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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Prefeitos de Maragogipe, do final do Império à Atualidade

Durante os períodos de Colônia e Império, aos presidentes da Câmaras de Vereadores atribuíam se-lhes as disposições executivas. O plenário votava a matéria e o presidente executava a proposição aprovada. Dos presidentes da Câmara de Vereadores de Maragogipe, os que exerceram por mais vezes o cargo, foram o Pe. Inácio Aniceto de Sousa e Antônio Filipe de Melo. O primeiro, no meado do século XIX, eleito deputado à Assembléia Provincial, renunciou ao mandato, porque optou pelo de Vereador à Câmara de Maragogipe, e se elegeu presidente desta.

Como Presidentes do Conselho Municipal
  1. Manuel Pereira Guedes      (1871 - 1874)
  2. Artur Rodrigues Seixas      (1875 - 1878)
  3. Antonio Filipe de Melo      (1879 - 1882)
  4. Dr. João Câncio de Alcântara (1883 - 1886)
  5. Silvano da Costa Pestana   (1887-1890)
Com a República, cindiu-se o poder, adotando a corporação o nome de Conselho, e o executivo o de Intendente. Com este nome, em Maragogipe, ocuparam o poder executivo, em ordem cronológica:

Com Intendentes
  1. Engenheiro Flaviano Amado de Sousa (1891 -1894)
  2. Dr. Pompílio Borges (1895 - 1898)
  3. Luís Próspero Ratton  (1899 - 1902)
  4. Dr. Joaquim Gonzalves (1903 - 1906)
  5. Manuel Pereira Rebouças (1907 - 1910)
  6. João Primo Guerreiro (1911-1914)
  7. Engenheiro Júlio dos Santos Sá (1915 - 1918)
  8. Manoel Astrogildo Bandeira (15 dias)
  9. Elpídio da Paz Guerreiro (1920)
  10. Alexandre Alves Peixoto (1920 - 1921)
  11. Porfírio Sicopira Filho (Por força de habeas-corpus 4 meses)
  12. Alexandre Alves Peixoto (1921 - 1926)
  13. Getúlio de Góis Tourinho (1926)
  14. Alexandre Alves Peixoto (1927 - 1930)

Por motivo de licença ou vaga de titulares, na qualidade de presidente do Legislativo, passaram por alguns meses pelo Executivo:
  • Artur Rodrigues Seixas
  • João Câncio de Alcântara
  • Silvano Pestana
A partir de 1930, com as modificações introduzidas pela Revolução Liberal, voltou o legislativo ao antigo nome, Câmara de Vereadores, e o Intendente a chamar-se Prefeito, contudo muitos foram nomeados, chamando-se de Interventores.

Como Interventores
  1. Anísio Malaquias (1930-1935)
  2. Oscar de Araújo Guerreiro (1936 - 1943)
  3. Dr. Abilio Alves Peixoto (1943 - 1946)
  4. Dr. Perminio Alves Maia Amorim (poucos meses)
  5. Dr. Alberto da Cunha Veloso (idem)
  6. Dr. Abilio ALves Peixoto (idem)
  7. Bartolomeu de Brito Sousa (11 meses)
  8. Ermezindo Mendes (poucos meses)
Como Prefeitos eleitos
  1. Juarez Bartolomeu Guerreiro (1947 - 1950)
  2. Ariston Pimentel Vieira (1951 - 1954)
  3. Juarez Bartolomeu Guerreiro (1955 - 1958)
  4. Plínio Pereira Guedes (1959 - 1962)
  5. Isaac Guedes Armede (1963 - 1966)
  6. Plínio Pereira Guedes (1967 - 1970)
  7. Cid Seixas Fraga (1971- 1972)
  8. Francisco Guedes Vieira (1973 - 1976)
  9. Antomeu Brito Souza (1977 -1982)
  10. Bartolomeu de Ataíde Teixeira (1983 - 1988)
  11. Plínio Pereira Guedes (1989 - 1990)
  12. Domingos de Mello e Albuquerque (1991 - 1992)
  13. Rubens Guerra Armede (1993 - 1996)
  14. Bartolomeu de Ataíde Teixeira (1997 - 2000)
  15. Raimundo Gabriel de Oliveira (2001 - 2003) Afastado
  16. Carlos Hermano (2003 - 2004)
  17. Silvio José Santana Santos (2005 - 2008)
  18. Silvio José Santana Santos (2009 - 2012)
  19. Vera Lucia Maria dos Santos (2013 - ....)
Nomeado Prefeito, no ínicio de 1920, Manuel Astrogildo Bandeira, após 15 dias de mandato, solicitou a sua demissão, por dissidência com o chefe político local. E Porfírio Sicopira Filho, por força de "habeas corpus", em 1921, permaneceu no cargo quatro meses, em competição com Alexandre Alves Peixoto, vencendo este afinal.
  
De 10 de agosto à 18 de agosto de 2011, por motivos de afastamento do prefeito Silvio José Santana Santos, seu vice-prefeito Romario Costa da Silva assumiu o mandato.

Osvaldo Sá, in: Histórias Menores, Vol. 3, p. 162-3; Salvador-BA; 1983
Fernando Sá, in: Coleção Cultura de Maragojipe, 2001

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Um pouco do Coronelismo em Maragogipe

Por: Zevaldo Sousa

Eul Soo Pang fala em seu texto “Coronelismo: Um Enfoque Oligárquico da Política Brasileira”, que o coronelismo vai desde a queda do Império até 1930 com a revolução de Vargas. Em Maragogipe, entre Políticos e Coronéis, encontramos uma população que ficou dividida no novo paradigma da economia maragogipana, ou ia para a cidade tentar a sorte nas grandes fábricas de charuto da Suerdieck e da Dannemann que estavam aparecendo naquele momento ou continuavam trabalhando na zona rural mantendo antigas relações de escravidão. 

O presidente Campos Salles fundou um sistema de troca de favores que, partindo do executivo federal, espalhou-se pelo pais inteiro. Essa política, de certa forma, é conhecida de "Política dos Governadores", implementada em 1902, lembra, na sua simplicidade, o toma lá, dá cá. O presidente da república exigia que os governadores lhes enviassem bancadas concordes com a sua política. Em troca, ele sustentava as propostas regionais dos governadores. Estes por sua volta articulavam-se com os coronéis do seu estado, fazendo com que também eles mandassem para a assembléia legislativa na capital do estado, deputados acertados com os interesses políticos do governador.

É importante ressaltar que a população maragogipana, desde o período imperial é tipicamente rural, fruto de antigos sistemas econômicos que colocavam Maragogipe como região produtora de produtos de primeira necessidade, tendo sua produção voltada para localidades com economia de exportação e/ou a capital baiana.

As novidades acarretadas pelo crescimento econômico e a vontade de libertação do antigo sistema, faz com que grande parte da população, principalmente negra, volte-se para a cidade e mude as relações existentes no sistema, marcando com isso, a vida na cidade maragogipana.

Um novo integrante, com forte poderio econômico, entrou em cena, os alemães. Sendo assim, Políticos e Coronéis já existentes usaram o seu poder político e o pouco poder econômico e social que tinham para controlar parte da produção do fumo, como também, parte da população. Assim como “usariam” a Política dos Governadores com objetivo de garantir a sua manutenção no poder com a troca de votos. Vale ressaltar que não existia eleições municipais, os Intendentes eram nomeados pelo governador, após indicação dos coronéis e políticos que faziam aliança com o governador vencedor, os derrotados eram “degolados” do sistema.

O Engenheiro Flaviano Amado de Souza (1891-1894) foi o primeiro intendente do município na República e era um dos grandes coronéis do Município, herdeiro do Padre Aniceto (religioso, político e dono de grandes áreas de cultivo, muito influente nos assuntos do Estado no período imperial, inclusive, pelo sua característica de manda-chuva), Flaviano herdou suas terras e um pouco do seu jeito político de agir.

Os anos da República Velha serão marcados por mudanças na estrutura física da cidade, é nesse momento que duas cidades estarão englobadas em uma. Uma feita com tijolos e outra de taipa, fruto do processo de êxodo rural instaurado no período. Apesar de certa perda na dominação econômica do município, os coronéis entenderam que necessitavam mudar seus interesses com objetivo de manter-se no poder.

O último dos intendentes foi Getúlio de Góis Tourinho (1930) e coincidências a parte, o fato é que, o seu famoso xará, Getúlio Vargas tomará o poder em trinta e a partir daí, uma nova fase é instaurada no Brasil e em Maragogipe. O cargo de intendente é abolido e no seu lugar é instaurado o cargo de Interventor, sendo o primeiro Anísio Malaquias (1930-1935). Vale ressaltar que o interventor também é nomeado através de indicação, ocorrendo uma eleição municipal, em que poucos eram os participantes e sua maioria era composta por integrantes do PSD, partido juracisista que apoia o Governo Vargas na Bahia e quem faz a indicação dos interventores.

Vale ressaltar, que apesar de Anísio Malaquias ser considerado um coronel, assim como seus sucessores, não se pode usar o conceito de “Coronelismo”, pois o interesse agora é partidário.