAIZ
Livro apresenta o trabalho tradicional da comunidade baiana de Coqueiros.


Por Thereza Dantas


O trabalho de gerações acaba de virar livro. O livro “Ceramistas de Coqueiros. Histórias de vida” é um dos resultados de uma série de atividades de documentação pró-memória (indivíduo e coletividade) que integram o Programa Monumenta/Iphan, do Ministério da Cultura. A produção dessas cerâmicas é uma das poucas alternativas de geração de trabalho e renda para a comunidade. Esse patrimônio está sob risco de extinção por causa do pouco valor dado as cerâmicas, os jovens da comunidade não se sentem atraídos para aprenderem o ofício de seus pais e avós, por isso a importância dessa publicação.

Dia 2 de abril de 2009, quinta-feira, houve uma festa de lançamento em São Paulo apresenta o livro “Ceramistas de Coqueiros. Histórias de vida” criado e editado por meio do recurso de transcrição da história oral. O livro apresenta o ofício dos ceramistas do distrito de Coqueiros, município de Maragogipe, Bahia. A publicação contém textos da editora Claudia Cavalcanti, da coordenadora executiva do Artesanato Solidário/ArteSol Helena Sampaio e da historiadora Daisy Perelmutter, que realizou as entrevistas com os artesãos. Ainda integram esta publicação imagens da produção de cerâmica e da região, trechos das entrevistas dos artesãos e a transcrição integral da entrevista da mestre Dona Cadú.

Para o evento, o Artesanato Solidário/ArteSol organizou uma pequena exposição de fotos e peças de cerâmica de Coqueiros, que serão vendidas durante o evento. O livro também estará disponível para os presentes.

A seguir uma entrevista com a antropóloga Helena Sampaio. Ela que dirige há sete anos o Artesanato Solidário/ArteSol, sai da coordenadoria da instituição para iniciar “carreira solo” na área de consultoria.

Portal RAIZ.:Como a cerâmica de Maragogipe está sobrevivendo? São quantas artesãs? Elas são cooperadas?
Helena Sampaio: A cerâmica do distrito de Coqueiros, município de Maragogipe/BA, é um artesanato de tradição que é transmitida de geração para geração há pelo menos 80 anos. Além da transmissão desse saber fazer, que mantém viva a tradição local, a atividade artesanal é uma das poucas oportunidades de geração de renda em Coqueiros.
Os artesãos estão reunidos na Associação dos Produtores de Cerâmica de Coqueiros. O grupo é formado por 47 artesãos (23 ceramistas e 24 brunideiras).

Portal RAIZ.: O trabalho envolve somente mulheres? Os homens estão mais participativos?
Helena Sampaio: Tradicionalmente a cerâmica de Coqueiros é feita por mulheres, que aprendem com suas mães, avós ou outras parentes. Todavia, o grupo de ceramistas conta com 3 homens jovens que aprenderam o ofício com suas mães e que hoje fazem da produção de peças de cerâmica suas principais fonte de renda. Na comunidade de Coqueiros, os homens tradicionalmente estão envolvidos com a atividade de pesca e as mulheres com o artesanato.

Portal RAIZ.: Qual é a sua visão do futuro das ceramistas de Coqueiros?
Helena Sampaio: Além de ser um patrimônio imaterial que deve ser preservado, a produção de cerâmica é uma das poucas alternativas de geração de trabalho e renda para a comunidade. Atualmente, os mais jovens se recusam a aprender e a seguir com ofício das mães e avós. Essa recusa advém da percepção por parte da gerações mais novas da pouca valorização da cerâmica no mercado consumidor e das difíceis condições de vida que o ofício impõe aos moradores, em uma quase imobilidade social.

Serviço:
Livro “Ceramistas de Coqueiros. Histórias de vida”
Artesanato Solidário, Rua Alves Guimarães, 436, Pinheiros – São Paulo - SP
Mais Informações fone: (11) 3082-8681
ou pelo site oficial Artesanato Solidário