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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Livro 'Suerdieck, Epopeia do Gigante' reconstituiu a história de um império charuteiro


No livro ‘Suerdieck, Epopeia do Gigante’, Ubaldo Marques Porto Filho reconstituiu a história de um império charuteiro, que chegou a ter 16 empresas, sendo quatro na Europa. Com três fábricas de charutos no Recôncavo Baiano (Maragogipe, Cruz das Almas e Cachoeira), foi a maior produtora de charutos brasileiros em todos os tempos e teve um período que manteve a liderança na produção mundial de charutos totalmente artesanais.

A epopeia da Suerdieck começou em 1892, como exportadora de fumos sediada em Cruz das Almas, onde também findou as atividades, em dezembro de 1999. A saga durou 107 anos, sendo 94 dedicados aos charutos que ficaram conhecidos nos quatro cantos do mundo.

Para reconstituir a longa trajetória, Ubaldo pesquisou centenas de documentos e entrevistou dezenas de pessoas que participaram da etapa final do antigo império. Ele próprio foi testemunha dessa fase, pois trabalhou na Suerdieck de 1965 até 1969.

O livro, com 400 páginas no formato grande (18,5x25,5), contém 446 lustrações, segredos na fabricação dos charutos e a relação das 464 marcas, sendo que chegou a ter 300 na linha de produção simultânea.

Não há, na história dos charutos brasileiros, nenhum livro com a riqueza de informações que ‘Suerdieck, Epopeia do Gigante’ oferece aos pesquisadores e leitores em geral.

Para acessar o livro em PDF basta entrar no site do autor: Ubaldo Marques Porto Filho

domingo, 10 de novembro de 2013

Livro "Odilardo Uzeda Rodrigues - Maragogipano por Opção" é lançado no dia do seu centenário

No dia 03 de novembro, filhos e netos  fizeram celebrar na Igreja Matriz de São Bartolomeu, uma missa especial em comemoração ao Centenário de nascimento de Odilardo Uzeda Rodrigues. A missa foi presidida pelo padre Matheus de Lima Leal. Familiares, amigos e admiradores marcaram presença.


Logo após a missa, na Casa da Cultura de Maragogipe foi realizado o lançamento do livro "Odilardo Uzeda Rodrigues - Maragogipano por Opção" que conta com textos jornalísticos e discursos históricos que o grande mestre declamou. Como exemplo, o livro contará com um discurso realizado no dia do centenário de elevação de Maragogipe à categoria de cidade, em 1950, assim como neste mesmo ano, discursou no tricentenário da Igreja Matriz de São Bartolomeu.

Durante o evento, foi lido trechos do livro, escrito por Odilardo Uzeda Rodrigues. Aliás, esta é uma dúvida que muitas pessoas estão tendo. O livro, é composto por textos escritos pelo mestre Odilardo, e organizado pelas suas filhas Izaura Marly Rodrigues Vieira e Odete Amanda Guerreiro Rodrigues Martinez com o apoio dos seus irmãos Themistocles Guerreiro Rodrigues, Odilardo Guerreiro Rodrigues, Manoel Guerreiro Rodrigues e Lucia Maria Guerreiro Rodrigues. Além destes, há textos complementares de familiares, amigos e ex-alunos.


O livro está sendo vendido pelo preço de 20 reais, consta com 200 páginas e você encontrará outras preciosidades relativas à sua história e sua relação com a história da cidade que ele optou por ser a sua terra. Será, sem sombra de dúvidas, uma coletânea de textos diferenciada!


Em breve, divulgaremos notícias sobre pontos de venda em Salvador. Neste momento, o livro pode ser adquirido na Secretaria do Centro Educacional "Simões Filho"

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Livro mostra realidade da cultura do tabaco no Recôncavo baiano

Salvador – Patrimônio histórico da Bahia, a cultura do fumo (ou tabaco) já não vive tempos áureos no estado. O setor enfrenta uma conjunção de fatores que impõem entraves ao seu desempenho, muito embora os charutos produzidos há quase 200 anos na região do Recôncavo estejam entre os melhores da América do Sul. Para se buscar a recuperação do segmento, é necessário investir em aspectos agrários, sociais e em inovação.

Uma nova visão da realidade da cultura e da indústria do tabaco e perspectivas para o futuro é a proposta do livro “Tabaco da Bahia”, de autoria do especialista Jean Baptiste Nardi, que será lançado nesta sexta-feira (dia 13), às 18 horas, na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).

Patrocinado pelo Sindicato da Indústria do Tabaco no Estado da Bahia (Sinditabaco), presidido por Odacir Tonelli Strada, o livro procura enfocar com olhar crítico a cadeia produtiva do fumo, procurando revelar as razões da decadência do setor na Bahia. De acordo com o autor, os limites do mercado de tabaco tipo Bahia e do charuto, as tarifas alfandegárias, as medidas não tarifárias e a política sanitária impostas por países compradores, contribuem para a crise atual do setor.

Jean Baptiste Nardi possui doutorado em Ciência Econômica pela Unicamp e é reconhecido como especialista na cadeia produtiva do fumo. No livro “Tabaco da Bahia” o autor observa que é “patente o desconhecimento da realidade da cultura e da indústria do fumo na Bahia e no Nordeste.”

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Livro História da África e dos Africanos na Escola lança desafios para formação de professores

O livro do professor Luiz Fernandes de Oliveira "História da África e dos Africanos na Escola" lançou desafios políticos, epistemológicos e identitários para a formação dos professores de História. Esta é, sem sombras de dúvidas, uma publicação enriquece de modo significativo e original a reflexão e pesquisa sobre relações étnico-raciais e educação no Brasil.

E neste sentido, estamos lembrando aos professores e amantes da história que o ensino de História da África, além de requerer certos cuidados conceituais é preciso salientar que sua diversidade precisa ser melhor trabalhada e para isso, é preciso estudo.

Segue como recomendação este livro de Luiz Fernandes de Oliveira, da Editora Imperial Novo Milênio, com 319 páginas.

Um boa leitura.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

LIVROS: Coleção História Geral da África em português e gratuita

Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Publicada em oito volumes, a edição completa da coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção está publicada também em árabe, inglês e francês, sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. 

Site onde estão disponíveis os livros para download:

Download gratuito (somente na versão em português):

Volume I: Metodologia e Pré-História da África (PDF, 8.8 Mb)
ISBN: 978-85-7652-123-5
Volume II: África Antiga (PDF, 11.5 Mb)
ISBN: 978-85-7652-124-2
Volume III: África do século VII ao XI (PDF, 9.6 Mb)
ISBN: 978-85-7652-125-9
Volume IV: África do século XII ao XVI (PDF, 9.3 Mb)
ISBN: 978-85-7652-126-6
Volume V: África do século XVI ao XVIII (PDF, 18.2 Mb)
ISBN: 978-85-7652-127-3
Volume VI: África do século XIX à década de 1880 (PDF, 10.3 Mb)
ISBN: 978-85-7652-128-0
Volume VII: África sob dominação colonial, 1880-1935 (9.6 Mb)
ISBN: 978-85-7652-129-7
Volume VIII: África desde 1935 (9.9 Mb)
ISBN: 978-85-7652-130-3

Informações Adicionais:
Coleção História Geral da África
Programa Brasil-África: Histórias Cruzadas

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Baixe livros gratuitamente no Domínio Público

Escrito por Alexandre Martins

O portal Domínio Público é mantido pelo Governo Federal e contém um bom número de obras em texto, som e imagem que podem ser baixadas e distribuídas gratuitamente.

Eis os 49 mais baixados em ordem de popularidade com seus respectivos links. São 49 porque por uma bizarrice do sistema de busca do site, o Manifesto Comunista foi contabilizado em duas posições, provavelmente por ter dois autores.

Não bastasse ser possível baixar os livros, a lista por si só é curiosa, cheia de preciosidades e alguns itens inusitados:
  1. A Divina Comédia Dante Alighieri
  2. A Bruxa e o Caldeirão José Leon Machado
  3. O peixinho e o gato Lenira Almeida Heck
  4. A borboleta azul Lenira Almeida Heck
  5. A Comédia dos Erros William Shakespeare
  6. O galo Tião e a dinda Raposa Lenira Almeida Heck
  7. Poemas de Fernando Pessoa Fernando Pessoa
  8. Elementos de Geometria Euclides
  9. Dom Casmurro Machado de Assis
  10. Cancioneiro Fernando Pessoa
  11. A Cartomante Machado de Assis
  12. Romeu e Julieta William Shakespeare
  13. A Carteira Machado de Assis
  14. Mensagem Fernando Pessoa
  15. O galo Tião e a vaca Malhada Lenira Almeida Heck
  16. A Megera Domada William Shakespeare
  17. O ensino do desenho Lucio Costa
  18. A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca William Shakespeare
  19. Histórias da Avózinha Alberto Figueiredo Pimentel
  20. Sonho de Uma Noite de Verão William Shakespeare
  21. Dom Casmurro Machado de Assis
  22. O Eu profundo e os outros Eus. Fernando Pessoa
  23. Noventa e Cinco Teses de Lutero Martinho Lutero
  24. Curso de Linux Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
  25. Do Livro do Desassossego Fernando Pessoa
  26. Poesias Inéditas Fernando Pessoa
  27. Manifesto Comunista Karl Marx e Friedrich Engels
  28. Crítica da Razão Pura Immanuel Kant
  29. A Paranoia Julio de Mattos
  30. A Filosofia entre a Religião e a Ciência Bertrand Russell
  31. Apologia de Sócrates Platão
  32. Tudo Bem Quando Termina Bem William Shakespeare
  33. Códigos do Brasil Anônimo
  34. A Carta Pero Vaz de Caminha
  35. Dicionário de Termos Técnicos de Informática - 3a. edição Carlos E. Morimoto
  36. A Igreja do Diabo Machado de Assis
  37. Curso de Magia José Roberto Romeiro Abrahão
  38. Macbeth William Shakespeare
  39. Este mundo da injustiça globalizada José Saramago
  40. Discurso do Método René Descartes
  41. Dicionário Filosófico Voltaire
  42. O Livro dos Espíritos Allan Kardec
  43. Histórias que acabam aqui Maria Teresa Lobato Fernandes Pereira Lopes
  44. A Tempestade William Shakespeare
  45. A Cidade e as Serras José Maria Eça de Queirós
  46. O pastor amoroso Fernando Pessoa
  47. A Carta de Pero Vaz de Caminha Pero Vaz de Caminha
  48. Introdução à Eletrônica Carlos H. de Brito Cruz
  49. Discurso sobre a Origem da Desigualdade Entre os Homens Jean-Jacques Rousseau

sábado, 24 de novembro de 2012

Para acadêmicos, América Latina teve 'mudanças modestas' com esquerda no poder

Por Daniela Fernandes (BBC Brasil)

Especialistas do renomado Instituto de Estudos Políticos (IEP) de Paris, que acabam de publicar o livro A Esquerda na América Latina, 1998-2012 - Primeiro Balanço, afirmam que a América Latina teve apenas reformas modestas com a esquerda no poder.

Hugo Chaves (Venezuela) e Evo Morales (Bolívia)

O livro, escrito por mais de uma dezena de autores, analisa as ações dos diferentes governos da região a partir da primeira eleição do presidente Hugo Chávez, da Venezuela.

Esta eleição marca, segundo os autores, "o início de uma impressionante série de 24 vitórias da esquerda em 13 países diferentes".

Apenas o México, a Costa Rica, o Panamá e a Colômbia, e também Belize, República Dominicana, Suriname e a Guiana, não tiveram governos de esquerda no período analisado.

"Entre as grandes reformas realizadas na América Latina em pouco mais de uma década, constatamos que poucas podem ser atribuídas exclusivamente à esquerda", disse à BBC Brasil o professor Olivier Dabène, coordenador da publicação e presidente do Observatório Político da América Latina e do Caribe do IEP.

No caso do Brasil, dizem os autores, o Partido do Trabalhadores (PT), que chegou ao poder com a primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, acentuou e ampliou políticas econômicas e sociais que já haviam sido iniciadas no governo anterior, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

"Cardoso iniciou várias reformas e lutou contra a inflação, que é uma importante política social", afirmou Dabène. "A estabilidade econômica tem um grande impacto social."


Programas de renda
Na opinião do coordenador do livro, a "ruptura" entre o governo anterior e o de Lula também "não é tão evidente" em outras áreas, como a educação.

"No Brasil, os atores de direita ou de esquerda não estão claramente identificados. O PT sempre foi um partido de esquerda antes de chegar ao poder, mas as gestões de Cardoso e Lula não foram tão diferentes", afirmou Laurence Whitehead, professor da Universidade de Oxford.

"Cardoso iniciou programas de aumento da renda, no estilo do Bolsa Família, que foram depois ampliados no governo de Lula", disse Whitehead.

"A pobreza está diminuindo em toda a América Latina e não apenas nos países com governos de esquerda", acrescentou Dabène.

Para os autores do livro, muitos partidos de esquerda que chegaram ao poder na região renunciaram à ideia de reformar as políticas neoliberais dos anos 1990, que eles tanto haviam criticado.

A esquerda, em muitos países, incluindo o Brasil, também passou a privilegiar o controle das contas públicas e a impor medidas de rigor quando necessárias.

Papel político
Mas apesar das políticas neoliberais dos anos 80 e 90 passarem a ser vistas como um fato consumado, os governos de esquerda da região "souberam reabilitar o papel político dos Estados na promoção do desenvolvimento e da luta contra a probreza", avaliam os especialistas.

"A esquerda na América Latina não provocou uma ruptura brutal com o período neoliberal. Mas ela também não renunciou às suas ambições reformadoras", afirma a publicação.

O livro também analisa se a esquerda poderia receber os "méritos" do forte crescimento econômico da América Latina na última década.

Para Dabène, o crescimento da região no período pode ser atribuído ao aumento das exportações, principalmente de matérias-primas, provocado pela maior demanda de países como a China.

Segundo os autores, a reeleição de governos de esquerda na América Latina a partir de 2006 (caso de países como o Brasil, Argentina e Equador) correspondem a "votos de reconhecimento em um contexto econômico muito favorável".

Fonte: BBC Brasil

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Livros contam um pouco da História do Carnaval de Maragogipe

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Conhecer a História do nosso município é de extrema importância fundamental para a memória, a cultura e a difusão de ideias, neste sentido, a disponibilização deste dois livros para download, um pelo IPAC, e o pelo Professor Alex Souza através da Secretaria de Cultura e Turismo de Maragogipe. 

No livro do "Carnaval de Maragogipe - Cadernos do IPAC 3", em PDF para você fazer o download e conhecer um pouco da História do Carnaval Imaterial da Bahia. No Blog do Carnaval de Maragogipe (www.carnavaldemaragogipe.com.br), você encontra muito mais informações sobre esta maravilhosa festa.


Vale lembrar que o livro é uma das cinco publicações do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) sobre patrimônios intangíveis da Bahia estão disponíveis para download gratuito nos sites da autarquia estadual, www.ipac.ba.gov.br, e da Secretaria de Cultura (SecultBA), www.cultura.ba.gov.br. Ao acessar o site do IPAC, os interessados devem procurar o link downloads, que fica na barra superior da página principal do site oficial do instituto, buscar a sessão Cadernos do IPAC e escolher quais dos livros deseja. Os arquivos são obtidos em PDF (Portable Document Format) e podem ser salvos em qualquer microcomputador ou pen-drive.


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O segundo livro, intitulado "Maragojipe sob a ótica do carnaval", escrito pelo professor Alex Souza Brito, é base de um pequeno artigo do professor maragogipano, expressa o mais profundo desejo e sentimento de maragogipanidade na descrição do Carnaval de Maragogipe.

OUTROS LIVROS
Neste portal de História, você também encontra na íntegra, os livros sobre a Festa de Santa Bárbara e o Desfile dos Afoxés, manifestações culturais que ocorrem em Salvador, o Carnaval de Maragojipe na cidade de mesmo nome, no Recôncavo baiano, a Festa da Boa Morte em Cachoeira, e o Pano da Costa que, segundo historiadores, foi o principal produto africano exportado e consumido na Bahia nos séculos 18 e 19.

Eles tiveram como objetivo maior a difusão de bens culturais imateriais do estado, cinco publicações do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) sobre patrimônios intangíveis da Bahia já estão disponíveis para download gratuito nos sites da autarquia estadual, www.ipac.ba.gov.br, e da Secretaria de Cultura (SecultBA), www.cultura.ba.gov.br, assim como clicando nas capas dos livros abaixo relacionados.

Pano da Costa  
 Festa da Boa Morte  
 Carnaval de Maragogipe  
 Desfile de Afoxés  
 Festa de Santa Bárbara

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Pesquisadores da UFRB e UNIFACS propõem novos roteiros turísticos no Recôncavo

Caminhos do Recôncavo é o título do documento que sintetiza o Inventário do patrimônio cultural dos municípios de Santo Amaro, Cachoeira e Maragogipe. O documento publicado será lançado em Salvador, dia 17 de abril, às 17 horas, na Secretaria de Turismo e dia 05 de maio, às 16 horas, em um evento do Curso de Serviço Social da UFRB.

Informações referentes à produção artística e artesanal, às manifestações e tradições, grupos culturais, espaços culturais, bens imóveis e instituições culturais; um diagnóstico da situação atual do turismo nessa região, com o levantamento dos atrativos potenciais; a identificação de roteiros turísticos temáticos; propostas para a estruturação de um modelo de gestão para o turismo regional; indicações de um programa de sensibilização da comunidade local para a atividade turística; e, por fim, um conjunto de proposições que visam promover o desenvolvimento do turismo regional.

A pesquisa

Coordenado pelas professoras doutoras Lúcia Aquino de Queiroz, da UFRB, e Regina Celeste de Almeida Souza, da UNIFACS, o estudo é fruto de parceria entre pesquisadores da Universidade Federal do Recôncavo Baiano e da Universidade Salvador com a Secretaria de Turismo e a Bahiatursa. O estudo, desenvolvido em atendimento ao Edital 0306/2007 do Programa Monumenta/BID, Unesco e Ministério da Cultura (MinC), propõe alternativas concretas para o desenvolvimento sustentável do turismo no Recôncavo Baiano, através da implantação de roteiros turísticos integrados que contemplem as potencialidades de municípios detentores de um valioso patrimônio histórico-cultural e também natural, como Cachoeira, Maragojipe e Santo Amaro, e propiciem a inserção das comunidades locais, agentes centrais desse processo, favorecendo a minimização das condições de pobreza atualmente existentes. Caminhos do Recôncavo buscou também apresentar linhas de ações estruturantes para o se desenvolvimento turístico e indicar projetos necessários e possíveis de execução nos três municípios. Objetivando-se a que o turismo possa contribuir efetivamente para o alcance do desenvolvimento endógeno doRecôncavo Baiano, procurou ainda enfatizar a importância da estruturação de um macroplanejamento regional, articulado à proposta de constituição de um ou alguns aparatos efetivos de gestão do turismo regional, que contemple esta atividade como prioritária, associada aos sistemas econômico, ambiental, cultural e social.

Para a coordenadora Lúcia Aquino, 'o documento não esgota o potencial existente nos municípios objeto de estudo. Novas análises e aprofundamentos podem e devem ser realizados a partir das informações divulgadas, por isso esperamos que o trabalho possa ser útil aos interessados nos temas tratados — gestores públicos, privados, professores, estudantes, investidores, instituições de fomento à atividade turística, agentes do turismo, de forma geral, partícipes de organizações não-governamentais —, e que possa aportar favoravelmente para o desenvolvimento do turismo — como se deseja, de um turismo indutor do desenvolvimento local/regional; de um turismo que contribua, efetivamente, para o alcance do desenvolvimento dentro do próprio Recôncavo Baiano'.

A elaboração do estudo Caminhos do Recôncavo envolveu a formação de uma equipe técnica multidisciplinar, composta por professores doutores e mestres, economistas, geógrafos, historiadores, bacharéis em turismo; por mestrandos do Programa de Desenvolvimento Regional e Urbano; por alunos da graduação do curso de Turismo da Unifacs e por alunos da UFRB, dos cursos de História, Museologia e Cinema. São componentes da equipe:

Coordenação Técnica do Projeto
Profª. Dra. Lúcia Maria Aquino de Queiroz (UFRB)
Profª. Dra. Regina Celeste de Almeida Souza (UNIFACS)

Pesquisadores (UFRB)
Bárbara Lúcia Ferreira Cerqueira; Bruna Helena Farias Barreto; Daniela de Andrade de Almeida; Edvaldo M. da Silva; Emanuel Silva Andrade; Evânia Lima de Barros; Fernanda da M. dos Santos; Izadora Chagas; Marilene Trancôso Nolasco; Vítor Rheinschmitt de Brito; Vonaldo Lopes Mota; Zevaldo Luiz Rodrigues de Sousa

Equipe Técnica
Consultoria Técnica
Denise Magalhães
Frederico Bomsucesso
Mariana Lacerda Barbosa Filha
Mércia Maria Aquino de Queiroz

Edição de Texto
Valdomiro Santana

Supervisão de Pesquisa
Elizete Paixão
Patrícia Verônica Pereira dos Santos
Veralucia Alcântara

Apoio ao Trabalho de Campo
Dilma Rebellatto Beato

Apoio Técnico
Andréia Brandão (SETUR)
Antônio Moraes (BAHIATURSA)
Natália Coimbra de Sá (UNIFACS)

Apoio Administrativo
Veralucia Alcântara

Estagiárias
Fernanda Almeida (UNIFACS)
Rachel Segatti (UNIFACS)

domingo, 14 de agosto de 2011

LIVRO: Boa Morte - Das memórias de filhinha às Litogravuras de Maragogipe, por Sebastião Heber Vieira Costa


Clique AQUI para Baixar livro
Em seu Livro BOA MORTE - Das memórias de filhinhas às Litogravuras de Maragogipe, Sebastião Heber Vieira Costa explica como se deu uma das Festas mais populares da Bahia, no município de Maragogipe. Leia um texto-resumo que fiz baseado nos escritos de Sebastião Costa.

Na Terra de São Bartolomeu e da Boa Morte, na Igreja da Matriz de São Bartolomeu de Maragogipe há um altar com a imagem dessa devoção, isto é Maria está deitada num esquife mortuário.

A Irmandade da Boa Morte se constituíu de mulheres negras, escravas alforriadas, o que fez com que, pouco a pouco, as Filhas de Maria ocupassem esses lugares na Irmandade.

E a posse de determinados objetos em mãos de descendentes das antigas integrantes da Boa Morte, confirmam a antiga presença daquela irmandade em Maragogipe. Por outro lado, o “achamento” dessas duas gravuras do século XIX, confirma a existência pregressa da Irmandade no local.

O Pe. Sadoc foi o primeiro a falar com Sebastião Costa sobre importância histórica de Maragogipe, da bela e grandiosa igreja que tem como patrono São Bartolomeu, pois a cada 24 de agosto ele é convidado para pregar no dia daquele santo.

A convite do Pe. Mateus de Lima Leal, vigário paroquial, Sebastião Costa foi chamado para passar o carnaval deste ano. "Fui com minha mãe e ficamos hospedados na casa paroquial que é uma construção de
1875. E fiquei encantado com a cidade. Lá tudo cheira à história." diz Sebastião Costa.

A paróquia indicou o estudante de pedagogia, Sócrates Fernandes de Araújo, que é restaurador de imagens antigas e que conhece bem os meandros da história da cidade. A igreja matriz foi construída de 1630 a 1753. Aliás, o nome do patrono foi dado em homenagem ao proprietário da sesmaria, Bartolomeu Gato. A
cidade foi elevada à categoria de Vila em 16/06/1724 e recebeu o título de Patriótica Cidade em 08/03/1860. A Santa Casa de Misericórdia é de 1850. 

A cidade foi sede de muitas Irmandades e há algumas que estão ainda em pleno funcionamento. A Irmandade do Santíssimo Sacramento foi fundada em 31/01/1700 e ainda está atuante. A Irmandade de Nossa Senhora da Conceição é de 1704. A de S. Bartolomeu é de 1851. A das Santas Almas Benditas é de 1667 (esses dados estão no Arquivo Público da Cidade). 

A cidade é ainda enriquecida por duas Filarmônicas: há a Terpsícore Popular, fundada em 13/08/1880 – na mitologia grega, Terpsícore é a musa da poesia lírica, da dança e dos coros, e ela toca a lira para animar a alma. Também há a antiga Filarmônica Menimosina – na mitologia grega é a deusa da memória – e teve como fundador o professor Teodoro Borges da Silva.

Também o estudante-pesquisador, Sócrates, apresentou um quadro, uma litogravura, que precisava ser restaurado, com uma estampa referente a Nossa Senhora da Boa Morte, com os dizeres: ”Nossa Senhora da Boa Morte que se venera na cidade de Maragogipe - 1879”, e que pertence a Conceição Maria Cardoso. Há ainda uma outra gravura que pertence a Luis Cláudio Nunes Laranjeiras, que herdou do avô, Manuel Lucas Laranjeiras, conhecido como Bibi. Ambas foram restauradas e estão sendo apresentadas nesse trabalho.



O autor descreve que "Ambas as gravuras foram restauradas pela Oficina AM Restauro, a cargo da Drª Ana Maria Villar e Natalie Roth, auxiliadas por Igor Souza e Larissa Barros. A primeira gravura foi feita pela técnica da litogravura e tem como autor Jourian e é datada de 1879. Na base do trabalho há uma inscrição: Lith a vapor (que também poderia ser: a vaper ou, a vapir – refere-se isso à técnica?) de Jourian. Também se vê dois números: 238 e 316. Como hipótese, pode-se perguntar se eles se referem à quantidade de litogravuras que foram feitas. A segunda tem na parte inferior um titulo em italiano: Sepolcro di Maria e a técnica é a de reprodução serigráfica sobre papel, não tem data, mas contém um número (5005), que, certamente indica a quantidade de cópias reproduzidas. A restauração foi feita por Natalie Roth e auxiliada por Igor Souza." Sebastião Costa

O professor Sócrates, jovem pesquisador deu informações preciosas sobre o desaparecimento dessa devoção naquela cidade. O Pe. Manoel de Oliveira Lopes, que se tornou Bispo, em 1887 fundou a Pia União das Filhas de Maria. Este foi substituído pelo Cônego Adolfo José da Costa Cerqueira, falecido em 11/04/1929. Ele era um homem que tinha fama de santidade, usava cilício e todos os seus irmãos e irmãs se tornaram padres e freiras.

Mas ele repudiava o candomblé. O contexto histórico da Igreja Católica, na época, era o do Ultramontanismo, movimento da segunda metade do século XIX que refletia a tendência centralizadora do Catolicismo, com tendência a controlar com mão forte, sob a égide dela (Papa, Bispos e Padres/Vigários) todos os movimentos. As Irmandades sempre representaram uma tendência leiga, de independência e sempre houve conflitos entre “os administradores oficiais do sagrado” (HOONAERT, 2001,p.39) com elas.

DO BLOG: Espero ter contribuído para que você leia esse livro maravilhoso sobre a História da Boa Morte no Recôncavo Baiano, em especial, em Maragogipe.

Para quem ficou interessado, o IPAC disponibilizou gratuitamente outro livro BOA MORTE - Clique AQUI para baixar.



sábado, 23 de julho de 2011

Conheça um pouco do livro “Embarcações do Recôncavo: Um estudo de origens”

Resgatar a história das embarcações do Recôncavo Baiano. Este é o mote principal do livro “Embarcações do Recôncavo: Um estudo de origens”, do pesquisador Pedro Agostinho, que será lançado nesta segunda-feira (04/07), na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional da Bahia (IPHAN), na Barroquinha, a partir das 18h. “Durante o evento, serão entregues 500 livros para a primeira dama do Estado, Fátima Mendonça, presidente das Voluntárias Sociais da Bahia, para serem doados às bibliotecas públicas, e outros 200 serão comercializados pela ONG Viva Saveiros, que preza pela recuperação e restauração das embarcações, após o evento”, revela Bete Capinam, da Oiti editora, responsável pela publicação do livro. O coquetel de lançamento será para convidados e haverá serviço de manobristas.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Novas perspectivas, novos pensamentos. Um Brasil Mutante.

A História Contemporânea foi feita com mudanças constantes de governo, sabores, experimentos; ritmos acelerados de vitórias e derrotas, transformação contínua de conceitos e idéias. Tudo isso veio a tona juntamente com outra - globalização -. Aliás tudo isso só foi possível com a economia capitalista, essa resultante de múltiplos desdobramentos que foram surgindo depois da revolução industrial, principalmente a partir da segunda revolução, também chamada de científica-tecnológica.

Seu local de origem, a Europa, centro propagador e os Estados Unidos, Japão também fizeram parte deste contexto. Mas, para que suas economias continuassem a crescer. Eles precisaram e fizeram com que as sociedades tradicionais, perdessem sua cultura, história, vida em favor desse processo. Somente assim há sobreviventes, somente destruindo o outro para que eles pudessem ter mercado, somente destruindo as relações pessoais e estabelecendo outras eles poderiam seguir com seu intento.

Assim muitas dessas sociedades, dessas pessoas, que não fizeram parte das classes dominantes das sociedades tradicionais dominadas pelo colonialismo, se sentiram totalmente destruídos em todos os sentidos, somente as classes mais baixas da população não viram essa transformação com bons olhos. Os seus governantes porém percebiam que ali poderia existir uma forma de garantir-se cada vez mais, outros buscaram meios de usá-la para tomar o poder. E assim, grupos inteiros se viram como marionetes nas mãos de pessoas que decidiam por elas. O que deveriam comer, vestir, fazer, trabalhar, divertir. Como até hoje é assim. Essas pessoas se sentiram pressionadas de certa maneira que fizeram revoltas, levantes e guerras regionais, contra o invasor europeu, contra a ordem estabelecida, contra aquilo que estava sendo proposto. O mundo sofreu um choque extremo com esse impacto fatal que mudou completamente os modos de pensar de milhões de pessoas. A vida não seria mais a mesma. Isso foi ruim? Acredito que não. Foi necessário? Talvez. O que falta? Consciência de coletividade sócio-ambiental. As respostas mudam com o tempo. Mas não devemos deixar de sempre atualizá-las.

No Brasil esse ar de modernidade foi chegando por volta do Império, mas na República podemos senti-la com muito mais fervor. Os processos não são muito diferentes quanto ao resto do globo. A mudança da sociedade, da economia, da cultura é fatal. Uma nova elite foi formada com uma proposta tão ativa para a sociedade. Mudanças estavam por vir e devemos aproveitá-la para fazer do Brasil um país de primeiro mundo.

É nesse processo de promoção da modernidade que se dará a explosão da Revolta de Canudos, na Bahia que com um modo um tanto quanto destruidor, fez com que o exército dizimasse aquela população; e da Ravolta da Vacina, no Rio de Janeiro num processo muito mais afastador, levando a morte e a prisão de muitas pessoas. Esses movimentos sociais contra a modernidade instaurada num Brasil um tanto que rural, arcaico e pós-abolicionista foram alvos de múltiplas críticas, que de certa forma deturparam o processo de explicação do ocorrido. No caso carioca o processo se deu a partir de três pontos chaves no processo modernizador da capital da República. Rodrigues Alves, então presidente da época em questão, nomeou um conjunto de técnicos responsáveis pela da modernização dos portos, liderados pelo engenheiro Lauro Muller; o saneamento, pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz e a reforma urbana, pelo engenheiro urbanista Pereira Passos, tudo isso para deixar a Capital Brasileira, com um ar mais moderno.

Os atos cometidos pela elite naquele momento, desagradaram profundamente a população mais carente que não tinha como e nem poderia agir contra, pois logo estariam sendo pré-julgados como monarquistas, antirepublicanos. Não tinha como não sentir medo, não tinha como saber o que iria acontecer, por isso, era bem melhor agir, antes de acontecer o pior. Mas não teve jeito, esse teve que vir. Contudo, a jovem república percebeu que nem tudo era flores e que para manter-se no poder, agiram de maneira energética. O modelo liberal ajudou na construção desse processo. A partir de então revoltas surgiriam e seriam abafadas em prol da república. Esta manteve-se e a aceleração do processo modernizador pode enfim fluir.

A população mais pobre do país, "comeu o pão que o diabo amassou", para que o Brasil pudesse estar a "altura" dos países europeus, principalmente ao país que serviu de modelo teórico, a França. Nas palavras de Nicolau Sevcenko esse episódio pode ser descrito dessa forma:

Em suma, nem lares, nem âmbitos sagrados, nem corpos enem vidas, do ponto de vista dos agentes da ordem, tinham garantias quando se tratava de grupos populares. (Sevcenko, p. 30, Introdução: O prelúdio republicano, astúcias da ordem e ilusões do progresso).
Somente poucos tinham privilégios naquele momento em que as elites do país atravessavam por um novo sentimento de mudança, em conjunto com um sentimento, já antigo de desprezo por grupos populares que na sua maioria era composta por negros, mostrando interesse das elites inclusive de enbranquecer a sociedade brasileira. Tudo isso, estava nos planos do Brasil Moderno.

É nesse meio de grandes mutações que a população, principalmente a mais carente, se fechará privativamente com medos internados, de serem repreendidos pelo seu jeito de ser e agir, de crer e viver.

Enquanto isso, o Brasil reconfigurava-se politicamente, não deixando de lado,  certo conservadorismo. Além, é claro do entusiasmo por ter, pelo menos em alguns locais do país, dado um ar de modernidade, principalmente, na região sudeste, em que a economia cafeeira, prevaleceu sobre as demais economias regionais, exemplo: cacaueira, algodoeira. O café era o produto agro-exportador principal da cultura agrícola brasileira e os proprietários dessas terras prevaleceram-se sobre os demais, por certa proximidade do Rio de Janeiro, capital do Império e da República e pelas relações, não só econômicas, mas também políticas. Eles tinham a máquina do Estado no poder, não queriam perder e fizeram de tudo para manter-se.

Assim, esse intenso processo de extremas mudanças foi configurando um novo jeito de ser nos mais diversos grupos, a violência, não só física, como mental. Moldou uma sociedade quase que única, com os mesmos pensamentos, o mesmo jeito de vestir, com as mesmas conversas. Os recursos audio visuais influenciaram e muito para isso. A política dos governadores, a política do café com leite, o encilhamento (1891-1892) fez com que grupos mobilizassem um eito de mudar aquela situação. No início do século XX, o Brasil entrará numa nova fase já esperada devido aos múltiplos processos de desvalorização dos grupos populares. O populismo varguista, irá conquistar esses grupos, além claro de outros que não estavam de acordo com o governo. Essa forma de agir será muito mais reacionária, muito mais radical, tudo isso tendo como objeto mobilizador a figura de Getúlio Vargas.

Não mudará muito a exposição que essas pessoas tiveram com mudanças tão intensas e rápidas. Tudo isso ligado de um lado "as pressões de um mercado introsivo, de outro as influências das elites dirigentes, empenhadas em modelas as formas e expressões da vida social, as pessoas e grupos se viram forçados a mudar, ajustar e reajustar seus modos de vida" (Sevcenko, p. 38, In: Introdução: O prelúdio republicano, astúcias da ordem e ilusões do progresso)


Fichamento Crítico da
SEVCENKO. Nicolau. "Introdução: O prelúdio republicano, Astúcias da ordem e ilusões do progresso." In.  História da Vida Privada no Brasil, vol 3, República: da Belle Époque à Era do Rádio. P. 7-48. Companhia das Letras, São Paulo, 1998

terça-feira, 8 de abril de 2008

Fichamento: O Espaço Sagrado e a Sacralização do Mundo

INTRODUÇÃO

Mircea Eliade
O autor lembra-se de início de um livro que teve uma repercussão mundial, Das Heilige (1917), de Rudolf Otto, ele estudou as modalidades da experiência religiosa e, sobretudo o lado irracional, onde há uma idéia de “poder terrível, manifestado pela cólera divina” (p. 15), ele desvendar um sentimento do homem diante de um ser sagrado, um sentimento de nulidade, de pavor, de inferioridade diante do poder divino.

Rudolf Otto “designa todas essas experiências como numinosas porque elas são provocadas pela revelação de um aspecto do poder divino” (p. 16). O Numinoso seria, portanto um estado religioso da alma inspirado pelas qualidades transcendentais da divindade, um ganz andere (Totalmente outro, a alteridade radical do ser humano), ele não se assemelha a nada humano, o homem tem, portanto um sentimento de ser apenas criatura.

A proposta do autor será apresentar “o fenômeno do sagrado em toda a sua complexidade, e não apenas na que ele comporta de irracional” (ps. 16-17), sendo a oposição do sagrado em relação ao profano o seu objetivo.

Quando o sagrado se manifesta.
O homem toma noção do sagrado quando ele se manifesta se mostrando diferente do profano, a hierofania é um termo cômodo e “exprime somente o que está implicado no seu conteúdo etimológico, a saber, que algo de sagrado nos revela.” (p. 17). As religiões desde as mais primievas até as mais complexas estão mergulhadas em um número considerável de hierofanias, sabemos de hierofanias elementares como a manifestação do sagrado em uma árvore como também de hierofanias supremas como encarnação de um Deus em um homem. Logo percebemos que uma hierofania é a manifestação de algo que não pertence ao nosso mundo em algo que pertence que seja profano. Por isso, pelo fato de o sagrado equivaler a poder e ele estar saturado de ser, “que o homem religioso deseje profundamente ser, participar da realidade, saturar-se de poder.” (p. 19).

É deste assunto que o autor vai tratar, de como o homem religioso vai esforçar-se para manter-se o máximo possível num universo sagrado e como se apresenta em relação ao homem privado, que se encontra ou deseje se encontrar num mundo dessacralizado.

Dois modos de ser no mundo.
Podemos medir o abismo que afasta as duas modalidades de experiência, além disso, elas constituem duas modalidades de ser do mundo, distintas e opostas, em última instância, o sagrado e o profano dependem das distintas posições que o homem conquistou no Cosmos, e por isso deve-se ser estudado por qualquer pessoa que deseje saber as dimensões possíveis da existência humana.

A proposta do autor é então buscar e salientar as diversas experiências religiosas e analisar os diversos textos existentes desde os antigos aos atuais, mostrando assim a diferença que foi exposta na parte anterior.

O sagrado e a história.
Existe, portanto uma experiência religiosa que pode ser explicada pela história (economia, cultura e organização social), um dos fatos a serem expostos são que: tanto pastores nômades, quanto agricultores sedentários vivem no Cosmos sacralizado. Vamos então comparar esse com o homem das sociedades modernas, que vive no Cosmos dessacralizado.

O ESPAÇO SAGRADO E A SACRALIZAÇÃO DO MUNDO.
Homogeneidade espacial e hierofania.
Para o homem religioso o espaço não é homogêneo, ele apresenta roturas, quebras e essas são qualitativamente distintas dos outros espaços, ou seja, há espaços sagrados, que são significativos, fortes e há espaços não-sagrados que não apresentam estrutura e consistência, essa experiência primordial, corresponde a “fundação do mundo”, pois a partir das roturas nós criamos um “ponto fixo”, um “eixo central”, criamos nosso mundo. “O homem religioso se esforçou por estabelecer-se no “Centro do Mundo”.” (p. 26), pois assim ficavam mais perto do que era sagrado.

Já para a experiência profana o espaço é homogêneo e neutro, não existem quebras, roturas, todas as partes são iguais qualitativamente, mas apesar do grau de dessacralização que o homem não-religioso tenha chegado ele ainda possui um comportamento religioso, ele não consegue destruir este comportamento por completo, por isso, que mesmo existindo uma experiência dessacralizada ainda está embutida de um valor religioso, ou seja, não existe um valor ontológico único e sim valores, pois existem lugares onde são mais ou menos neutros que a sociedade industrial impõe ao homem. Assim podemos dizer que o homem moderno tem um “comportamento “cripo-religioso”” (p. 28).

Teofanias e sinais.
Então o autor mostra que em qualquer religião podemos mostrar como se caracteriza o espaço sagrado do profano, ele mostra que existe um limiar, ou seja, uma linha limite entre o mundo profano e o mundo sagrado este limiar pode ser encontrado, por exemplo, numa igreja, onde a porta é o limite entre a rua (profano) e o interior da igreja (sagrado). Neste local podemos nos transcender e estarmos protegidos de qualquer espírito mal, ou demônio, ele é um local de passagem que nos coloca em comunicação com os deuses.

Todo espaço sagrado implica uma hierofania, uma irrupção do sagrado que tem como resultado destacar um território do meio cósmico que o envolve e o torna qualitativamente diferente” (p. 30), a teofania consagra o lugar pelo fato deste lugar estar aberto para o céu, em comunicação com os deuses, é um local de passagem.

Mas um “sinal qualquer basta para indicar a sacralidade do lugar.” (p. 30), ou seja qualquer coisa que não seja deste mundo se mostrou de maneira diferente em algum ser deste mundo, e quando isso não acontece o homem provoca-o, evoca-o para ter um sentido na sua vida, estar orientado na homogeneidade do espaço.

Por isso se estabeleceram técnicas de orientação e construção do espaço sagrado, pelo fato do homem querer estar num “ponto fixo”, num eixo central, em comunicação com os deuses, estar ao lado da mundo existencial.

Caos e Cosmos.
As sociedades tradicionais tem um posição bem estabelecida, eles distinguem bem o que é conhecido, o seu mundo como Cosmos e o que não é conhecido, estrangeiro como Caos, por isso “É fácil compreender por que o momento religioso implica o “momento cosmogônico”: o sagrado revela a realidade absoluta e ao mesmo tempo, torna possível a orientação – portanto, funda o mundo, no sentido de que fixa os limites e, assim, estabelece a ordem cósmica.” (p. 33), por isso que essas sociedades criavam o seu mundo e recriava o mundo dos outros, pois estes últimos eram desconhecidos, estavam no Caos, e para este se cosmogizar deveria passar por um processo de recriação do universo, do nosso mundo, dando a este espaço uma estrutura, formas e normas.

Consagração de um lugar: repetição da cosmogonia.
A cosmização dos lugares desconhecidos será sempre uma consagração, precisamos organizar o espaço, para reiterarmos a obra exemplar dos deuses. Não podemos viver sem uma abertura para o ascendente, se estamos longe dessa abertura criamo-la no lugar em que estamos ou levamos esta abertura conosco (como os nômades), “pois uma vez perdido o contato com o transcendente, a existência no mundo já não é possível.” (p. 36). Então o autor vai mostrar como podemos fazer a comunicação com o transcendente? Através do poste sagrado, fazemos esta comunicação e ele ainda “sustenta” o mundo, ele é um “protótipo de uma imagem cosmológica que teve uma grande difusão” (p. 36), reservo-me agora apenas a transcrever algumas passagens que considero.

Temos, pois, de considerar uma seqüência de concepções religiosas e imagens cosmológicas que são solidárias e se articulam num “sistema”, ao qual se pode chamar de “sistema do mundo” das sociedades tradicionais: (a) um lugar sagrado constitui uma rotura na homogeneidade do espaço; (b) essa rotura é simbolizada por uma “abertura, pela qual se tornou possível a passagem de uma região cósmica a outra; (c) a comuicação com o céu é expressa indeferentemente por certo número de imagens referentes todas elas ao Axis Mundi: pilar, escada, montanha, árvore, cipós, etc; (d) em torno desse eixo cósmico estende-se o “mundo” (“nosso mundo”) – logo, o eixo encontra-se “ao meio” no “umbigo da terra”, é o Centro do Mundo.” (p. 38).

Outra passagem, agora em relação ao centro do mundo.

O mesmo simbolismo do centro explica outras séries de imagens cosmológicas e crenças religiosas, entre as quais vamos reter as mais importantes: (a) as cidades santas e os santuários estão no centro do mundo; (b) os templos são réplicas da Montanha cósmica e, conseqüentemente, constituem a “ligação” por excelência entre a Terra e o Céu; (c) os alicerces dos templos mergulham profundamente nas regiões inferiores.” (p. 40).

Estas passagens são um resumo concreto daquilo que o autor explicou até o momento.

“Nosso Mundo” situa-se sempre no centro.
De tudo o que o autor disse até agora, tem como resultado dizer que nos encontramos no Centro do mundo, pois é só aí que se encontra o verdadeiro mundo, trata-se necessariamente de um cosmos, não interessa se estivermos falando de uma região, uma cidade, ou um santuário estes representam uma imago mundi.

O homem religioso desejava viver o mais perto possível do Centro do Mundo” (p. 43), ele sabia que a sua região, a sua cidade, os templos e palácios estavam no centro do mundo, mas ele também queria que a sua casa fosse um centro, que fosse uma imago mundi. E acreditavam de fato que isso era possível e reproduziam em escalas menores o Universo. Por isso que o homem criou como já disse antes técnicas para orientação e construção do espaço sagrado, este por sua vez se estabelece agora num âmbito maior as moradas sagradas

Cidade - Cosmos.
Visto que “nosso mundo é um cosmos, qualquer ataque exterior ameaça transformá-lo em “caos”.” (p. 46) Por isso foram criados ao redor da cidade formas de se proteger dessas ameaças, que para o autor num primeiro momento não foi de defesa contra ataques humanos, mas sim de ataques dos inimigos dos deuses, dos seus deuses, que queria se vingar, maltratando a sua criação, por isso se criva ao redor da cidade muros, fossas, círculos na intenção de defesa contra esses ataques, que podiam ser de diversas formas, então deveríamos repetir o ato de vitória dos deuses contra seus inimigos, mesmo que simbolicamente.

Hoje ainda preservamos alguns conceitos, quando nos sentimos ameaçados, falamos no “caos”, “desordem”, “trevas” onde o “nosso mundo” se afundará. “Todas essas expressões significam a abolição de uma ordem, de um cosmos, de uma estrutura orgânica, e a reimersão num estado fluido, amorfo, enfim, caótico” (p. 48). Isso prova que o homem não-religioso ainda não se libertou totalmente da religião.

Assumir a criação do mundo.
Esta parte do texto esta bem resumida, por isso, mostrarei apenas algumas partes que considero importante.

Instalar-se num território, construir uma morada pede, conforme vimos, uma decisão vital, tanto para a comunidade como para o individuo. Trata-se de assumir a criação do “mundo” que se escolheu habitar” (p. 49), e como santificar uma casa?

Para transformar ritualmente a morada em Cosmos, em uma imago mundi basta: “(a) assimilando-a ao cosmos pela projeção dos quatro horizontes a partir de um ponto central, quando se trate de uma aldeia, ou pela instalação simbólica do Axis Mundi quando se trate da habitação familiar; (b) repetindo, mediante um ritual de construção, o ato exemplar dos deuses” (p. 50), por isso toda casa é um Axis mundi, porque o homem só pode viver na realidade absoluta.

Cosmogonia e Bauopfer.
O autor então vai descrever tudo aquilo que ele já disse sobre cosmogonia, dando um exemplo de construção de casa na Índia, para explicar o termo Bauopfer, que significa “sacrifícios ou simbolismos em proveito de uma construção” (p. 53), para ele “não é somente o Cosmos que nasce na seqüência da imolação de um Ser primordial e da sua própria substância, mas também as plantas alimentares, as raças humanas ou as diferentes classes.

A habitação “é o Universo que o homem construiu para si imitando a Criação exemplar dos deuses a cosmogonia.” (p. 54) toda construção é a inauguração de uma nova vida, um novo começo, por isso ela também é um “centro do mundo”

Templo, basílica, catedral.
Para o autor, nas sociedades orientais “o templo recebeu uma nova e importante valorização” (p. 55), ele agora era uma reprodução terrestre de um arquétipo transcendente. Logo “se o Templo constitui uma imago mundi, é porque o mundo, como obra dos deuses, é sagrado. Mas a estrutura cosmológica do Templo permite uma nova valorização religiosa” (p. 56), pois ele agora representa e também contém a casa dos deuses, por isso eles “gozam de uma existência espiritual, incorruptível, celeste.” (p. 56). A Basílica e a catedral vão retomar esse conceito e prolongar todos esses simbolismos.

Algumas conclusões.
Para o autor “o mundo deixa-se perceber como mundo, como cosmos, à medida que se revela como mundo sagrado.” E “o desejo de viver num Cosmos puro e santo, tal como era no começo, quando saiu das mãos do criador.” Essa é a idéia principal de Mircea Eliade.

ELIADE, Mircea. Introdução: O Espaço Sagrado e a sacralização do mundo. In: O Sagrado e o Profano: A essência das religiões. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

Escrito por Zevaldo Luiz Rodrigues de Sousa

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Definição do Fenômeno Religioso e da Religião, Émile Durkheim

O objetivo do autor é “saber qual a religião mais primitiva e a mais simples” (p. 3), para isso ele busca definir, o que convém entender por religião, para não sairmos por aí chamando de religião qualquer “sistema de idéias e práticas que nada teria de religioso, ou deixar de lado fatos religiosos sem perceber sua verdadeira natureza” (p. 3).

Para isso, devemos ter cuidado ao procurarmos definir uma religião como a primeira e também devemos ter cuidado ao definir um sistema de idéias como religioso, a saber, é imprescindível e aceitável que podemos apontar um número de sinais exteriores, que permita estar reconhecendo os fenômenos religiosos onde quer que se encontrem, e impedindo que os confundamos com outros, na verdade é que os seres humanos foram obrigados a criar a noção do que é religião e religioso, mesmo que não acreditemos em alguma religião, nós precisamos “representar de alguma maneira as coisas no meio das quais vivemos, sobre as quais a todo o momento emitimos juízos e que precisamos levar em conta em nossa conduta.” (p. 4). Com isso, o autor propõe uma comparação de todos os sistemas religiosos que conhecemos, mas para isso devemos deixar de lado nossas concepções usuais que pode não deixar ver as coisas como devemos vê-las.

Durkheim refuta a idéia de que tudo que é religioso deve vir do sobrenatural, e por isso, vem de um mundo do mistério, incognoscível, enigmático, incompreensível. Se tomássemos como base essa idéia mostraríamos que a religião é “uma espécie de especulação sobre tudo o que escapa à ciência e, de maneira geral, ao pensamento claro” (p. 5). Essa idéia da religião como algo misterioso e inexplicável faz com que sinta-nos  obrigados a tentar dar uma explicação.

Por isso, ao longo do texto Durkheim tentará, com a ajuda das ciências positivas e da sociologia refutar essa idéia. De início ele demonstra que esse conceito é recente, para o determinismo universal a idéia do sobrenatural está assim exposta, se existem certos fatos que são sobrenaturais, é porque sentimos “que existe uma ordem natural das coisas, ou seja, que os fenômenos do universo estão ligados entre si segundo relações necessárias chamadas leis” (p. 7), e se algo esta fora dessas leis, também está fora da natureza, e com efeito também da razão, pois só entendemos como racional aquilo que está presente na natureza, o argumento utilizado contra é que “os acontecimentos mais maravilhosos nada possuíam que não parecesse perfeitamente concebível” (p. 8), eles não viam nessas maravilhas uma condição de “acesso a um mundo misterioso que a razão não pode penetrar” (idem). Devemos entender que “foi a ciência, e não a religião, que ensinou aos homens que as coisas são complexas e difíceis de compreender” (p. 9), é através dela que conseguimos nos libertar das nossas concepções usuais. Por fim, ele mostrará que a idéia do sobrenatural não tem nada de original, pois foi o homem que a criou ao mesmo tempo em que criava uma idéia contrária.

Outra idéia que qual o autor refuta é o conceito de Deus e Deuses, em que a concepção de divindade ou como ele prefere chamar “ser espiritual”, deixa de lado grande quantidade de manifestações religiosas, como exemplo, “As almas aos mortos, os espíritos de toda espécie e de toda ordem” (p. 11). Sendo assim incluiremos no nosso estudo várias concepções religiosas de diversas culturas, não reduzindo apenas a culturas que tem como determinação o sentimento de vínculo com um Deus.

E como podemos saber o que pode ser religião ou não neste tipo de idéia?


Este conceito acerca da religião, mostra que é um sistema de procedimentos psicológicos, que tem por base o convencimento e a comoção por meio das palavras, seja por oferendas ou sacrifícios, para um ser espiritual, ou seja, “só poderia haver religião onde há preces, sacrifícios, ritos propiciatórios, etc. Teríamos, assim, um critério muito simples que permitiria distinguir o que é religioso do que não é” (p. 12). Mas Durkheim vai utilizar o seguinte argumento para mostrar que essa idéia é falaciosa apesar de ser uma boa definição. Dando o exemplo do Budismo ele mostra que existe religiões e até grandes religiões onde o conceito de deuses e seres espirituais está ausente ou ocupa um papel secundário dentro da religião. “Eis aí grandes religiões em que as invocações, as propiciações... estão muito longe de ter uma posição preponderante” (p. 16), assim ele mostra que a religião vai muito além do conceito de divindade e de seres espirituais, logo não podemos definir excepcionalmente em função desta última.

Durkheim mostra o conceito do Folclore abrange um maior número de exemplos de religiões, pois esse conceito vai além da idéia de um culto formal e comunitário, ele abrange também o culto pessoal, ele mostra que apesar de uma comunidade ou sociedade “aceitar” certa religião, essas ainda preservam rituais folclóricos anteriores a religião dominante e que estas até absorvem e assimilam estas práticas moldando-as aos seus princípios. Mesmo assim ainda existem ritos folclóricos que tem uma relativa autonomia, assim, “uma definição que não levasse isso em conta não compreenderia, portanto, tudo que é religioso.” (p. 19).

Para o autor, existe uma divisão no conceito do folclore, em que como fenômeno religioso, classifica-se em ritos e crenças:

  1. Os ritos “só podem ser definidos e distinguidos das outras práticas humanas, notadamente das práticas morais, pela natureza especial de seu objeto” (p. 19), assim precisamos da crença para definirmos os ritos. 
  2. As crenças por sua vez, simples ou complexas, “apresentam um mesmo caráter comum: supõe uma classificação das coisas, reais ou ideais, que os homens concebem, em duas classes” (p. 19), o sagrado e o profano, faz-se então uma divisão do mundo onde as coisas sagradas são quaisquer objetos que tenham sido revelados, seja essa revelação um deus, uma pedra, ou até uma simples palavra. “um rito pode ter esse caráter” (p. 20), 
No budismo, por exemplo, “as verdades santas e as práticas que delas derivam” (p. 20) são uma coisa sagrada. As coisas profanas são determinadas muitas vezes, com aspectos de inferioridade em relação às coisas profanas, mas “se é verdade que o homem depende de seus deuses, a dependência é recíproca” (p. 21), sem os homens os deuses morreriam. Mas é através da heterogeneidade que podemos diferenciar mais claramente as coisas profanas das coisas sagradas, pois ela é como diz o autor “muito particular: ela é absoluta” (p. 22), as coisas (profanas e sagradas) são consideradas “pelo espírito humano como gêneros separados, como dois mundos entre os quais nada existe em comum.” (p. 22), apesar disso, existe uma possibilidade de um ser passar (em uma verdadeira metamorfose) de um mundo para o outro, através de ritos de iniciação e outros. Essa heterogeneidade mostra que “as coisas” também são hostis e rivais, tendo em vista que para um ser passar para o outro mundo ele deve sair completamente do seu, conclusão:
Temos, desta vez, um primeiro critério das crenças religiosas. Claro que, no interior desses dois gêneros fundamentais, há espécies secundárias que, por sua vez, são mais ou menos incompatíveis umas com as outras. Mas o característico do fenômeno religioso é que ele supõe sempre uma divisão bipartida do universo conhecido e conhecível em dois gêneros que compreendem tudo o que existe, mas que se excluem radicalmente. As coisas sagradas são aquelas que as proibições protegem e isolam; as coisas profanas, aquelas a que se aplicam essas proibições e que devem permanecer à distância das primeiras. As crenças religiosas são representações que exprimem a natureza das coisas sagradas e as relações que elas mantêm, seja entre si, seja com as coisas profanas. Enfim, os ritos são regras de conduta que prescrevem como o homem deve comportar-se com as coisas sagradas.” (p. 24)
Mas para o autor esta definição ainda não é completa, pois ainda existem duas ordens que devem ser diferenciadas, temos a magia e a religião, onde a primeira, assim como a segunda tem seus ritos, crenças, mitos e dogmas, mas há uma diferença a magia não se preocupa com especulações, mas como podemos separar uma da outra se elas interagem? O simples fato de uma repugnar a outra é uma fator relevante, outro fator é que “a magia tem uma espécie de prazer profissional em profanar as coisas sagradas” (p. 27) e a religião, por sua vez “se nem sempre condenou e proibiu os ritos mágicos, os vê geralmente com desagrado” (p. 27); outro fator é que as crenças religiosas têm uma necessidade de estar ligada intimamente aos homens através das suas práticas, enquanto a magia não precisa dessa ligação, ou seja, para os adeptos da magia não há necessidade de se ligar a outros praticantes, nem os mágicos tem uma necessidade de si ligar a outros mágicos, assim como também não precisam de uma igreja mágica, já a religião precisa de todos esses aspectos, precisa de interação comunidade x comunidade; comunidade x igreja e igreja x igreja, fator essencial para uma continuidade religiosa.

Por fim, o autor diz que “uma religião é um sistema solidário de crenças e de práticas relativas a coisas sagradas, isto é, separadas, proibidas, crenças e práticas que reúnem numa mesma comunidade moral, chamada igreja, todos aqueles que a elas aderem.” (p. 32). Sendo assim, esse segundo argumento complementa o primeiro, pois é na coletividade que mostramos a idéia de religião.

Obrigado por sua atenção!
Atualizado: 17 de Janeiro de 2011


DURKHEIM, Émile. Definição do Fenômeno Religioso e da Religião. In: DURKHEIM, Émile. "As formas elementares da vida religiosa". São Paulo: Martins Fontes, 2000.

Por Zevaldo Luiz