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sábado, 8 de dezembro de 2012

A Pirâmide Invertida - historiografia africana feita por africanos (Carlos Lopes)

Neste momento, você terá a oportunidade de ler um pouco do fichamento do texto de Carlos Lopes "A Pirâmide Invertida - historiografia africana feita por africanos.

Na introdução Carlos Lopes tenta traçar uma “apresentação crítica dos argumentos avançados pelos três grandes momentos de interpretação histórica da África” (LOPES; 1995). Para ele a historiografia deste continente tem sido “dominada por uma interpretação simplista e reducionista”, mas antes do autor começar a falar sobre estes momentos, ele demonstra um paralelo da historiografia africana com um momento “em que os historiadores estão cada vez mais próximos do poder”, e afirma que estes historiadores são todos de uma mesma escola historiográfica que proclama “a necessidade de uma reivindicação identitária”, citando como exemplos “de uma interdependência entre a História e o domínio político

“Inferioridade Africana”


É através do paradigma de Hegel - o "fardo" do homem branco -, que o ocidente conheceu durante muito tempo a História da África. O filosofo alemão Hegel traça consideração sobre a chamada África Negra, ou seja, a região do continente localizada além do deserto do Saara, demonstra que a África não tem história antes da colonização e que ela precisava do da civilização europeia para ter uma história consciente. Todavia, com a chegada de novas correntes, este paradigma fracassará, havendo uma mudança na interpretação histórica.

Carlos Lopes pergunta em seu texto: “A que se deve esta “inferioridade Africana”?”. A resposta está nas suas raízes e cicatrizes. Lopes diz que “suas raízes são profundas e suas cicatrizes demoram a desaparecer”, as bulas papais deram direitos aos países europeus, principalmente, aos países católicos, sobre os povos negros. Para isso, Lopes demonstra exemplos artísticos e em outros campos do conhecimento que estão ou foram feitos em solo africano e que os europeus reclamam sua influência. Para Lopes “a inferioridade Africana foi fortificada” ainda “pela estrutura da colonização, suposta incluir a dominação física, humana e espiritual.”, e esta estrutura impõe um olhar dicotômico sobre África e africanos. Porém ele demonstrar que essa corrente é dominada por historiógrafos não africanos.

“Superioridade Africana”

Joseph Ki-Zerbo, historiador
Mas como toda história, temos sempre o lado oposto. E neste caso, os historiadores africanos formaram sua própria corrente historiográfica. Ki-Zerbo gostaria e muito de chamá-la de "Corrente da pirâmide invertida”. Neste momento Ki-Zerbo vai usar “o argumento do também temos em vez de apenas temos história” influenciando vários historiadores contemporâneos. Porém essa corrente buscou também outro objeto que não era apenas História presente-passado, eles queria fazer um história do amanhã, fora isso numa “busca incessante de fatos produtores de uma projeção da historicidade reconhecida” fizeram uma comparação com os modos historiográficos de outras regiões do mundo, principalmente, européia, com a historiografia africana. Assim fizeram uma História “das interações e dos oprimidos” que se concentra “nas mudanças sociais, na contribuição africana, na resistência ao colonialismo e no conceito de iniciativa local”. Essa corrente vai mostrar que a civilização ocidental bebeu do conhecimento negro.

Historicidades complexas face a historiografias ideologizadas.
Neste momento, Carlos Lopes mostrará que “o produto historiográfico não tem nenhuma independência ou autonomia, depende inteiramente do momento e ideologia que influenciam a sua concepção”, numa abordagem que visa a demonstração de que nada é para sempre e tudo está sempre em mudança, desde a história até a historiografia, por isso essa corrente influenciada pela Nova História vai demonstrar que não podemos viver uma ideologia ao escrever história, devemos sim perceber que a história tem um sentido de explicação no âmbito passado-presente e não no passado-futuro.

Emoções controladas
Depois de tantas transformações, Carlos Lopes reconhecerá que a historiografia africana terá suas emoções controladas, e que naquele momento era preciso “afinar as técnicas, conhecer as tendências transnacionais, e quebrar as barreiras e tradições impostas pelas línguas oficias”. Com o entendimento de que não podemos prever o futuro e “hesitando em descrever o passado recente e querendo quase apagar largas porções do passado remoto são indicações de desconforto que exigem uma reinterpretarão histórica”. Por fim, Lopes afirma que podemos descobrir a nossa história com a interpretação coerente da História da África.


Bibliografia:

LOPES, Carlos. “A Pirâmide Invertida - historiografia africana feita por africanos”. In Actas do Colóquio Construção e ensino da história da África. Lisboa: Linopazes, 1995.

domingo, 1 de junho de 2008

Análise da História Econômica através de Fragoso

Em seu texto, “Para que serve a história econômica? Notas sobre a história da exclusão social no Brasil”, João Fragoso expõe a público que a sua avaliação sobre a história econômica nacional e internacional mudou um pouco. Ele dirá que “na época, apresentamos (Fragoso e Florentino, 1997: 27-43) um balanço bastante cético sobre os destinos das pesquisas neste campo.” (Fragoso, 2002: 1). Através de uma crítica avassaladora como ele mesmo diz, e em alguns casos injustamente, que foram feitas à “história serial francesa, os modismos da historiografia brasileira e, com eles, a redução brutal do número de investigações econômicas feitas nas pós-graduações.” (Fragoso, 2002: 1).

Realmente em seu primeiro texto feito em conjunto com Manolo Florentino eles estavam prevendo uma derrocada da história econômica, pelo simples fato da redução brutal do número de investigações econômicas. No entanto, eles buscaram fundamentar sua tese, através de variações percentuais, o que difere em muito das variações quantitativas de textos produzidos. O que eles não viram ou não quiseram ver neste momento é que o número de artigos produzidos de história econômica aumentou ou se manteve estável, não obstante o que se percebe, e eles têm razão nisso, é que havia “uma preocupação com a longa duração e a ênfase nas estruturas econômicos-sociais para a compreensão das sociedades, locus privilegiado até mesmo para a compreensão da política e da cultura.” (Fragoso e Florentino, 1997: 29) Completando o texto dizendo que “Do ponto de vista da praxeologia histórica, daí derivava a constante preocupação com a utilização de fontes propícias à quantificação e à seriação” (Fragoso e Florentino, 1997: 29). Percebe-se, portanto, uma forte influência da Escola dos Annales e da historiografia marxista.

O que Florentino e Fragoso sentiram foi o aparecimento contínuo de críticas ao modo como a história econômica abordava os conteúdos históricos e ao tipo de reflexão em meio ao qual era produzido. O que eles não queriam entender neste momento, é o surgimento de novos problemas, novos paradigmas, novos interesses que apareciam naquela sociedade e que a história econômica não tinha as ferramentas para tal explicação, contudo ele não concordará com esse fato.

O artigo de Fragoso “Para que serve a história econômica?” fará um rápido balanço das tendências recentes da história econômica nacional e internacional, em particular, das pesquisas sobre as sociedades pré-industriais. Em seguida, analisará a concentração de renda no Brasil contemporâneo e abordará as possíveis contribuições da história econômica para o entendimento desse fenômeno.

Nele ele irá perceber que “as críticas à história social e econômica feita na tradição de Labrousse (1933-1955) continuaram. Insiste-se em duvidar das investigações que procuram apreender as regularidades observáveis e, com isso, construir quadros explicativos. Acredita-se, ainda, que essa ‘decrépita’ abordagem deixaria os comportamentos e o acaso, isto é, a experiência social, de fora.” (Fragoso, 2002: 1). Para os críticos da história econômica, cujo eixo original são os Annales, a investigação quantitativa pode obscurecer ou distorcer os fatos, o que se percebe neste tipo de explicação é que “a vida real é largamente posta à margem e a visão de longo período pode gerar uma abstrata e homogeneizada história social desprovida de carne e sangue, e não convincente apesar de seu estatuto científico” (Fragoso e Florentino, 1997: 30). O que eles não percebem ou não queriam ver, segundo Fragoso é “que a apreensão de tais conflitos e solidariedades como características da vida dos grupos sociais pressupõe o estudo da regularidade daqueles fenômenos. Somente com isso seria possível elaborar teorias, explicar o porquê dos conflitos, e do acaso no ‘cotidiano’ dos grupos sociais” (Fragoso, 2002: 1). Com isso, Fragoso reforça o caráter crítico a história serial francesa feita no primeiro texto, e ainda pergunta-se sobre a utilidade da história serial nos dias atuais.

Traçando um rápido quadro explicativo sobre a historiografia brasileira e internacional, procurando revelar “as conseqüências interpretativas sobre as sociedades ultramarinas” (Fragoso, 2002: 5). Ele procurará revelar que a exclusão social no Brasil atual é resultado de uma série de políticas, mudanças sociais e econômicas que a sociedade brasileira escravista nos legou e que nós mantivemos e ampliamos com o término da estrutura escravista.

Na conclusão de seu texto Fragoso abordará as possíveis contribuições da história econômica para o entendimento desse fenômeno, constatando que “a permanência das fortes desigualdades sociais ao longo de quinhentos anos de Brasil é compreender que, nesses séculos, a sociedade brasileira viveu mudanças..., porém o fosso entre os mais ricos e os mais pobres permaneceu. Cabe, portanto, ao historiador, estudar os diferentes mecanismos – econômicos, culturais, etc. – que resultaram nesse fosso. E nisso a pesquisa econômica teria um papel decisivo, com suas séries de preços e faixas de fortuna.” (Fragoso, 2002: 19).

O que se percebe nestes dois textos é que apesar dele no início do segundo texto está se retratando vendo que foi injusto em certos pontos, ele continua defendendo a história econômica como forma explicativa da história. Uma mudança ocorrida foi a sua percepção que a história econômica não estava decadente como ele diz no primeiro artigo, mas ainda permanece, através da incorporação de novos métodos, resultado do embate com a história econômica e social, cujo eixo principal seria a escola dos Annales, sentindo-se, portanto capaz de poder explicar as variações que a sociedade traz. Um exemplo disso seria seu artigo sobre a exclusão social.

FRAGOSO, J. L. R. Para que serve a história econômica? Notas sobre a história da exclusão social no Brasil. Revista de Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 29, p. 3-28, 2002.
FRAGOSO, J. L. R. & FLORENTINO, Manolo. “História Econômica”, em CARDOSO, Ciro & VAINFAS, Ronaldo. Domínios da História. Rio de Janeiro, Campus, 1997.