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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Mapas Históricos de Maragogipe na Biblioteca Digital Mundial da UNESCO

Encontrar mapas históricos sobre a região do recôncavo da Bahia é um pouco difícil, mas dedicação e muita paciência pode resolver nosso problema. Pesquisando na net, me deparei com uma Biblioteca Digital Mundial que disponibiliza diversos mapas históricos, além de outros tipos de publicações, como: livros, manuscritos, registros fonográficos, etc... Esta Biblioteca tem o apoio e colaboração das Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (UNESCO).

É, sem sombras de dúvidas um acervo interessantíssimo, principalmente, com relação a mapas e imagens do nosso interesse. Nele podemos encontrar alguns dos mapas do Brasil como:
  • A Baía de Todos os Santos; (Nosso interesse maior)
  • Região compreendida entre o rio Amazonas e São Paulo;
  • Fortaleza do Brum em Pernambuco;
  • Carta do Império do Brasil;
  • Guiana, ou, o Reino do Amazonas;
  • O Maranhão ou Rio Amazonas com a Missão da Companhia de Jesus
  • Mapa da Batalha de Catalão: Datado de 4 Janeiro de 1817;
  • Mapa da Baía de Todos os Santos no Sul do Brasil;
  • Mapa Geográfico do Brasil;
  • O Curso do Rio do Amazonas, Segundo Relatos de Christopher d’Acugna.
Confira agora, alguns recortes dos mapas relacionados a Maragogipe e região. Precisei recortar os mapas, pois quando baixava para o computador, a resolução diminuía o que prejudicava a visualização de alguns dados interessantes. Todavia, para ver o mapa completo é interessante visitar o site: Biblioteca Digital Mundial.

Neste recorte abaixo, você encontra as terras do Engenho Novo e o Rio da Cachoeira, no Recôncavo Baiano. Este recorte pertence ao "Mapa da Baía de Todos os Santos no Sul do Brasil" (Ver mapa completo).

Descrição: Este mapa de navegação espanhol mostra a Baía de Todos os Santos, ao largo da costa do Brasil. Indicadas no mapa estão medições da profundidade da água na baía, ilhas e fortificações costeiras e outros marcos.
Data de Criação: 1800 d.C. e 1899 d.C.
Idioma: Espanhol
Título no Idioma Original: Plano de la Bahia de Todos os Santos situada en la orla meridional del Brasil Descrição Física: 1 mapa manuscrito ; 46 x 55 centímetros

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Nos três mapas subsequentes, encontramos parte do Recôncavo Baiano, suas trilhas e estradas, as vias de Maragogipe, Nagé, Capanema, São Roque e outras. Estes recorte encontram-se no "Mapa Topográfico de Parte do Distrito de Ilhéus" (Ver mapa completo)

Descrição: Este mapa topográfico do início de século XVIII mostra o distrito de Ilhéus, no nordeste do estado brasileiro da Bahia. A região, também conhecida como IIhéus e São Jorge dos Ilhéus, foi o centro da produção açucareira do Brasil durante o período colonial. 
Criador: Teixeira, Manoel Rodriguez 
Data de Criação: 1700 d.C. e 1799 d.C. 
Idioma: Português 
Título no Idioma Original: Planta topographica em que se comprehende parte da comarca dos Ilheos 
Descrição Física: 1 mapa manuscrito : colorido ; 107 x 67 centímetros

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Este recorte do mapa retrata parte do Recôncavo da Bahia, e é perceptível a visualização de Capanema, Maragogipe, Cachoeira, São Félix, Nagé, São Tiago do Iguape, e outros. Ele é um recorte do "Mapa do Distrito da Bahia de Todos os Santos e sua Continuação para o Ocidente". (Ver mapa completo)

Descrição: Este mapa manuscrito, do início de século XVIII, mostra o interior do estado brasileiro da Bahia, nessa época, ainda inexplorado em sua maior parte. Os portugueses começaram a explorar esta região já em 1501 e logo a transformaram em um centro de cultivo e processamento de açúcar. O açúcar era exportado de várias cidades costeiras da Bahia, a mais importante das quais era Salvador. Salvador foi a primeira capital do Brasil, até 1763, quando Rio de Janeiro tornou-se a capital. 
Data de Criação: 1700 d.C. e 1799 d.C. 
Idioma: Português 
Título no Idioma Original: Mapa da Comarca da Bahia de Todos os Santos seguindo a continuação della para o poente 
Descrição Física: 1 mapa manuscrito ; de 42.5 x 53.5 centímetros


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Outros mapas históricos de Maragogipe você poderá ver na nossa página do Facebook.
Mais mapas do Brasil e Mundo, basta visitar a Biblioteca Digital Mundial.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Geografia: Mapas do município de Maragogipe e seus distritos

Na busca pela satisfação do professor que ensina a História e a Geografia de Maragogipe, além de outros estudiosos, disponibilizamos, neste portal, alguns mapas criados pela Prefeitura Municipal de Maragogipe, em parceira com o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e outros órgãos que desenvolveram o PDDM (Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal) e é por este motivo que encontramos mapas pensados para o futuro, e o PDU (Plano Diretor Urbano).

Mapa de Maragogipe e seus zoneamentos

Mapa do zoneamento urbano-ambiental da sede do município de Maragogipe

Mapa do zoneamento urbano-ambiental do Guaí

Mapa do zoneamento urbano-ambiental de Coqueiros do Paraguaçu

Mapa do zoneamento urbano-ambiental de Guapira

Mapa do zoneamento urbano-ambiental de Nagé

Mapa do zoneamento urbano-ambiental de São Roque do Paraguaçu

Partindo da premissa de um futuro melhor, e é essa a ideia da construção do PDDM e do PDU, foram elaborados alguns mapas de possíveis áreas de interesse. Confira.

Partido urbanístico da vila de Capanema

Partido urbanístico da vila de Enseada do Paraguaçu

Partido urbanístico de Guapira

Partido urbanístico da sede municipal (Maragogipe)

Partido urbanístico dos distritos de Coqueiros e Nagé

Partido urbanístico de São Roque do Paraguaçu.

Por enquanto, esperamos que estes mapas satisfação a curiosidade do leitor. Com o tempo, disponibilizaremos mais. Abraços.

Zevaldo Sousa

Fonte: Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal (PDDM) - criado em agosto de 2010
Plano Diretor Urbano (2012)

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Dados geográficos, políticos e demográficos de Maragogipe (Atualizado)


Bandeira de Maragogipe
O município de Maragogipe, está localizado no Estado da Bahia, na mesorregião Metropolitana de Salvador, na microrregião de Santo Antônio de Jesus. Tem data de elevação a categoria de vila, em 1725, e à categoria de cidade, em 1850.

A pessoa que nasce em Maragogipe é o maragogipano.

A letra do Hino de Maragogipe pode ser conhecida clicando AQUI, e foi criada por Flávio Lima.

Dados Político-Administrativos:
Brasão Oficial
Atual prefeito: Silvio José Santana Santos (Lista dos Prefeitos Anteriores)
Atuais vereadores: Themistocles Guerreiro (Presidente da Câmara), Sandra Lucia do Sacramento, Antonio Jorge Cerqueira Malaquias, Dércio Lima de Souza, José Maria de França, Aguinaldo Neves Barbosa, Rubens dos Santos Lameira Filho, Rosalvo Sicopira da Silva, Vera Lucia Maria dos Santos.

Para entender um pouco sobre a rica e opulente história dessa maravilhosa cidade há uma necessidade de conhecermos um pouco sobre os Dados Geográficos e Demográficos.

Dados Geográficos e Demográficos Atuais
Maragogipe está localizada no Recôncavo Sul e está a 133 km da capital baiana, Salvador e 69 km de Feira de Santana, por via rodoviária, e têm uma área aproximada de 440 km2 e está a uma altitude de 50 metros acima do nível do mar segundo o IBGE, no ano 2010 a população total era de 42.815.

Caracterização de Maragogipe



Maragogipe (Conheça o marco-zero) está localizada no Recôncavo Baiano, às margens da Baía do Iguape, ocupando um espaço territorial de 450 Km2, entre os paralelos, de 12º47’ de latitude sul e 38º56’ de longitude oeste de Greenwich. A sede municipal se encontra a uma altitude de 50 metros em relação ao nível do mar. Artesanato cerâmica utilitária, esteiras e chapéus de palha.

Principais Festas – Festa de São Bartolomeu, Burrinha, São João Pé de Serra, Carnaval dos Mascarados que é considerado Patrimônio Imaterial do Estado da Bahia.

O Recôncavo Baiano é composto por 33 cidades, sendo que as cidades como Cachoeira, São Félix, Santo Amaro, Nazaré e Maragogipe tem sua história marcada desde seus primórdios. É uma região de base agrícola, principalmente, na produção de gêneros de primeira necessidade, com prioridade para a mandioca, produto-base para a farinha. Durante muito tempo teve sua produção exportada para a Capital pelas águas da Baía de Todos os Santos, que é considerada a maior do país, com destaque para o açúcar, durante o período colonial, e para o fumo, na virada do século XX, sobretudo, Cachoeira, São Félix e Maragogipe, cuja produção começou a declinar na década de 50, até a extinção total no início dos anos 90.

No final do século XX e início do século XXI, passou por uma grave crise econômica e atualmente, a região busca novas alternativas para a revitalização de sua economia, vislumbrando como uma delas o turismo, e a industria naval, com a instalação do Estaleiro Enseada do Paraguaçu e a reativação do Canteiro de Obras de São Roque do Paraguaçu.


Para ter uma compreensão clara do processo de ocupação territorial, é necessário ter uma ideia do que é realmente o Recôncavo, esta área histórica conceituada por diversos pesquisadores. Grosso modo, Recôncavo significa fundo de baía, mas passou abranger as terras vizinhas adjacentes, com mangues, baixios, serras e tabuleiros.

Atualmente, a Baía de Todos os Santos, sofre um processo acelerado de poluição ambiental, que se registra em todos os níveis, desde a doméstica com os esgotos à industrial, que ocasionam a redução da piscosidade. Esse fenômeno está também presente em diversas áreas do Recôncavo, principalmente no que concerne a vertente hídrica, com os efeitos do chumbo, manganês, mercúrio, agrotóxicos, lixo e esgoto.

Limites do Município
O Município de Maragogipe se limita com Cachoeira, Baía de Todos os Santos, Saubara e Salinas da Margarida a leste; Jaquaripe e Nazaré ao sul; São Felipe a oeste e São Felix e Cachoeira ao norte.

O município de Maragogipe é formado por 06 distritos: Maragogipe (distrito-sede), Guaí, Guapira, Nagé, Coqueiros do Paraguaçu e São Roque do Paraguaçu (Conheça um pequeno histórico dessas localidades clicando nos links)

Divisas entre Maragogipe e os Distritos: 
Maragogipe e Nagé: Começa na nascente do Riacho Bacalhau, seguindo em reta até marco no lugar Viração, daí em até o marco da passagem da estrada de Maragogipe no Riacho Cachoeirinha.

Maragogipe e Guapira: Começa na nascente do Riacho Bacalhau e desce por este até sua foz no Riacho Sinunga, daí em reta até o marco da passagem da estrada de Maragogipe no Riacho Cachoeirinha.

Maragogipe e Guaí: Começa no marco da passagem da estrada Maragogipe no Riacho Cachoeirinha, e desce por este até a foz no Rio Guaí, por este abaixo até sua foz no Rio Paraguaçu.

Maragogipe entre os Distritos de Nagé e Coqueiros: Começa no Rio Paraguaçu na foz do Riacho Nagé, subindo por este até sua nascente; daí em reta até a nascente do Rio Batatan, pelo qual desce até sua foz no Rio Sinunga Maragogipe entre os Distritos de Nagé e Guapira : Começa na nascente do Riacho Papa-Gente e daí em reta até a nascente do Riacho Bacalhau.

Maragogipe entre os Distritos de Guapira e Guaí: Começa no marco da passagem da estrada de Maragogipe, no Riacho Cachoeirinha, daí em reta até a nascente do Riacho Cerqueira; desce por este até sua foz no Rio Copioba-Açu.

Maragogipe entre os Distritos de Guaí e São Roque do Paraguaçu: Começa na foz do Ribeirão do Ferreira no Rio Copioba-Açu, daí em reta até a nascente do Rio Guaí; daí por outra reta até o marco no lugar Mutuca à margem do Rio Paraguaçu.

Relevo
O relevo do Município é caracterizado pela existência de planícies (marinhas e fluviomarinhas) e tabuleiros (pré-litorâneos e interioranos). Dentre eles os acidentes geográficos encontrados em seu território, cabe destacar para as ilhas fluviais como a dos Coelhos, do Medo e dos Franceses, às praias de Enseadinha, em São Roque do Paraguaçu, Ponta de Souza em Nagé, Coqueiros e Barra do Paraguaçu.

Clima
O clima do Município é do tipo úmido e sub-úmido, apresentando temperatura média anual de aproximadamente 25,4ºC, oscilando entre a máxima de 31ºC.

As precipitações pluviométricas registradas em série histórica apresenta uma amplitude variável entre 1.000 e 1.800 mm. O período chuvoso ocorre entre os meses de abril e junho, não existindo, entretanto, risco de seca.

Pedologia
O solo é composto por Podzólico Vermelho-amarelo, Brunizen avermelhado, Halomóficos indiscriminados de mangue; Latossolos Vermelho-amarelos álicos de textura variada e areias quartzosas depositadas durante o período Quartenário.

Os processos morfodinâmicos atuantes em geral estão relacionados à infiltração de águas. O escoamento superficial difuso é notório sobre as áreas planas e fitoestabilizadas, caracterizando um ambiente com tendência a instabilidade. Nestas áreas observamos manguezais de grande porte a extensão, o que propicia às águas deste estuário uma grande produtividade primária. 

Hidrografia


A malha hidrográfica está vinculada à Baía do Iguape onde percebemos o Rio Paraguaçu, principal rio que banha o município de um lado e o Rio Guaí do outro, formando assim essa Baía rica é majestosa, cheia de história antes de desaguar na Baía de Todos os Santos. Também se integram a essa malha vários rios menores (Rio Batatã, Rio Cerqueira, Rio Inhauma, Rio do Navio, Rio Alemão e outros)

Vegetação
Existe uma grande quantidade de ecossistemas com a predominância das seguintes formações vegetais: Floresta ombrófila densa, Floresta estacional semidecidual, Formações pioneiras com influência fluviomarinha – mangue arbórea.

Os mangues são típicos das zonas tropicais e se constituem em um dos ecossistemas de maior produtividade. São resultantes de processos de acumulação fluviomarinha e localizam-se geralmente nos deltas dos rios.

Os mangues são presentes próximos ao estuário do Rio Paraguaçu são hospedeiros de uma fauna rica, povoados principalmente por moluscos e crustáceos. São formações pioneiras que predominam em áreas pedologicamente instáveis, em função da deposição constante de areia do mar e do rejuvenescimento do solo ribeirinho com deposições aluviais e lacustres. Nos médio e baixo trechos da Bacia do Rio Paraguaçu, este tipo de formação ocorre em áreas de influência fluviomarinha (manguezal arbóreo). Nas áreas com influência marinha encontra-se espécies como o Mangue Vermelho (Rhizophora mangle), predominante na região, e nas comunidades aluviais a vegetação se constitui de espécies paludícolas e psamófilas e por palmeiras de áreas alagadiças.

As áreas que margeiam a Baía do Iguape e o estuário do Rio Paraguaçu sofrem constante influência das marés (cunha salina) e abrigam os manguezais , ecossistemas desenvolvidos nestas áreas de transição entre os meios terrestre, fluvial e marítimo. A diversidade de espécies vegetais desse tipo de ecossistema é pequena, e as existentes desenvolveram sistemas peculiares de adaptação para sua sobrevivência nestes meios salobrosos.

A vegetação do manguezal se constitui basicamente de 3 espécies: O Mangue Vermelho (Rhizophora mangle) se desenvolve em águas mais salgadas e possui uma profusão de raízes que apresentam pequenos orifícios (lenticelas) por onde as plantas respiram; o Mangue Preto ou Saraíba (Avicennia shaueriana) se desenvolve onde a lama é mais firme, com menos oxigênio, fazendo com que suas raízes cresçam para fora em busca de ar; e o Mangue Branco (Laguncularia racemosa) se desenvolve em terrenos mais arenosos, próximos à terra firme. Em alguns locais pode ocorrer também o Mangue de Botão (Conocarpus e Acrostichum aureum).

Os manguezais são hospedeiros de uma fauna rica, povoados principalmente por moluscos e crustáceos. Este tipo de vegetação é de fundamental importância, tanto biológica quanto social.

Os manguezais são ecossistema vital para o equilíbrio ecológico da zona costeira, por serem ricos em nutrientes.

É lá que a vida marinha se alimenta e se reproduz, e onde muitas espécies de aves encontram alimentos em abundância e refúgio natural para se reproduzirem. Toda essa riqueza favorece a piscosidade dos recursos hídricos da região, garantindo também a sobrevivência de muitas colônias de pescadores e comunidades ribeirinhas. Do mangue depende mais de 70% (setenta por cento) da população do município, direta ou indiretamente.

Maragogipe está contida na Reserva Extrativista Marinha da Baía do Iguape – RESEX. e na APA – Área de Proteção Ambiental da Baia de Todos os Santos

Obs: Se for encontrado algum erro ou informação desatualizada, favor comunicar a central do Blog.

Fonte:
Site do IBGE Cidades
Fotos do IBAMA
Carlinhos de Tote, "Trajetória", pg 92 - Grafica Oxum Ltda, Salvador-BA
SÁ, Osvaldo; "Histórias Menores", volume I, II e III
SÁ, Fernando; "Maragogipe no Tempo e no Espaço", Volume Único, 2000

domingo, 25 de novembro de 2012

Em defesa do caranguejo-uçá - Ucides cordatus

Não podemos negar que o Caranguejo-Uçá, além de outros animais, são de extrema importância para a fauna marítima maragogipana, com isso, este portal não se preocupa apenas com a parte histórica da humanidade, mas também, com seus deslizes ambientais. Hoje, a nossa fauna está praticamente extinta, e é preciso atenção das autoridades que estão implantando o Estaleiro Enseada do Paraguaçu, a história não nega o que aconteceu com este símbolo do manguezal, em outras regiões do Brasil com o contato de micro-organismos de outras partes do globo que chegaram as águas brasileiras nos lastros dos navios. Sendo assim, vale o artigo.


Pós-graduando Bruno Sampaio Sant’Ana (santana@csv.unesp.br), regularmente matriculado no Curso de Pós-graduação do Instituto de Pesca, participa de esforço interinstitucional de pesquisa em defesa do caranguejo-uçá, conforme citado no artigo de Júlio Zanella para o Jornal da UNESP, no. 212, junho de 2006, transcrito a seguir.

Pesquisas ajudam na preservação do crustáceo, que é fundamental para sobrevivência de outras espécies em manguezais e está ameaçado por exploração desordenada no Nordeste.

Estudos sobre alimentação, densidade populacional e reprodução do caranguejo-uçá, desenvolvidos por pesquisadores do Campus Experimental do Litoral Paulista, em São Vicente, poderão contribuir para a estratégia que vem sendo adotada para a preservação do animal. O crustáceo está em processo de extinção em algumas áreas do Nordeste do País, onde é bastante consumido e comercializado, sendo a principal fonte de renda para algumas comunidades ribeirinhas.

“A preservação desse caranguejo é importante porque ele contribui para a sobrevivência de outros animais marinhos, aves e pequenos mamíferos, já que desempenha um papel fundamental na reciclagem de nutrientes dentro do seu hábitat, o mangue”, diz o biólogo Marcelo Pinheiro, coordenador do Grupo de Pesquisa em Biologia de Crustáceos (Crusta).

Conhecido também como “jardineiro-do-mangue”, o caranguejo-uçá, por triturar as folhas, ajuda na sua decomposição por fungos e bactérias, processo que gera nutrientes que são acrescentados ao solo, à água e à vegetação no manguezal. “A atividade alimentar dele auxilia a liberação de nitrogênio, fósforo e potássio no ambiente, elementos que serão absorvidos pelos peixes de água doce e animais marinhos, como outros crustáceos, camarões, mexilhões, berbigões, caramujos e ostras”, explica o docente. “E quanto maior o número de peixes, maior a quantidade de aves no ambiente.”

Em oito anos, o caranguejo-uçá atinge o tamanho médio de 8 a 10 cm. “Como a maioria dos pescadores não espera esse tempo todo, muitos são consumidos precocemente, o que causa impacto em todo o ecossistema local, em prejuízo da vegetação e da reprodução e crescimento de peixes”, diz Pinheiro, orientador dos estudos. O pesquisador investiga a espécie desde 1997 e ajudou na elaboração de uma portaria do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), válida para as Regiões Sul e Sudeste do País, que estabeleceu o tamanho mínimo de 6 cm para a captura desse animal.


Fontes de alimento

O primeiro passo dado pelos pesquisadores para garantir a preservação do caranguejo-uçá foi conhecer como ele se alimenta em seu ambiente. O estudo de doutorado do biólogo Ronaldo Adriano Christofoletti identificou, no mangue de Iguape, próximo a Cananéia, no litoral sul paulista, as folhas das espécies das árvores Avicennia schaueriana e Rhizophora mangle, que são consumidas pelo animal. “A disponibilidade e o valor nutricional das folhas no mangue apresentaram forte influência sobre o ciclo de vida do caranguejo-uçá, podendo também ser um fator limitante ao seu crescimento”, afirma o pesquisador.

A Avicennia possui a maior quantidade de nutrientes, contendo carbono, nitrogênio, cálcio, fósforo e potássio. “Nas áreas com predomínio dessas folhas, os animais apresentaram maior taxa de engorda”, conclui Christofoletti. “Por outro lado, descobrimos que a folha da Laguncularia racemosa possui maior concentração de tanino, substância inibidora de crescimento, que deveria ser evitada pelo crustáceo.” Ele ressalta que as descobertas serão de grande valia para estudos futuros relacionados ao manejo e conservação da espécie, inclusive para a produção de uma ração destinada à sua criação em cativeiro.
Densidade populacional

Se não é adequada para a alimentação do caranguejo-uçá, a Laguncularia racemosa mostrou-se importante para garantir a distribuição espacial dessa espécie, de acordo com outro doutorando da equipe. O estudo apontou as condições que determinam a densidade populacional do caranguejo-uçá através do método de quantificação e mensuração das galerias que ele ocupa. Os dados levantados indicam que a espécie se mostrou mais populosa quando havia abundância da Laguncularia racemosa, registrando-se em média dez galerias por metro quadrado de manguezal com maior presença do vegetal.

O pesquisador Gustavo Yomar Hattori relacionou fatores ambientais como solo, água das galerias escavadas pelo animal, tipo de vegetação e áreas com diferentes níveis de água na maré cheia. “Descobrimos que o teor de cálcio do local e a elevada salinidade foram as principais variáveis positivas para a abundância do caranguejo-uçá”, revela Hattori. “O número de animais foi maior nas áreas de manguezal sujeitas a um regime de pouca inundação.”

De acordo com o pesquisador, os resultados são relevantes para os órgãos fiscalizadores e programas de preservação do caranguejo. “Eles podem indicar que áreas com predominância de Laguncularia racemosa e elevada abundância de indivíduos de pequeno porte devem ser preservadas e consideradas como reserva de estoques naturais”, avalia.

Época de reprodução

Já o biólogo Bruno Sampaio Sant’Anna, em sua dissertação de mestrado, relacionou as condições ideais de reprodução dos caranguejos-uçá com fatores ambientais como temperatura, quantidade de chuva, salinidade, luminosidade, fase lunar, amplitude de marés e densidade populacional. O objetivo foi fornecer dados aos órgãos governamentais para avaliação do período de proibição da captura do caranguejo.

Sant’Anna observou que a reprodução se inicia entre novembro e dezembro, sendo menos acentuada em janeiro, com decréscimo da densidade nos meses subseqüentes. Ele constatou que, na área analisada no litoral paulista, durante as épocas mais quentes do ano, centenas de caranguejos da espécie saem das tocas e caminham pelo manguezal em busca de parceiros para acasalar. Nesse momento, eles ficam mais vulneráveis à captura por pescadores e turistas. “É nessa época, conhecida pelas comunidades ribeirinhas como ‘carnaval’, ‘andança’ ou ‘andada’, que os animais estão mais ativos”, afirma.

O pesquisador lembra que a proibição da captura durante a “andada” tem sido utilizada com sucesso em alguns Estados, como o Espírito Santo. “Isso está ocorrendo apesar de a fiscalização ser problemática, requerendo a conscientização da comunidade e dos catadores que extraem esse recurso pesqueiro”, afirma.
Após 12 meses de trabalho, Sant’Anna – que foi orientado por Pinheiro e pelo Pesquisador Científico do Instituto de Pesca Evandro Severino Rodrigues (evansero@pesca.sp.gov.br) – concluiu que a elevação da densidade da espécie pode ser influenciada pelo aumento da luminosidade, da temperatura e pelas condições de salinidade da água.

Os resultados do projeto como um todo vão auxiliar na melhor adequação do período de defeso determinado pelo Ibama na Região Sudeste e também na conscientização das populações ribeirinhas. Os estudos, vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, área de Produção Animal, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, campus de Jaboticabal, receberam financiamentos da Fapesp, do CNPq e da Fundação Biodiversitas.


INSTITUTO DE PESCA
Atendimento a usuários
Telefones: (011) 3871-7530 e 3871-7569; fax: (011) 3872-5035
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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Onde fica o marco-zero de Maragogipe?

Antes de começar a escrever sobre o tema de hoje, gostaria de perguntar o que é o marco zero? A resposta é simples: É o ponto inicial, onde tudo começou. Várias cidades do Brasil e do Mundo, depois de uma pesquisa histórica rigorosa, muitos debates, ou mesmo até, através de imposições, determinaram o marco-zero de sua cidade com construções, principalmente, estátuas de um grande personagem que marcou a história da cidade. Mas, isso não é uma regra geral, tem cidade que prefere construir uma praça, tem cidade que não constrói nada, na verdade, não há necessidade de se ter um marco zero materializado. Todavia, há necessidade de se conhecer, entender o porquê e quem sabe definirmos um local, mesmo sabendo que é impossível determiná-lo exatamente. Essa será nossa atividade, este será o tema deste artigo.

É muito comum vim nos livros didáticos de História, Geografia ou até mesmo Física, perguntas referentes ao marco-zero de uma cidade. Normalmente, eles pedem que o aluno faça um comparativo, escrevam sobre algo ou calcule a distância em relação a sua casa, os pedidos são variados e neste caso, quando os professores maragogipanos vão falar sobre, acabam sem saber onde fica o marco zero. Como então fazer a atividade? Bem, ao lermos livros que falam sobre a cidade, ao estudarmos as construções e ao percebermos o alinhamento das ruas, percebemos que existe um lugar, que pode ser determinado como marco-zero. Então, onde fica esse lugar?

Conta a História que habitavam nestas plagas índios da tribo marag-gyp, guerreiros, dedicavam-se ao cultivo do solo, à pesca e à caça. Por volta de 1520, exploradores portugueses chegaram até o Rio Paraguaçu e subiram o rio Cachoeirinha, no atual distrito do Guaí, às margens dos quais habitavam os índigenas. Esses portugueses ficaram vislumbrados com a riqueza das matas e como a acessibilidade que o rio proporcionava a qualquer embarcação, essa é uma questão muito importante na determinação de um marco, pois, é a condição necessária para que os primeiros habitantes europeus desta terra tivessem acesso a outros locais. Nos primórdios não se tinha carro e os animais de transporte não eram abundantes a ponto de se dispor uma tropa. Sendo assim, alguns exploradores resolveram ficar e explorar essa bela região. Isso não significa que o marco-zero possa estar sendo determinado perto do Rio Cachoeirinha, por um simples motivo, a fixação, ainda era exploratória e com isso, não tinha como determinação principal a criação de uma vila, essa só veio depois da descoberta de um rio límpido e perene, por Bartolomeu Gato,  que fora chamado de rio Igacaçu, nome que será dado a vila que aqui começava a se formar e hoje, rio Quelembe ou comumente chamado pela população de Rio do Urubu.

Mas como isso veio a acontecer? Devemos estar pensando que essas as terras atuais do município, descoberta por Bartolomeu Gato, estavam inclusas no território da Capitania do Paraguaçu (ou Peroaçu). Terras estas que já estavam em posse de D. Álvaro desde 16.01.1557, celebrando no mês seguinte, quando este recebeu sesmaria do governador D. Duarte da Costa, que era seu pai. Depois de uma desavença com o Bispo Sardinha, que havia partido para a Metrópole com objetivo de queixar-se da "impetuosa galinice do donatário do peroaçu, que mais tarde passaria a chamar-se Paraguaçu" (SÁ, Osvaldo, p. 11, 1981)  ao rei de Portugal. Não sendo "venturoso o Bispo legal, e a pique o seu barco, serviu ele de banquete a ameríndio, aos próprios que ele defendia ou pretendia defender perante S. Majestade." (SÁ, Osvaldo, p. 11-2, 1981). Somente em 12 de março de 1562 que D. Álvaro da Costa obteve a confirmação das terras doadas e em 17 de novembro daquele mesmo ano fez de Fernão Vaz da Costa e Vasco Rodrigues Caldas seus procuradores. Outras histórias surgirão, vale ressaltar que quando estas terras estavam nas mãos de D. Álvaro da Costa, muitos lusos fidalgos e endinheirados, vieram para cá, buscar melhorias e dobrar seus vinténs.

Foi assim que Bartolomeu Gato surgiu por essas terras e nas imediações do rio por ele descoberto, "começou a nascer uma povoação que usava a água pura do rio para beber, cozinhar e lavar. Assim, na "Rua do Rio", a primeira povoação, nascia o núcleo original da cidade de Maragogipe." (IPAC-Ba, p. 10, 1984). Aqui sim, poderemos determinar um marco-zero. Mas em que parte da "Rua do Rio" podemos estabelecer o marco-zero da cidade? A "Rua do Rio" é composta por duas ruas que seguem o Rio Quelembe ou do Urubu, que é a Rua Manoel Oliveira Lopes (que fica depois da descida da ladeira da entrada da cidade) e a Rua Siqueira Campos (onde ficava a Sede do Vasco). Nestas ruas surgiram as primeiras casas da cidade, mas mesmo assim, ainda não temos como determinar um ponto central, devido a geografia atual. Sabemos que o rio Quelembe, tinha um fluxo muito maior que nos dias atuais, pois neste tempo não se tinha a central de tratamento de água da Embasa, que intercepta quase a água por completo enviando para as residências deixando passar somente um fio de água. Sendo assim, não podemos estar pensando sobre um rio que quase não existe, quando adentra na cidade atualmente, sendo preenchido pelas águas da maré. Naquele tempo, o rio era maior e mais largo, possibilitando acesso a água com muito mais facilidade pelos moradores. Essa região tornou-se rapidamente um centro residencial e comercial e tinha como seu porto principal aquele que fica perto do Beco da Chandu, onde hoje fica a Praça Dois de Julho e o Mercado do Iguatemi, naquela ponte, que chamamos de Ponte das Palmeiras, ficava o principal  e único porto da  pequena vila de casas de taipa e palha, chamada de "Igacaçu, como se vê no mapa quinhentista da imponente baía de Todos os Santos e reentrâncias suas" (SÁ, Osvaldo, 23, 1981), que futuramente será chamado de porto pequeno. Era este porto a entrada e saida da vila que aqui estava surgindo, não existia estradas, a mata era fechada, pouquíssimas pessoas moravam aqui e basicamente viviam por se defender dos ataques indígenas, que nesta região habitavam.

Parte da região onde foram constrídas as primeiras casas.

Sendo assim, a rua hoje chamada "Siqueira Campos" foi o núcleo central da vila que aqui estava se formando, por ser muito mais próxima do porto; e por ter água límpida; por ser um ponto menos vulnerável a ataques dos selvagens, já que a região de Capanema tinha tribos muito valentes; por ser ponto mais próximo da saída do rio Paraguaçu  e por ter o manguezal como proteção a possíveis ataques de franceses, principais "invasores" dessa região.

Com relação à Rua Manoel Oliveira Lopes, podemos dizer que seria inviável construir alguma casa nela, por vários motivos, citaremos dois: Primeiro, os habitantes teriam que atravessar um rio que era muito mais forte do que o atual, para poder chegar ao porto; e segundo naquele tempo não existia estrada, então, não havia necessidade de se ter nenhuma construção do outro lado do rio.

Ao final desta ponte, poderia ficar um estátua que determinasse o marco-zero da cidade.

Seria interessante que o governo, construísse uma estátua, quem sabe até, do próprio Bartolomeu Gato, perto da ponte que atravessa o rio Quelembe, seguindo em direção ao alto do Japão, determinando um marco-zero. Quem sabe assim, crianças, jovens e pessoas que nesta terra não habitam possam estar conhecendo um pouco da nossa bela história, que é marcada por muitas lutas e desbravamentos e que atualmente está encoberta pelas inoperâncias burocráticas. É preciso que professores de história do Município se unam em prol dessa história e comecem a discutir sobre questões relativas ao nosso passado, transformando esse conhecimento em objeto presente. Ensinando-o nas escolas e mostrando a todos o quê que Maragogipe tem?

Como já disse, não há necessidade de determinarmos o local exato, até porque isso não é possível, mas o conhecimento é extremamente importante para descobrirmos quem realmente somos e de onde viemos.

Bibliografia
SÁ, Osvaldo; "Histórias Menores", vol 1, 1981.
IPAC; Maragogipe - "Uma proposta de ação", Salvador, 1984