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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Livro 'Suerdieck, Epopeia do Gigante' reconstituiu a história de um império charuteiro


No livro ‘Suerdieck, Epopeia do Gigante’, Ubaldo Marques Porto Filho reconstituiu a história de um império charuteiro, que chegou a ter 16 empresas, sendo quatro na Europa. Com três fábricas de charutos no Recôncavo Baiano (Maragogipe, Cruz das Almas e Cachoeira), foi a maior produtora de charutos brasileiros em todos os tempos e teve um período que manteve a liderança na produção mundial de charutos totalmente artesanais.

A epopeia da Suerdieck começou em 1892, como exportadora de fumos sediada em Cruz das Almas, onde também findou as atividades, em dezembro de 1999. A saga durou 107 anos, sendo 94 dedicados aos charutos que ficaram conhecidos nos quatro cantos do mundo.

Para reconstituir a longa trajetória, Ubaldo pesquisou centenas de documentos e entrevistou dezenas de pessoas que participaram da etapa final do antigo império. Ele próprio foi testemunha dessa fase, pois trabalhou na Suerdieck de 1965 até 1969.

O livro, com 400 páginas no formato grande (18,5x25,5), contém 446 lustrações, segredos na fabricação dos charutos e a relação das 464 marcas, sendo que chegou a ter 300 na linha de produção simultânea.

Não há, na história dos charutos brasileiros, nenhum livro com a riqueza de informações que ‘Suerdieck, Epopeia do Gigante’ oferece aos pesquisadores e leitores em geral.

Para acessar o livro em PDF basta entrar no site do autor: Ubaldo Marques Porto Filho

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Uma região que já foi Estádio, seria Hospital, virou favela do Carandiru e agora será Distrito Policial

A História de Maragogipe é muito rica, e em certos momentos, complicada. E uma dessas histórias complicadas é a de uma região localizada na rua Nossa Senhora das Graças, na divisa das comunidades da Boiada e Cabaceiras. Um lugar que muito intitulavam como: Carandiru.

Conheçam um pouco da sua história:


História de Maragogipe: A região do Carandiru seria Estádio, seria Hospital, hoje é Favela

A pedido de um leitor, estamos republicando a sessão do Tribuna Popular em que escrevemos sobre o Carandiru, um pouco de sua história. Em primeiro lugar gostaríamos de dizer que o título desta postagem tem como intuito retratar a realidade da comunidade que estava, naquele ano, pronta para explodir devido aos múltiplos casos de violência extremada. Hoje, a realidade é outra, mas também não podemos negligenciar tal ato.

O Tribuna Popular em sua primeira edição com uma sessão especial para esse assunto tão importante para as comunidades do Recôncavo. Como este é o aniversário de Maragogipe, não poderíamos deixar de lembrar a população local que nesta cidade, problemas gravíssimos ainda tem para ser enfrentados. Começaremos agora a série: OBRAS INACABADAS NO RECÔNCAVO - O CASO, CARANDIRU, A FAVELA DINAMITE.


Você se lembra da Ilha de Dr. Abílio? Não, e se eu falar de Rafaelão, você lembra de alguma coisa? Também não, agora se eu falar de Carandiru você se lembra da alguma coisa? Talvez sim, você deve estar pensando agora em drogas, tráfico, tiroteios, condições desumanas e deploráveis.

Pois bem, todos os três locais acima citados, são o mesmo. Único, exclusivo e abandonado pelas autoridades. Contar anos talvez não seja a questão, mas narrar o que aconteceu e está acontecendo é a melhor forma de estarmos cobrando algo das nossas autoridades.

As informações obtidas pela equipe de reportagem são comprometedoras, contudo o que a sociedade deseja, é que aquele foco de destruição acabe o mais breve possível, mas com inteligência.

Histórico:
Tudo começou quando no primeiro governo do já falecido prefeito Bartolomeu de Ataíde Teixeira um deputado conseguira um verba para a construção de um Estádio, que carinhosamente a população chamou de Rafaelão em homenagem ao primeiro nome do deputado.

Por motivos da obra não ter sido concluída, moradores organizaram-se e fizeram um conjunto de casas atrás da muralha que cercava o Estádio e deram-lhe o nome de Vila Feliz. Logo em seguida, criaram a Associação Esperança com objetivos de conseguir benefícios para a comunidade recém -criada.

Vale ressaltar que essa área, também chamada de Ilha do Dr. Abílio, tinha uma quantidade muito grande de manguezais e para se construir o Estádio foi gasto muito dinheiro.

Moradores falam que no começo não tinham energia e nem água, muitos tinham medo de construir sua casa naquele local, por pertencer a Marinha. Só que a vontade de ter uma casa foi muito mais forte, e correr o risco foi inevitável. Como uma das moradoras tinha um terreno logo na entrada da rua que estava se formando, ela cedeu durante três anos, energia e água para toda comunidade da Vila Feliz.

No segundo mandato do prefeito Bartolomeu de Ataíde Teixeira foi construído conseguida verba pelo Deputado Luiz Alberto para a construção de um hospital na cidade, muitas pessoas desejaram que essa verba fosse destinada à Santa Casa de Misericórdia que na época já tinha seus problemas. Acontece que ficou acordado que a verba seria destinada para a construção de um novo hospital e esse foi construído justamente, no mesmo local em que o Estádio de Futebol Rafaelão, uma obra que não tinha sido sequer concluída.

Em 2000 ao assumir o mandato de prefeito, Raimundo Gabriel pediu que os moradores deixassem tudo limpo e organizado que ele conseguiria água e energia. As duas partes fizeram um acordo e tudo foi encaminhado, inclusive o saneamento. Segundo os moradores, o ex-prefeito prometeu logo em seguida o calçamento, mas isso só iria ser feito no próximo mandato.

Moradores dizem que esse hospital era para ser de primeiro mundo, pois o material utilizado era muito bom, acontece que moradores do Bóreu e da própria Boiada roubaram esse material para construir suas casas, já que a construção novamente tinha sido abandonada, por falta de verbas. 

Anos depois, já no governo de Gabriel, o Deputado Luiz Alberto conseguiu uma verba para que o hospital fosse concluído, contudo devido o estado precário que o prédio encontrava-se, foi conseguido desmembrar a verba para quatro postos de saúde: Piedade, Batatã, Capagato e Inss.

A partir daqui, moradores perceberam o descaso com aquele prédio e viram nele um ótimo “hotel”. Começou a invasão da construção inacabada do Hospital e recentemente a invasão da parte externa do hospital. Muros internos foram quebrados, externamente, algumas partes dos muros foram quebradas e hoje, quando olhamos aquele local de fora. Imaginamos uma grande fortaleza, dominada pelo tráfico de drogas.

Muitos daqueles moradores que começaram a invadir num primeiro momento já saíram de lá, hoje em sua maioria, as pessoas que lá moram são de outras localidades. Moradores desejam ardentemente uma morada em outro local. Pois no Carandiru, como é chamado atualmente, não se tem condições nenhuma de higiene e nem de segurança. 

O descaso com a coisa pública transformou aquele lugar que no primeiro momento serviria para entreter a população e num segundo para suavizar os males do corpo, num barril de pólvora, ou melhor, numa favela dinamite pronta para explodir nas mãos daqueles que tiverem coragem para enfrentar o problema de maneira inteligível.

Retirada da 1ª Edição do Tribuna Popular
Escrita por: Zevaldo Sousa

TEXTO COMPLEMENTAR:
No dia 18 de novembro de 2013, a Prefeitura de Maragogipe tomou posse de uma área de 10.758,38m², localizada no bairro da Boiada, conhecido como Carandiru. A demolição do prédio foi realizada e, segundo a Prefeitura, as famílias que residiam na edificação foram acolhidas e encaminhadas através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social para novas moradias.

Ainda segundo informações da Prefeitura, na área serão implantados novos projetos em benefício da população, como o Distrito Integrado de Segurança Pública (DISEP) que faz parte do Programa Pacto pela Vida do Governo do Estado, Academia da Saúde, pavimentação e praça.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Prefeitos de Maragogipe, do final do Império à Atualidade

Durante os períodos de Colônia e Império, aos presidentes da Câmaras de Vereadores atribuíam se-lhes as disposições executivas. O plenário votava a matéria e o presidente executava a proposição aprovada. Dos presidentes da Câmara de Vereadores de Maragogipe, os que exerceram por mais vezes o cargo, foram o Pe. Inácio Aniceto de Sousa e Antônio Filipe de Melo. O primeiro, no meado do século XIX, eleito deputado à Assembléia Provincial, renunciou ao mandato, porque optou pelo de Vereador à Câmara de Maragogipe, e se elegeu presidente desta.

Como Presidentes do Conselho Municipal
  1. Manuel Pereira Guedes      (1871 - 1874)
  2. Artur Rodrigues Seixas      (1875 - 1878)
  3. Antonio Filipe de Melo      (1879 - 1882)
  4. Dr. João Câncio de Alcântara (1883 - 1886)
  5. Silvano da Costa Pestana   (1887-1890)
Com a República, cindiu-se o poder, adotando a corporação o nome de Conselho, e o executivo o de Intendente. Com este nome, em Maragogipe, ocuparam o poder executivo, em ordem cronológica:

Com Intendentes
  1. Engenheiro Flaviano Amado de Sousa (1891 -1894)
  2. Dr. Pompílio Borges (1895 - 1898)
  3. Luís Próspero Ratton  (1899 - 1902)
  4. Dr. Joaquim Gonzalves (1903 - 1906)
  5. Manuel Pereira Rebouças (1907 - 1910)
  6. João Primo Guerreiro (1911-1914)
  7. Engenheiro Júlio dos Santos Sá (1915 - 1918)
  8. Manoel Astrogildo Bandeira (15 dias)
  9. Elpídio da Paz Guerreiro (1920)
  10. Alexandre Alves Peixoto (1920 - 1921)
  11. Porfírio Sicopira Filho (Por força de habeas-corpus 4 meses)
  12. Alexandre Alves Peixoto (1921 - 1926)
  13. Getúlio de Góis Tourinho (1926)
  14. Alexandre Alves Peixoto (1927 - 1930)

Por motivo de licença ou vaga de titulares, na qualidade de presidente do Legislativo, passaram por alguns meses pelo Executivo:
  • Artur Rodrigues Seixas
  • João Câncio de Alcântara
  • Silvano Pestana
A partir de 1930, com as modificações introduzidas pela Revolução Liberal, voltou o legislativo ao antigo nome, Câmara de Vereadores, e o Intendente a chamar-se Prefeito, contudo muitos foram nomeados, chamando-se de Interventores.

Como Interventores
  1. Anísio Malaquias (1930-1935)
  2. Oscar de Araújo Guerreiro (1936 - 1943)
  3. Dr. Abilio Alves Peixoto (1943 - 1946)
  4. Dr. Perminio Alves Maia Amorim (poucos meses)
  5. Dr. Alberto da Cunha Veloso (idem)
  6. Dr. Abilio ALves Peixoto (idem)
  7. Bartolomeu de Brito Sousa (11 meses)
  8. Ermezindo Mendes (poucos meses)
Como Prefeitos eleitos
  1. Juarez Bartolomeu Guerreiro (1947 - 1950)
  2. Ariston Pimentel Vieira (1951 - 1954)
  3. Juarez Bartolomeu Guerreiro (1955 - 1958)
  4. Plínio Pereira Guedes (1959 - 1962)
  5. Isaac Guedes Armede (1963 - 1966)
  6. Plínio Pereira Guedes (1967 - 1970)
  7. Cid Seixas Fraga (1971- 1972)
  8. Francisco Guedes Vieira (1973 - 1976)
  9. Antomeu Brito Souza (1977 -1982)
  10. Bartolomeu de Ataíde Teixeira (1983 - 1988)
  11. Plínio Pereira Guedes (1989 - 1990)
  12. Domingos de Mello e Albuquerque (1991 - 1992)
  13. Rubens Guerra Armede (1993 - 1996)
  14. Bartolomeu de Ataíde Teixeira (1997 - 2000)
  15. Raimundo Gabriel de Oliveira (2001 - 2003) Afastado
  16. Carlos Hermano (2003 - 2004)
  17. Silvio José Santana Santos (2005 - 2008)
  18. Silvio José Santana Santos (2009 - 2012)
  19. Vera Lucia Maria dos Santos (2013 - ....)
Nomeado Prefeito, no ínicio de 1920, Manuel Astrogildo Bandeira, após 15 dias de mandato, solicitou a sua demissão, por dissidência com o chefe político local. E Porfírio Sicopira Filho, por força de "habeas corpus", em 1921, permaneceu no cargo quatro meses, em competição com Alexandre Alves Peixoto, vencendo este afinal.
  
De 10 de agosto à 18 de agosto de 2011, por motivos de afastamento do prefeito Silvio José Santana Santos, seu vice-prefeito Romario Costa da Silva assumiu o mandato.

Osvaldo Sá, in: Histórias Menores, Vol. 3, p. 162-3; Salvador-BA; 1983
Fernando Sá, in: Coleção Cultura de Maragojipe, 2001

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

HISTÓRIA: Infraestrutura de Maragogipe (Abastecimento de Água, Esgotamento Sanitário e Aterro Sanitário)

Na história de todo e qualquer município, a infraestrutura básica é parte fundamental no processo de reconhecimento da humanidade e das suas relações com meio ambiente e do que nós, enquanto pesquisadores, chamamos de sócio-ambiental. Como se sabe, as cidades pensadas sob essa égide, tem a oportunidade de resolver mais rápido os problemas existentes com relação a esse tema. Todavia, Maragogipe, assim como a maioria das cidades brasileiras não teve sua estrutura pensada e resolver esse problema, passou a ser uma grande dificuldade para os administradores atuais e todas as discussões acerca dessa problemática.

Sendo assim, estou me propondo a traçar um panorama histórico da infraestrutura do município de Maragogipe, com um viés muito mais opinativo que histórico. Há necessidade, portanto, de reavaliação deste texto, sob a perspectiva e ótica profissional, visto que, eu estou mais interessado no trato com o público, do que com os profissionais da área posta em questão. Por fim, vale ressaltar que esse texto, apesar de terser longo, ele visa relatar um período da história maragogipana pouco estudada pelos historiadores atuais.

INTRODUÇÃO

Um dos projetos de extrema importância para o município de Maragogipe, e para diversas cidades da Bahia foi o Bahia Azul e este visava mudar o quadro de degradação ambiental existente, tanto na Baía de Todos os Santos como nos centros urbanos que a circundam.

O projeto começou em 1970, na grande Salvador e depois seguiu para o interior do Estado. Na Baía de Todos os Santos, o projeto ocorreu por causa dos reflexos da expansão demográfica e territorial no processo de desenvolvimento das cidades do seu entorno, como Salvador, Itaparica, Vera Cruz, Santo Amaro, Cachoeira, Maragogipe e Madre de Deus que contribuíram para a poluição de rios e cursos de água que passam próximos, além de ocuparem desordenadamente o solo, o esgoto, o lixo e os desmatamentos que  também contribuíram para o desequilíbrio ecológico, degradando a fauna e a flora do local.

Essas cidades não possuíam sistemas de esgotamento sanitário. Em Salvador, apenas 26% da população era atendida. Desse total 13% através de sistemas isolados de conjuntos habitacionais. Milhões de metros cúbicos de esgotos domésticos eram lançados por ano nos rios, nas praias e na baía. O Bahia Azul visou a implantação de redes coletoras, interceptores, estações elevatórias e de tratamento em Salvador, Candeias, Simões Filho, Itaparica, Vera Cruz, Madre de Deus, Santo Amaro, São Francisco do Conde, Cachoeira, São Félix e Maragogipe. (Fonte: Bahia Azul)

Dentre os objetivos do projeto, estavam inclusos
  • Esgotamento Sanitário (Havia planos para Maragogipe e foram implantados)
  • Esgotos  céu aberto lançados ao mar
  • Resolução do problema das praias poluídas, principalmente, em Salvador
  • Proteção Ambiental
  • Abastecimento de Água
  • Resíduos Sólidos - Aterros Sanitários (Havia planos para Maragogipe e o Aterro foi implantado)
  • e outros...
As políticas estatais de Saneamento Básico da Bahia se tornaram fatores de engrandecimento e promoção nos programas do Governo do Estado, mas na prática a população em geral não recebeu os benefícios e hoje, em diversas partes do Estado, já há uma necessidade de renovação e reestruturação do sistema concluído, além da implantação e ampliação dos já existentes sistemas de Abastecimento de Água, Saneamento Básico de resíduos sólidos, líquidos e gasosos que visem o benefício de milhares de pessoas.

O CASO MARAGOGIPE

ETE de Maragogipe destrói o meio ambiente e leva doenças para a população
Como o nosso estudo está voltado para a cidade de Maragogipe, começaremos a esboçar a partir deste momento algumas características gerais do município. Mas antes, gostaria de citar o documento oficial emitido pela Seplan que fala sobre diversos pontos que precisam ser revistos e analisados de outras formas, devido a defasagem do atual sistema.

Com relação ao Saneamento Básico, o documento diz que
"As obras estão concluídas, prosseguindo a efetivação das ligações intradomiciliares, e os sistemas já estão em operação. Foram contempladas as seguintes cidades: Simões Filho, Candeias, Santo Amaro, Madre de Deus, Maragogipe, Itaparica, Vera Cruz, São Francisco do Conde, Cachoeira e São Félix, sendo que os sistemas destas três últimas localidades tiveram suas obras encerradas em 2004."
Contudo, o que se percebe é que existe um grande problema em Maragogipe, com relação ao sistema de Saneamento Básico atual. Basta citarmos o caso da ETE da Comissão-Baixinha e as péssimas condições de manutenção e tratamento do esgotamento maragogipano. Por várias vezes aquela comunidade se manifestou, em favor do fechamento deste empreendimento que polui o meio ambiente da localidade e está agravando o número de doenças para toda comunidade.

Acontece que, a população maragogipana paga na sua conta de água, a famosa "Taxa de Esgotamento Sanitário" e a parte da Embasa, não está sendo cumprida. Cabe portanto revermos essa cobrança, pois a Embasa está poluindo o meio ambiente e não está cumprindo sua parte que seria tratar o esgotamento sanitário, além do recolhimento, visto que a população está pagando para que esse processo de saneamento seja completo e efetivo.

Vale ressaltar que foram investidos, até 2004, em Maragogipe, 999 mil reais nas localidades da Comissão, Baixinha, Cabaceiras e Angolá, beneficiando apenas 5860 pessoas, no sistema de esgotamento sanitário.

Em outro ponto do documento, ao falar do sistema de abastecimento de água, a Seplan diz que
"Todas as ações desse componente já foram concluídas até o exercício de 2003. No total, abrangendo as localidades de Maragogipe, Najé, Coqueiros, Candeias, São Francisco do Conde, Madre de Deus, Monte Recôncavo, Paramirim, Ilha de Maré, Santo Amaro, Itaparica e Vera Cruz, foram implantados 66 km de adutoras, 111 km de redes de distribuição e 7.565 m3 de reservação, em obras destinadas à melhoria e ampliação de sistemas já existentes."
Todavia, já há uma necessidade de ampliação desse sistema de abastecimento de água, afinal de contas, já existe o Programa Água Para Todos e visto que a população do município cresceu, e por mais que o IBGE emita alguns números, relevantes por sinal, percebe-se que existe uma outra realidade que precisa ser revista e cobrada pelos atuais gestores municipais, tanto o executivo, quanto o legislativo.


Com relação aos resíduos sólidos, e neste caso, estou a falar do Aterro Sanitário. O referido tema é assim tratado pelo Governo do Estado:
"As ações referentes ao componente de resíduos sólidos inseridas no Programa Bahia Azul, realizadas pela Conder, estão concluídas e englobaram a elaboração e implantação de Planos Diretores de Limpeza Urbana e a execução das obras de implantação dos aterros sanitários de Maragogipe, Santo Amaro e Recôncavo Sul (compartilhado entre os municípios de Cachoeira, São Félix, Muritiba e Governador Mangabeira), além da recuperação dos lixões existentes. Para operação dos aterros sanitários foram adquiridos, e repassados às respectivas prefeituras, equipamentos de coleta de lixo e tratores. Essas ações complementam as ações executadas pelo Projeto Metropolitano, já concluídas anteriormente."
Bem, se esses equipamentos vieram, nós não temos como saber, mas por diversas vezes, algumas pessoas comentaram que no Governo Raimundo Gabriel existia diversas máquinas na cidade, cabe ressaltar agora, que se existia foi fruto do investimento do Governo do Estado. Atualmente, há diversas máquinas, contudo já há o que se questionar pois estão em estado deplorável.

Todavia podemos muito bem dizer que: O Programa Bahia Azul deixou muito a desejar no município de Maragogipe, além claro de outros municípios. Talvez seja por isso, que atualmente e em anos anteriores houve a necessidade de uma reestruturação do sistema. O Aterro Sanitário de Maragogipe, por diversas vezes, teve sua licença ambiental negada ou colocada sob revisão, mas as administrações continuavam a depositar o lixo de parte da população nele. Digo parte da população e irei comprovar com documentos mais adiante.

Em janeiro de 2004, na segunda etapa da Educação Ambiental do Bahia Azul foram formados 380 agentes comunitários de saúde nos municípios de Maragogipe, Santo Amaro, São Félix, São Francisco do Conde, Simões Filho, Itaparica e Vera Cruz. Os objetivos eram levar à população uma consciência mais ecológica, mas será que a própria empresa pratica essa ecologia? Onde está a famosa Gestão Ambiental da Embasa e dos órgãos que promovem a manipulação e manutenção desse tipo de tratamento sanitário, seja ele sólido, líquido ou gasoso?

INVESTIMENTOS DA EMBASA EM MARAGOGIPE

Eu não poderia deixar de falar sobre a questão dos investimentos aplicados no município de Maragogipe. Pois eu estaria omitindo este fato na busca dos meus objetivos, que é mostrar que a infraestrutura de Maragogipe está um caos e desabilitada para contemplar os ideais do discurso sócio-ambiental aplicado pelo Governo do Estado, Municipal e Empresas Públicas, sem falar nas omissões de ONG´s diversas que já fazem um tempo que não tratam dessas questões em público.

Segundo o estudo, depositado no site do Banco do Nordeste (BNB), sob o título de PDITS, tratando de Salvador e seu entorno. No capítulo de Infraestrutura, encontramos diversos pontos sobre o tema posto em questão nesse momento.

SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA
Descobrimos que em 1998, Maragogipe recebeu o investimento que girou em torno de 1,5 milhões de reais; em 2000, o valor chegou a 4,4 milhões de reais, totalizando quase 6 milhões de reais em investimentos da Embasa nos sistemas de água e esgoto. Na época, em 2002, a Embasa avaliou que dos 4 pontos do Sistema de Abastecimento de Água do município tinha sua situação satisfatória e que 2 não eram operados pela Embasa. Maragogipe tinha 6463 residenciais ligadas ao sistema, 4 industriais e 275 comerciais.

Apesar da Embasa considerar satisfatório, o IBGE divulgou que em 2000, apenas 54% da população maragogipana estava ligada a rede de abastecimento de águas, 10% a mais que 1991.

Segundo documento do BNB, Maragogipe apresenta as seguintes características:
De acordo com o Censo de 2000, realizado pelo IBGE, o município de Maragojipe tinha um total de 9.711 domicílios, dos quais 5.204 estavam ligados à rede geral de abastecimento de água. O Censo revelou que 89,2% da população urbana do município eram atendidos pelo sistema de abastecimento de água tratada, enquanto apenas 2,5% usavam o sistema de poço ou nascente. Como já visto em outros casos dentro do Pólo Salvador e Entorno, a situação da zona rural era sensivelmente inferior, com apenas 9,1% das pessoas atendidas pela rede geral de abastecimento de água e 75,7% usando o sistema de poço ou nascente. Maragojipe apresenta cerca de metade da população sem atendimento de água tratada e uma situação preocupante no que se refere à destinação do esgoto. Essa combinação de fatores é potencialmente de risco para a população e visitantes, já que grande parte da água consumida pode estar vindo de fontes contaminadas.

Maragojipe apresentou o seguinte quadro evolutivo:

Para destrinchar melhor o significado desses 89,2% da população urbana que recebe o Sistema de Abastecimento de Água, a EMBASA traz documento de análise de 2003 que explica: Coqueiros tem 93% da população no sistema, Guaí 0%, Guapira, 0%, Maragogipe 90%, Nagé 93% e São Roque 94%. Esses números modificaram-se consideravelmente, mas vale pontuar que tanto no Guaí, quanto em Guapira inexiste qualquer tipo de tratamento, pois essas áreas não trazem lucros para a EMBASA.

SANEAMENTO BÁSICO

O documento continua e desta vez irá tratar da questão do Saneamento Básico, da situação em 2002 e de suas intervenções e uma situação assustadora é revelada.

No ano 2000, apenas 25,8% da população tem algum tipo de coleta de efluentes, 1% da população eram atendidas por um sistema de esgoto em 2002. Em 2000, 5,2% tinha fossas sépticas; 8,6% da população usavam fossas rudimentares; 40,4% da população não tinha sequer banheiro em suas residências e 20,1 lançavam seu dejetos em valas e rios. Essa situação pode muito bem ser considerada caótica. (Censo 2000 e Embasa 2002). Vale ressaltar que em 2002, o Sistema de Esgotamento Sanitário da Embasa em Maragogipe foi considerado concluído, e só tinha 1% da população atendidas.

O documento ainda diz que "na análise do índice de cobertura, o IBGE utiliza uma metodologia que considera qualquer tipo de coleta, inclusive os casos em que o esgoto é lançado em dutos de drenagem pluvial. Isso resolve grande parte do problema de saúde pública representado pelo esgoto, já que os efluentes são afastados das residências onde são produzidos, mas está longe de representar uma solução adequada do ponto de vista ambiental."


COLETA DE LIXO
Em 2000, dos 40 mil moradores de Maragogipe, apenas 12757 eram atendidos por um sistema de coleta de lixo, em que a responsável era a Prefeitura Municipal. Apesar do crescimento no número de atendidos com relação a 1991 que atendia 17% da população, esse número ainda era pouco, apresentando índices muito abaixo dos demais municípios do Recôncavo com apenas 35% da sua população total. (IBGE)

O Aterro Sanitário de Maragogipe começou a operar em fevereiro de 2001, e tinha uma expectativa de vida de 15 anos. Com apenas 10 anos de funcionamento, ele já apresenta uma série de irregularidades devido às péssimas administrações no tratamento do lixo e manutenção do aterro. Ele suportaria 17,6 toneladas de lixo por dia, que equivaleria a 6347 toneladas por ano. Vale ressaltar que esses cálculos valeriam para o atendimento de aproximadamente 20 mil pessoas. Metade da população total. Vale ressaltar que até hoje, diversos locais do município não são atendidos pelo sistema de Coleta do Lixo.

Segundo informações do “Relatório de Acompanhamento do Programa de Saneamento Ambiental da BTS”, foram entregues à Prefeitura de Maragojipe diversos equipamentos que auxiliam a coleta e disposição final do lixo e esses equipamentos foram : tratores, caçambas basculantes, caminhões coletores e compactadores, contenedores e carros pipa. Para utilização nos aterros sanitários foram oferecidos os seguintes equipamentos: retro-escavadeiras, tratores de esteira e caçambas.

Quando há intervenção estadual para implantação de um aterro, o pacote de serviços que a CONDER oferece às prefeituras atendidas inclui:
  • Planos diretores de limpeza urbana (PDLU);
  • Educação ambiental;
  • Aterros construídos;
  • Treinamento de pessoal operacional;
  • Treinamento técnico para órgãos municipais;
  • Assistência operacional nos primeiros meses de funcionamento do aterro.
Após um período inicial denominado de pré-operacional, as prefeituras assumem a gestão do serviço de coleta e operação do aterro instalado. É nesse momento que se faz importante uma maior assistência aos municípios, uma vez que a maior parte deles não possui equipes técnicas preparadas para conduzir uma eficiente gestão dos resíduos sólidos. (Fonte: BNB)

No caso de Maragogipe, o projeto de implantação incluiu também a recuperação ambiental da área do antigo “lixão”, no momento de visita à área, essas intervenções estavam em fase bastante adiantada, restando apenas a re-vegetação das áreas recuperadas. Acontece que deveria ser implantado um sistema de coleta seletiva baseado nos PDLU. O que não houve, por isso, o aterro não teve a sustentabilidade desejada.

Em 2001, as condições do Aterro de Maragogipe foram consideradas boas, obtendo uma nota de 78,1 no ano. Para a construção desse aterro foram gastos R$ 517.855,13, nos anos de 2000 e 2001. Valores muito inferiores aos que foram gastos em outras localidades.

CONCLUSÃO
Depois de todas essas colocações, concluímos que a infraestrutura maragogipana com relação ao Abastecimento de Água, até 2001 tinha seu estado precário e o índice de coleta era abaixo do esperado, mesmo assim, havia problemas na aplicação e no tratamento do mesmo. Com relação ao Esgotamento Sanitário, não é preciso nem citar, visto que pouquíssimas são as pessoas beneficiadas e a grande maioria da população ainda precisa estar dentro desse sistema.

Vale ressaltar, que os planos e práticas do governo anterior, estão refletindo no governo atual, tanto no nível municipal, quanto no estadual que ainda sente a dificuldade de estar tratando com mecanismos de infraestrutura e suas relações com o sócio-ambiental, isso sem falar na dita cultura política e suas relações interpessoais. A dificuldade maior estar no medo com que o primeiro pode estar causando nas relações que o governo tem com a população, sobretudo carente e necessitada de meios para se estabelecer enquanto cidadãos. A contradição desse panorama esboça-se no entendimento da manutenção de poder e do exercício com que as atuais lideranças tem com a comunidade, que está muito mais atrelada à característica do comprometimento dito "social", arraigado nos interesses e nos favores dos governantes, esquecendo que seria através da construção de uma nova sociedade, um novo modelo, que mudaremos toda a base social.

Quando as pessoas tiverem mais tempo para se dedicar à questões relativas a sua comunidade, pensando bem menos nos seus interesses infraestruturais, visto que, eles já deveriam ter sido sanados e já deveriam fazer parte do inconsciente dessas pessoas, a mudança será real e verdadeira e quem ganhará com isso, será a população e não o Governo e as Empresas que prestam serviços, sejam públicas ou privadas.


Fonte:
Cidades do Brasil
Analgesi
Seplan - BA
BNB
Artigo Políticas de Saneamento na Bahia

sábado, 12 de maio de 2012

Navio Maragojipe está totalmente destruído na Base Naval de Aratu

O navio maragojipe esta totalmente destruído na Base Naval de Aratu é muito triste para a comunidade Maragojipana assistir o que foi o seu principal meio de transporte em ligação com a capital Baiana Salvador sendo destruído com o tempo.

Para a maioria dos moradores quando este comentário vem atona nas rodas de amigos na cidade a revolta e tristeza são visíveis nos semblantes dos que navegaram e de quem tomou conhecimento por moradores da cidade.


O Maragogipe, de fabricação alemã, navegou por 35 anos, entre 1962 e 1967, nas águas da Baía de Todos os Santos. Antes das rodovias, a embarcação era vital para quem precisava locomover-se entre Salvador e as comunidades do Recôncavo, partindo de Maragogipe para Salvador, pela manhã, e retornando à tarde.

Com capacidade para 600 passageiros, o navio chegava a comportar o dobro disso na festa de São Bartolomeu, uma das mais tradicionais do Recôncavo. Alimentos e outras mercadorias também eram transportados pelo Maragogipe, que cumpriu, assim, um papel importante para a economia regional. O navio possui 46,15 m de comprimento, dos quais 42,50 m de linha de água, calado de 2,35 m e deslocamento leve de 364,7 toneladas.

O navio havia sido doado à Prefeitura de Maragogipe em setembro de 2001. A prefeitura anunciou a intenção de implantar um museu náutico, mas não levou o projeto adiante. O Termo de Reversão de Bens Móveis foi assinado, em dezembro passado, com o novo prefeito do município, Carlos Hermano Albuquerque Baumert, anulando a doação.

A situação do navio, que estava com problemas de má conservação, foi comunicada à Superintendência de Serviços Administrativos - SSA, da Secretaria da Administração (Saeb), através da Capitania dos Portos, sendo tomadas todas as providências necessárias para a retomada pelo Governo do Estado.

O ofício da Saeb ao novo prefeito, Carlos Hermano Albuquerque Baumert, solicitando providências e posicionamento quanto ao Maragogipe, foi expedido após decisão tomada a partir de uma reunião envolvendo a Saeb, o CRA e a Capitania dos Portos.

O navio Maragogipe foi arrematado por R$ 204 mil, em leilão promovido pela Secretaria da Administração do Estado, na Marina e Estaleiro Aratu. O ágio foi de 204,5% sobre o preço mínimo de R$ 67 mil. Outra boa notícia é que o navio não sairá da Bahia, e será reformado para atividades turísticas. O arrematante, Jeová Ferreira, que disse representar um grupo de empresários baianos, explicou que o navio "poderá ser utilizado para transporte, para atividades de lazer ou como restaurante".

Ferreira disse que o navio precisará de uma ampla reforma, mas que a sua recuperação é viável. Outro atrativo para a aquisição do Maragogipe, segundo ele, é o valor simbólico do navio, que navegou por décadas na Baía de Todos os Santos, transportando passageiros e mercadorias entre Salvador e a cidade de Maragogipe.

O leiloeiro Miguel Paulo da Silva disse que o resultado superou as suas expectativas. "Foi uma ótima venda", afirmou. Ele ressaltou, ainda, que nos momentos finais o leilão foi bastante disputado, lance a lance, entre um grupo empresarial de Santa Catarina e o grupo baiano que acabou conseguindo o arremate.

"Ao lado do bom resultado do leilão, com ágio significativo, foi importante também o fato de o navio ter ficado na Bahia", afirmou o superintendente de Serviços Administrativos da Secretaria da Administração, Phedro Pimentel. Ele destacou que a Secretaria recebeu o apoio da Agerba, na avaliação do preço mínimo para o leilão, do CRA, no acompanhamento para evitar problemas ambientais, e da Petrobrás, na limpeza dos tanques.

Esses serviços foram necessários depois que o navio foi retomado pelo governo, em dezembro, junto à prefeitura de Maragogipe, que pretendia implantar um museu náutico, mas não levou o projeto adiante. A doação ao município havia sido feita em setembro de 2001. O Termo de Reversão de Bens Móveis foi assinado, em 5 de dezembro, com o novo prefeito do município, Carlos Hermano Albuquerque Baumert, anulando a doação.

Fonte: Visão Cidade

domingo, 20 de novembro de 2011

A eleição mais disputada de Maragogipe, Histórias curtas, curta as histórias


Por Francisco Gomes

No dia 15 de novembro de 1988 às 19h, na Associação Atlética Maragojipana começava a contagem dos votos da eleição mais disputada da história da política de Maragojipe. Eram sete os candidatos a prefeito: Plínio Guedes (PFL), Rubinho Armede (PMB), Betuca (PDC), Arivaldo Vieira (PL), Cid Seixas (PMDB), José Carlos Charlê (PT) e Mamede Xander, que na época chamava-se, Mamedinho (PDT).

Apesar dos vários candidatos, a disputa acirrou-se entre o jovem Rubem Guerra Armede, que pela primeira vez candidatou-se a um cargo eletivo, e o veterano político Plinio Pereira Guedes.

Naquela época os eleitores votavam marcando com um X na cédula eleitoral de papel, no nome e número do candidato da sua preferência e a contagem dos votos era feita pelos escrutinadores, pessoas da comunidade escolhidas pela justiça eleitoral que contavam os votos de um em um. Esse processo era muito lento e levava dias para se saber o resultado final das Eleições. Primeiro eram abertas as urnas da sede depois as distritais sempre começando por Coqueiros e finalizando por São Roque.

Nas eleições de 88 aconteceram fatos marcantes que nos servem de exemplo até hoje. Em agosto era certa a vitória do candidato Betuca, nos quatro cantos da cidade só se ouvia a frase: FUTUCA, FUTUCA, SÓ DA BETUCA. Bel disparou na frente convicto que venceria não aceitou o convite para ser vice de Plínio e seguiu seu caminho, quando entrou setembro e a boa nova andou nos campos, Betuca começou a declinar emergindo as candidaturas do joven Rubinho apoiado pelo então governador Waldir Pires e da “velha raposa política” Plínio Guedes, que tinha apoio do Prefeito da época Bartolomeu Teixeira que dividiu para reinar.

Betuca acabou ficando em terceiro lugar e Arivaldo em quarto, este último empolgou a massa jovem tendo a frente da sua campanha o trio Transas Mil arrastando multidões para os seus comícios. Cid ficou em quinto mas, venceu as eleições no distrito de Nagé, Charlê em sexto e Mamede em sétimo, estes foram fundamentais para a vitória de Plínio sobre Rubinho por 38 votos de frente.

Isso mesmo! 38 votos em um eleitorado de mais de 20 mil eleitores. Plínio venceu Rubinho nas Eleições de 1988, a mais disputada até hoje em nosso município, o 25 venceu tomou posse e pouco antes de completar um ano a frente da prefeitura nas proximidades do Natal de 1989, Maragojipe perdia seu Prefeito e maior líder político Plínio Pereira Guedes que falecera em Capanema. Assumia em seu lugar o vice-prefeito Profº Domingos de Melo e Albuquerque que governou Maragojipe por três anos.

O povo comenta até hoje que vários políticos maragojipanos não aceitaram ser vice de Plínio e assim deixaram de ser prefeito e que se fosse realizada a recontagem dos votos Rubinho venceria aquela eleição. Será?

A música do milhão - Histórias curtas, curta as histórias


Por Francisco Gomes

Vários amigos tem me solicitado que eu aproveite o espaço que é gentilmente cedido por Zevaldo neste blog, para além das histórias selecionadas de grandes autores e anônimos que reproduzo para os leitores, que também contasse passagens da política maragojipana, que sempre lhes conto em momentos de descontração e que eles consideram interessantes e acham que deveria compartilhar com todos através da net, como sempre prefiro ficar com os conceitos e conselhos dos meus amigos, a partir de hoje estarei escrevendo algumas histórias da nossa política.

Para iniciar, vou contar a história da MÚSICA DO MILHÃO, sucesso nas Eleições para prefeito de 2000.

A MÚSICA DO MILHÃO

Nas Eleições de 2000, cinco candidatos concorriam a Prefeitura de Maragojipe: Arivaldo Vieira pelo PL, Digal pelo PT, Gabriel pelo PSC, Luizinho K-Lavar pelo PTB na época conhecido como a zebrinha e Rita Nunes pelo PDT. Apesar de estar concorrendo cinco candidatos, a disputa verdadeiramente se resumia a Gabriel e Arivaldo. O prefeito da época era Bartolomeu Teixeira e este não apresentou oficialmente um candidato. No mês de junho foram realizadas as convenções e as pesquisas só davam Arivaldo, o qual realizou na Terpsícore Popular uma grande festa com a presença de milhares de pessoas. Enquanto isso, a convenção do Gabriel foi realizada modestamente na Rádio Clube, embora o candidato tivesse a fama de ser o homem do milhão.

Durante a corrida para prefeitura o compositor Gilson Labaia fez um jingle para a campanha de Arivaldo, em que o refrão dizia o seguinte: “O MILHÃO NÃO, O MILHÃO NÃO, EU NÃO QUERO SEU DINHEIRO PRA FICAR NA SUA MÃO”, uma música bonitinha que logo caiu na boca do povo.

E aí? Arivaldo que estava bem nas pesquisas e com o povo cantando o jingle começava se desenhar a vitória do 22!

No mês de agosto, meu amigo Jota de Vital, que fazia parte da campanha de Gabriel, preparou uma festa muito bonita para alavancar a campanha. Realmente foi um belo evento, consequentemente, era o primeiro grande passo do 20 rumo a vitória, mas o jingle do milhão da campanha de Arivaldo não parava de tocar, e seus seguidores animados pelo embalo do som, não paravam de cantar e gesticular com os dedos pra lá e pra cá dizendo ao povo que o milhão não, estava montada a estratégia da campanha do 22.  Do tostão contra o milhão. Arivaldo, como o candidato filho da terra, era o tostão e Gabriel, o candidato forasteiro, era o milhão que queria comprar todo mundo. 

Na época eu era o vocalista da Banda Café Pilado, uma banda que vez sucesso no início dos anos 2000, e tocava todas as quintas no Pelourinho em Salvador. Numa dessas apresentações do Café, conheci uma professora de sociologia chamada Maria Clara, amiga da galera da banda e como eu gostava de música e política, conversamos muito e logo estávamos discutindo política, falei sobre as eleições de Maragojipe. Ela se colocou como defensora da candidatura do 22,  eu por outro lado, defendendo o 20, comecei a dizer que para se ter educação, saúde, estradas entre  outros benefícios era preciso de milhão e não de tostão.

Acabando a conversa todos fomos embora, quando cheguei em casa, comecei a passar na cabeça a fita do dia e quando cheguei na parte da conversa com Maria Clara,  vi que dali poderia nascer uma música, como resposta ao Milhão de Labaia. Não deu outra, bingo! Fiz o jingle que ficou conhecido como a resposta do milhão, foi um grande sucesso, os gabrielistas assumiram que para realizar era preciso do milhão, a campanha, que já vinha bem, deu um salto e o resultado da eleição não poderia ser diferente Gabriel 10.753 votos (55,24% os votos válidos), Arivaldo 7.748 (39.80%), Digal 606 votos (3.11%), Rita 284 votos (1.46%) e a zebrinha 74 votos (0.38%) .

Quem não se lembra desses versos: EMPRESAS PARA O POVO SÓ COM O MILHÃO, SAÚDE E EDUCAÇÃO SÓ COM O MILHÃO, ESTRADAS BEM CONSERVADAS E ELETRIFICAÇÃO TUDO ISSO SÓ COM O MILHÃO...

NÃO ADIANTA ESSA CONVERSA DE TOSTÃO PORQUE O POVO TÁ QUERENDO É SOLUÇÃO.

O engraçado veio depois na próxima edição tem mais história.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O fumo no recôncavo baiano e a pobreza

Victor Rocha é médico do Posto de Saude Familia de São Roque - Maragogipe BA

“Nas fábricas de charutos não havia trabalho (para homem). Ali quase só mulheres pálidas e macilentas [...] fabricavam charutos caros para fins de banquetes ministeriais [...] .Mas eis que elas saem e são tristes e cansadas. Elas vêm tontas daquele cheiro de fumo que já impregnou nelas, que está nas suas mãos, nos seus vestidos, nos seus corpos, nos seus sexos [...] passam silenciosas como se estivessem bêbadas [...] entram pelas ruas estreitas que já escurecem e rumam para os becos sem iluminação no fundo da cidade.

São [...] fábricas brancas que tomam quarteirões inteiros , onde operárias sofriam no trabalho minucioso e dedicado da produção dos charutos, enquanto, no hotel, por outro lado, os filhos dos donos das fábricas, que eram alemães, divertiam-se.”

Jubiabá – Jorge Amado

Em meados do século XIX, a guerra civil nos EUA e em Cuba geram oportunidades de concorrência internacional no mercado do fumo. Inicialmente fumo servia para troca por escravos na áfrica e confecção artesanal de charutos. Associado a estes conflitos nos principais produtores da folha de fumo, estavam os comerciantes de Bremen-alemanha, que concorriam com os comerciantes dos EUA e viram no Brasil a possibilidade de avançar.

Dentro de um contexto de aumento do consumo mundial (charutos), a Bahia desponta como grande produtora a partir desta parceria com os alemães de Bremen e hamburgo. No início do Sec. XX eram 60 milhoes de charutos produzidos no Brasil, grande parte na Bahia. A situação de recém abolida escravidão singular do brasil, tratamento “igual” para segmentos sociais desiguais, condicionou que agricultores ex-escravos meeiros, e pequenos produtores fossem mão de obra para esta aposta comercial alemã. Estes comerciantes tinham o exato conhecimento dos preços internacionais, lucratividade , etc; para regularem os preços.


Desta forma, os produtores rurais, fortemente constituidos por mulheres e crianças recebiam baixa remuneração, desconhecendo a magnitude dos lucros que viabilizavam no porto de Bremen. Aos poucos, pequenas fábricas são montadas para produzir charutos (a exemplo da Suerdick e CIA, dentre vários outros). Cruz das almas se destaca pela produção fumageira agrícola e Maragogipe pela presença de fábrica suerdick e co e pela saída ao mar, através do rio Paraguaçu. Como se vê, tratavam-se de relações pre-capitalistas, onde o setor agrário era um anexo do setor comercial, não chegando a se constituir uma elite agrária voltada ao fumo. Os comerciantes baianos tem papel secundário.

Riqueza em Bremen e fome na Bahia, é a consequencia direta da produção do fumo baiano. Em 1924, um grande truste anglo americado chamado British-american tabaco co. Chega à Bahia e rapidamente leva os concorrentes baianos e alemães à falência. Os alemães ainda ficam com a exportação de fumo e fabricação de charutos, mas este produto já tinha entrado em desuso com o advento do cigarro. O Cigarro advem de produção industrial, por tanto, maior lucrativadade e potencial de distribuição. O Brasil não acompanha a mudança da preferência mundial pelo cigarro, e hoje só são produzidos 3 milhões de charutos, dos 60 mi do início do seculo XX. Em 1930, a Bahia, já sem a conexão alemã, perde a liderança no fumo para o Rio Grande do Sul e o Cacau surge como principal produto, produzido ao sul do estado.

A região do recôncavo hoje ainda padece de grande pobreza, o que foi agravada com o fim do ciclo do fumo. Cruz das Almas, por ser uma cidade passsagem para a BR 101 tem maiores potenciais no comércio do que Maragogipe, que fica expremida entre uma BA em regular estado de conservação e uma saída ao mar atualmente com pouco uso, seja para turismo seja para escoamento de produções. Discutir alternativas econômicas com enfoque na distribuição efetiva de renda é um desafio para a saúde das pessoas.

A construção do Estaleiro de São Roque, prevendo a construção de plataformas da Petrobrás (P 59 e P60), lança no ar qual seria esse desenvolvimento como pergunta já feita e repondida na contrução no novo plano diretor, por várias mãos. Resta fazer valer.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Cel. Alexandre Alves Peixoto e a construção da estrada de Maragogipe a São Felipe

Por: Fernanda Reis (leia texto completo em sua dissertação de mestrado clicando no título “A FESTA DO EXCELSO PADROEIRO DA CIDADE DAS PALMEIRAS”: O CULTO A SÃO BARTOLOMEU EM MARAGOGIPE (1851-1943) )
Coronel Antônio Felipe de Melo
A causa de nosso atraso repetimos, - são as estradas... se o cofre da municipalidade não se acha em condições de empreender tais consertos, deve recorrer a um empréstimo provincial. A presidência não se negará a tal empréstimo, visto sua applicação ser em proveito do engrandecimento da província. (CORONEL Antonio Felipe de Melo. O Prélio, Maragogipe, BA, Ano 1, n. 16, 29 ago. 1920. Não paginado. (redator-chefe e proprietário: Getulio Tourinho)

A citação de 1920 demonstra que a elite de Maragogipe entendia como necessária a construção de estradas como uma etapa indispensável para o progresso da cidade. Apesar dessa idéia ganhar impulso a partir da década de 1850, é evidente que esse avanço demorou para se constituir numa realidade como Maragogipe. Nesse sentido, localizamos quem foi o responsável por essa empreitada:

Uma bella idéa
O cel. Alexandre Alves Peixoto, recentemente empossado no cargo de Intendente de Maragogipe allimenta a louvabillíssima idéia de construir uma estrada de rodagem de Maragogipe á Conceição do Almeida, passando por Piedade, São Felipe, e Mombaça, com ramaes para Sapé e Palmeira. A empreza é de fôlego, e a sua realização vai custar grande soma de sacrifícios, de energia, de tenacidade, de boa vontade e de dinheiro. É pensamento do Cel. Peixoto realisar esta obra relativamente gigantesca. (UMA BELLA idéa. O Prélio. Maragogipe, BA, Ano 1, n. 16, 10 out. 1920. Não paginado.)

Abaixo seguem algumas imagens da construção da estrada de rodagem de Maragogipe a São Felipe. Podemos notar a grandiosidade das obras, a quantidade de pessoas trabalhando. Vemos imagens de aterros e construção de pontes sobre um rio.

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Conforme indica o título no topo da página do material em que foi obtida a foto: Município de Maragogipe: outros aspectos apanhados dos trabalhos da estrada de rodagem da cidade de Maragogipe a São Felipe, em construção na profícua administração do Coronel Alexandre Alves Peixoto, laborioso Prefeito Municipal. Lê-se nas legendas, por linha: “Um trecho da estrada de rodagem, vendo-se um grande aterro”; “Vista de uma ponte em construção, de alvenaria, sobre o rio Sinunga, da estrada de rodagem”; “Vista de uma outra ponte em construção de alvenaria, vendo-se um grande aterro da estrada de rodagem”; “Outro aspecto dos trabalhos da estrada de rodagem, desbancando a terra para aterrar”. Fonte: ÁLBUM DA BAHIA, [S.l.]: Edição Folgueira, 1930, p. 421.


Percebemos a presença do Intendente Alexandre Alves Peixoto, na fiscalização da construção da estrada. Afinal, foi o responsável por tal empreitada e era o maior interessado em que tudo terminasse bem. Provavelmente, sabia a credibilidade que isso daria à sua administração.



Conforme indica o título no topo da página do material em que foi obtida a foto: Município de Maragogipe: outros aspectos apanhados dos trabalhos da estrada de rodagem da cidade de Maragogipe a São Felipe, em construção na profícua administração do Coronel Alexandre Alves Peixoto, laborioso Prefeito Municipal. Lê-se nas legendas, por linha: “Vista de um trecho da Estrada de Rodagem, vendo-se, ao centro, o Coronel Alexandre Alves Peixoto, inspeccionando a obra, ladeado pelo engenheiro constructor e pelo secretário da Prefeitura”; Outro trecho da estrada de rodagem, vendo-se o Coronel Alexandre Alves Peixoto, Prefeito Municipal, em serviço de inspecção”. Fonte: ÁLBUM DA BAHIA, [S.l.]: Edição Folgueira, 1930, p.420.


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A melhoria do sistema de comunicação fez as notícias circularem mais rápido, rompendo o isolamento e a apatia em que viviam as cidades. E em Maragogipe, podemos considerar que o maior responsável por isso foi o intendente Alexandre Alves Peixoto.

Sobre o intendente Alexandre Alves Peixoto, sabemos que foi considerado por muitos como um grande empreendedor, iniciando trabalhos de abertura de estradas enfim, facilitou o acesso, tanto de mercadorias, quanto de pessoas, o que provocou uma outra dinâmica na cidade de Maragogipe, já que, até então, esses contatos só se davam via marítima. Devido a esse feito, ficou bastante respeitado na localidade, inclusive teve o seu nome intitulado em um mercado público municipal, imortalizando aí a sua imagem na cidade.


Conforme indica a página do material em que foi obtida a foto, trata-se: Município de Maragogipe e seu Governo Municipal. Lê-se na legenda:Coronel Alexandre Alves Peixoto, honrado Prefeito Municipal de Maragogipe, o restaurador das finanças minicipaes. Prestigioso chefe político do mesmo município e director das obras da estrada de rodagem de Maragogipe a São Felipe”. Fonte: ÁLBUM DA BAHIA, [S.l.]: Edição Folgueira, 1930, p. 418.



Essa fotografia complementa o que a citação acima já nos demonstra. Fica bem evidente a postura do intendente de Maragogipe: um homem altivo, perspicaz, audacioso e muito imponente. Residia em Maragogipe, numa casa que se localiza no centro da cidade, bem próximo à Câmara de vereadores. A quantidade de portas e janelas, nos deu a impressão de que era de fato a casa de um homem público, e que transmitia a idéia de acesso, disponibilidade, talvez. Como podemos ver na fotografia que segue:

Residência do coronel Alexandre Alves Peixoto,

abastado negociante e capitalista na cidade de Maragogipe.
Fonte: ÁLBUM DA BAHIA, [S.l.]: Edição Folgueira, 1930, p. 418.


Por: Fernanda Reis (leia texto completo em sua dissertação de mestrado clicando no título “A FESTA DO EXCELSO PADROEIRO DA CIDADE DAS PALMEIRAS”: O CULTO A SÃO BARTOLOMEU EM MARAGOGIPE (1851-1943) )

Histórico do Forte de Santa Cruz do Paraguaçu, em Maragogipe

Foto: Zevaldo Sousa
O Forte de Santa Cruz do Paraguaçu localiza-se na margem direita da foz do rio Paraguaçu, na altura da atual cidade de Maragojipe, no estado da Bahia, dominando o acesso ao Recôncavo baiano.

Antecedentes
Foto: Zevaldo Sousa
Um documento datado de 1659 dá conta da existência de três fortes na região, o mais importante dos quais o Forte Real de Paraguaçu (SOUZA, 1983:105). Também conhecido como Forte de Santa Cruz do Paraguaçu, Forte da Barra do Paraguaçu ou Fortinho do Paraguaçu, não existe consenso entre os estudiosos quanto aos seus construtores. A sua forma atual data provávelmente do início do século XVIII, erguido sobre uma estrutura anterior, remontando à primeira metade do século XVII.

No contexto da segunda das Invasões holandesas do Brasil (1630-1654), em conjunto com o Fortim da Forca na margem oposta do rio, com quem cruzava fogos, tinha a função de impedir o acesso de invasores ao sertão do Iguape e seus engenhos de açúcar, e às vilas de Maragojipe e Cachoeira. Fortificação tipicamente de marinha, era flanqueado por água em três dos seus seis lados, levantada em alvenaria de pedra com guaritas de tijolos nos vértices. 

O século XVIII
Foto: Zevaldo Sousa
Um levantamento efetuado pelo Engenheiro José Antônio Caldas, informa que, em 1759, o forte possuía sete peças de artilharia desmontadas, e os seus quartéis em ruínas (SOUZA, 1983:105). O mesmo profissional nos legou iconográfia da estrutura (Planta e fachada do forte de Sta. Cruz do Paraguasû. in: Cartas topográficas contem as plantas e prospectos das fortalezas que defendem a cidade da Bahia de Todos os Santos e seu reconcavo por mar e terra, c. 1764. Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa), que apresenta planta no formato de um polígono hexagonal irregular, com cinco ângulos salientes e um reentrante e parapeitos à barbeta. Sobre o terrapleno, pelo lado da entrada, edificação de um pavimento abrigava as dependências de serviço (Casa de Comando, Quartel da Tropa, Casa de Palamenta, e outras). Estava guarnecido por um Capitão (BARRETTO, 1958:182), acredita-se que neste período.

Foi restaurado em 1762 pelo governo da Capitania da Bahia, provavelmente por João de Abreu de Carvalho Contreiras. Após nova inspeção, em 1772, pelo mesmo Engenheiro José Antônio Caldas, procedeu-se à restauração da Casa do Comando, do Quartel da Tropa e da Casa da Pólvora.

O século XIX
Foto: Zevaldo Sousa
No contexto da Guerra Peninsular, diante da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, com receio de uma possível retaliação francesa, procederam-se trabalhos de limpeza nas instalações do forte (1809).

A partir de 1816 foi considerado sem importância militar, tendo sido desativado e entrando em processo de ruína (SOUZA, 1983:105). Foi percebido em 1859 pelo Imperador D. Pedro II (1840-1889), que registrou em seu diário de viagem:
"4 de Novembro - (...) 2 e 40' - Na margem esquerda [do rio Paraguaçu] vê-se a antiga bica d'água, onde os navios da Bahia vinham fazer aguada. Na margem direita um pouco adiante estão sobre uma ponta de terra as ruínas do fortim chamado de Paraguaçu.
2 3/4 - Na margem esquerda o sítio do Alemão (...)" (PEDRO II, 2003:191) Estando omitidos os dias de 7 a 19 de novembro no Diário do Imperador, existe uma outra referência a esta estrutura na "Narração dos preparativos, festejos e felicitações que tiveram lugar na província da Bahia", publicada por Epiphanio Pessoa ainda em 1859, relativos a essa Viagem:"(...) Às 9 1/2 [do dia 10 de novembro de 1859] passou a esquadrilha pelo 'Fortim', pequeno reduto hoje em abandono, situado à margem direita do rio, e célebre por ter impedido nas lutas da Independência que fosse retomado pelos portugueses um navio de que os cachoeiranos se haviam apoderado." (PEDRO II, 2003:304)
SOUZA (1885) atribui-lhe planta pentagonal, artilhado com sete peças, e em estado de ruína à época (1885) (op. cit., p. 98).

O século XX
Foto: Zevaldo Sousa
Bem imóvel de propriedade da União, as suas ruínas encontram-se tombadas desde 1938 pelo então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Em 1959 foi elaborado um projeto para estabilização e restauração do monumento, porém não chegou a ser implementado. Atualmente restam os vestígios dos muros de pedra do terrapleno e de uma guarita de forma circular, recoberta com cúpula, e um velho canhão (SOUZA, 1983:105).

Existiu um outro forte, à época, na região, com o nome de Forte do Paraguaçu.

Bibliografia:
BARRETO, Aníbal (Cel.). Fortificações no Brasil (Resumo Histórico). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1958. 368 p.
FALCÃO, Edgard de Cerqueira. Relíquias da Bahia (Brasil). São Paulo: Of. Gráficas Romili e Lanzara, 1940. 508 p. il. p/b
GARRIDO, Carlos Miguez. Fortificações do Brasil. Separata do Vol. III dos Subsídios para a História Marítima do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Naval, 1940.
OLIVEIRA, Mário Mendonça de. As Fortificações Portuguesas de Salvador quando Cabeça do Brasil. Salvador: Omar G., 2004. 264 p. il.
PEDRO II, Imperador do Brasil. Viagens pelo Brasil: Bahia, Sergipe, Alagoas, 1859-1860 (2ª ed.). Rio de Janeiro: Bom Texto; Letras e Expressões, 2003. 340 p. il.
ROHAN, Henrique de Beaurepaire. Relatorio do Estado das Fortalezas da Bahia, pelo Coronel de Engenheiros Henrique de Beaurepaire Rohan, ao Presidente da Província da Bahia, Cons. Antonio Coelho de Sá e Albuquerque, em 3 de Agosto de 1863. RIGHB. Bahia: Vol. III, nr. 7, mar/1896. p. 51-63.
SOUSA, Augusto Fausto de. Fortificações no Brazil. RIHGB. Rio de Janeiro: Tomo XLVIII, Parte II, 1885. p. 5-140.

Texto retirado: Wikipédia

domingo, 14 de agosto de 2011

LIVRO: Boa Morte - Das memórias de filhinha às Litogravuras de Maragogipe, por Sebastião Heber Vieira Costa


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Em seu Livro BOA MORTE - Das memórias de filhinhas às Litogravuras de Maragogipe, Sebastião Heber Vieira Costa explica como se deu uma das Festas mais populares da Bahia, no município de Maragogipe. Leia um texto-resumo que fiz baseado nos escritos de Sebastião Costa.

Na Terra de São Bartolomeu e da Boa Morte, na Igreja da Matriz de São Bartolomeu de Maragogipe há um altar com a imagem dessa devoção, isto é Maria está deitada num esquife mortuário.

A Irmandade da Boa Morte se constituíu de mulheres negras, escravas alforriadas, o que fez com que, pouco a pouco, as Filhas de Maria ocupassem esses lugares na Irmandade.

E a posse de determinados objetos em mãos de descendentes das antigas integrantes da Boa Morte, confirmam a antiga presença daquela irmandade em Maragogipe. Por outro lado, o “achamento” dessas duas gravuras do século XIX, confirma a existência pregressa da Irmandade no local.

O Pe. Sadoc foi o primeiro a falar com Sebastião Costa sobre importância histórica de Maragogipe, da bela e grandiosa igreja que tem como patrono São Bartolomeu, pois a cada 24 de agosto ele é convidado para pregar no dia daquele santo.

A convite do Pe. Mateus de Lima Leal, vigário paroquial, Sebastião Costa foi chamado para passar o carnaval deste ano. "Fui com minha mãe e ficamos hospedados na casa paroquial que é uma construção de
1875. E fiquei encantado com a cidade. Lá tudo cheira à história." diz Sebastião Costa.

A paróquia indicou o estudante de pedagogia, Sócrates Fernandes de Araújo, que é restaurador de imagens antigas e que conhece bem os meandros da história da cidade. A igreja matriz foi construída de 1630 a 1753. Aliás, o nome do patrono foi dado em homenagem ao proprietário da sesmaria, Bartolomeu Gato. A
cidade foi elevada à categoria de Vila em 16/06/1724 e recebeu o título de Patriótica Cidade em 08/03/1860. A Santa Casa de Misericórdia é de 1850. 

A cidade foi sede de muitas Irmandades e há algumas que estão ainda em pleno funcionamento. A Irmandade do Santíssimo Sacramento foi fundada em 31/01/1700 e ainda está atuante. A Irmandade de Nossa Senhora da Conceição é de 1704. A de S. Bartolomeu é de 1851. A das Santas Almas Benditas é de 1667 (esses dados estão no Arquivo Público da Cidade). 

A cidade é ainda enriquecida por duas Filarmônicas: há a Terpsícore Popular, fundada em 13/08/1880 – na mitologia grega, Terpsícore é a musa da poesia lírica, da dança e dos coros, e ela toca a lira para animar a alma. Também há a antiga Filarmônica Menimosina – na mitologia grega é a deusa da memória – e teve como fundador o professor Teodoro Borges da Silva.

Também o estudante-pesquisador, Sócrates, apresentou um quadro, uma litogravura, que precisava ser restaurado, com uma estampa referente a Nossa Senhora da Boa Morte, com os dizeres: ”Nossa Senhora da Boa Morte que se venera na cidade de Maragogipe - 1879”, e que pertence a Conceição Maria Cardoso. Há ainda uma outra gravura que pertence a Luis Cláudio Nunes Laranjeiras, que herdou do avô, Manuel Lucas Laranjeiras, conhecido como Bibi. Ambas foram restauradas e estão sendo apresentadas nesse trabalho.



O autor descreve que "Ambas as gravuras foram restauradas pela Oficina AM Restauro, a cargo da Drª Ana Maria Villar e Natalie Roth, auxiliadas por Igor Souza e Larissa Barros. A primeira gravura foi feita pela técnica da litogravura e tem como autor Jourian e é datada de 1879. Na base do trabalho há uma inscrição: Lith a vapor (que também poderia ser: a vaper ou, a vapir – refere-se isso à técnica?) de Jourian. Também se vê dois números: 238 e 316. Como hipótese, pode-se perguntar se eles se referem à quantidade de litogravuras que foram feitas. A segunda tem na parte inferior um titulo em italiano: Sepolcro di Maria e a técnica é a de reprodução serigráfica sobre papel, não tem data, mas contém um número (5005), que, certamente indica a quantidade de cópias reproduzidas. A restauração foi feita por Natalie Roth e auxiliada por Igor Souza." Sebastião Costa

O professor Sócrates, jovem pesquisador deu informações preciosas sobre o desaparecimento dessa devoção naquela cidade. O Pe. Manoel de Oliveira Lopes, que se tornou Bispo, em 1887 fundou a Pia União das Filhas de Maria. Este foi substituído pelo Cônego Adolfo José da Costa Cerqueira, falecido em 11/04/1929. Ele era um homem que tinha fama de santidade, usava cilício e todos os seus irmãos e irmãs se tornaram padres e freiras.

Mas ele repudiava o candomblé. O contexto histórico da Igreja Católica, na época, era o do Ultramontanismo, movimento da segunda metade do século XIX que refletia a tendência centralizadora do Catolicismo, com tendência a controlar com mão forte, sob a égide dela (Papa, Bispos e Padres/Vigários) todos os movimentos. As Irmandades sempre representaram uma tendência leiga, de independência e sempre houve conflitos entre “os administradores oficiais do sagrado” (HOONAERT, 2001,p.39) com elas.

DO BLOG: Espero ter contribuído para que você leia esse livro maravilhoso sobre a História da Boa Morte no Recôncavo Baiano, em especial, em Maragogipe.

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Feira do Caijá, uma feira de saveiros e de tudo que você imaginar


Uma fileira de 20 saveiros de vários calados, aguardavam a maré cheia para levantarem suas velas em direção a salvador, enquanto os mestres orientavam os estivadores no embarque de farinha, frutas, cerâmica, legumes, a produção do recôncavo baiano.

Esta feira que era antigamente dia de sexta-feira e passou para dia de quinta-feira nas suas primeiras horas em todas as semanas e o prédio do mercado municipal Alexandre Alves Peixoto, uma construção de 1959, ficava cheia de gente, mercadores de todos os tipos, velhos lobos do mar e biscateiros de toda parte. Era a Feira do Cajá, em Maragogipe, Bahia.


Um dos pontos que abasteciam os saveiros que levavam o de comer e beber do Recôncavo para a Feira de São Joaquim, em Salvador, por volta de uma hora da tarde os saveiristas já começavam a pensar em partir. Se o vento estivesse bom, ás 10 horas da noite estariam em Salvador. Se o tempo estivesse bom, sem ameaças de temporal, você poderia voltar a Salvador de saveiro, vindo de Maragogipe. Bastava uma permissão da capitania dos portos, em Maragogipe, agência orientadora e protetora dos direitos do povo do mar.

Desta forma você poderia viajar sobre a carga de saveiros como o vendaval, do mestre Nute e Daniel, ou o paraíso com cacau e frutos dourando o sol. Podia velejar ouvindo o barulho das ondas da baía de todos os santos, ou desfrutarem dos cantos de passarinhos nas gaiolas levava o saveiro tudo com deus. Carroças puxadas por bois e ao fundo os mastros do filho do sol e do capricho do destino. Pescadores arrastando a rede no braço do Paraguaçu e macaxeiras (aipim, mandioca) embarcando no Camacan e no Navegante Feliz. Milho verde para o Bom Jesus, quiabos e maxixe para o quero ver. Alto falantes com repertório rural, o rio novo, tupy no cais. Assim era a feira do cajá. Uma feira de saveiros e de tudo que você imaginar.

Viver bahia/. Publicado em 21 /12/1975