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sábado, 12 de maio de 2012

Navio Maragojipe está totalmente destruído na Base Naval de Aratu

O navio maragojipe esta totalmente destruído na Base Naval de Aratu é muito triste para a comunidade Maragojipana assistir o que foi o seu principal meio de transporte em ligação com a capital Baiana Salvador sendo destruído com o tempo.

Para a maioria dos moradores quando este comentário vem atona nas rodas de amigos na cidade a revolta e tristeza são visíveis nos semblantes dos que navegaram e de quem tomou conhecimento por moradores da cidade.


O Maragogipe, de fabricação alemã, navegou por 35 anos, entre 1962 e 1967, nas águas da Baía de Todos os Santos. Antes das rodovias, a embarcação era vital para quem precisava locomover-se entre Salvador e as comunidades do Recôncavo, partindo de Maragogipe para Salvador, pela manhã, e retornando à tarde.

Com capacidade para 600 passageiros, o navio chegava a comportar o dobro disso na festa de São Bartolomeu, uma das mais tradicionais do Recôncavo. Alimentos e outras mercadorias também eram transportados pelo Maragogipe, que cumpriu, assim, um papel importante para a economia regional. O navio possui 46,15 m de comprimento, dos quais 42,50 m de linha de água, calado de 2,35 m e deslocamento leve de 364,7 toneladas.

O navio havia sido doado à Prefeitura de Maragogipe em setembro de 2001. A prefeitura anunciou a intenção de implantar um museu náutico, mas não levou o projeto adiante. O Termo de Reversão de Bens Móveis foi assinado, em dezembro passado, com o novo prefeito do município, Carlos Hermano Albuquerque Baumert, anulando a doação.

A situação do navio, que estava com problemas de má conservação, foi comunicada à Superintendência de Serviços Administrativos - SSA, da Secretaria da Administração (Saeb), através da Capitania dos Portos, sendo tomadas todas as providências necessárias para a retomada pelo Governo do Estado.

O ofício da Saeb ao novo prefeito, Carlos Hermano Albuquerque Baumert, solicitando providências e posicionamento quanto ao Maragogipe, foi expedido após decisão tomada a partir de uma reunião envolvendo a Saeb, o CRA e a Capitania dos Portos.

O navio Maragogipe foi arrematado por R$ 204 mil, em leilão promovido pela Secretaria da Administração do Estado, na Marina e Estaleiro Aratu. O ágio foi de 204,5% sobre o preço mínimo de R$ 67 mil. Outra boa notícia é que o navio não sairá da Bahia, e será reformado para atividades turísticas. O arrematante, Jeová Ferreira, que disse representar um grupo de empresários baianos, explicou que o navio "poderá ser utilizado para transporte, para atividades de lazer ou como restaurante".

Ferreira disse que o navio precisará de uma ampla reforma, mas que a sua recuperação é viável. Outro atrativo para a aquisição do Maragogipe, segundo ele, é o valor simbólico do navio, que navegou por décadas na Baía de Todos os Santos, transportando passageiros e mercadorias entre Salvador e a cidade de Maragogipe.

O leiloeiro Miguel Paulo da Silva disse que o resultado superou as suas expectativas. "Foi uma ótima venda", afirmou. Ele ressaltou, ainda, que nos momentos finais o leilão foi bastante disputado, lance a lance, entre um grupo empresarial de Santa Catarina e o grupo baiano que acabou conseguindo o arremate.

"Ao lado do bom resultado do leilão, com ágio significativo, foi importante também o fato de o navio ter ficado na Bahia", afirmou o superintendente de Serviços Administrativos da Secretaria da Administração, Phedro Pimentel. Ele destacou que a Secretaria recebeu o apoio da Agerba, na avaliação do preço mínimo para o leilão, do CRA, no acompanhamento para evitar problemas ambientais, e da Petrobrás, na limpeza dos tanques.

Esses serviços foram necessários depois que o navio foi retomado pelo governo, em dezembro, junto à prefeitura de Maragogipe, que pretendia implantar um museu náutico, mas não levou o projeto adiante. A doação ao município havia sido feita em setembro de 2001. O Termo de Reversão de Bens Móveis foi assinado, em 5 de dezembro, com o novo prefeito do município, Carlos Hermano Albuquerque Baumert, anulando a doação.

Fonte: Visão Cidade

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Feira do Caijá, uma feira de saveiros e de tudo que você imaginar


Uma fileira de 20 saveiros de vários calados, aguardavam a maré cheia para levantarem suas velas em direção a salvador, enquanto os mestres orientavam os estivadores no embarque de farinha, frutas, cerâmica, legumes, a produção do recôncavo baiano.

Esta feira que era antigamente dia de sexta-feira e passou para dia de quinta-feira nas suas primeiras horas em todas as semanas e o prédio do mercado municipal Alexandre Alves Peixoto, uma construção de 1959, ficava cheia de gente, mercadores de todos os tipos, velhos lobos do mar e biscateiros de toda parte. Era a Feira do Cajá, em Maragogipe, Bahia.


Um dos pontos que abasteciam os saveiros que levavam o de comer e beber do Recôncavo para a Feira de São Joaquim, em Salvador, por volta de uma hora da tarde os saveiristas já começavam a pensar em partir. Se o vento estivesse bom, ás 10 horas da noite estariam em Salvador. Se o tempo estivesse bom, sem ameaças de temporal, você poderia voltar a Salvador de saveiro, vindo de Maragogipe. Bastava uma permissão da capitania dos portos, em Maragogipe, agência orientadora e protetora dos direitos do povo do mar.

Desta forma você poderia viajar sobre a carga de saveiros como o vendaval, do mestre Nute e Daniel, ou o paraíso com cacau e frutos dourando o sol. Podia velejar ouvindo o barulho das ondas da baía de todos os santos, ou desfrutarem dos cantos de passarinhos nas gaiolas levava o saveiro tudo com deus. Carroças puxadas por bois e ao fundo os mastros do filho do sol e do capricho do destino. Pescadores arrastando a rede no braço do Paraguaçu e macaxeiras (aipim, mandioca) embarcando no Camacan e no Navegante Feliz. Milho verde para o Bom Jesus, quiabos e maxixe para o quero ver. Alto falantes com repertório rural, o rio novo, tupy no cais. Assim era a feira do cajá. Uma feira de saveiros e de tudo que você imaginar.

Viver bahia/. Publicado em 21 /12/1975

sábado, 30 de julho de 2011

Pequeno Histórico do Distrito de Nagé, em Maragogipe


Coordenadas: 12°43'31.43"S/ 38°55'59.15"O

Povoados: Santo Antônio de Aldeia; Encruzilhada; Brinco; Sobradinho; Tabuleiro das Navalhas; Bacalhau; Lagamar; Rio dos Paus de Baixo; Ponta de Souza; Serraria (Baixa Rica); Pinho.

Histórico:
A vila morena surgiu, no século XVII, em torno do porto que servia de atracadouro para os nativos e representantes de Santo Antônio de Aldeia, principal comunidade religiosa desta região naquele momento. Dois são os fatores preponderantes para que a vila criasse raiz, a sua proximidade com o rio Paraguaçu, principal via de acesso à capital do Império e, os perigos do século XVII, ou seja, as constantes guerras contra os indígenas e contra os negros fugidos que já formavam diversos quilombos e mocambos pela região. Um importante quilombo que tornou-se Terreiro, foi o do Pinho. Ele é o único de nação Jêje em Maragogipe e foi originado de um antigo quilombo, alguns dizem ser o terreiro mais antigo da Bahia, embora não existam registros para comprovação.

Já em 1724, com a elevação da Freguesia de São Bartolomeu de Maragogipe à categoria de vila, Nagé aos poucos começou a crescer, ganhando importância na produção de alimentos de primeira necessidade. Em, 13 de agosto de 1880, foi decretada lei provincial no 2077 criando o distrito de Nagé, e assim continuou até os dias atuais, mesmo depois de todas as novas leis, decretos e divisões territoriais.

Vila de pescador situada a quatro quilômetros de Maragogipe, com bela implantação paisagística e algumas construções interessantes. Nagé construiu sua história, não só com o pescado e com seu porto comercial, praticamente inativo, atualmente, devido à implantação da estrada e o fim da rota comercial marítima que ligou essa região durante quase quatro séculos de história. Desde o aparecimento da indústria fumageira até aproximadamente a década de oitenta do século passado, que o distrito de Nagé se voltou ao plantio do fumo e a fabricação de charutos. Porém quando houve um declínio devido ao fechamento das indústrias de fumo na região, as mulheres nageenses sem meios para conseguir seu sustento, colocaram em prática tudo o que aprenderam durante o auge da charutaria, e com isso, ficaram conhecidas como as “charuteiras domésticas”. Ex-operárias da indústria Suerdieck, que trabalhavam em casa, nos intervalos das tarefas domésticas, chegando a confeccionar até 100 unidades por dia. Mas novamente devido várias dificuldades, essa economia rudimentar, praticamente extinguiu-se.

Um tocante religioso-cultural de Nagé é a Festa do Senhor do Bonfim que por si só, é um atrativo a parte. Ela acontece no segundo domingo depois do Dia de Reis, no mês de Janeiro, com novenário solene e exposição do Santíssimo Sacramento pelo capelão na Igreja do Bonfim em Nagé. A população, esbanja-se em festa na “Lavagem da “Glória” ou Popular de caráter afro-religioso com grande participação do povo e uma característica marcante que todo maragogipano tem em seu jeito de festejar. Vale ressaltar, que nesta lavagem, toda rivalidade entre a vila morena e o distrito do Coqueiros do Paraguaçu é posta de lado, para que todos, louvem ao Santíssimo Sacramento.

Hoje, o potencial turístico que a vila morena possui é extraordinário, a Praia de Ponta de Sousa e do Pina e os veleiros e saveiros são os verdadeiros representantes de um passado não tão longínquo. No distrito de Nagé predomina a salga do xangô e em coqueiros o da petitinga. É um trabalho executado pela mão de obra feminina. As mulheres ficam sentadas nas portas de suas casas, tratam, salgam, enfiam em varetas e estendem ao chão os peixes para secarem ao sol. Depois são vendidos a litro ou em espetos no próprio município, em Santo Amaro e Salvador, atingindo preços insignificantes em épocas de grande produção. Os peixes maiores são vendidos frescos nas feiras livres, ou conservados em gelo e levados para serem vendidos em Salvador. Alguns mariscos são aferventados antes de serem comercializados, o que facilita a sua conservação.

Escrito por Zevaldo Luiz Rodrigues de Sousa
Formado em História na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

sábado, 23 de julho de 2011

Dia 26 de junho de 1822, Maragogipe aclama D. Pedro único representante e exige fim das hostilidades portuguesas

Antes de qualquer explicação histórica gostaria de agradecer aos leitores Augusto Lopes e Hélio Tomita, é por causa do questionamento de vocês que estou escrevendo esse texto, para completar o artigo anterior.

Sou professor de História e estou me especializando em História de Maragogipe e do Recôncavo, discordo de muitas histórias que foram criadas movidas a interesses políticos por estas terras e sempre que puder eu estarei aqui para desconstruí-las. 

Como professor, digo sempre aos meus alunos que NUNCA concordem plenamente com a idéia ou a fala de outra pessoa, inclusive da minha, pois o que todas as pessoas fazem é escrever ou falar sobre uma verdade que elas entendem que é a verdade. Contudo, sabemos que NÃO EXISTE VERDADE ABSOLUTA e logo não existe imparcialidade em notícia, com isso, eles devem começar a pensar, refletir e buscar pelo saber, sem contudo desprezar o conhecimento do outro, afinal de contas, as descobertas só surgem partindo de uma contradição. Me diga quem não tem tendência e eu direi que ele estará morto, pois em vida ele tinha suas preferências. Com isso, viso ser verdadeiro, somente, não faço questão de defender A ou B, faço questão de dizer a verdade, aquela que eu entendo como verdade, e a que os documentos me remetem como verdade, através da interpretação rigorosa de fatos e acontecimentos ocorridos ao longo da história.

Sendo assim, posso primeiramente citar que a História de Maragogipe é uma das mais belas e mais vibrantes de todos os tempos e aos poucos eu vou contando neste blog, e guardo outras para meu Livro que estou escrevendo. Se eu tivesse recursos suficientes, esse estudo seria mais acelerado, mas como não tenho, sigo como a maioria dos historiadores seguem, sem patrocínio, pois o que a maioria das pessoas entendem somente que a História é Passado, eu entendo que a História é Presente - é somente com questões do presente que interrogamos o passado

"A história é o estudo dos homens no tempo e no espaço."
Marc Bloch

Agora que fiz essa introdução farei o detalhamento da seguinte questão, expressa na lei:
Art. 1 - Fica instituído feriado o dia 29 de junho tendo como motivo principal a data em que a Câmara de Vereadores aderiu a pedido de Cachoeira à atender ao pedido vindo do Rio de Janeiro para aclamar Dom Pedro de Alcântara, príncipe regente do Brasil, consolidando assim, um marco da independência do Brasil e posteriormente da Bahia. 
Art. 2 - Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação. Revoga-se as disposições em contrário. Veja o vídeo.

Todos nós sabemos que a luta pela Independência tem como marco o dia 25 de junho de 1822, mas antes de tudo acontecer, os ânimos já acirravam a um bom tempo. Todavia, o dia 29 de setembro de 1821, quando Portugal decreta que o Brasil estaria subordinado ao Reino Português e marca o retorno do príncipe Regente, os brasileiros sentiram a oportunidade.

A partir daí, diversas situações ocasionaram um situação de conflito entre portugueses e brasileiros e Madeira de Melo conseguiu ocupar militarmente a cidade de Salvador. Madeira de Melo, inclusive, adota uma política que visava obter apoio local na Bahia unida a Portugal. No dia 18 de março de 1822 chega à Bahia o reforço português, esta tinha sido expulsa do Rio de Janeiro pelos acontecimentos do Fico e ordem do príncipe dom Pedro.

Diversas famílias começaram então a abandonar Salvador, direcionando-se para São Francisco do Conde, Cachoeira, Santo Amaro e Maragogipe. Em abril já existiam várias conspirações contra o brigadeiro Madeira de Melo.

De março a junho de 1822, atos direcionaram diversos proprietários de engenho e plantações de cana-de-açúcar, oficiais militares e intelectuais na posição a favor do reconhecimento da regência deixada no Rio de Janeiro pelo rei dom João VI e aceitação da autoridade do príncipe dom Pedro. Esse partidários tentaram, no dia 12 de junho de 1822 reconhecer a autoridade do príncipe na Câmara da cidade de Salvador, mas houve bloqueio das tropas portuguesas e a reunião foi proibida. Dois dias depois, em Santo Amaro reuniram-se diversas pessoas e a Câmara decidiu "Que haja no Brazil hum centro de Poder Executivo; que este Poder seja exercido por sua Alteza Real e Príncipe Regente".

A partir desse momento, é possível encontrar uma sequencia de preparativos em reconhecimento da autoridade do príncipe dom Pedro. No dia 24, em Belém, Cachoeira houve uma reunião secreta. O ato seguinte, no dia 25 de junho, foi a oficialização na Câmara de Cachoeira que decidiu aclamar S.A.R. por regente e Perpétuo defensor e protetor do Reino do Brasil. Foi lavrada a ata e quando celebravam o Te Deum a escuna canhoneira enviada por Madeira de Melo disparou o primeiro tiro contra a vila.

No dia 26 de junho, formou-se a primeira junta Interina, Conciliatória e de Defesa e nela Antônio Pereira Rebouças, maragogipano, já se fazia presente. Enviou-se mensageiros para todas as vilas e povoações para informa-lhes a aclamação do príncipe e as hostilidades portuguesas já declaradas pela escuna canhoneira. Neste mesmo dia, a Câmara de Maragogipe já ciente dos atos de hostilidades decidiu que "No reino do Brazil deve residir hum único Centro de Poder Executivo na Pessoa do Príncipe Real" (TAVARES, cap. XVI do livro História da Bahia) e como mostra o documento abaixo. Que demonstra inclusive, a insatisfação dos maragogipanos e o desejo de separação da vila de Jaguaripe, institui diversos artigos a serem colocados em prática pelo príncipe Regente e exige a retirada das hostilidades portuguesas e outros pontos mais. Leiam documento abaixo, depositado no site objdigital, nº 108 (Clique aqui para visualizá-lo completo):



No dia 29 de junho de 1822, os diversos representantes das vilas enviaram documento à Câmara da vila de Cachoeira propondo a ampliação das atribuições da Junta e se transformassem em governo militar e civil legítimo para todas as vilas do Recôncavo e neste dia aclamaram dom Pedro como regente constitucional do Brasil as Câmara de São Francisco do Conde e Santo Amaro.

O que o Blog Vapor de Cachoeira fez foi com base nos documentos que dispunha em mãos, colocar Maragogipe em evidência no dia 29, acontece que o documento reproduzido no blog, e depositado no site objdigital, nº 109 (Clique aqui para visualizar o documento completo) descreve:

  1. um pedido da Câmara de Maragogipe, e não o contrário, para que a Câmara da vila de Cachoeira aderisse ao pedido de aclamação do príncipe regente. E como todos já sabem, o mesmo já tinha ocorrido no dia 24 em reunião secreta e no dia 25 na Câmara de Cachoeira, em que se instalou a primeira junta a qual esse pedido foi anexado.
  2. ainda com referência a primeira ata, (perceba que o Blog Vapor de Cachoeira reproduz duas atas que estão localizadas na Gazeta do Rio, nº 109) a Câmara diz: "e por este foi dito que as instâncias do povo desta vila tinhão, e vinhão a requerer que se fizesse vereação, para o fim de que com a assistencia deste Senado se aclamasse S.A.R. o senhor príncipe D. Pedro Regente e Perpétuo defensor e Protetor do Brasil, na forma já aclamado no Rio de Janeiro". Perceba a marcação em vermelho, e leia bem, tinhão, e vinhão. Ou seja, a Câmara Maragogipana tinha tomado sua decisão antes do acontecimento e requeria que a Câmara de Cachoeira tomasse uma decisão, já tomada, claro e óbvio.
  3. a segunda ata, é novo pedido da Câmara de Maragogipe, e do povo presente na praça pública que se faça uma junta conciliatória de defesa para cuidar dos habitantes destas terras.
Percebe-se portanto, com a leitura dos dois documentos, apesar desta postagem só citar um, o outro está redirecionado. Que é a Câmara de Maragogipe que requereu da Câmara de Cachoeira uma tomada de decisão, acontece que naqueles tempos, a demora na entrega de documentos, faz com que decisões tomadas por um, choquem-se com as tomados por outra cidade, sendo assim, houve quase que simultaneamente o pedido entre Maragogipe e Cachoeira, o primeiro com um certo atraso, mas a sua importância foi tanta que ficou registrado nos autos da Gazeta do Rio (Clique aqui para visualizar todos os jornais do acervo digital do jornal Carioca de 1822)

Sendo assim, é no dia 26 de junho e não no dia 29 que Maragogipe aderiu a independência, exigindo inclusive, o fim das hostilidades portuguesas que já vinham bem antes do dia 25 de junho em Cachoeira.


Zevaldo Luiz Rodrigues de Sousa
Professor de História e estudante de história da UFRB
Especializando-se em História Reginal, 
focando seus estudos na cidade de Maragogipe

A história da Suerdieck, Epopéia do Gigante, por Ubaldo Marques Porto Filho

Discurso de Ubaldo Marques Porto Filho na Câmara - Maragojipe e a Suerdieck


A Suerdieck não parou mais de crescer. Foi então idealizado um novo prédio, edificado em 1920, pelo engenheiro Emílio Odebrecht, pioneiro das construções de cimento armado na Bahia. A interligação da fábrica nova com a antiga, separadas pela Rua das Flores, fez-se através de uma passarela de concreto, uma novidade em Maragojipe.

Mas essa novidade custou muito caro ao prefeito Elpídio da Paz Guerreiro, que sofreu uma campanha popular muito forte, por ter permitido a construção da “ponte da Suerdieck”, como o povo passou a chamar a passarela. É que o povo da zona rural acreditava numa crendice popular que assegurava dar azar a quem passasse por baixo de pontes. E durante muitos anos, os produtores que traziam produtos de suas roças, para vender na feira livre semanal, fizeram um longo rodeamento para evitar a “ponte da Suerdieck”.


Em 1928, a Vieira de Mello & Companhia, primeira fabricante de charutos em Maragojipe, foi arrendada à Suerdieck, que em 1942 comprou todas as instalações. Em 1949, ao comprar o acervo da Dannemann em Maragojipe, a Suerdieck passou a ser a única fabricante de charutos no município e emergiu como a maior produtora de charutos nacionais.

A Suerdieck tornou-se uma gigante, sendo a maior produtora mundial de charutos artesanais e Maragojipe a dona da maior fábrica de charutos do mundo. Na fase desse apogeu, Maragojipe muito se beneficiou do império charuteiro, por onde gravitava cerca de 80% da economia municipal. Somente na cidade de Maragojipe, a Suerdieck chegou a ter 2.052 empregados, fora a mão-de-obra temporária.

Como estava totalmente dependente da Suerdieck, a cidade sofreu muito quando adveio a grande crise de 1970, que quase provocou a falência da empresa. Maragojipe também entrou em período de grave crise socioeconômica. O ano de 1970, que marca o fim de um império charuteiro, registra igualmente o início do fim das riquezas geradas pela Suerdieck e o início de um processo que foi retirando de Maragojipe a condição de cidade símbolo dos charutos brasileiros, muito divulgada e conhecida no exterior, entre milhares e milhares de consumidores dos charutos Suerdieck espalhados por cinco continentes.

Mas todos os que aqui se encontram devem estar querendo saber quem sou eu, um não-maragojipano que vem à Câmara Municipal para falar da maior empresa que esta cidade teve em toda a sua história. Eu fui empregado da Suerdieck, onde trabalhei de agosto de 1965 até fevereiro de 1969, justamente no período final de um império formado por 16 empresas, que atuavam em todos os segmentos da escala produtiva: na cultura e beneficiamento do fumo, na confecção dos charutos, na produção das caixas de cedro e na distribuição dos charutos.


Das 16 empresas, quatro ficavam na Europa e uma, a Companhia Maragogipana de Eletricidade, foi a responsável pela chegada da energia elétrica, gerada na Usina de Bananeiras, até à fabrica de Maragojipe, um benefício que a Suerdieck logo estendeu para todas as casas comerciais e residenciais dessa cidade.

Fui admitido na Suerdieck aos 20 anos de idade, para trabalhar em seu escritório na sede de Salvador. Entrei como simples escriturário, e dentre as atribuições que me foram delegadas eu seria o responsável pelo balanço periódico de um depósito de charutos que ficava no subsolo do Edifício Suerdieck, a majestosa sede da empresa na Avenida Estados Unidos, no centro comercial e financeiro da capital baiana. Deram-me uma relação contendo o estoque do último balanço.

O diretor ao qual fiquei subordinado, senhor José Ruas Boureau, orientou-me dizendo: “Faça o balanço físico e devolva a lista assinada por você, atestando o que encontrou”. No depósito, na verdade uma enorme câmara frigorífica, cabiam milhares de caixas de charutos em tamanhos variados, de centenas de marcas. Após dois dias de contagem, a minha lista não bateu com a que havia recebido. A diferença era muito grande, indicativa de um desvio milionário. O senhor Boureau ficou atônito e não quis acreditar nos números encontrados por mim, com menos de trinta dias na empresa.

Fui obrigado a repetir o trabalho, desta vez acompanhado de um outro preposto da empresa. A nova contagem demonstrou que a primeira estava corretíssima. Levado o resultado ao conhecimento do presidente, senhor Geraldo Meyer Suerdieck, este determinou que a polícia fosse imediatamente acionada para descobrir o autor ou autores da fraude. As investigações chegaram a conclusão que os roubos de charutos vinham sendo praticados há cinco anos.

Agora, vejam vocês a potência que era a Suerdieck, pois o gigantismo dos números na produção dos charutos permitia manipulações sem que as fraudes fossem sentidas nos controles de produção das fábricas e saídas para as comercializações.

Com a descoberta e estancamento nos desvios, ganhei imediata projeção na empresa. Ganhei também um aumento no volume de serviços e virei controller estatístico, com a responsabilidade pela elaboração de uma estatística final, não apenas do depósito em Salvador, mas de toda a produção e vendas dos charutos, nos mercados nacional e internacional.

Enfim, fui transformado num empregado da confiança do alto escalão, passando a ter acesso direto ao Presidente. Passei inclusive a ter acesso aos dados confidenciais da empresa. Enfim, passei a conhecer as entranhas do gigante.

Passei inclusive a visitar com frequência as fábricas de charutos, para proceder os ajustes necessários aos novos controles determinados pelo Presidente, para possibilitar que ele tivesse balancetes de produção e vendas de charutos sem grande defasagens de tempo.

E dentro dessa nova missão na empresa, estive pela primeira vez em Maragojipe no final de 1965. Fiquei impressionado com o que vi. Era uma cidade dinâmica, rica e onde em cada esquina se respirava o ar da Suerdieck, o esteio da economia local.

Eu nunca havia pisado nessa cidade. Conhecia apenas a silueta de Maragojipe, vista à distância, de bordo dos navios da Bahiana, da linha Salvador-Cachoeira e vice-versa. Na minha adolescência, quando morei e estudei em Cachoeira, sempre viajava para passar os feriadões e as férias escolares de julho e do verão em Salvador, onde meu pai possuía uma casa, no bairro do Rio Vermelho.

O “Vapor de Cachoeira”, como era chamado pelo povo, fazia escalas nos portos de Maragojipe e São Roque, para desembarque e embarque de passageiros e cargas. Eram paradas rápidas e festivas, com o cais cheio de vendedores de peixe frito, milho assado, rolete de cana, frutas, doces, bolos e outras guloseimas. E nas paradas em Maragojipe eu não dispensava um sanduíche muito delicioso, de pão cacetinho com recheio de camarão cozido.

Tenho também a lembrança de que numa dessas viagens meu pai disse: “Temos um ancestral que nasceu em Maragojipe”. Tempos depois, consultando a árvore genealógica da nossa família, descobri que o ancestral maragojipano se chamava João Carlos Marques Porto. Nascido no dia 18 de julho de 1823, era filho do santamarense Manuel Marques de Souza Porto e da cachoeirana Maria Theodora das Virgens de Souza Porto, falecida em 12 de novembro de 1843, no Engenho Sinunga, de seu irmão, Manoel Maurício Coelho. Ela foi sepultada na Igreja Matriz de Maragojipe.

Depois de três anos e sete meses na Suerdieck, quando visitei Maragojipe diversas vezes, inclusive durante a Festa de São Bartolomeu, pedi demissão e fui cuidar dos estudos em tempo integral, na Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia.

Logo depois de formado, saiu o resultado do I Concurso Nacional de Turismo, certame promovido pela Embratur em 1970. Como obtive o primeiro lugar, senti-me no dever escrever um livro técnico, que denominei de “Turismo, Realidade Baiana e Nacional”. Para concluí-lo, levei cinco anos trabalhando, tendo viajado por todo o interior baiano. Estive em Maragojipe estudando o seu potencial turístico e dediquei-lhe um capítulo inteiro, o de número 17, onde relacionei sugestões para o desenvolvimento do turismo no município. O livro foi publicado em 1976.

Os analistas econômicos sabiam que a crise de 1970 na Suerdieck tinha sido o sinal de que o ciclo do fumo e dos charutos na Bahia estava chegando ao fim e que Maragojipe deveria procurar novos rumos para a sustentabilidade da sua economia.

E eu sabia que o turismo era uma das alternativas. Maragojipe tinha tudo para se transformar num centro de grande visitação, fundamentada em sua história, nos monumentos arquitetônicos, nos bens culturais, na história dos charutos e, sobretudo, em seus recursos naturais. Privilegiadamente localizada, num eixo fluvial navegável, Maragojipe possuía uma grande potencialidade náutica.

Infelizmente, Maragojipe encontra-se num Estado que nunca soube explorar os recursos turísticos dos municípios da Bacia do Paraguaçu, de forma organizada e empresarialmente falando. Se Maragojipe estivesse em qualquer país da Europa, ou nos Estados Unidos, a realidade seria outra. Não tenho nenhuma dúvida, Maragojipe seria hoje um grande centro turístico, visitada por milhares de turistas durante todos os meses. Está também provado e comprovado que o turismo é uma poderosa arma geradora de emprego e renda.

Digo isso com convicção profissional, de quem trabalhou durante três períodos na Bahiatursa, de quem foi gerente de marketing de produtos turísticos no Grupo Banco Econômico e de quem é autor de um segundo livro sobre turismo, “Bahia, Terra da Felicidade”, publicado em 2006.

Como administrador de empresas, trabalhei em diversas outras empresas importantes, sem jamais esquecer a Suerdieck, que foi uma escola no meu aprendizado prático. E prometi, a mim mesmo, que quando me aposentasse iria escrever a história da inesquecível Suerdieck, associada com a história da querida Maragojipe.

E foi o que fiz, a partir de 1997. Foram seis anos de trabalhos, pesquisando e entrevistando pessoas que trabalharam na Suerdieck. Nesse período, todo sábado pela manhã encontrava-me com o senhor Geraldo Meyer Suerdieck, o homem que comandou a Suerdieck durante 27 anos. O antigo “rei dos charutos” fraqueou-me o seu bem organizado arquivo de importantes documentos e contou tudo, inclusive os segredos profissionais, familiares e pessoais. O resultado foi o livro “Suerdieck, Epopéia do Gigante”.

Nascida em 1892, em Cruz das Almas, a Suerdieck agigantou-se em Maragojipe, a partir de julho de 1905, quando entrou na fabricação de charutos. Em novembro de 1992 fechou a sua grande fábrica nessa cidade e voltou a ficar restrita a Cruz das Almas, onde sete anos depois, em dezembro de 1999, encerrou totalmente suas atividades.

Toda a trajetória da Suerdieck, de 107 anos de vida, com 94 dedicados aos charutos e 87 com fábrica em Maragojipe, encontra-se no livro que há oito anos espera por um patrocínio para a sua impressão gráfica.

Em formato grande, o livro contém 400 páginas e tem como prefaciador o consagrado historiador Cid Teixeira, membro da Academia de Letras da Bahia. Conta também com uma apresentação de autoria de Mário Amerino Portugal, empresário do ramo de fumos e charutos e primeiro presidente da Câmara do Charuto da Bahia, que pôs o seguinte registro:
Além da excelência do conteúdo, que resgata a memória de uma das mais importantes empresas na história mundial dos charutos, o livro, que contém 611 citações de pessoas físicas, é também riquíssimo na programação visual. Encontra-se valorizado por 375 imagens e ilustrações contidas em vinhetas, mapas, tabelas e quadros.
Com tantas virtudes, a obra credencia-se a obter premiações nacionais e internacionais. E a primeira delas chega através da Câmara do Charuto da Bahia, que lhe confere um Selo de Qualidade Editorial.

Enfim, o livro “Suerdieck, Epopéia do Gigante” é também um retrato de Maragojipe, no período talvez da sua maior opulência econômica, em que teve a presença ativa da Suerdieck em sua vida.

Com recursos próprios, banquei todas as despesas na fase das pesquisas, quando realizei várias viagens pelos municípios da região fumageira do Recôncavo, onde ficavam os armazéns de fumo e as fábricas de charutos, localizadas em Maragojipe, Cruz das Almas e Cachoeira. Nessa fase das pesquisas contei com a inestimável colaboração de Bartolomeu Borges Paranhos, o mestre dos mestres charuteiros. Ele chefiou a fabricação de charutos em Maragojipe, sendo por décadas o responsável pela excelência da qualidade de todas as marcas.

Na crise de 1970, quando tudo parecia perdido, pois o Governo Federal prendia a liberação de um empréstimo salvador e a falência da Suerdieck parecia irreversível, Bartolomeu Paranhos, vereador de Maragojipe, apelou para dom Eugênio Sales, de quem era amigo e fornecedor de charutos da marca Florinha, a preferida do arcebispo de São Salvador da Bahia e primaz do Brasil.

Em nome do povo maragojipano, Paranhos foi pedir a intervenção de dom Eugênio, que em poucos dias teria um encontro com o Presidente da República. Em Brasília, o cardeal expôs a dramática situação da empresa e as sérias implicações de ordem social em Maragojipe, cuja economia dependia 80% da Suerdieck. O Presidente Médici, visivelmente contrariado com a notícia da demora na liberação do empréstimo, desabafou dizendo as seguintes palavras ao cardeal:

Num país onde se joga tanto dinheiro fora, essa questão não ficará engavetada!

Poucos dias depois, chegou de Brasília um telefonema solicitando a presença de Geraldo Suerdieck no Banco Central, para a assinatura do contrato do empréstimo que saiu imediatamente, por ordem expressa do Presidente da República.

Essa e muitas outras histórias reais estão registradas no livro em que também investi recursos próprios na sua editoração eletrônica, última etapa técnica antes da impressão gráfica. E para viabilizar essa parte final e mais onerosa, inscrevi o livro no Fazcultura, programa estadual de incentivo à cultura.

A obra foi muito elogiada e aprovada por unanimidade dos membros da comissão gerenciadora dos projetos. Porém, não foi possível obter a captação de recursos, uma vez que nenhuma empresa quis associar a sua imagem ao fumo, temendo os reflexos da vigorosa campanha movida pela sociedade civil contra os cigarros e charutos.

Eu já tinha perdido a esperança de ver o livro publicado quando conheci o maragojipano Luiz Carlos Flores Ramos, produtor cultural, que logo se interessou em tentar viabilizar a obra pelo próprio poder público de Maragojipe.

Em contrapartida, eu disse ao Luiz Flores que se ele conseguisse isso eu faria a doação de todo o valioso material da Suerdieck que se encontra em meu poder há mais de dez anos, entregue pelo senhor Geraldo Meyer Suerdieck, para compor um museu da Suerdieck aonde eu julgasse conveniente. Eu sempre quis atrelar a doação do acervo ao patrocínio do livro, pois as duas partes se complementam. Não devem ficar separadas.

Finalmente, após oito anos de concluído, surge agora a esperança concreta de que o livro será publicado pela Câmara Municipal de Maragojipe, que está reconhecendo o valor da obra no processo do resgate de parte da memória da antiga “Cidade das Palmeiras”.

E Maragojipe poderá também ganhar um museu com objetos, caixas de charutos, documentos, álbuns fotográficos e publicações sobre a empresa que esteve entre as mais famosas do mundo no setor de charutos e que sempre divulgou Maragojipe em todo o Brasil e no exterior, no tempo em que no nome da cidade figuravam duas letras g - Maragogipe.

A luz verde foi acesa quando recebi na minha residência, em Salvador, a honrosa visita da ilustre comitiva da Câmara Municipal de Maragojipe, liderada pelo seu Presidente, Themístocles Antônio Santos Guerreiro, e integrada por Antônio Jorge Cerqueira Malaquias, Vice-Presidente, Dércio Lima de Souza, 1º Secretário, Rosalvo Sicopira da Silva, 2º Secretário, e por Francisco Gomes da Silva Filho, Assessor Especial da Presidência. Foram conhecer o material que estou disponibilizando gratuitamente para a cidade de Maragojipe.

Eu concordo plenamente com o desejo do Presidente desta Egrégia Casa Legislativa, de que o histórico Paço Municipal, atual sede da Câmara Municipal de Maragojipe, é o melhor local para abrigar o valioso material da Suerdieck, que foi salvo da destruição pelo maragojipano Geraldo Meyer Suerdieck, que levou para casa o referido acervo, antes de entregar o comando da Suerdieck ao Grupo Melitta, em fevereiro de 1975.

O ciclo da Melitta na Suerdieck foi de 11 anos. Em 1986, a multinacional com sede na Alemanha repassou o controle acionário da Suerdieck à empresária alemã Gisela Huch Suerdieck, ex-esposa de Geraldo Meyer Suerdieck. Em mãos dela a fábrica de Maragogipe foi desativada em 1992 e a empresa teria um final triste sete anos depois, fechada por falência financeira.

Ao tempo em que me coloco à disposição, para quaisquer esclarecimentos adicionais, agradeço pela gentileza da atenção de todos.

Muito obrigado!



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Ubaldo Marques Porto Filho é escritor
e tem 14 livros publicados
umpf_ba@yahoo.com.br
ubaldo@acirv.org

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Maragogipe e sua ligação com o Esporte Clube Bahia

A ligação de Maragogipe com o futebol é marcante em vários momentos da sua história. Devido a sua proximidade com Salvador, Maragogipe sempre foi palco de vários amistosos dos times da capital baiana com a nossa seleção. Essa sempre teve bons jogadores, contudo, o pouco incentivo deixa que muitos jogadores não consigam aparecer, assim os grandes times da Bahia não vêem atrativos aqui nesta região.

Vários foram os acontecimentos que marcam a presença dessa cidade no futebol baiano. Contudo escolhemos dois fatos que são marcantes para o futebol baiano: Primeiro está ligado a Fundação do Esporte Clube Bahia e o outro está ligado a Milésimo Gol de Pelé, quer dizer o que seria o milésimo, senão fosse um maragogipano.

Vamos então aos acontecimentos:

Segundo Alberto de Carmó, houve uma reunião aqui em Maragogipe que foi decidido ser criado o Esporte Clube Bahia. Fomos as pesquisas e encontramos no site do Sempre Bahia a seguinte citação:
O acontecimento básico e determinante para o surgimento do Esporte Clube Bahia foi a extinção dos plantéis de futebol dos clubes Bahiano de Tênis e Associação Atlética da Bahia, equipes mais poderosas da época.

O trágico acontecimento abalou o meio esportivo baiano e deixou os inúmeros bons atletas frustrados e, para não ficarem parados, armaram um time (que foi batizado de Bahianinho) para realizar jogos amistosos aos domingos pelo interior do estado (Maragojipe, Cachoeira, São Félix, etc.) e pelo subúrbio de Salvador. O uniforme era composto pela camisa do Bahiano de Tênis e pelo calção da Associação Atlética da Bahia.

A primeira partida foi disputada em Plataforma (subúrbio da capital baiana) contra o São João Futebol Clube, onde o futuro “Esquadrão de Aço” sagrou-se vencedor aplicando uma sonora goleada de 4 x 0. E assim seguiu o Bahianinho sem sofrer uma derrota sequer. O enorme sucesso do time amador gerou uma onda de entusiasmo e foi lançada a idéia da criação de um clube de verdade com filiação na Liga Baiana de Desportos Terrestres.
Essa citação comprova a vinda do Bahianinho a cidade de Maragogipe nos primeiros jogos amistosos do clube antes da sua real fundação na primeira reunião oficial que ocorrera na noite do dia 31 de dezembro de 1930, na antiga Sede do Jóquei Clube, na rua Carlos Gomes, nº 57. Durante a madrugada do dia 01 de janeiro de 1931, foi oficialmente criado o ESPORTE CLUBE BAHIA.

Contudo não temos a precisa datação do acontecimento, nem sabemos se essa reunião ocorreu literalmente. O fato é que aqui pode ter sido discutido sim a criação deste clube tão importante para o Estado e para o Brasil. Mas não implica na sua real fundação.

O segundo acontecimento marcante, também está ligado ao Esporte Clube Bahia, no dia 16 de novembro de 1969, a 40 anos atrás, Nildon Carlos Braga Veloso, filho do Dr. Alberto da Cunha Veloso, que foi interventor em Maragogipe no ano de 1946 e conhecido pelo apelido dado por Djalma Costa Lino quando este jogava no Colo-colo de Ilhéus. Neste dia, no jogo do Bahia contra o Santos, a festa do gol mil estava pronta. Mas o gol não saiu. Pelo contrário. Num certo momento, Pelé bateu para o gol e o zagueiro Nildon, maragogipano,  saiu e salvou em cima da linha, sendo vaiado na sequência por todo o estádio.


- Foi a primeira vez que eu vi um defensor salvar um gol e ser vaiado pela própria torcida - lembra Pelé.

Nildon morreu no dia 18 de outubro ano passado, aos 65 anos. Sem nem mesmo ser reconhecido em um posto de atendimento em Salvador, depois que o HGE o rejeitou como paciente. Assim conta o irmão Agostinho, que o apanhou no ferry boat em cima de uma cadeira de rodas, coração enfartado.

Agora que você já sabe um pouco da história desse fato que levou Nildon a ser um Héroi as avessas, pelo fato de não ter deixado o Bahia sofrer o milésimo gol de pelé, reservamos esse vídeo que encontramos no Youtube: Tragetória do 1000 gol de Pelé, com passagens pelo milésimo de Romário, em espanhol. Mas fica marcado o fato do gol evitado. Isso é que importa!!!




Valeu Nildon, se não fosse por esse feito você não entraria para a História do Bahia, do Futebol, do Rei Pelé e de Maragogipe.



Fontes:
http://www.semprebahia.com/fundacao-do-clube/
http://www.zevaldoemaragogipe.com/2008/10/nildon-morre-annimo.html
http://www.atarde.com.br/esporte/noticia.jsf?id=989687
http://blog.cacellain.com.br/2009/06/05/o-dia-que-o-paredao-triplo-tricolor-parou-o-rei-pele/

terça-feira, 11 de novembro de 2008

História do Navio Maragogipe - Um momento de saudades!


O Maragogipe, de fabricação alemã, navegou por 35 anos, entre 1962 e 1967, nas águas da Baía de Todos os Santos. Antes das rodovias, a embarcação era vital para quem precisava locomover-se entre Salvador e as comunidades do Recôncavo, partindo de Maragogipe para Salvador, pela manhã, e retornando à tarde.

Com capacidade para 600 passageiros, o navio chegava a comportar o dobro disso na festa de São Bartolomeu, uma das mais tradicionais do Recôncavo. Alimentos e outras mercadorias também eram transportados pelo Maragogipe, que cumpriu, assim, um papel importante para a economia regional. O navio possui 46,15 m de comprimento, dos quais 42,50 m de linha de água, calado de 2,35 m e deslocamento leve de 364,7 toneladas.

O navio havia sido doado à Prefeitura de Maragogipe em setembro de 2001. A prefeitura anunciou a intenção de implantar um museu náutico, mas não levou o projeto adiante. O Termo de Reversão de Bens Móveis foi assinado, em dezembro passado, com o novo prefeito do município, Carlos Hermano Albuquerque Baumert, anulando a doação.

A situação do navio, que estava com problemas de má conservação, foi comunicada à Superintendência de Serviços Administrativos - SSA, da Secretaria da Administração (Saeb), através da Capitania dos Portos, sendo tomadas todas as providências necessárias para a retomada pelo Governo do Estado.

O ofício da Saeb ao novo prefeito, Carlos Hermano Albuquerque Baumert, solicitando providências e posicionamento quanto ao Maragogipe, foi expedido após decisão tomada a partir de uma reunião envolvendo a Saeb, o CRA e a Capitania dos Portos.


O navio Maragogipe foi arrematado por R$ 204 mil, em leilão promovido pela Secretaria da Administração do Estado, na Marina e Estaleiro Aratu. O ágio foi de 204,5% sobre o preço mínimo de R$ 67 mil. Outra boa notícia é que o navio não sairá da Bahia, e será reformado para atividades turísticas. O arrematante, Jeová Ferreira, que disse representar um grupo de empresários baianos, explicou que o navio "poderá ser utilizado para transporte, para atividades de lazer ou como restaurante".

Ferreira disse que o navio precisará de uma ampla reforma, mas que a sua recuperação é viável. Outro atrativo para a aquisição do Maragogipe, segundo ele, é o valor simbólico do navio, que navegou por décadas na Baía de Todos os Santos, transportando passageiros e mercadorias entre Salvador e a cidade de Maragogipe.

O leiloeiro Miguel Paulo da Silva disse que o resultado superou as suas expectativas. "Foi uma ótima venda", afirmou. Ele ressaltou, ainda, que nos momentos finais o leilão foi bastante disputado, lance a lance, entre um grupo empresarial de Santa Catarina e o grupo baiano que acabou conseguindo o arremate.

"Ao lado do bom resultado do leilão, com ágio significativo, foi importante também o fato de o navio ter ficado na Bahia", afirmou o superintendente de Serviços Administrativos da Secretaria da Administração, Phedro Pimentel. Ele destacou que a Secretaria recebeu o apoio da Agerba, na avaliação do preço mínimo para o leilão, do CRA, no acompanhamento para evitar problemas ambientais, e da Petrobrás, na limpeza dos tanques.

Esses serviços foram necessários depois que o navio foi retomado pelo governo, em dezembro, junto à prefeitura de Maragogipe, que pretendia implantar um museu náutico, mas não levou o projeto adiante. A doação ao município havia sido feita em setembro de 2001. O Termo de Reversão de Bens Móveis foi assinado, em 5 de dezembro, com o novo prefeito do município, Carlos Hermano Albuquerque Baumert, anulando a doação.

Fontes:

UMA OPINIÃO - O VELHO MARAGOGIPE


Sempre que venho ao recanto publico aqui pequenos textos, situações que já vivi, ou simplesmente meus sentimentos que quando não agüentam mais explodem aqui dentro e transformam-se em letras.

Hoje não será diferente, estava tomando o meu café e lembrei da melhor travessia que já fiz pela Baía de Todos os Santos, tinha uns 10 anos e para o meu encanto e contentamento posso falar que viajei no velho Maragogipe, um navio simples que rasgava as águas abençoadas desse nosso recôncavo baiano, acordávamos antes das cinco horas da manhã com o apitar da velha embarcação, que chamava os seus tripulantes pela madrugada a dentro, na verdade era mais que um chamamento, parecia um pai carinhoso acordando o filho para não perder o horário..., mas voltando à minha aventura pueril...tudo parecia ter um tamanho maior, minha mãe, minhas primas e meu avô, todos nós éramos grandes, não pela altura, porém enormes por sermos merecedores do velho Maragogipe cansado de guerra.Cheguei ao Porto do Caíja e assim como minha família tantas outras estavam por lá despedindo-se de familiares que iam para Bahia( era assim que as pessoas do interior se referiam à cidade do Salvador) , meninada correndo naquela imensidão de reta que é a ponte do cais. Cheiro de manguezal, de farinha de mandioca, de fruta que seria vendida na capital baiana, para mim tudo aquilo era novo, mesmo sendo criada nessa terra abençoada do Recôncavo e tendo contato direto com tudo isso, para mim era uma novidade absoluta. Lembro-me de minha mãe segurando minha mão para que eu não “escapulisse” com as outras crianças; de quase nada adiantou, assim que as âncoras subiram soltei-me das mãos macias de minha mãe e fui para a parte mais alta da embarcação, o sol estava acordando e eu diferente das outras pessoas queria ser a primeira a contempla-lo, fixei meus pés de uma forma como se a cada movimento meu aquele navio fosse obedecer-me, doce ilusão a minha, cabelos ao vento, brisa do mar, sol nascendo, belas paisagem, peixes saltando ao lado do navio saudando-o por mais um dia vida, pequenas embarcações distante do grande Maragogipe, e assim aconteceu a minha travessia, mais de quatro horas navegando, e quando finalmente avistamos Salvador vi o meu tamanho pequenino diante de toda a exuberância que tinha aquela paisagem, o maragogipe antigo tão simples diante da imponência de outras embarcações, porém com um encanto todo seu, mais que fabuloso e fascinante, infelizmente chegamos ao porto e desembarcamos, pisei em terra firme novamente voltando a dura realidade e deixei-o para trás, nunca mais nos encontramos, o Velho amigo foi abandonado anos depois , esquecido, virou sucata. Que bom que tive a oportunidade de senti-lo, que bom que pude ser acordada por ele... De ter visto o que os outros olhos não conseguiram ver...
macabea