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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Livro mostra realidade da cultura do tabaco no Recôncavo baiano

Salvador – Patrimônio histórico da Bahia, a cultura do fumo (ou tabaco) já não vive tempos áureos no estado. O setor enfrenta uma conjunção de fatores que impõem entraves ao seu desempenho, muito embora os charutos produzidos há quase 200 anos na região do Recôncavo estejam entre os melhores da América do Sul. Para se buscar a recuperação do segmento, é necessário investir em aspectos agrários, sociais e em inovação.

Uma nova visão da realidade da cultura e da indústria do tabaco e perspectivas para o futuro é a proposta do livro “Tabaco da Bahia”, de autoria do especialista Jean Baptiste Nardi, que será lançado nesta sexta-feira (dia 13), às 18 horas, na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).

Patrocinado pelo Sindicato da Indústria do Tabaco no Estado da Bahia (Sinditabaco), presidido por Odacir Tonelli Strada, o livro procura enfocar com olhar crítico a cadeia produtiva do fumo, procurando revelar as razões da decadência do setor na Bahia. De acordo com o autor, os limites do mercado de tabaco tipo Bahia e do charuto, as tarifas alfandegárias, as medidas não tarifárias e a política sanitária impostas por países compradores, contribuem para a crise atual do setor.

Jean Baptiste Nardi possui doutorado em Ciência Econômica pela Unicamp e é reconhecido como especialista na cadeia produtiva do fumo. No livro “Tabaco da Bahia” o autor observa que é “patente o desconhecimento da realidade da cultura e da indústria do fumo na Bahia e no Nordeste.”

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Fotos antigas de São Félix, no Recôncavo da Bahia

Desde as primeiras décadas de sua existência a fotografia já mostrava o seu imenso potencial de uso. A produção fotográfica de unidades avulsas, de álbuns ou de coletâneas impressas abrangia um espectro ilimitado de atividades, especialmente urbanas, e que davam a medida da capacidade da fotografia em documentar eventos de natureza social ou individual, em instrumentalizar as áreas científicas, carentes de meios de acesso a fenômenos fora do alcance direto dos sentidos, as áreas administrativas, ávidas por otimizar funções organizativas e coercitivas, ou ainda em possibilitar a reprodução e divulgação maciça de qualquer tipologia de objetos. (leia mais em Fotografia e História: ensaio bibliográfico)

Neste sentido, a disponibilização de imagens fotográficas para o público leitor deste blog, é uma máxima que nós desejamos, pois a imagem revela muitos segredos. 

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Enchente em São Félix - cedido por Fabrício Gentil
Navio da Empresa de Navegação Baiana, durante uma enchente do Rio Paraguaçú. Por questões de segurança, quando as águas do Rio saíam do seu nível normal, a Ponte D.Pedro II era usada como atracadouro. Fabrício Gentil
Outro aspecto da Avenida Salvador Pinto (Porto), com os saveiros. — cedido por Fabrício Gentil 
Paço Municipal, ainda como sede da Intendência.
O prédio abrigava nessa época também Cadeia Pública, o Fórum e a Câmara Municipal.
Foto: Acervo do Arquivo Público Municipal Dr. Júlio Ramos de Almeida.
Ponte D.Pedro II, com pórtico na entrada em homenagem ao Deputado autor da lei que extinguiu a cobrança de pedágio na Ponte. A direita, fachada lateral da Fábrica Costa Penna, onde hoje está o Iguatemi. No prédio a esquerda funcionava uma escola, parcialmente destruída num descarrilamento do trem.
Foto: Acervo do Arquivo Público Municipal Dr. Júlio Ramos de Almeida.
Sobrado onde morou Castro Alves em São Félix, na antiga Praça do Progresso, hoje Inácio Tosta. Ali nasceu Elisa, irmã do poeta. O sobrado (terceiro a direita) foi provavelmente construído por seu avô, Major Antônio de Castro, comandante da milícia que derrotou as forças portuguesas em 1822.
Foto: Acervo do Arquivo Público Municipal Dr. Júlio Ramos de Almeida.
Praça José Ramos, ainda com os ramais da linha férrea que ligavam a Barragem de Bananeiras a Estação e ao Chalé Guinle.
Foto: Acervo do Arquivo Público Municipal Dr. Júlio Ramos de Almeida.
Praça Rui Barbosa, antigo Largo da Estação, antes da Estátua. Nota-se ao fundo o Alto da Santa Cruz com poucas construções.
Foto: Acervo do Arquivo Público Municipal Dr. Júlio Ramos de Almeida
Rua Manoel Vitorino (Dendê), ainda com pedras tipo "cabeças de negro". A linha férrea que se vê na foto é do ramal que ligava o Chalé a Barragem de Bananeiras.
Foto: Acervo do Arquivo Público Municipal Dr. Júlio Ramos de Almeida.
Rua Senador Themístocles, centro comercial de São Félix
Foto: Acervo do Arquivo Público Municipal Dr. Júlio Ramos de Almeida.
Vista de Cachoeira. Cedido por Fabrício Gentil
Enchente em São Félix, cedido por Fabrício Gentil
São Félix vista de Cachoeira, provavelmente do Largo do Monte
Foto: Acervo do Arquivo Público Municipal Dr. Júlio Ramos de Almeida.
São Félix vista do Chalé Guinle. Detalhe para os carros de época.
Foto: Acervo do Arquivo Público Municipal Dr. Júlio Ramos de Almeida.


Enchente do Rio Paraguassu - Março 1911.
São Félix, pátio de manobras e Oficinas da Estrada de Ferro, parcialmente inundados. Neste local, hoje estão o Ginásio de esportes e a residência da UFRB. Fabrício Gentil

Vista dotelhado da Igreja de São Félix, cedido por Fabrício Gentil
Trecho da Rua J.J. Seabra (antes do alargamento)
Foto: Acervo do Arquivo Público Municipal Dr. Júlio Ramos de Almeida.
Trecho Inicial da Ladeira da Misericórdia.
Foto: Acervo do Arquivo Público Municipal Dr. Júlio Ramos de Almeida.
Visita do Presidente Getúlio Vargas em São Félix - 1933 - cedido por Fabrício Gentil
Associados do Clube dos Alemães, que existia na cidade.
Cedido por Roberto Cordeiro, no mural de São Félix.
Enchente na Avenida Salvador Pinto, Porto de São Félix, cedido por Fabrício Gentil
Avenida Salvador Pinto, Porto de São Félix, em 1934.
Foto: Acervo do Arquivo Público Municipal Dr. Júlio Ramos de Almeida. 
Barragem Jerry O'Connel. (Barragem de Bananeiras). Hoje submersa. Fabrício Gentil
Prédio da Agência do Banco do Brasil em São Félix. cedido por Fabrício Gentil.
Enchente na década de 1940, Praça José Ramos, São Félix. Á esquerda, parte do complexo da Fábrica Costa Penna e Cia, onde hoje está a Praça Antônio Almeida Maia e a Rodoviária.
Foto: Acervo do Arquivo Público Municipal Dr. Júlio Ramos de Almeida.
Igreja de Senhor São Félix, antes da construção da Escola Paroquial. O prédio a direita é hoje a agência do Banco do Brasil. Nota-se ao fundo, á esquerda a Casa da Família Ferreira, antigo Colégio onde segundo a tradição Castro Alves teria estudado.
Foto: Acervo do Arquivo Público Municipal Dr. Júlio Ramos de Almeida.
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domingo, 25 de novembro de 2012

Documentário 'Casa de Santo' mostra história do Terreiro do Pinho, em Maragogipe



CASA DE SANTO

Documentário dirigido por Antonio Pastori mostra, pela primeira vez, 
terreiro fundado no século XVII em Maragojipe, no Recôncavo da Bahia

O documentário premiado Casa de Santo, dirigido por Antonio Pastori, leva ao telespectador a uma grandiosa e empolgante viagem pelos terreiros de candomblé de Maragojipe, no Recôncavo da Bahia. O diretor registra, pela primeira vez, o interior de terreiros que nunca haviam permitido a presença das câmeras e descobre indícios que podem mudar a forma como a História descreve a diáspora africana para o Brasil.

Um pouco de Casa de Santo
Poucas regiões brasileiras possuem a característica religiosa do Recôncavo da Bahia. A terra que circunda Baía de Todos os Santos e bate às portas do Sertão tem forte influência do Candomblé, religião trazida ao Brasil pelos africanos escravizados na época da colonização brasileira.

Casa de Santo, documentário dirigido por Antonio Pastori, traz como tema chave esta influência a partir dos rituais desses terreiros de Candomblé, preservados pelo povo negro que acredita na força de sua religião. As quatro nações da religiosidade de matriz africana estão retratadas com fidelidade e emoção. O filme percorre os principais terreiros das nações Jeje, Ketu e Angola e registra uma Festa de Caboclo, onde a raiz africana se mistura a influências indígenas e européias. Uma engenhosa tradução da diversidade étnica e cultural desta região da Bahia.

O filme tem cenas inéditas de rituais que nunca haviam sido mostradas de forma tão fiel, em uma reconstituição histórica. Terreiros que não haviam aberto as portas mesmo para os fotógrafos, deram licença para as câmeras deste documentário que mostra como os segmentos de cada nação são diferenciados pelo dialeto utilizado nos rituais, a liturgia e o toque dos atabaques.

É em Casa de Santo que Pastori documenta pela primeira vez, o Terreiro do Pinho, que segue os preceitos Jeje e foi fundado em 25 de dezembro de 1658 numa área que hoje pertence ao município de Maragojipe, a 133 km de Salvador. A equipe pôde registrar o lugar onde fica o que pode ser o terreiro mais antigo do Brasil, de linhagem Jeje – o que muda a forma de contar a história da diáspora africana.

“Na verdade, o Jeje é o povo Ewe Fon. Nós nos acostumamos a relacioná-los a como eles eram chamados na época, pela expressão Jeje, que na verdade significa ‘estrangeiro’. Era um povo altivo e conquistador, o que explica esta espécie de apelido”, explica Pastori.

O candomblé assume um importante papel na formação da identidade cultural, étnica e religiosa do Recôncavo, é fortemente marcado pelo ritmo e pela música que embala cada Orixá. Casa de Santo mostra esta essência só encontrada no Recôncavo, a sua origem derivada dos candomblés implantados lá desde muito tempo com a chegada dos escravos, e como isto influência na vida das pessoas de lá, transporta-nos a um ambiente mágico através dos toques inspiradores e contagiantes, da música africana.


Musicalidade
A cultura do lugar, basicamente negra misturada aos toques do atabaque e do bongô componentes da música africana e presentes em todo o decorrer do documentário, nos faz observar o quanto é essencial a relação entre música e imagem no cinema. No documentário, o relato da religiosidade da cidade de Maragojipe traz precisão e comunhão com esta musicalidade.

A equipe extraiu da cultura do povo de santo, a essência da sua religiosidade com elementos desse próprio meio com destaque para os instrumentos utilizados nas casas de santo o Rum, o Rumpi e o Le, atabaques sagrados e tocados por alabês.

A técnica de combinar os sons, é o que leva o espectador a “participar” dessa cultura, entender e compreender a sua linguagem. A dita casa de santo é onde está a mistura da natureza que se junta com a mistura de raças, onde o povo negro escravizado busca até hoje manter e viver fielmente a sua religião, o candomblé.


A cultura afro-brasileira está expressa também pela capoeira. “O Canto dos Escravos” aguça a sensibilidade do espectador diante das imagens mostradas no documentário. Ecoam as vozes benguelas em um arranjo com apenas voz e percussão. Além disso, contribui para o clima de proximidade evocado pelo canto, contrastando, assim, com a idéia de diversas manifestações culturais de matriz africana que constituem a raiz da cultura popular brasileira.

Em Casa de Santo, a trilha tem justamente esse papel, de nos aproximar daquela realidade, de passar um pouco da energia e da sensação de estar imerso em um ritual do candomblé, e cumpre maravilhosamente bem seu papel de fazer do cinema o resultado de um emaranhado de expressões artísticas, potencializando aquilo que talvez seja mais significativo em sua existência, nos tocar de alguma maneira.

É no terreiro, com luz iluminando a Mãe de Santo, que gira e dança. Que recebe e trabalha. É ali: os orixás se manifestam, a energia pulsa ao som dos tambores, a casa é de santo. Imperdível.

Documentário Completo
Agora que você leu, poderá assistir ao documentário completo e compartilhar essas informações para seus amigos.


FICHA TÉCNICA
Casa de Santo
Duração: 44 minutos
Fotografia: Aristides Jr. e Antonio Pastori Assistência de Produção: Jomar Lima
Roteiro, Pesquisa, Edição e Narração: Antonio Pastori
Pesquisa e Produção: Manoel Passos Pereira
Direção: Antonio Pastori

TV E Bahia
Domingo, 13 de maio
Horário 19 horas

Contatos para entrevista
(71) 9182 5063
ou mandando perguntas para
casadoverso@gmail.com

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Pequeno Histórico da Fábrica de Charutos Dannemann

Fundação: Segunda metade do século XIX
Fábrica: Dannemann
Procedência do Tabaco: Bahia - Brasil


Fundada na segunda metade do século XIX pelo alemão Gerhard Dannemann, a mais antiga fábrica de charutos do Brasil iniciou sua produção com apenas seis funcionários. Geraldo Dannemann - como passou a ser chamado - chegou ao País em 1873, quando comprou a então falida empresa de charutos Schnarrenbruch e mudou-se para São Félix, na região do Recôncavo Baiano.

A escolha baseou-se na conhecida qualidade dos fumos produzidas na Bahia. Nos primeiros anos de funcionamento, a empresa teve um espantoso crescimento, chegando a ser a maior produtora de charutos do País, além de uma importante exportadora, tendo na Europa seu principal mercado e na Alemanha, sua porta de entrada. Nesta época, seis fábricas da Dannemann empregavam cerca de 4 mil pessoas na Bahia.


Em 1906, Geraldo Dannemann saiu da empresa, mas só depois da I Guerra Mundial que começaram a surgir os primeiros problemas financeiros, quando a Europa já não tinha estrutura para ser um comprador tão bom. As dificuldades forçaram a fusão com a Stender, dando origem à Companhia de Charutos Dannemann, em 1922, um ano após a morte de Geraldo Dannemann. A II Guerra Mundial agravou os problemas na Europa e, conseqüentemente, as dificuldades da Dannemann.

O governo brasileiro, então, através do Banco do Brasil, responsabilizou-se pela empresa, que passou a se chamar Companhia Brasileira de Charutos Dannemann. Em 1945, ela foi devolvida a seus proprietários, mas não resistiu e acabou falindo nove anos depois. O grupo suíço Burger adquiriu a licença do nome Dannemann em 1976, e produz até hoje os charutos da marca, que não perdeu seu prestígio na Europa. Atualmente, a empresa produz os charutos Salvador, Menudo, Maduro, Especial, nº 1 e São Félix, além da linha Artist Line e as cigarrilhas Reynitas e Bahianos.


Charuto e Arte

Que o charuto é uma arte todos concordamos, que se pode gerar arte a partir dele já é uma novidade. Foi pensando nisto que o tradicional fabricante de charutos Dannemann localizado na cidade de São Félix, na Bahia, abriu as portas para a VI Bienal do Recôncavo no Centro Cultural Dannemann, no último dia 9 de novembro, reunindo artistas, turistas, admiradores de arte e imprensa.

Artistas do Brasil, Argentina e Holanda foram os responsáveis pela enorme quantidade de temas e formas artísticas expostas. Dos mais de dois mil inscritos, 119 artistas foram selecionados para concorrer aos prêmios. O júri foi composto pelos artistas plásticos Sérgio Rabinovitz e Justino Marinho, pelo fotografo Kabá Gaudenzi, pela crítica de arte Matilde Mattos além do presidente da Cia. Brasileira de Charutos Dannemann, Hans Leusen e o diretor do Centro Cultural Dannemann, Pedro Achanjo.

O Grande Prêmio Viagem à Europa foi para o artista plástico Florisvaldo Nascimento Filho, da cidade de Valença (Bahia), escolhido por unanimidade por suas duas obras, esculturas em madeira, metal e vidro, Articulando I e Articulando II. A viagem será para a Alemanha pelo período de um mês. Judite Pimentel de Feira de Santana (Bahia) e Georges Rechberger de Berna (Suíça) foram outros artistas premiados tendo suas obras adquiridas pelo Centro Cultural.

Na abertura do evento a Filarmônica União Sanfelista tocou diversas músicas antes do lançamento do CD do IX Festival de Filarmônicas do Recôncavo, outro projeto do Centro Cultural Dannemann, gravado ao vivo no encerramento do IX Festfir - realizado em dezembro de 2001 no mesmo local. Após o lançamento o público pode apreciar a performance Corposcaos do coreógrafo e bailarino Itamar Sampaio.

Hans Leusen, Presidente da tradicional Fábrica de Charutos Dannemann e fundador do Centro Cultural Dannemann criado em 1989 com a restauração da fábrica estava muito contente com os resultados pois o Centro Cultural é mencionado em todos lugares que vai como um marco na arte da Bahia. Apoiada pelo Ministério da Cultura e pela Unesco, a Bienal do Recôncavo vai até dia 18 de Janeiro de 2003. Para maiores inforamações visite o site www.centroculturaldannemann.com.br

Centro Cultural Dannemann
Tel: 75-425.2208 / Sr. Pedro Arcanjo.
Av. Salvador Pinto, 29 Centro
Cep: 44.360-000 São Félix - BA

sábado, 11 de agosto de 2012

As belas litografias dos exportadores de fumo do recôncavo baiano


Em finais do século XIX o recôncavo baiano era um dos mais importantes centros produtores de fumo do mundo. Empreendores alemães e holandeses plantavam a folha em Cruz das Almas, Cachoeira, São Felix, Santo Amaro, Maragogipe e na região instalavam fábricas de charutos, um dos maiores itens de exportação da Bahia em aqueles idos. Exportavamos fardos de fumo, cigarros e charutos.

Stender & Cia era uma das marcas de maior aceitação entre os consumidores, garantia de qualidade, a exemplo de outras também reconhecidas nesse quesito como Dannemann, Suerdieck, Pook & Cia, Rodemburg, Jezler & Hoening, R. Gaeschlin, Costa & Ferreira, dentre outras. A imagem que ilustra este post é um rotulo dos charutos “A Bella Africana” de Stender & Cia, imagem trabalhada em litografia e impressa na alemanhã com referências visuais da região onde era plantada a matéria prima do produto, ou seja, o recôncavo. Era comum esses rótulos serem utilizados como anúncios, não é o caso.

O que chama a atenção nesse rótulo é primeiro o nome do produto que destaca o fumo como plantado e manipulado por africanos, ou seja mão de obra escrava, originária ou descendente desse continente, como sinônimo de qualidade. Algo assim como fumo produzido por negros é outra coisa. Mas reparem também na indumentária da modelo. O ilustrador caprichou com o detalhe do pano da costa, dos adereços de ouro, colar e braceletes, e imprimiu à imagem um ar de nobreza que o título potencializa mais ainda com a referência de ”bella”.

Para o apreciador de bons charutos esta imagem significava muito. A garantia de um produto final trabalhado nos detalhes por prendadas mulheres negras do recôncavo, boas de fazer charuto nas coxas, que essa era forma ideal e diferenciada de enrolar a folha.

sábado, 12 de maio de 2012

Navio Maragojipe está totalmente destruído na Base Naval de Aratu

O navio maragojipe esta totalmente destruído na Base Naval de Aratu é muito triste para a comunidade Maragojipana assistir o que foi o seu principal meio de transporte em ligação com a capital Baiana Salvador sendo destruído com o tempo.

Para a maioria dos moradores quando este comentário vem atona nas rodas de amigos na cidade a revolta e tristeza são visíveis nos semblantes dos que navegaram e de quem tomou conhecimento por moradores da cidade.


O Maragogipe, de fabricação alemã, navegou por 35 anos, entre 1962 e 1967, nas águas da Baía de Todos os Santos. Antes das rodovias, a embarcação era vital para quem precisava locomover-se entre Salvador e as comunidades do Recôncavo, partindo de Maragogipe para Salvador, pela manhã, e retornando à tarde.

Com capacidade para 600 passageiros, o navio chegava a comportar o dobro disso na festa de São Bartolomeu, uma das mais tradicionais do Recôncavo. Alimentos e outras mercadorias também eram transportados pelo Maragogipe, que cumpriu, assim, um papel importante para a economia regional. O navio possui 46,15 m de comprimento, dos quais 42,50 m de linha de água, calado de 2,35 m e deslocamento leve de 364,7 toneladas.

O navio havia sido doado à Prefeitura de Maragogipe em setembro de 2001. A prefeitura anunciou a intenção de implantar um museu náutico, mas não levou o projeto adiante. O Termo de Reversão de Bens Móveis foi assinado, em dezembro passado, com o novo prefeito do município, Carlos Hermano Albuquerque Baumert, anulando a doação.

A situação do navio, que estava com problemas de má conservação, foi comunicada à Superintendência de Serviços Administrativos - SSA, da Secretaria da Administração (Saeb), através da Capitania dos Portos, sendo tomadas todas as providências necessárias para a retomada pelo Governo do Estado.

O ofício da Saeb ao novo prefeito, Carlos Hermano Albuquerque Baumert, solicitando providências e posicionamento quanto ao Maragogipe, foi expedido após decisão tomada a partir de uma reunião envolvendo a Saeb, o CRA e a Capitania dos Portos.

O navio Maragogipe foi arrematado por R$ 204 mil, em leilão promovido pela Secretaria da Administração do Estado, na Marina e Estaleiro Aratu. O ágio foi de 204,5% sobre o preço mínimo de R$ 67 mil. Outra boa notícia é que o navio não sairá da Bahia, e será reformado para atividades turísticas. O arrematante, Jeová Ferreira, que disse representar um grupo de empresários baianos, explicou que o navio "poderá ser utilizado para transporte, para atividades de lazer ou como restaurante".

Ferreira disse que o navio precisará de uma ampla reforma, mas que a sua recuperação é viável. Outro atrativo para a aquisição do Maragogipe, segundo ele, é o valor simbólico do navio, que navegou por décadas na Baía de Todos os Santos, transportando passageiros e mercadorias entre Salvador e a cidade de Maragogipe.

O leiloeiro Miguel Paulo da Silva disse que o resultado superou as suas expectativas. "Foi uma ótima venda", afirmou. Ele ressaltou, ainda, que nos momentos finais o leilão foi bastante disputado, lance a lance, entre um grupo empresarial de Santa Catarina e o grupo baiano que acabou conseguindo o arremate.

"Ao lado do bom resultado do leilão, com ágio significativo, foi importante também o fato de o navio ter ficado na Bahia", afirmou o superintendente de Serviços Administrativos da Secretaria da Administração, Phedro Pimentel. Ele destacou que a Secretaria recebeu o apoio da Agerba, na avaliação do preço mínimo para o leilão, do CRA, no acompanhamento para evitar problemas ambientais, e da Petrobrás, na limpeza dos tanques.

Esses serviços foram necessários depois que o navio foi retomado pelo governo, em dezembro, junto à prefeitura de Maragogipe, que pretendia implantar um museu náutico, mas não levou o projeto adiante. A doação ao município havia sido feita em setembro de 2001. O Termo de Reversão de Bens Móveis foi assinado, em 5 de dezembro, com o novo prefeito do município, Carlos Hermano Albuquerque Baumert, anulando a doação.

Fonte: Visão Cidade

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Visita da Família Real a Maragogipe

DO BLOG: Este é um fragmento do Jornal Cachoeira exposto no livro de Fernando Sá descrevendo a solene recepção que os maragogipanos fizeram ao Imperador Dom Pedro II, em 09 de novembro de 1859, depois que os mesmos chegaram no vapor Pirajá.

Vale ressaltar que, no livro de Fernando Sá, ele troca o nome Maragogipe, com o grafema "G", para Maragojpe com o grafema "J" e essa troca é um erro. Em minhas pesquisas, descobri que parte desse texto está no livro "Diário da Viagem ao Norte do Brasil" escrito pelo próprio D. Pedro II. E lá, Maragogipe está escrito com o grafema "G". Outros detalhes vou preferi que o leitor descubra por si, pois vale a análise do documento. Por fim, será interessante ler alguns comentários sobre o mesmo.

Eram três horas mais ou menos, quando avistou-se o vapor que conduzia os augustos visitantes; indo ao seu encontro, em uma canoa ricamente preparada, o juiz municipal, para receber as determinações imperiais; voltou pouco depois que a boa nova de que S.S.M.M. desembarcariam já.

Logo que o escaler imperial chegou ao lugar Cajá, foi passado por entre alas de canoas todas embandeiradas e tripuladas por homens vestidos de alvo, cintos escarlates e bonéis azuis, os quis não cessavam de dar vivas e atirar foguetes.

Chegado este cortejo marítimo ao porto do mesmo nome, foi recebido por música que tocava o hino nacional, havendo por essa ocasião uma salva de 101 granadas que simulavam perfeitamente tiros de canhão.

O escaler seguiu rio acima até o Porto Grande, onde ao aproximar-se S.M. o Imperador mostrou-se de pé, o que produziu no imenso povo que o esperava a mais incompreensível emoção, o mais frenético entusiasmo, traduzido perfeitamente pelo grito uníssono de – Viva o Imperador – Viva a Imperatriz – que soava de todos os lados.

Este lugar estava elegantemente preparado. Em toda extensão da ponte que se prolonga até o Porto das Vagas se viam tremular das diversas nações aliadas e envolta com outras nacionais, o que produzia um não sei que de majestoso ao completar-se o matiz que faziam ao espaço com o alvor da mesma ponte, toda caiada de novo.

No centro do cais estendia-se até o meio do rio, uma larga escadaria tapetizada de amarelo, havendo ao lado desta escada corrimões de gradaria que espaçados por bonitos pedestais, onde descansavam vasos bem talhados plantados de craveiros naturais que se curvam com o peso da flor pendentes de todas as hastes. O mesmo se via em toda frente do cais, no qual balançavam-se bandeiras imperiais. Terminada a escada, elevava-se pouco adiante, um arco de cetim carmesim semeado de rosas brancas, tendo no centro uma coroa imperial descansada sobre um losango, no meio do qual se lia o seguinte:

De Maragogipe o povo
Com respeito o mais profundo
Saúda a Imperatriz
Saúda a Pedro Segundo

Em seguida a este arco estavam formadas em alas vinte meninas vestidas de alvo, com cestinhas cheias de flores, as quais representavam as vinte províncias, como se via na fita verde que cada uma trazia a tiracolo com o nome da província em letras de ouro. Uma delas, a Bahia, aproximou-se de S.M. a Imperatriz lhe espargiu flores, o que imitaram as outras, recitando aquela, com voz firme e maviosa, o seguinte soneto:

Submissão, respeito, amor, saudade,
Guiam meus passos nessa doce empresa:
Venho oferta-vos, ínclita Princesa,
Este raminho, símbolo de amizade.

Despido da lisonja e da vaidade,
Nele achareis somente singeleza:
É sem ornato e pobre de beleza,
Mas rica de infantil simplicidade.

Simples raminho, pura gratidão,
Vai sumisso, segue sem receio
Para, ante o trono, beijar a augusta mão

Acolhei-o Senhora, em vosso seio,
Daí-lhe, benigna, vossa aceitação
Que em vossos gestos já contemplo e vejo.

Mais adiante estavam meninos vestidos também de alvo e com fitas escarlates e tiracolo lendo-se nela os nomes dos rios mais notáveis do Império. Um deles, o Paraguaçu, chegando-se a S.M. o Imperador, entregou-lhe um ramalhete de cravos, enquanto os mais o cobriam de rosas dizendo aquele a poesia que segue:

Eis, Senhor, vassalos vossos
Que para vos defender
Brasileiros pequeninos
Estão aprendendo a ler.

S.S.M.M. receberam estas demonstrações de inocência com a mais cordial satisfação. A seis passos de distância estava o pavilhão para a cerimônia do Pax Tecum – para onde S.S.M.M. se encaminharam e depois de beijarem a Cruz, o Presidente da Câmara passou a entregar as chaves da cidade, recitando um bem elaborado discurso que atentamente foi ouvido por S.S.M.M., ao qual dignou-se responder, S.M. o Imperador: “Agradeço sobremaneira à Câmara da cidade de Maragogipe”.

Este barracão estava muito bem preparado. Sustentava o seu teto forrado de cetim branco, seis colunas dóricas, forradas de cetim azul claro, tomadas por festões de flores artificiais. No frontispício estavam dois anjos que sustentavam uma bandeira com a inscrição: “Viva o Imperador do Brasil”. Daí seguiram S.S.M.M. em baixo do palio, levados pelos membros da Câmara, para a Igreja Matriz. Em todo este trânsito as flores caíam constantemente sobre S.S.M.M. e os vivas confundidos com os repiques dos sinos, o estoirar dos foguetes e a melodia da música faziam o que há de mais belo e majestoso.

S.S.M.M. fizeram oração na capela do S.S. Sacramento. A igreja estava decente; o trono do altar-mor todo aceso, e do mesmo modo todos os altares. Voltaram depois para o Paço da Câmara, onde estava arvorado o pavilhão imperial. Logo que aí chegaram, S.M. o Imperador, disse para os da sua comitiva: “Maragogipe é uma cidade importante, não é possível ser vista em hora e meia, portanto está alterado o programa por culpa de quem me iludiu; durmo aqui.

O regozijo que causou esta resolução não é possível explicar. Não se via senão o povo correr cheio de entusiasmo pelas ruas repetindo a notícia agradável de que S.M. tinha resolvido dormir nesta cidade! Era uma confusão, era um labirinto de alegria.

Dez cavalos ricamente ajaezados esperavam S.M. e a sua comitiva, além de outros menos enfeitados. S.M. montando, seguiu caminho do hospital. Na extremidade de uma rua que abre caminho para o mesmo hospital havia um arco todo alvo, ornado de folhas e flores naturais, tendo seu frontispício o seguinte:

Das Secílias a – Estrela
Veio ao Norte do Brasil
Prodigalizar bondade
Dar a nós venturas mil

Chegando ao hospital, encaminhou-se à capela que estava ricamente coberta de cetim e galões, sendo recebido pelo provedor e mais membros da mesa. Fez oração, percorrendo depois toda a casa, no que mostrou-se satisfeito. Consolou e conversou com os doentes e, especialmente com um preto velho de cento e tantos anos, a quem S.M. ouviu por muito tempo. Entregou ao provedor, para esmola da casa, um conto de réis. Daí foi ao lugar que serve de cemitério. O seu coração paternal enterneceu-se à vista deste lugar coberto de mato que serve de asilo aos mortos e sabendo que havia um projeto para construir-se um cemitério decente, deu 500$000 para a obra; e o Presidente da Província aí se achava prometeu satisfazer essa necessidade pública.

Voltando para a cidade, visitou as aulas públicas de primeiras letras e latim, demorando-se algum tempo na do ensino primário do sexo masculino, onde, ao entrar os meninos entoaram o – Viva a S.S.M.M. -. Pediu o livro de matrícula, no qual estavam matriculados 60 meninos. Exigiu as escritas, que lhe foram presentes, examinando-as minuciosamente; mandou ler a dois meninos; ditou uma conta de repartir que foi feita pelos alunos; mandou o professor interrogá-los em doutrina, e este o fez na História Sagrada, tomando por ponto o Dilúvio, o nome do primeiro homem, etc. Findo o que S.M. perguntou a um dos meninos: ”- Onde está Jesus Cristo?” que lhe foi respondido belamente. S.M. dando mostra de inteira satisfação deu por finda a visita neste lugar.

Foi a capela do Cajá, à qual deu 200$000, fazendo o mesmo no altar do S. Coração de Jesus. É escusado dizer que nuvens de povo se achavam apinhadas em todos os caminhos vitoriando os augustos visitantes.

Foi também à coletoria geral que estava toda iluminada e cheia de bandeiras imperiais; porém, sendo já noite determinou ao Exmo Presidente para exigir do coletor um relatório do seu movimento.

Eram mais de 7 horas quando voltava ao – Paço - onde chegando a uma das janelas contemplou o bonito dêste lugar. 

De feito, a praça de Maragogipe estava elegante. Aplainada, como ainda está, se via nos quatro ângulos do seu quadrado, elevarem-se arcos triunfais cobertos de cetim e flores artificiais, suspendendo-se no centro de todos eles a bandeira nacional que garbosa se balançava para aqui e ali côo que mais orgulhosa, afrontando rajadas de vento sul que não cessavam de soprar com alguma intensidade.

A cor amarela com que estavam caiadas todas as casas da praça harmonizava-se otimamente com o verde das bandeiras das janelas e portas; e esse quadro mais resplandecia quando, à noite, todas se iluminaram bem como o resto da cidade. A praça de Maragogipe estava verdadeiramente imperial. S.S.M.M. se dignaram dar beija-mão, seguindo-se depois o jantar, para o qual tiveram a honra de ser convidados, o deputado e suplente deste círculo, Câmara Municipal, comandante superior juiz municipal e senhoras que se achavam no Paço.

Findo o jantar, S.M. procurou saber do Presidente da Câmara e estado da sua receita e despesa, determinando-lhe que fizesse disto um relatório e nele declarasse quais os melhoramentos que precisava este município. Mandou vir à sua presença o carcereiro, do qual indagou sobre as prisões, asseio e conservação delas, número de presos, sexos, crimes tempos de prisão, se estavam todos processados, quando teve lugar a última visita; procurando o livro respectivo que lhe foi apresentado, S.M. mostrou-se insatisfeito, pois via ter-se visitando no último de julho, quando há obrigação de ser todos os meses.

Indagou do comandante do batalhão no 34 quantas praças tinha o seu corpo, quantas se apresentaram naquele dia, se havia armamento. Ouvindo em resposta à primeira pergunta: 575, a segunda 144 1 a última: nenhum. Mandou entregar ao Presidente da Câmara e Juiz Municipal 500$000 para os pobres. S.M. a Imperatriz, determinou que se levasse para bordo água de Maragogipe, pois muito tinha gostado dela.

A Sociedade Filarmônica de S. Felipe veio da roça render homenagem aos augustos hospedes, postando-se na praça e tocando diversas de harmonia até alta noite. O mesmo fez a música do Batalhão no 52 que estava de guarda de honra. Houve muitas poesias; S.M. o Imperador assistia a este regozijo do povo em uma das janelas do Paço com muita satisfação. A cidade, nesta noite, ficou em completo dia; não se dormiu, animando mas prazer a lua estava brilhando.

Às quatro horas da madrugada, de 10, foi anunciada a partida de S.S.M.M. Poucas pessoas tiveram de aprontar-se. S.S.M.M., depois de tomarem café, seguiram, acompanhadas da mesma forma do dia anterior, para o embarque, onde deixaram este povo envolto na mais pungente saudade. Muitas lágrimas foram vertidas nestas ocasião. Tiveram a honra de acompanhar S.S.M.M. até a bordo do vapor, a Câmara Municipal, Juiz Municipal, comandante do Corpo do Exército e várias pessoas gradas.

Fonte: Fernando Sá. In: Maragogipe no tempo e no espaço. 2000

Pesquisadores da UFRB e UNIFACS propõem novos roteiros turísticos no Recôncavo

Caminhos do Recôncavo é o título do documento que sintetiza o Inventário do patrimônio cultural dos municípios de Santo Amaro, Cachoeira e Maragogipe. O documento publicado será lançado em Salvador, dia 17 de abril, às 17 horas, na Secretaria de Turismo e dia 05 de maio, às 16 horas, em um evento do Curso de Serviço Social da UFRB.

Informações referentes à produção artística e artesanal, às manifestações e tradições, grupos culturais, espaços culturais, bens imóveis e instituições culturais; um diagnóstico da situação atual do turismo nessa região, com o levantamento dos atrativos potenciais; a identificação de roteiros turísticos temáticos; propostas para a estruturação de um modelo de gestão para o turismo regional; indicações de um programa de sensibilização da comunidade local para a atividade turística; e, por fim, um conjunto de proposições que visam promover o desenvolvimento do turismo regional.

A pesquisa

Coordenado pelas professoras doutoras Lúcia Aquino de Queiroz, da UFRB, e Regina Celeste de Almeida Souza, da UNIFACS, o estudo é fruto de parceria entre pesquisadores da Universidade Federal do Recôncavo Baiano e da Universidade Salvador com a Secretaria de Turismo e a Bahiatursa. O estudo, desenvolvido em atendimento ao Edital 0306/2007 do Programa Monumenta/BID, Unesco e Ministério da Cultura (MinC), propõe alternativas concretas para o desenvolvimento sustentável do turismo no Recôncavo Baiano, através da implantação de roteiros turísticos integrados que contemplem as potencialidades de municípios detentores de um valioso patrimônio histórico-cultural e também natural, como Cachoeira, Maragojipe e Santo Amaro, e propiciem a inserção das comunidades locais, agentes centrais desse processo, favorecendo a minimização das condições de pobreza atualmente existentes. Caminhos do Recôncavo buscou também apresentar linhas de ações estruturantes para o se desenvolvimento turístico e indicar projetos necessários e possíveis de execução nos três municípios. Objetivando-se a que o turismo possa contribuir efetivamente para o alcance do desenvolvimento endógeno doRecôncavo Baiano, procurou ainda enfatizar a importância da estruturação de um macroplanejamento regional, articulado à proposta de constituição de um ou alguns aparatos efetivos de gestão do turismo regional, que contemple esta atividade como prioritária, associada aos sistemas econômico, ambiental, cultural e social.

Para a coordenadora Lúcia Aquino, 'o documento não esgota o potencial existente nos municípios objeto de estudo. Novas análises e aprofundamentos podem e devem ser realizados a partir das informações divulgadas, por isso esperamos que o trabalho possa ser útil aos interessados nos temas tratados — gestores públicos, privados, professores, estudantes, investidores, instituições de fomento à atividade turística, agentes do turismo, de forma geral, partícipes de organizações não-governamentais —, e que possa aportar favoravelmente para o desenvolvimento do turismo — como se deseja, de um turismo indutor do desenvolvimento local/regional; de um turismo que contribua, efetivamente, para o alcance do desenvolvimento dentro do próprio Recôncavo Baiano'.

A elaboração do estudo Caminhos do Recôncavo envolveu a formação de uma equipe técnica multidisciplinar, composta por professores doutores e mestres, economistas, geógrafos, historiadores, bacharéis em turismo; por mestrandos do Programa de Desenvolvimento Regional e Urbano; por alunos da graduação do curso de Turismo da Unifacs e por alunos da UFRB, dos cursos de História, Museologia e Cinema. São componentes da equipe:

Coordenação Técnica do Projeto
Profª. Dra. Lúcia Maria Aquino de Queiroz (UFRB)
Profª. Dra. Regina Celeste de Almeida Souza (UNIFACS)

Pesquisadores (UFRB)
Bárbara Lúcia Ferreira Cerqueira; Bruna Helena Farias Barreto; Daniela de Andrade de Almeida; Edvaldo M. da Silva; Emanuel Silva Andrade; Evânia Lima de Barros; Fernanda da M. dos Santos; Izadora Chagas; Marilene Trancôso Nolasco; Vítor Rheinschmitt de Brito; Vonaldo Lopes Mota; Zevaldo Luiz Rodrigues de Sousa

Equipe Técnica
Consultoria Técnica
Denise Magalhães
Frederico Bomsucesso
Mariana Lacerda Barbosa Filha
Mércia Maria Aquino de Queiroz

Edição de Texto
Valdomiro Santana

Supervisão de Pesquisa
Elizete Paixão
Patrícia Verônica Pereira dos Santos
Veralucia Alcântara

Apoio ao Trabalho de Campo
Dilma Rebellatto Beato

Apoio Técnico
Andréia Brandão (SETUR)
Antônio Moraes (BAHIATURSA)
Natália Coimbra de Sá (UNIFACS)

Apoio Administrativo
Veralucia Alcântara

Estagiárias
Fernanda Almeida (UNIFACS)
Rachel Segatti (UNIFACS)

A minha experiência como professor de história num Curso de Turismo-Étnico em Maragogipe

Por Zevaldo Sousa

Tratar sobre temas como Identidade, Cidadania, Diversidade, Tolerância e Respeito num curso de História é de extrema importância para a formação do “cidadão crítico”, e essa formação conduz ao que historiador André Segal afirmava que a História “forma cidadãos comuns, indivíduos que vivem em presente contraditório, de violência, desemprego, greves, congestionamentos, que recebe informações simultâneas sobre acontecimentos internacionais, como as guerras, que deve escolher seu representante para ocupar cargos políticos instituicionais”. Esse indivíduo que vive o presente deve, pelo ensino de História, ainda segundo Segal “ter as condições de refletir sobre tais acontecimentos, localizá-los em tempo conjuntural e estrutural, estabelecer relações entre os diversos fatos de ordem política, econômica e cultural, de maneira que fique preservado das reações primárias: a cólera impotente e confusa contra patrões, estrangeiros, sindicatos ou o abandono fatalista da força do destino.” (“In Ensino de História” por CIRCE BITTENCOURT, 2008, p. 121-2).

Com isso, preparamos o cidadão com a finalidade de ter uma formação política, intelectual, e humanística. Todavia, essa base da História, enquanto disciplina, que deveria ter existido, ou melhor, e ter sido aplicada no ensino regular dos alunos que ingressaram no Curso de Turismo Étnico-Afro (Empreendedorismo - Vespertino) não ocorreu, ou pelo menos, não aparentou nos discursos de grande parte dos estudantes.

Primeiro, porque vieram para o curso com um preconceito muito grande com questões relativas à vida em sociedade, ao coletivo, às religiões de modo geral, e à sua condição social. Mas mesmo assim, estes estudantes, trouxeram para dentro da sala de aula, vivências que contribuíram e muito para o debate da História e da sua condição de cidadão. Apesar de ter ciência de que com 40 horas de ensino, eu não teria condições, de formar nos alunos uma opinião crítica dos assuntos tratados em sala de aula, esperei criar, pelo menos, as bases para o sucesso deles, enquanto empreendedores. Para isso, coloquei meus conhecimentos de História na mesa de discussões, assim como o meu exemplo ter sido um Empreendedor em Maragogipe com uma lanchonete na Praça da Matriz, e com os diversos cursos de Empreendedorismo que fiz, a exemplo da Oficina promovida pela Ethos Humanus, empresa que está fazendo da interação comunidade de Maragogipe com o Estaleiro Enseada do Paraguaçu, em São Roque.

Com isso, resolvi extrapolar o material enviado pelo Instituto, e usar a criatividade, até porque, todo empreendedor deve ser criativo e como escrevo sobre a História de Maragogipe há quase quatro anos, explorei bem a ideia que o MEC oferece nos Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio (PCNEM), além da interdisciplinaridade, procurando desenvolver nesses alunos competências e habilidades para que os mesmos percebam o quão é importante do estudo de História na construção de suas vidas, e até porque o empreendedor deve de maneira holística, pensar e agir, sempre com obsessão pelas oportunidades, balanceando por um espírito de liderança.

A questão que norteou o aprendizado, portanto, foi: Como fazer com que esses alunos, que não tinham uma bagagem robusta, entenderem que a História é importante para o curso que escolheram?

Com base nesses princípios fui à sala de aula, convidá-los para um estudo mais aprimorado e instigador. Nas primeiras aulas, como sempre, precisei fazê-los refletir sobre as questões fundamentais para o estudo de História, para isso, apresentei através de explanações os conceitos sobre Tempo, Espaço, Humanidade e Cultura. Até porque, nestas primeiras aulas, os estudantes não tinham nenhum material de estudo, mas logo nas aulas subseqüentes, já com o material didático do Instituto, tratei sobre pontos importantes para o entendimento e formação do cidadão crítico, citado no início do texto.

Com isso tratei sobre temas importantíssimos no ensino de História como: Identidade, Cidadania, Diversidade, Tolerância e Respeito, além de outras aulas que tratei sobre os conteúdos que estavam no material. Que considero de extrema importância para o conhecimento da história da Bahia, mas que preferi colocá-los num segundo plano, pois entendia que para àquele curso em questão, e para àqueles estudantes seria interessante focarmos nos assuntos relevantes para a formação do senso crítico.

A questão da Identidade é exemplo, e sei que foi de extrema importância para os alunos o reconhecimento da sua Identidade Individual, que está dentro de um contexto Identitário Coletivo. Para isso, é preciso respeito ao outro que não conheço, não sei das suas dificuldades e problemas, mas que julgo sem lhe dar ao menos, o direito de se defender. Nesse caso, debatemos questões religiosas e as relações e visões que o Candomblé, o Catolicismo e o Protestantismo têm um do outro, explicando que muitas dessas visões são preconceituosas e só gera intolerâncias e guerras.

Outro caso, que foi de extrema importância para o debate em sala de aula, foi a questão da discussão do Gênero, Diversidade e da Homossexualidade, tema esse que gerou debates controversos, mas que chegaram a um denominador comum, quando lembrei aos estudantes que não podemos ser intolerantes e devemos respeitar a opinião do outro, por não conhecer quais são as suas dificuldades e problemas.

Com esse pressuposto teórico-metodológico acredito que fiz os alunos continuarem em sala de aula e realmente ter um interesse no curso que escolheram, mas que por ironia do destino, não vingou.

Carnaval
Vale ressaltar a importância que dei ao estudo da História de Maragogipe passei diversos filmes e documentários que ilustram bem a história do município e seus produtos, neste momento pensando historicamente com uma maneira empreendedora. O Carnaval de Maragogipe, a Festa de São Bartolomeu e Os Veleiros do Recôncavo foram temáticas pertinentes ao contexto turístico-histórico do curso. Neste momento, mostrei para eles a importância da visão que o frânces Dimitri Ganzelovich tinha sobre o Carnaval de Maragogipe e que era praticamente a mesma de outros turistas que chegam ao município, neste momento, e que era preciso, para eles como empreendedores, estarem atentos e usando sua criatividade poderiam ser bem sucedidos. Na visão do Dimitri, o carnaval, as máscaras e identidade do maragogipano, por si só, ganham qualquer pessoa, ele não aceitava trios elétricos e outros tipos de investimentos na cultura maragogipana, mas queria preservar o modo antigo de se divertir. Para quem é empreendedor, o Dimitri dá a grande sacada do Carnaval de Maragogipe e de outras festas como o São João e a Festa de São Bartolomeu, e o cidadão que reconhece a identidade coletiva da cidade poderá viver tranquilamente bem, explorando essa cultura, não importando, neste caso, religião, raça, cor, partido político, ou posição social.

Outro ponto importante que tratei foi sobre a questão dos Veleiros de Maragogipe, e da oportunidade que os mesmos podiam ganhar se souber explorar, de modo aliado ao pescador, dos passeios sobre o rio Paraguaçu. Enquanto ele teria o conhecimento histórico do local, servindo de Guia Turístico, o pescador teria sua habilidade com o mar. Quem ganharia com isso? Todos. O turista, o pescador e o estudante que resolveu investir na exploração da História de Maragogipe e do Recôncavo que é rica e engenhosa.

Fiz um breve apanhado sobre a formação do município de Maragogipe, Cachoeira e Santo Amaro e busquei de forma integrada, conciliar com o conteúdo programático do material didático ofertado pelo Instituto.

Suerdieck
Neste ínterim, levei os estudantes para fazermos uma rápida visita, com olhar histórico, pela cidade de Maragogipe, local que conheciam bem, mas que desconheciam detalhes pequenos que poderiam ser grandiosos quando bem explorados. Partindo do Porto Pequeno, fui apresentei a eles, o caminho pelo qual Dom Pedro II passou, junto com a rainha em Maragogipe, apresentei também um pouco da história dos prédios históricos da Suerdieck, Dannemann, das Filarmônicas Terpsícore Popular e Dois de Julho, do Coreto, da Igreja de São Bartolomeu, das doações diversas feitas pelos Suerdieck a Maragogipe, do Mercado do Areal e do Hospital. Foi uma experiência enriquecedora, que os alunos gostaram muito e que desejaram outra, mas o tempo era curto e não deixou.

No retorno pedi para os alunos escreverem no seu caderno, o que foi de novo que aprenderam com aquela aula ao ar livre e quais foram às oportunidades que visualizaram para eles ingressarem dentro de um empreendimento.

A partir daqui, já finalizando o curso, entreguei alguns materiais, livros e experiências que descobri na internet e que acreditei ser de extrema importância para o conhecimento dos mesmos, pois estava aliada ao contexto do curso. Despedi-me da turma com um desejo imenso do sucesso fazer parte da vida deles e na certeza de ter contribuído e muito para a sua formação crítica e tenaz da história.