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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Livro 'Suerdieck, Epopeia do Gigante' reconstituiu a história de um império charuteiro


No livro ‘Suerdieck, Epopeia do Gigante’, Ubaldo Marques Porto Filho reconstituiu a história de um império charuteiro, que chegou a ter 16 empresas, sendo quatro na Europa. Com três fábricas de charutos no Recôncavo Baiano (Maragogipe, Cruz das Almas e Cachoeira), foi a maior produtora de charutos brasileiros em todos os tempos e teve um período que manteve a liderança na produção mundial de charutos totalmente artesanais.

A epopeia da Suerdieck começou em 1892, como exportadora de fumos sediada em Cruz das Almas, onde também findou as atividades, em dezembro de 1999. A saga durou 107 anos, sendo 94 dedicados aos charutos que ficaram conhecidos nos quatro cantos do mundo.

Para reconstituir a longa trajetória, Ubaldo pesquisou centenas de documentos e entrevistou dezenas de pessoas que participaram da etapa final do antigo império. Ele próprio foi testemunha dessa fase, pois trabalhou na Suerdieck de 1965 até 1969.

O livro, com 400 páginas no formato grande (18,5x25,5), contém 446 lustrações, segredos na fabricação dos charutos e a relação das 464 marcas, sendo que chegou a ter 300 na linha de produção simultânea.

Não há, na história dos charutos brasileiros, nenhum livro com a riqueza de informações que ‘Suerdieck, Epopeia do Gigante’ oferece aos pesquisadores e leitores em geral.

Para acessar o livro em PDF basta entrar no site do autor: Ubaldo Marques Porto Filho

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Livro mostra realidade da cultura do tabaco no Recôncavo baiano

Salvador – Patrimônio histórico da Bahia, a cultura do fumo (ou tabaco) já não vive tempos áureos no estado. O setor enfrenta uma conjunção de fatores que impõem entraves ao seu desempenho, muito embora os charutos produzidos há quase 200 anos na região do Recôncavo estejam entre os melhores da América do Sul. Para se buscar a recuperação do segmento, é necessário investir em aspectos agrários, sociais e em inovação.

Uma nova visão da realidade da cultura e da indústria do tabaco e perspectivas para o futuro é a proposta do livro “Tabaco da Bahia”, de autoria do especialista Jean Baptiste Nardi, que será lançado nesta sexta-feira (dia 13), às 18 horas, na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).

Patrocinado pelo Sindicato da Indústria do Tabaco no Estado da Bahia (Sinditabaco), presidido por Odacir Tonelli Strada, o livro procura enfocar com olhar crítico a cadeia produtiva do fumo, procurando revelar as razões da decadência do setor na Bahia. De acordo com o autor, os limites do mercado de tabaco tipo Bahia e do charuto, as tarifas alfandegárias, as medidas não tarifárias e a política sanitária impostas por países compradores, contribuem para a crise atual do setor.

Jean Baptiste Nardi possui doutorado em Ciência Econômica pela Unicamp e é reconhecido como especialista na cadeia produtiva do fumo. No livro “Tabaco da Bahia” o autor observa que é “patente o desconhecimento da realidade da cultura e da indústria do fumo na Bahia e no Nordeste.”

domingo, 11 de abril de 2010

História da Suerdieck em Maragogipe de 1892 a 1913

Pisou a terra baiana, no ano de 1888, o fundador da organização o Sr. August Suerdieck, como empregado da firma alemã F. H. Ottens, que o enviara a Cruz das Almas a fim de fiscalizar o enfardamento de fumo.


Quatro anos depois, em 1892, relacionado com a firma Joh. Achelis & Soehne, de Bremen, iniciou o Sr. August Suerdieck as suas atividades por conta própria, como enfardador e comprador de fumo, na localidade de Cruz das Almas. Em 1894, o Sr. August Suerdieck adquiriu da própria firma F. H. Ottens o seu primeiro armazém e ainda ao mesmo ano uma casa ao Tenente Frederico Tedgue Ottens, à Rua ottens.

Em 1899, com sua firma já registrada sob a razão social de A. Suerdieck, o Sr. August Suerdieck ampliou seus negócios até Maragojipe, onde edificou seu primeiro prédio, o Armazém situado à Praça Sebastião Pinho (também denominada Caijá). Ainda no mesmo ano chegava à Bahia Ferdinand Suerdieck, irmão do Sr. August Suerdieck, a fim de auxiliar este no sempre crescente desenvolvimento da exportação de fumo. Nasceu, principalmente da iniciativa de Ferdinand Suerdieck, a idéia de que, além da exportação de fumo, fosse montada também a fabricação de charutos que, embora vacilante de início, foi pouco a pouco se desenvolvendo e tomando forma, chegando a constituir-se um objetivo sério na sua vida industrial, e para realização do qual, não pouparam esforços e nem mediram sacrifícios. Projeto corajoso e desassombrado, dada à existência, naquela época, de já poderosas fábricas de charutos que bem poderiam anular as primeiras tentativas dos irmãos Suerdieck. Definitivamente consumada essa idéia, August Suerdieck transferiu seu irmão para Maragojipe, onde foi instalada, finalmente, em 1905, no Armazém Caijá (Largo S. Sebastião), a primeira fabricação de charutos, contando apenas com cinco operários, e na qual o chefe era escolhedor de fumo, mestre de seção, encarregado de embalagem, enfim, tudo ao mesmo tempo. Em pouco tempo havia reais apreciadores para os charutos Suerdieck e o número de fregueses crescia cada dia. Caminhavam assim, a passos tímidos, os charutos Suerdieck, ao lado das já tão grandes e afamadas marcas da concorrência.


Dois anos depois, em 1907, a fábrica foi transferida para edifício próprio, à Rua Macedo Costa, nº 67, conhecida como Rua do Fogo, ocupando nessa época já treze operários, sob a gerência do Sr. Carl Gerles, técnico vindo da Europa especialmente para este cargo. Chegando em Maragojipe no dia 2 de maio de 1909, o Sr. Gerhard Meyer Suerdieck ficou como chefe da organização, encarregado da fábrica de Maragojipe como gerente. Em 1910, foi adquirido do Sr. Elpídio Barbosa um sobrado situado à Rua Pedra Branca (atual Fernando Suerdieck) que servia , até então, de cinema e teatro. Neste mesmo ano, deu-se a transferência da fábrica do prédio situado à Rua Macedo Costa, para o da Rua da Pedra Branca junto ao qual, em 1913, foi construído, em terreno baldio, ali existente, um prédio próprio onde foi instalada uma nova seção complementar – a Repartição de Encaixe, ampliando-se assim a fábrica. Daí em diante, com novas e adequadas instalações, apresenta-se a fábrica como um estabelecimento já organizado, tendo a seu serviço cerca de duzentos operários. Dedicou-se então, a firma, ao cultivo do fumo, em vastos campos apropriados, no que foi bem sucedido, visto ter conseguido obter as melhores e mais finas qualidades de fumo até hoje produzidas no Brasil.


Viu a firma os seus esforços coroados de êxito em 1908, quando lhe foi conferido, por ocasião da Exposição Nacional do Rio de Janeiro, UM GRANDE PRÊMIO ESPECIAL, pela cultura aperfeiçoada do fumo, o único prêmio, aliás, concedido no Brasil. Os negócios na firma expandiram-se e aumentaram rapidamente, elevando-se, naquela época, a sua exportação de fumos de qualidade a 20.000 fardos anuais, aproximadamente. Estava assim assegurada a posição da organização dos irmãos Suerdieck e firmado o seu conceito como uma das maiores firmas exportadoras de fumo Bahia-Brasil.