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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Livro 'Suerdieck, Epopeia do Gigante' reconstituiu a história de um império charuteiro


No livro ‘Suerdieck, Epopeia do Gigante’, Ubaldo Marques Porto Filho reconstituiu a história de um império charuteiro, que chegou a ter 16 empresas, sendo quatro na Europa. Com três fábricas de charutos no Recôncavo Baiano (Maragogipe, Cruz das Almas e Cachoeira), foi a maior produtora de charutos brasileiros em todos os tempos e teve um período que manteve a liderança na produção mundial de charutos totalmente artesanais.

A epopeia da Suerdieck começou em 1892, como exportadora de fumos sediada em Cruz das Almas, onde também findou as atividades, em dezembro de 1999. A saga durou 107 anos, sendo 94 dedicados aos charutos que ficaram conhecidos nos quatro cantos do mundo.

Para reconstituir a longa trajetória, Ubaldo pesquisou centenas de documentos e entrevistou dezenas de pessoas que participaram da etapa final do antigo império. Ele próprio foi testemunha dessa fase, pois trabalhou na Suerdieck de 1965 até 1969.

O livro, com 400 páginas no formato grande (18,5x25,5), contém 446 lustrações, segredos na fabricação dos charutos e a relação das 464 marcas, sendo que chegou a ter 300 na linha de produção simultânea.

Não há, na história dos charutos brasileiros, nenhum livro com a riqueza de informações que ‘Suerdieck, Epopeia do Gigante’ oferece aos pesquisadores e leitores em geral.

Para acessar o livro em PDF basta entrar no site do autor: Ubaldo Marques Porto Filho

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Prefeitos de Maragogipe, do final do Império à Atualidade

Durante os períodos de Colônia e Império, aos presidentes da Câmaras de Vereadores atribuíam se-lhes as disposições executivas. O plenário votava a matéria e o presidente executava a proposição aprovada. Dos presidentes da Câmara de Vereadores de Maragogipe, os que exerceram por mais vezes o cargo, foram o Pe. Inácio Aniceto de Sousa e Antônio Filipe de Melo. O primeiro, no meado do século XIX, eleito deputado à Assembléia Provincial, renunciou ao mandato, porque optou pelo de Vereador à Câmara de Maragogipe, e se elegeu presidente desta.

Como Presidentes do Conselho Municipal
  1. Manuel Pereira Guedes      (1871 - 1874)
  2. Artur Rodrigues Seixas      (1875 - 1878)
  3. Antonio Filipe de Melo      (1879 - 1882)
  4. Dr. João Câncio de Alcântara (1883 - 1886)
  5. Silvano da Costa Pestana   (1887-1890)
Com a República, cindiu-se o poder, adotando a corporação o nome de Conselho, e o executivo o de Intendente. Com este nome, em Maragogipe, ocuparam o poder executivo, em ordem cronológica:

Com Intendentes
  1. Engenheiro Flaviano Amado de Sousa (1891 -1894)
  2. Dr. Pompílio Borges (1895 - 1898)
  3. Luís Próspero Ratton  (1899 - 1902)
  4. Dr. Joaquim Gonzalves (1903 - 1906)
  5. Manuel Pereira Rebouças (1907 - 1910)
  6. João Primo Guerreiro (1911-1914)
  7. Engenheiro Júlio dos Santos Sá (1915 - 1918)
  8. Manoel Astrogildo Bandeira (15 dias)
  9. Elpídio da Paz Guerreiro (1920)
  10. Alexandre Alves Peixoto (1920 - 1921)
  11. Porfírio Sicopira Filho (Por força de habeas-corpus 4 meses)
  12. Alexandre Alves Peixoto (1921 - 1926)
  13. Getúlio de Góis Tourinho (1926)
  14. Alexandre Alves Peixoto (1927 - 1930)

Por motivo de licença ou vaga de titulares, na qualidade de presidente do Legislativo, passaram por alguns meses pelo Executivo:
  • Artur Rodrigues Seixas
  • João Câncio de Alcântara
  • Silvano Pestana
A partir de 1930, com as modificações introduzidas pela Revolução Liberal, voltou o legislativo ao antigo nome, Câmara de Vereadores, e o Intendente a chamar-se Prefeito, contudo muitos foram nomeados, chamando-se de Interventores.

Como Interventores
  1. Anísio Malaquias (1930-1935)
  2. Oscar de Araújo Guerreiro (1936 - 1943)
  3. Dr. Abilio Alves Peixoto (1943 - 1946)
  4. Dr. Perminio Alves Maia Amorim (poucos meses)
  5. Dr. Alberto da Cunha Veloso (idem)
  6. Dr. Abilio ALves Peixoto (idem)
  7. Bartolomeu de Brito Sousa (11 meses)
  8. Ermezindo Mendes (poucos meses)
Como Prefeitos eleitos
  1. Juarez Bartolomeu Guerreiro (1947 - 1950)
  2. Ariston Pimentel Vieira (1951 - 1954)
  3. Juarez Bartolomeu Guerreiro (1955 - 1958)
  4. Plínio Pereira Guedes (1959 - 1962)
  5. Isaac Guedes Armede (1963 - 1966)
  6. Plínio Pereira Guedes (1967 - 1970)
  7. Cid Seixas Fraga (1971- 1972)
  8. Francisco Guedes Vieira (1973 - 1976)
  9. Antomeu Brito Souza (1977 -1982)
  10. Bartolomeu de Ataíde Teixeira (1983 - 1988)
  11. Plínio Pereira Guedes (1989 - 1990)
  12. Domingos de Mello e Albuquerque (1991 - 1992)
  13. Rubens Guerra Armede (1993 - 1996)
  14. Bartolomeu de Ataíde Teixeira (1997 - 2000)
  15. Raimundo Gabriel de Oliveira (2001 - 2003) Afastado
  16. Carlos Hermano (2003 - 2004)
  17. Silvio José Santana Santos (2005 - 2008)
  18. Silvio José Santana Santos (2009 - 2012)
  19. Vera Lucia Maria dos Santos (2013 - ....)
Nomeado Prefeito, no ínicio de 1920, Manuel Astrogildo Bandeira, após 15 dias de mandato, solicitou a sua demissão, por dissidência com o chefe político local. E Porfírio Sicopira Filho, por força de "habeas corpus", em 1921, permaneceu no cargo quatro meses, em competição com Alexandre Alves Peixoto, vencendo este afinal.
  
De 10 de agosto à 18 de agosto de 2011, por motivos de afastamento do prefeito Silvio José Santana Santos, seu vice-prefeito Romario Costa da Silva assumiu o mandato.

Osvaldo Sá, in: Histórias Menores, Vol. 3, p. 162-3; Salvador-BA; 1983
Fernando Sá, in: Coleção Cultura de Maragojipe, 2001

domingo, 31 de julho de 2011

Cronologia do Conflito no Quilombo de São Francisco do Paraguaçu


Breve histórico da Região

1660 – Início da construção do Convento de Santo Antônio, do qual remonta a origem da comunidade de São Francisco do Paraguaçu, marcando o desenvolvimento do vilarejo. O Início da sua construção foi em 1660 e concluída em 1686, com muito trabalho árduo de escravos africanos;

A ocupação do Lagamar do Iguape começa desde o século XVI com os engenhos fundados em frente a ilha dos franceses por Antônio Penedo;

Durante a construção do Convento do Paraguaçu, muitos negros fugiram do trabalho árduo e procuraram um lugar de mata fechada para se refugiar, onde formaram o quilombo Boqueirão. A partir da fuga, esses escravos constituíram o quilombo do Boqueirão ocupando a região do Boqueirão, Alamão e do Caibongo Velho, locais escolhidos devido à facilidade de água. Lá se plantava batata, feijão, mandioca:
“Nós não tinha voz, botaram os escravos para fazer perversidade que nem animal agüentava. Muitas pessoas passaram, muitas se arrumaram no meio do mato, se esconderam para não morrer”. Altino da Cruz
“Os pobres dos negros para não morrer se disgramavam nas matas, mata bem fechada. Quando era a boquinha da noite, vinha as escondidas para o mangue para se fazer valer dos carangueijinhos, fazia todo esforço para pegar e não morrer de fome”. Dona Maria
As comunidades negras rurais do Vale do Iguape se formaram nas proximidades dos outros engenhos, estabelecendo uma organização social que resistiu ao longo do tempo, mantendo elementos da afrodescendência, tais como: religião, músicas, hábitos alimentares;

Com o advento da Lei de Terras (1850) a comunidade saiu do Alamão e do Boqueirão, pois os proprietários começaram impedir a formação das roças. Neste período os quilombolas eram impedidos de construir casas com telha, pois a cobertura caracterizava moradia permanente. Os proprietários cercavam a área e iniciaram atividade de criatório, obrigando as famílias a descerem para a vila;

1890 - o povoado de São Francisco do Paraguaçu contava com 3.000 habitantes e já possuía uma escola. No Alamão existiam 120 casas e uma capela de 1874, os comunitários já fabricavam redes de pescaria. Quando a comunidade voltou para a vila, o Alamão continuou a ser utilizado apenas como área de atividade extrativista.

Dezembro de 2000 - A área do Quilombo de São Francisco do Paraguaçu é decretada Reserva Extrativista renhecendo a existência de um população tradicional extrativista na localidade.

Onde se inicia o conflito?

17 de junho de 2005 – Emissão de Certidão pela Fundação Cultural Palmares, reconhecendo o Quilombo de São Francisco do Paraguaçu.

19 de setembro de 2005 – Fundação da Associação dos Remanescentes do Quilombo São Francisco do Paraguaçu- Boqueirão

Fevereiro de 2006 - ajuizada a 1ª Ação de Reintegração de Posse contra a Comunidade de São Francisco do Paraguaçu em Cachoeira por Francisco Salgado Santana

Março de 2006 – A Justiça Estadual indefere o pedido liminar da primeira reintegração de posse contra o quilombo. Esta decisão é depois confirmada pela Justiça Federal.

13 de Julho de 2006 – Ação de policiais militares fortemente armados que destruíram roças, barracos comunitários, espancaram e seqüestraram animais, promoveram chingamentos e ameaças à comunidade. Os policiais afirmavam estar cumprindo ordem judicial de reintegração de posse. O Juiz da Comarca de Cachoeira concedeu uma liminar de Reintegração de Posse para um dos fazendeiros locais, sem sequer ouvir a comunidade, negando-se a receber o Advogado da Comunidade.

14 de agosto de 2006 -Audiência pública de abertura do Procedimento de Demarcação e Titulação do Quilombo de São Francisco do Paraguaçu, acompanhada por ato públlico em defesa da comunidade com a presença de diversos movimentos sociais e entidades parceiras.

15 de Agosto de 2006 – Intervenção da Polícia Federal na Comunidade de São Francisco do Paraguaçu em razão das ameaças e violências cometidas pela atuação ilegal de policiais militares e “jagunços” armados contratados por fazendeiros.

22 de agosto de 2006 – Justiça Estadual declara-se incompetente e as ações de Reintegração de Posse são deslocadas para Justiça Federal.


31 de agosto de 2006 - A polícia militar em atuação ilegal comete violências, derrubada de casas e profere ameaças contra os quilombolas da Comunidade de São Francisco do Paraguaçu. Um adolescente de iniciais RGG foi abordado por um destes policiais enquanto pastoreava um animal, sendo ameaçado de morte (“com um tiro na cabeça”) além dos xingamentos. Foi exigido que o menor desaparecesse do território.

01 de Setembro de 2006 – Intensifica-se a atuação irregular de policiais militares com presença cotidiana na Comunidade de São Francisco do Paraguaçu ameaçando de prisão os quilombolas, criando clima de temor e insegurança na comunidade.

15 de setembro de 2006 - A 2° Ação de Reintegração de Posse contra o quilombo é ingressada na justiça federal por Angela Santana.

10 de outubro de 2006 – A Justiça Federal confirma o deferimento da 2° decisão Liminar que expulsa a Comunidade do território que tradicionalmente ocupa. Esta decisão impede o acesso da comunidade às áreas de mangue, necessárias para sua sobrevivência.

07 de fevereiro de 2007 – O Juiz convocado da 5a Turma do Tribunal Regional Federal da 1a região, César Augusto Bearsi, suspendeu os efeitos da decisão de 1a grau que garantiu o direito dos quilombolas em permanecer na posse do território que tradicionalmente ocupam, em Ação de Reintegração de Posse promovida pela fazendeira Ângela Santana contra a comunidade.

25 de fevereiro de 2007 - O juiz da 12ª Vara Federal de Salvador analisou e negou um pedido liminar de reintegração de posse feito pelos fazendeiros da região, que se esforçam para expulsar a comunidade de sua área. Importante vitória dos quilombolas.

28 de março de 2007 - Rita Santana ingressa com a 3ª Ação de Reintegração de Posse, visando expulsar a comunidade do território tradicionalmente ocupado.

14 de maio de 2007 - a Rede Globo de Televisão veicula no Jornal Nacional extensa reportagem forjada contra comunidade sob o título “ Suspeitas de fraude em área que vai ser reconhecida como quilombo” com informações inverídicas e tendenciosas.

17 de Julho de 2007 – Fundação Cultural Palmares instaura sindicância para apurar as denúncias falsas feitas pela Rede Globo de Televisão.

31 de julho de 2007 – É ingressada a 4ª Ação de Reintegração de Posse contra a Comunidade, por João Antônio Santana. O alvo da ação, com claros objetivos de perseguição política, é a Sede da Associação Quilombola.

22 de agosto de 2007 – É deferida a decisão liminar expulsando o quilombo de seu território no processo movido por Rita Santana ( 3ª ação de reintegração de posse contra a comunidade).

13 de setembro de 2007– A Associação de Amigos do Engenho –AAMEN – criada pelos fazendeiros, com seus prepostos, com objetivo de prejudicar o quilombo – ingressa com Ação Cautelar buscando suspendar o Procedimento de Demarcação e titulação com fundamento em argumentos falsos, inverídicos e de má-fé, dentre eles principalmente a reportagem forjada pela Rede Globo.

14 de setembro de 2007 – A Juiza Federal acolhe a Ação Cautelar e suspende o Procedimento de Demarcação e Títulação do Quilombo de São Francisco do Paraguaçu, com base na prova falsa juntada pelos fazendeiros.

24 de setembro de 2007 – A Fundação Cultural Palmares conclui em sua sindicância pela legitimidade da certificação do Quilombo de São Francisco do Paraguaçu.

05 de Outubro de 2007 – Manifestação do Quilombo de São Francisco do Paraguaçu contra a Rede Globo de Televisões em rezão da veiculação de reportagens fraudulentas e ofensivas contra a comunidade.

08 de outubro de 2007 – Apresentação do relatório da Sindicância da Fundação Cultural Palmares que conclui pela legitimidade da certificação da Comunidade de São Francisco do Paraguaçu enquanto Quilombo, reconhecendo as fraudes existentes na reportagem da Rede Globo. Novembro de 2007 – Início das construções em mutirão da Casa do Quilombo - Sede da Associação dos Remanescentes de Quilombo de São Francisco do Paraguaçu - Boqueirão

18 de dezembro de 2007 – Publicação do Relatório Técnico de Identificação e Demarcação elaborado pelo INCRA sobre o quilombo de São Francisco do Paraguaçu.

25 de fevereiro de 2008 – A Justiça Federal nega o deferimento da liminar na ação Possessória movida por João Antonio Santana e garante a permanência da sede da Associação dos Remanescentes de Quilombo de São Francisco do Paraguaçu – Boqueirão.
Novembro de 2008 – Movimento de pescadores, com participação do quilombo de São Francisco do Paraguaçu, ocupa a sede do INCRA e requer providências para regularização do território da Comunidade.

Dezembro de 2008 – Novo mandado de Reintegração de Posse é emitido contra a comunidade no processo de Rita Santana. A decisão permite que a autora destrua as roças e derrube as casas da comunidade que estejam inseridas em sua “propriedade”.

18 de dezembro de 2008 – Falece Sr. Altino da Cruz – liderança quilombola, após ser informado de que estava, novamente, ameaçado de expulsão da casa em que viveu por 60 anos.

22 de dezembro de 2008 – Um dos fazendeiros encaminha-se à comunidade em veiculo de cor escura e portando um arma, profere ameaças à membros da comunidade.

29 de dezembro de 2008 – Falece D. Maria das Dores, liderança quilombola, abatida e desgastada pelo processo de criminalização, D. Maria faleceu após ser intimada para depor na delegacia de Santo Amaro.



4 séculos de opressão e exploração seguem sem reparação!!!

sábado, 23 de julho de 2011

A história da Suerdieck, Epopéia do Gigante, por Ubaldo Marques Porto Filho

Discurso de Ubaldo Marques Porto Filho na Câmara - Maragojipe e a Suerdieck


A Suerdieck não parou mais de crescer. Foi então idealizado um novo prédio, edificado em 1920, pelo engenheiro Emílio Odebrecht, pioneiro das construções de cimento armado na Bahia. A interligação da fábrica nova com a antiga, separadas pela Rua das Flores, fez-se através de uma passarela de concreto, uma novidade em Maragojipe.

Mas essa novidade custou muito caro ao prefeito Elpídio da Paz Guerreiro, que sofreu uma campanha popular muito forte, por ter permitido a construção da “ponte da Suerdieck”, como o povo passou a chamar a passarela. É que o povo da zona rural acreditava numa crendice popular que assegurava dar azar a quem passasse por baixo de pontes. E durante muitos anos, os produtores que traziam produtos de suas roças, para vender na feira livre semanal, fizeram um longo rodeamento para evitar a “ponte da Suerdieck”.


Em 1928, a Vieira de Mello & Companhia, primeira fabricante de charutos em Maragojipe, foi arrendada à Suerdieck, que em 1942 comprou todas as instalações. Em 1949, ao comprar o acervo da Dannemann em Maragojipe, a Suerdieck passou a ser a única fabricante de charutos no município e emergiu como a maior produtora de charutos nacionais.

A Suerdieck tornou-se uma gigante, sendo a maior produtora mundial de charutos artesanais e Maragojipe a dona da maior fábrica de charutos do mundo. Na fase desse apogeu, Maragojipe muito se beneficiou do império charuteiro, por onde gravitava cerca de 80% da economia municipal. Somente na cidade de Maragojipe, a Suerdieck chegou a ter 2.052 empregados, fora a mão-de-obra temporária.

Como estava totalmente dependente da Suerdieck, a cidade sofreu muito quando adveio a grande crise de 1970, que quase provocou a falência da empresa. Maragojipe também entrou em período de grave crise socioeconômica. O ano de 1970, que marca o fim de um império charuteiro, registra igualmente o início do fim das riquezas geradas pela Suerdieck e o início de um processo que foi retirando de Maragojipe a condição de cidade símbolo dos charutos brasileiros, muito divulgada e conhecida no exterior, entre milhares e milhares de consumidores dos charutos Suerdieck espalhados por cinco continentes.

Mas todos os que aqui se encontram devem estar querendo saber quem sou eu, um não-maragojipano que vem à Câmara Municipal para falar da maior empresa que esta cidade teve em toda a sua história. Eu fui empregado da Suerdieck, onde trabalhei de agosto de 1965 até fevereiro de 1969, justamente no período final de um império formado por 16 empresas, que atuavam em todos os segmentos da escala produtiva: na cultura e beneficiamento do fumo, na confecção dos charutos, na produção das caixas de cedro e na distribuição dos charutos.


Das 16 empresas, quatro ficavam na Europa e uma, a Companhia Maragogipana de Eletricidade, foi a responsável pela chegada da energia elétrica, gerada na Usina de Bananeiras, até à fabrica de Maragojipe, um benefício que a Suerdieck logo estendeu para todas as casas comerciais e residenciais dessa cidade.

Fui admitido na Suerdieck aos 20 anos de idade, para trabalhar em seu escritório na sede de Salvador. Entrei como simples escriturário, e dentre as atribuições que me foram delegadas eu seria o responsável pelo balanço periódico de um depósito de charutos que ficava no subsolo do Edifício Suerdieck, a majestosa sede da empresa na Avenida Estados Unidos, no centro comercial e financeiro da capital baiana. Deram-me uma relação contendo o estoque do último balanço.

O diretor ao qual fiquei subordinado, senhor José Ruas Boureau, orientou-me dizendo: “Faça o balanço físico e devolva a lista assinada por você, atestando o que encontrou”. No depósito, na verdade uma enorme câmara frigorífica, cabiam milhares de caixas de charutos em tamanhos variados, de centenas de marcas. Após dois dias de contagem, a minha lista não bateu com a que havia recebido. A diferença era muito grande, indicativa de um desvio milionário. O senhor Boureau ficou atônito e não quis acreditar nos números encontrados por mim, com menos de trinta dias na empresa.

Fui obrigado a repetir o trabalho, desta vez acompanhado de um outro preposto da empresa. A nova contagem demonstrou que a primeira estava corretíssima. Levado o resultado ao conhecimento do presidente, senhor Geraldo Meyer Suerdieck, este determinou que a polícia fosse imediatamente acionada para descobrir o autor ou autores da fraude. As investigações chegaram a conclusão que os roubos de charutos vinham sendo praticados há cinco anos.

Agora, vejam vocês a potência que era a Suerdieck, pois o gigantismo dos números na produção dos charutos permitia manipulações sem que as fraudes fossem sentidas nos controles de produção das fábricas e saídas para as comercializações.

Com a descoberta e estancamento nos desvios, ganhei imediata projeção na empresa. Ganhei também um aumento no volume de serviços e virei controller estatístico, com a responsabilidade pela elaboração de uma estatística final, não apenas do depósito em Salvador, mas de toda a produção e vendas dos charutos, nos mercados nacional e internacional.

Enfim, fui transformado num empregado da confiança do alto escalão, passando a ter acesso direto ao Presidente. Passei inclusive a ter acesso aos dados confidenciais da empresa. Enfim, passei a conhecer as entranhas do gigante.

Passei inclusive a visitar com frequência as fábricas de charutos, para proceder os ajustes necessários aos novos controles determinados pelo Presidente, para possibilitar que ele tivesse balancetes de produção e vendas de charutos sem grande defasagens de tempo.

E dentro dessa nova missão na empresa, estive pela primeira vez em Maragojipe no final de 1965. Fiquei impressionado com o que vi. Era uma cidade dinâmica, rica e onde em cada esquina se respirava o ar da Suerdieck, o esteio da economia local.

Eu nunca havia pisado nessa cidade. Conhecia apenas a silueta de Maragojipe, vista à distância, de bordo dos navios da Bahiana, da linha Salvador-Cachoeira e vice-versa. Na minha adolescência, quando morei e estudei em Cachoeira, sempre viajava para passar os feriadões e as férias escolares de julho e do verão em Salvador, onde meu pai possuía uma casa, no bairro do Rio Vermelho.

O “Vapor de Cachoeira”, como era chamado pelo povo, fazia escalas nos portos de Maragojipe e São Roque, para desembarque e embarque de passageiros e cargas. Eram paradas rápidas e festivas, com o cais cheio de vendedores de peixe frito, milho assado, rolete de cana, frutas, doces, bolos e outras guloseimas. E nas paradas em Maragojipe eu não dispensava um sanduíche muito delicioso, de pão cacetinho com recheio de camarão cozido.

Tenho também a lembrança de que numa dessas viagens meu pai disse: “Temos um ancestral que nasceu em Maragojipe”. Tempos depois, consultando a árvore genealógica da nossa família, descobri que o ancestral maragojipano se chamava João Carlos Marques Porto. Nascido no dia 18 de julho de 1823, era filho do santamarense Manuel Marques de Souza Porto e da cachoeirana Maria Theodora das Virgens de Souza Porto, falecida em 12 de novembro de 1843, no Engenho Sinunga, de seu irmão, Manoel Maurício Coelho. Ela foi sepultada na Igreja Matriz de Maragojipe.

Depois de três anos e sete meses na Suerdieck, quando visitei Maragojipe diversas vezes, inclusive durante a Festa de São Bartolomeu, pedi demissão e fui cuidar dos estudos em tempo integral, na Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia.

Logo depois de formado, saiu o resultado do I Concurso Nacional de Turismo, certame promovido pela Embratur em 1970. Como obtive o primeiro lugar, senti-me no dever escrever um livro técnico, que denominei de “Turismo, Realidade Baiana e Nacional”. Para concluí-lo, levei cinco anos trabalhando, tendo viajado por todo o interior baiano. Estive em Maragojipe estudando o seu potencial turístico e dediquei-lhe um capítulo inteiro, o de número 17, onde relacionei sugestões para o desenvolvimento do turismo no município. O livro foi publicado em 1976.

Os analistas econômicos sabiam que a crise de 1970 na Suerdieck tinha sido o sinal de que o ciclo do fumo e dos charutos na Bahia estava chegando ao fim e que Maragojipe deveria procurar novos rumos para a sustentabilidade da sua economia.

E eu sabia que o turismo era uma das alternativas. Maragojipe tinha tudo para se transformar num centro de grande visitação, fundamentada em sua história, nos monumentos arquitetônicos, nos bens culturais, na história dos charutos e, sobretudo, em seus recursos naturais. Privilegiadamente localizada, num eixo fluvial navegável, Maragojipe possuía uma grande potencialidade náutica.

Infelizmente, Maragojipe encontra-se num Estado que nunca soube explorar os recursos turísticos dos municípios da Bacia do Paraguaçu, de forma organizada e empresarialmente falando. Se Maragojipe estivesse em qualquer país da Europa, ou nos Estados Unidos, a realidade seria outra. Não tenho nenhuma dúvida, Maragojipe seria hoje um grande centro turístico, visitada por milhares de turistas durante todos os meses. Está também provado e comprovado que o turismo é uma poderosa arma geradora de emprego e renda.

Digo isso com convicção profissional, de quem trabalhou durante três períodos na Bahiatursa, de quem foi gerente de marketing de produtos turísticos no Grupo Banco Econômico e de quem é autor de um segundo livro sobre turismo, “Bahia, Terra da Felicidade”, publicado em 2006.

Como administrador de empresas, trabalhei em diversas outras empresas importantes, sem jamais esquecer a Suerdieck, que foi uma escola no meu aprendizado prático. E prometi, a mim mesmo, que quando me aposentasse iria escrever a história da inesquecível Suerdieck, associada com a história da querida Maragojipe.

E foi o que fiz, a partir de 1997. Foram seis anos de trabalhos, pesquisando e entrevistando pessoas que trabalharam na Suerdieck. Nesse período, todo sábado pela manhã encontrava-me com o senhor Geraldo Meyer Suerdieck, o homem que comandou a Suerdieck durante 27 anos. O antigo “rei dos charutos” fraqueou-me o seu bem organizado arquivo de importantes documentos e contou tudo, inclusive os segredos profissionais, familiares e pessoais. O resultado foi o livro “Suerdieck, Epopéia do Gigante”.

Nascida em 1892, em Cruz das Almas, a Suerdieck agigantou-se em Maragojipe, a partir de julho de 1905, quando entrou na fabricação de charutos. Em novembro de 1992 fechou a sua grande fábrica nessa cidade e voltou a ficar restrita a Cruz das Almas, onde sete anos depois, em dezembro de 1999, encerrou totalmente suas atividades.

Toda a trajetória da Suerdieck, de 107 anos de vida, com 94 dedicados aos charutos e 87 com fábrica em Maragojipe, encontra-se no livro que há oito anos espera por um patrocínio para a sua impressão gráfica.

Em formato grande, o livro contém 400 páginas e tem como prefaciador o consagrado historiador Cid Teixeira, membro da Academia de Letras da Bahia. Conta também com uma apresentação de autoria de Mário Amerino Portugal, empresário do ramo de fumos e charutos e primeiro presidente da Câmara do Charuto da Bahia, que pôs o seguinte registro:
Além da excelência do conteúdo, que resgata a memória de uma das mais importantes empresas na história mundial dos charutos, o livro, que contém 611 citações de pessoas físicas, é também riquíssimo na programação visual. Encontra-se valorizado por 375 imagens e ilustrações contidas em vinhetas, mapas, tabelas e quadros.
Com tantas virtudes, a obra credencia-se a obter premiações nacionais e internacionais. E a primeira delas chega através da Câmara do Charuto da Bahia, que lhe confere um Selo de Qualidade Editorial.

Enfim, o livro “Suerdieck, Epopéia do Gigante” é também um retrato de Maragojipe, no período talvez da sua maior opulência econômica, em que teve a presença ativa da Suerdieck em sua vida.

Com recursos próprios, banquei todas as despesas na fase das pesquisas, quando realizei várias viagens pelos municípios da região fumageira do Recôncavo, onde ficavam os armazéns de fumo e as fábricas de charutos, localizadas em Maragojipe, Cruz das Almas e Cachoeira. Nessa fase das pesquisas contei com a inestimável colaboração de Bartolomeu Borges Paranhos, o mestre dos mestres charuteiros. Ele chefiou a fabricação de charutos em Maragojipe, sendo por décadas o responsável pela excelência da qualidade de todas as marcas.

Na crise de 1970, quando tudo parecia perdido, pois o Governo Federal prendia a liberação de um empréstimo salvador e a falência da Suerdieck parecia irreversível, Bartolomeu Paranhos, vereador de Maragojipe, apelou para dom Eugênio Sales, de quem era amigo e fornecedor de charutos da marca Florinha, a preferida do arcebispo de São Salvador da Bahia e primaz do Brasil.

Em nome do povo maragojipano, Paranhos foi pedir a intervenção de dom Eugênio, que em poucos dias teria um encontro com o Presidente da República. Em Brasília, o cardeal expôs a dramática situação da empresa e as sérias implicações de ordem social em Maragojipe, cuja economia dependia 80% da Suerdieck. O Presidente Médici, visivelmente contrariado com a notícia da demora na liberação do empréstimo, desabafou dizendo as seguintes palavras ao cardeal:

Num país onde se joga tanto dinheiro fora, essa questão não ficará engavetada!

Poucos dias depois, chegou de Brasília um telefonema solicitando a presença de Geraldo Suerdieck no Banco Central, para a assinatura do contrato do empréstimo que saiu imediatamente, por ordem expressa do Presidente da República.

Essa e muitas outras histórias reais estão registradas no livro em que também investi recursos próprios na sua editoração eletrônica, última etapa técnica antes da impressão gráfica. E para viabilizar essa parte final e mais onerosa, inscrevi o livro no Fazcultura, programa estadual de incentivo à cultura.

A obra foi muito elogiada e aprovada por unanimidade dos membros da comissão gerenciadora dos projetos. Porém, não foi possível obter a captação de recursos, uma vez que nenhuma empresa quis associar a sua imagem ao fumo, temendo os reflexos da vigorosa campanha movida pela sociedade civil contra os cigarros e charutos.

Eu já tinha perdido a esperança de ver o livro publicado quando conheci o maragojipano Luiz Carlos Flores Ramos, produtor cultural, que logo se interessou em tentar viabilizar a obra pelo próprio poder público de Maragojipe.

Em contrapartida, eu disse ao Luiz Flores que se ele conseguisse isso eu faria a doação de todo o valioso material da Suerdieck que se encontra em meu poder há mais de dez anos, entregue pelo senhor Geraldo Meyer Suerdieck, para compor um museu da Suerdieck aonde eu julgasse conveniente. Eu sempre quis atrelar a doação do acervo ao patrocínio do livro, pois as duas partes se complementam. Não devem ficar separadas.

Finalmente, após oito anos de concluído, surge agora a esperança concreta de que o livro será publicado pela Câmara Municipal de Maragojipe, que está reconhecendo o valor da obra no processo do resgate de parte da memória da antiga “Cidade das Palmeiras”.

E Maragojipe poderá também ganhar um museu com objetos, caixas de charutos, documentos, álbuns fotográficos e publicações sobre a empresa que esteve entre as mais famosas do mundo no setor de charutos e que sempre divulgou Maragojipe em todo o Brasil e no exterior, no tempo em que no nome da cidade figuravam duas letras g - Maragogipe.

A luz verde foi acesa quando recebi na minha residência, em Salvador, a honrosa visita da ilustre comitiva da Câmara Municipal de Maragojipe, liderada pelo seu Presidente, Themístocles Antônio Santos Guerreiro, e integrada por Antônio Jorge Cerqueira Malaquias, Vice-Presidente, Dércio Lima de Souza, 1º Secretário, Rosalvo Sicopira da Silva, 2º Secretário, e por Francisco Gomes da Silva Filho, Assessor Especial da Presidência. Foram conhecer o material que estou disponibilizando gratuitamente para a cidade de Maragojipe.

Eu concordo plenamente com o desejo do Presidente desta Egrégia Casa Legislativa, de que o histórico Paço Municipal, atual sede da Câmara Municipal de Maragojipe, é o melhor local para abrigar o valioso material da Suerdieck, que foi salvo da destruição pelo maragojipano Geraldo Meyer Suerdieck, que levou para casa o referido acervo, antes de entregar o comando da Suerdieck ao Grupo Melitta, em fevereiro de 1975.

O ciclo da Melitta na Suerdieck foi de 11 anos. Em 1986, a multinacional com sede na Alemanha repassou o controle acionário da Suerdieck à empresária alemã Gisela Huch Suerdieck, ex-esposa de Geraldo Meyer Suerdieck. Em mãos dela a fábrica de Maragogipe foi desativada em 1992 e a empresa teria um final triste sete anos depois, fechada por falência financeira.

Ao tempo em que me coloco à disposição, para quaisquer esclarecimentos adicionais, agradeço pela gentileza da atenção de todos.

Muito obrigado!



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Ubaldo Marques Porto Filho é escritor
e tem 14 livros publicados
umpf_ba@yahoo.com.br
ubaldo@acirv.org

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Um pouco do Coronelismo em Maragogipe

Por: Zevaldo Sousa

Eul Soo Pang fala em seu texto “Coronelismo: Um Enfoque Oligárquico da Política Brasileira”, que o coronelismo vai desde a queda do Império até 1930 com a revolução de Vargas. Em Maragogipe, entre Políticos e Coronéis, encontramos uma população que ficou dividida no novo paradigma da economia maragogipana, ou ia para a cidade tentar a sorte nas grandes fábricas de charuto da Suerdieck e da Dannemann que estavam aparecendo naquele momento ou continuavam trabalhando na zona rural mantendo antigas relações de escravidão. 

O presidente Campos Salles fundou um sistema de troca de favores que, partindo do executivo federal, espalhou-se pelo pais inteiro. Essa política, de certa forma, é conhecida de "Política dos Governadores", implementada em 1902, lembra, na sua simplicidade, o toma lá, dá cá. O presidente da república exigia que os governadores lhes enviassem bancadas concordes com a sua política. Em troca, ele sustentava as propostas regionais dos governadores. Estes por sua volta articulavam-se com os coronéis do seu estado, fazendo com que também eles mandassem para a assembléia legislativa na capital do estado, deputados acertados com os interesses políticos do governador.

É importante ressaltar que a população maragogipana, desde o período imperial é tipicamente rural, fruto de antigos sistemas econômicos que colocavam Maragogipe como região produtora de produtos de primeira necessidade, tendo sua produção voltada para localidades com economia de exportação e/ou a capital baiana.

As novidades acarretadas pelo crescimento econômico e a vontade de libertação do antigo sistema, faz com que grande parte da população, principalmente negra, volte-se para a cidade e mude as relações existentes no sistema, marcando com isso, a vida na cidade maragogipana.

Um novo integrante, com forte poderio econômico, entrou em cena, os alemães. Sendo assim, Políticos e Coronéis já existentes usaram o seu poder político e o pouco poder econômico e social que tinham para controlar parte da produção do fumo, como também, parte da população. Assim como “usariam” a Política dos Governadores com objetivo de garantir a sua manutenção no poder com a troca de votos. Vale ressaltar que não existia eleições municipais, os Intendentes eram nomeados pelo governador, após indicação dos coronéis e políticos que faziam aliança com o governador vencedor, os derrotados eram “degolados” do sistema.

O Engenheiro Flaviano Amado de Souza (1891-1894) foi o primeiro intendente do município na República e era um dos grandes coronéis do Município, herdeiro do Padre Aniceto (religioso, político e dono de grandes áreas de cultivo, muito influente nos assuntos do Estado no período imperial, inclusive, pelo sua característica de manda-chuva), Flaviano herdou suas terras e um pouco do seu jeito político de agir.

Os anos da República Velha serão marcados por mudanças na estrutura física da cidade, é nesse momento que duas cidades estarão englobadas em uma. Uma feita com tijolos e outra de taipa, fruto do processo de êxodo rural instaurado no período. Apesar de certa perda na dominação econômica do município, os coronéis entenderam que necessitavam mudar seus interesses com objetivo de manter-se no poder.

O último dos intendentes foi Getúlio de Góis Tourinho (1930) e coincidências a parte, o fato é que, o seu famoso xará, Getúlio Vargas tomará o poder em trinta e a partir daí, uma nova fase é instaurada no Brasil e em Maragogipe. O cargo de intendente é abolido e no seu lugar é instaurado o cargo de Interventor, sendo o primeiro Anísio Malaquias (1930-1935). Vale ressaltar que o interventor também é nomeado através de indicação, ocorrendo uma eleição municipal, em que poucos eram os participantes e sua maioria era composta por integrantes do PSD, partido juracisista que apoia o Governo Vargas na Bahia e quem faz a indicação dos interventores.

Vale ressaltar, que apesar de Anísio Malaquias ser considerado um coronel, assim como seus sucessores, não se pode usar o conceito de “Coronelismo”, pois o interesse agora é partidário.